UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO FACULDADE DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS E VETERINÁRIAS CAMPUS DE JABOTICABAL Introdução Criação animal no Brasil => exploração de pastagens como fonte principal na alimentação Formação de Pastagens Prof. Dra. Ana Cláudia Ruggieri Jaboticabal Agosto de 2011 Pastagem natural Pastagem nativa Tipos de pastagens Pastagens artificiais ou cultivadas Permanentes Temporárias Preparo do solo Avaliação da fertilidade do solo Finalidade: Grau de suficiência ou de deficiência de nutrientes no solo Condições adversas Acidez ou salinidade Amostragem de solo Dividir a propriedade em áreas uniformes Máximo 20 ha (± 8 alqueires) Fonte: Beefpoint Os critérios: Topografia ou declividade Drenagem Cobertura vegetal ou cultura Cor do solo Tipo do solo ou textura e de adubação Produção em anos anteriores Sintomas em plantas na última cultura Divisão da propriedade em áreas uniformes Procedimento da amostragem Caminhamento em zigue-zague Mínimo 20 locais diferentes Amostra composta Caixinha ou saquinho de plástico identificado 1
Retirada de uma amostra simples Utensílios para amostragem A- Trado de Rosca, B-Trado Holandês, C- Enxadão e D- Pá Profundidade: 0-20 cm Época e freqüência da amostragem: Qualquer época do ano Dois a três anos Balde de plástico (10 a 20 litros) Caixinha de papelão ou saquinhos de plástico especiais para envio da amostra composta ao laboratório Correção da acidez do solo Aplicação: Dois a três meses antes do plantio No início das chuvas Incorporação 20 a 30 cm aração uma gradagem de nivelamento (antes do plantio) Tipo de Corretivo Calcário Cal virgem agrícola Cal hidratada agrícola ou cal extinta Calcário calcinado Escória básica de siderurgia Carbonato de cálcio PRNT Adubação de correção Macronutrientes Fósforo: Em função da exigência da planta A aplicação de correção + formação são feitas simultaneamente, na implantação da pastagem, somando os requerimentos Aplicação próxima à semente Potássio: Em cobertura Forrageira: cobrir 60 a 70% do solo Soma-se os requerimentos da correção e de formação Nitrogênio: Aplicado parceladamente e anualmente Sempre aplicar a lanço e em cobertura Preferência: sulfato de amônio, para evitar perdas de nitrogênio Uréia: em condições de umidade no solo, sem sol pleno, e dias não muito quentes Adubação de correção Macronutrientes Cálcio e magnésio: Formas disponíveis em ph acima de cinco Correção da acidez fornece, normalmente, as quantidades exigidas Enxofre: Normalmente o uso de superfosfatos e sulfatos podem ser o suficiente para pastagem O gesso Eliminar o Al +3 trocável Fornece Cálcio Fornece quantidade apreciável de S ao solo Micronutrientes Adubação de correção Leguminosas Forrageiras mais produtivas recomenda-se: 80Kg/ha de FTE BR.12 (9% -Zn, 1,8% - B, 0,8% - Cu, 3% - Fe, 2% - Mn, 0,1% - Mo, 0% - Cu) Aplicação: à época da correção do solo Muito pouco se sabe sobre as exigências das plantas nestes elementos. 2
Adubação de manutenção Limpeza da área Anual, devido ao ciclo vegetativo das espécies forrageiras Análise de solo de amostras coletadas nos 10 cm superficiais Pastagens já formadas Fósforo: fosfatos naturais reativos e em cobertura Nitrogênio: de 60 a 240 Kg de N por ano, independente da análise do solo. Economicidade Áreas de agricultura ou pastagem roçada geral e/ou aplicação de herbicida para posterior semeadura Áreas com vegetação natural Correntão: para áreas maiores e planas e com vegetação composta de arvoretas pouco densas Lâminas frontais: áreas com vegetação mais densa Limpeza manual: recomendado para áreas pequenas e/ou locais de difícil mecanização Queima: menos recomendável Uso de correntão Uso de Lâminas frontais Critérios: A escolha da espécie forrageira Assistência técnica Levantamento de um histórico detalhado da região: índice pluvial médio anual e mensal temperatura média anual e mensal fotoperíodo ocorrência de geadas ocorrência de pragas importantes Levantamento da