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Alternativas Legais de Alterações nos Contratos de Trabalho em Tempos de Crise
Durante o mês de janeiro acompanhamos pelos jornais as noticias do aumento do desemprego nas principais economias no mundo. Países Número de demissões em 2008 Percentual médio USA 2,1 milhões 7,2% Alemanha 3,49 milhões 8,3% Japão 2,7 milhões 16,9% China -o- 4,2% Espanha 3,3 milhões 13,91% França 2,5 milhões 9,9 % Brasil 1,9 milhões 7,9% Fonte: O Globo, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo.
Alternativas Legais de Alterações nos Contratos de Trabalho em Tempos de Crise Em tempos de crise econômica, os empresários, os empregados e os sindicatos buscam alternativas legais para minimizar ou evitar demissões, pois isto, sem dúvida nenhuma, é prejudicial para qualquer uma das partes envolvidas.
Alternativas Legais de Alterações nos Contratos de Trabalho em Tempos de Crise Em momentos de retração da atividade econômica, as alternativas mais comuns e imediatas aplicadas aos contratos de trabalhos, são a concessão de Férias Coletivas, utilização do Banco de Horas e Licenças Remuneradas.
Além das citadas alternativas, existem também outras possibilidades de adaptações ou alterações temporárias nos contratos de trabalho: Suspensão Temporária do Contrato de Trabalho Redução Temporária da Jornada de Trabalho e dos Salários Migração de Contrato de Tempo Integral para Contrato a Tempo Parcial
Suspensão Temporária do Contrato de Trabalho Este instituto está previsto no artigo 476-A da CLT, que foi inserido pela Medida Provisória 2.164-41 de 24 de agosto de 2001. Assim, é possível, suspender temporariamente o contrato dos empregados, não sendo necessário pagar salário e os correspondentes encargos sociais (INSS e FGTS) durante este período.
Suspensão Temporária do Contrato de Trabalho Devem ser observadas as seguintes regras: O período de suspensão no mínimo 02 e no máximo 05 meses; A suspensão deve ser estabelecida em negociação coletiva (no caso Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho); A realização da negociação coletiva direta ou com mediação da SRTE (antiga DRT); A suspensão só poderá ocorrer uma vez, no prazo de 16 meses; O empregador deve proporcionar aos empregados atingidos, um curso de qualificação profissional, com duração equivalente ao período de suspensão dos contratos de trabalho; O curso de qualificação gerará fornecimento de Bolsa de qualificação, a ser custeada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador FAT.
Suspensão Temporária do Contrato de Trabalho Empresa Atividade Número de funcionários Sindicatos Envolvidos Benefícios aos empregados Plástico Mueller 3 unidades - BH e SP. Indústria de componentes automobilísticos 2.000 Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e Plásticas Um curso de qualificação profissional financiado pelo empregador; Renault funcionários da produção da fábrica de S. J. dos Pinhais Indústria automobilística 1.000 Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba Remunerados com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador); Basso Componentes Indústria de componentes automobilísticos Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo Ajuda de custo (Renault); Indebras (fabricantes de autopeças) Philips localizada em Manaus (AM) Indústria de componentes automobilísticos Fabricante de eletroeletrônicos Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo 460 Sindicato da categoria Estabilidade de 3 a 6 meses após o término da suspensão.
Redução Temporária da Jornada de Trabalho e dos Salários A Constituição Federal de 1988 (inciso VI do artigo 7 ) veda a redução salarial dos trabalhadores feita de maneira individual e unilateral, mas a permite quando a redução seja correspondente a redução de jornada de trabalho e estabelecida em Acordo ou Convenção Coletiva de Trabalho. A empresa deve observar as regras da Lei 4.923/65 e demais princípios legais de negociação coletiva.
Redução Temporária da Jornada de Trabalho e dos Salários De acordo com a citada Lei, a redução da jornada de trabalho com a correspondente redução salarial, tem as seguintes regras e requisitos : A empresa, em face de conjuntura econômica, deve comprovar que se encontra em condições que recomendem, transitoriamente, a redução da jornada normal ou do número de dias do trabalho; Deverá haver prévio acordo com a entidade sindical representativa dos seus empregados, homologado pela SRTE (antiga DRT); O prazo não pode exceder de 3 (três) meses, prorrogável, nas mesmas condições, se ainda indispensável; A redução do salário mensal resultante não pode ser superior a 25% (vinte e cinco por cento) do salário contratual;
Redução Temporária da Jornada de Trabalho e dos Salários Empresa Atividade Nº de funcion. Acordo realizado Sindicatos Benefícios Olimpus Industrial e Comercial Ltda. fabricante de antenas e alarmes 200 jornada de trabalho reduzida em 20% de fevereiro e março e salário reduzido em 15%. Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi estabilidade no emprego até o dia 30 de setembro Samot 2 unidades empresa de autopeças 650 redução da jornada de trabalho em 20%, e de salário em 15%, pelo prazo de 90 dias Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi estabilidade no emprego por 180 dias MWM International Motores Metalúrgica 2.799 redução de 20% da jornada e 16,5% do salário, a partir de 1º de fevereiro, Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi estabilidade de emprego de quatro meses e meio (135 dias) Valeo Sistemas Automotivos fabricante de faróis e lanternas 800 a jornada será reduzida em um dia de trabalho por semana e, salários, em 15%. O acordo vale por 90 dias Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi estabilidade no emprego até 45 dias após o final do prazo Sabó fábrica de autopeças 2.000 a jornada de trabalho terá um dia a menos na semana e o salário será reduzido em 12%. Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi A estabilidade no emprego para o período em que o acordo vigorar (3 meses)
Migração de Contrato de Tempo Integral para Contrato a Tempo Parcial De acordo com o artigo 58-A da CLT, é possível contratar trabalhadores em regime de tempo parcial, assim considerado aquele com duração não superior a 25 horas semanais. Nesta modalidade, o pagamento de salário é proporcional à carga horária prestada e o salário-hora deve ser equivalente o salário dos empregados "que cumprem, nas mesmas funções, tempo integral", por respeito ao princípio da equiparação salarial. No caso de contratos de trabalho de empregados pré-existentes que hoje trabalham em horário normal, estes poderão optar pelo regime de contrato a tempo parcial.
Migração de Contrato de Tempo Integral para Contrato a Tempo Parcial Requisitos para a mudança do contrato de trabalho: Os empregados manifestar essa opção junto à empresa; A deve esta negociar coletivamente com o Sindicato dos Trabalhadores a sistemática; Nesse regime o empregado não pode trabalhar além do limite semanal de 25 horas, não havendo, assim, a possibilidade de realização de horas extraordinárias, nem mesmo eventuais.
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