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AÇÃO ORDINÁRIA DECISÃO Nº 414/2012 PROCESSO Nº 51051-50.2012.4.01.3400 CLASSE 1900 AUTORA :ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE ALTA TECNOLOGIA DE EQUIPAMENTOS, PRODUTOS E SUPRIMENTOS MÉDICO- HOSPITALARES - ABIMED ADVOGADOS :Dr. José Alexandre Buaiz Neto e outros RÉ :AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA - ANVISA DECISÃO. Cuida-se de pedido de antecipação de tutela em ação sob o procedimento ordinário ajuizada pela ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE ALTA TECNOLOGIA DE EQUIPAMENTOS, PRODUTOS E SUPRIMETOS MÉDICO-HOSPITALARES - ABIMED, objetivando seja determinado à ré que aceite os certificados de boas práticas (ou seus congêneres) estrangeiros, como documentos válidos e aptos ao recebimento, ao processamento e à concessão do pedido de registro de produtos, equipamentos e suprimentos médico-hospitalares importados por seus associados e que dependam de inspeção fabril internacional, cujo protocolo do pedido de inspeção tenha sido realizado há mais de 6 (seis) meses. Aduz que para o comércio de produtos médicos importados em território nacional é necessário obter registro junto à ANVISA, e, para tanto, por força da Resolução RDC nº 25/2009, exige-se a obtenção do Certificado de Cumprimento de Boas Práticas de Fabricação e Controle CBPF,

2 o qual é emitido após realização de inspeção nas plantas industriais onde são fabricados os produtos sob registro, cujas instalações podem estar localizadas em diferentes países. Porém, a ANVISA não implementou as condições para realização das inspeções internacionais, o que vem impedindo, não só o referido registro, como também que os pacientes brasileiros tenham acesso a determinados insumos essenciais aos procedimentos médicos de que necessitam. Ressalta que os pedidos de registro feitos por suas associadas junto à ANVISA aguardam tempo excessivo sem nenhum andamento, impedindo o registro e importação dos referidos produtos. Pondera que a ANVISA, ante a sua confessada e notória insuficiência de recursos técnicos e humanos, deveria adotar medidas racionalizadoras da sua atividade, como aceitar, por exemplo, em substituição ao CBPF, para a viabilização de registro e importação de produtos fabricados em plantas industriais no exterior, o certificado de boas práticas de fabricação o Good Manufacturing Practices ( GMP ) emitido pela U.S. Food and Drug Administration ( FDA ), autoridade estadunidense responsável naquele país pela supervisão de atividades sanitárias, ou o ISO 13.485, que no Brasil é aceito como NBR ISO 13.485 ) ISSO 13.485 ), aceito em países da Europa, Canadá e Japão. (fls. 08/09) Inicial instruída com os documentos de fls. 18/124. A apreciação do pedido de liminar foi relegada para após manifestação da ANVISA (fl. 128), apresentada às fls. 130/141, em que alega, em síntese, que possui competência privativa para a realização da inspeção internacional para fins de certificação de boas práticas de fabricação de produtos importados, a relevância dessa certificação para a segurança dos produtos médicos comercializados no mercado nacional e a impossibilidade, por falta de permissivo legal, de adoção, no Brasil, da certificação emitida por outros países. Finalmente, afirma que tem envidado todos os esforços para conferir maior celeridade e eficiência à certificação de BPF internacional, bem como o risco inestimável à saúde da população decorrente da alegação da ABIMED de

3 que de que haveria possibilidade de revogação do registro sanitário concedido pela ANVISA ao produto, por ordem judicial, se constatada alguma irregularidade durante a inspeção para certificação de boas práticas de fabricação em momento posterior. É o relatório. Passo a decidir. Relevantes os fatos e fundamentos aqui invocados pela autora. Com efeito, o dever de eficiência, ora erigido à categoria de princípio norteador da atividade administrativa com a nova redação dada ao caput do art. 37 da Constituição Federal, pela Emenda Constitucional n.º 19, de 4 de junho de 1998, impõe-se como característica vinculada a todo serviço prestado pelo Poder Público, sem admitir discricionariedade ou burocracia. Na qualidade de mais moderno princípio da função administrativa, a eficiência exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza, perfeição e rendimento funcional, não mais se contentando em ser desempenhada apenas com legalidade, exigindo resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros. Não há, na doutrina, um critério conclusivo sobre a conduta omissiva da autoridade, mas se sabe que o silêncio não é ato administrativo. Ultrapassado um tempo razoável para a manifestação da autoridade ou do órgão competente isso quando a norma não fixa prazo para a prática do ato a omissão da Administração se converte em abuso de poder, corrigível pela via judicial adequada. O egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região já se manifestou em caso análogo, o que vem confirmar a tese aqui aventada: PREVIDÊNCIA SOCIAL. POSTULAÇÃO JUDICIAL EM RAZÃO DA DEMORA NA SOLUÇÃO DE

4 PEDIDO ADMINISTRATIVO. INTERESSE DE AGIR PRESENTE. 1. A demora do pronunciamento da Administração sobre qualquer pedido que lhe é formulado, justifica postulação judicial de igual natureza, fazendo-se presente o interesse de agir, porque o interessado não pode ser obrigado a esperar, indefinidamente, por largo tempo, a solução do seu pleito administrativo. 2. Apelação denegada. 3. Sentença confirmada (AC n.º 89.01.23758-0/MG, Rel. Des. Federal CATÃO ALVES). Assim, na esteira do entendimento jurisprudencial supracitado, tem-se que a inércia da autoridade administrativa que deixa de executar determinada prestação de serviço, a que por lei está obrigada, lesa o patrimônio jurídico individual, constituindo forma omissiva de abuso de poder, quer o ato seja doloso, quer seja culposo. In casu, verifica-se que é incontroversa a omissão da ANVISA em realizar a inspeção nas plantas industriais onde são fabricados os produtos sob registro, o que, evidentemente, tem causado prejuízos não só às atividades comerciais das postulantes, como também aos usuários de tais produtos. Dessa forma, tendo em vista que a ANVISA em sua manifestação sequer mencionou a estimativa de um prazo que seria razoável para a realização das inspeções e levando-se em consideração que o pleito da autora é direcionado aos pedidos de registro já protocolizados há mais de seis (seis) meses, ou seja, cujos prazos legais já se acham extrapolados, entendo razoável a ponderação da autora no sentido de que sejam aceitos os certificados de boas práticas de fabricação emitidos pelos países onde são fabricados os respectivos produtos, até a efetiva atuação da Agência. Diante do exposto, presentes os pressupostos processuais da urgência no atendimento da prestação jurisdicional e da plausibilidade do direito invocado, DEFIRO o pedido de liminar para determinar à ré que aceite os certificados de boas práticas (ou seus congêneres) estrangeiros, como documentos válidos e aptos ao recebimento, ao processamento e à concessão do pedido de registro de produtos, equipamentos e

5 suprimentos médico-hospitalares importados por suas associadas e que dependam de inspeção fabril internacional, cujo protocolo do pedido de inspeção tenha sido realizado há mais de 6 (seis) meses, facultando à ANVISA a revogação do registro, caso a empresa não seja aprovada na inspeção internacional, ressalvando-se os atos validamente praticados durante a vigência do registro. Regularize a autora sua representação processual (fl. 125), no prazo de 10 (dez) dias, sob pena de indeferimento da petição inicial. Intimem-se. Cite-se. Brasília-DF, de novembro de 2012. HAMILTON DE SÁ DANTAS JUIZ FEDERAL TITULAR DA 21ª VARA