área em que será implantada a pastagem: profundidade fertilidade estrutura textura do solo topografia susceptibilidade à erosão culturas de cobertura anteriores possibilidade e duração de encharcamento Escolha da espécie forrageira Alguns detalhes... Topografia topografia mais acidentada Preferência para espécies estoloníferas: B. decumbens cv. Basilisk; B. humidicola cv. Humidicola; B. humidicola cv. Llanero (Dictyoneura) Textura do solo solos arenosos ou de textura mista: todas as espécies podem ser utilizadas Para solos com textura mais argilosa, espécies com sistema radicular mais vigorosos: B. brizantha cv. Marandú; B. brizantha cv. Xaraés (MG-5); Panicum maximum cv. Mombaça 3
Escolha da espécie forrageira Alguns detalhes... Fertilidade do solo Baixa Exigência Média Exigência Alta Exigência Tabela 1. Exigências de adaptação e tolerância das plantas forrageiras a alguns componentes ambientais abióticos Drenagem do solo Deficiência de drenagem: espécies tolerantes ao encharcamento, como B. humidicola cv. Humidicola Drenagem lenta: a B brizantha cv. BRS Piatã e Xaraés podem ser empregadas A escolha da espécie forrageira Critérios: Tipo de manejo que será adotado utilização ou não de fertilizantes na formação e manutenção Forma de estabelecimento Sistema de pastejo lotação rotacionada ou lotação contínua Espécie e raça animal Expectativa de produção Os tipos de semeadura mais empregados são: Semeadura Manual áreas com alto declive e de difícil acesso para máquinas A lanço Com matraca Semeadura Mecanizada A lanço mesmo equipamento para distribuição de calcário Em sulcos distribui e cobre as sementes em uma só operação Plantio de mudas Semeadura Semeadura Aérea Semeadura manual Semeadura mecanizada Lanço Matraca Lanço Sulcos de plantio 4
Incorporação Profundidade de incorporação das sementes por espécie (cm) Semeadura aérea Incorporação Implementos para a incorporação das sementes, quando a semeadura for feita a lanço: Grade niveladora fechada logo após a semeadura germinação e emergência das plântulas. Rolo compactador sempre ser empregado em solos arenosos Grade niveladora Uso de rolo compactador Valor cultural (VC) Exprimi a qualidade físico-fisiológica das sementes de gramíneas forrageiras Esse valor representa a proporção de sementes puras que são viáveis em um lote ou amostra O preço das sementes é geralmente baseado no valor cultural Esse índice também é utilizado para regular a taxa de semeadura O VC é expresso em porcentagem e é obtido pela seguinte fórmula: % VC = (% pureza x % germinação ou % sementes viáveis) 100 5
Taxa de semeadura É a quantidade mínima em quilogramas do lote de sementes disponível a ser plantado por hectare A taxa de semeadura recomendada para cada espécie deve ser respeitada. A recomendação pode ser calculada pela seguinte fórmula: Q = SPV x 100 VC onde: Q = quantidade de sementes comerciais (kg) a serem semeadas. SPV = Sementes puras viáveis (kg/ha). VC = Valor cultural Controle de plantas invasoras A partir de duas semanas da semeadura: processo de competição e redução da produção da forrageira O controle duas semanas da semeadura a área livre de invasoras até 45 dias do crescimento Tipos de controle: Controle preventivo Limpeza cuidadosa dos tratores e dos implementos Fermentação de esterco e de materiais orgânicos Uso de sementes de espécies de plantas forrageiras não contaminadas Isolamento de áreas e quarentena de animais oriundos de zonas infestadas Evitar a introdução de plantas ornamentais que podem mais tarde migrar para a área de pastagem Adubação Controle de plantas invasoras Controle mecânico Deve ser adotado com freqüência e empregado desde o momento de implantação da pastagem Evitar que as plantas invasoras entrem em fase de reprodução A intervenção deve ser sempre antes que as plantas invasoras atinjam a fase reprodutiva Esse método pode ser realizado: Roçagem manual Arranquio Roçagem mecanizada Gradagem e aração Controle de plantas invasoras Controle cultural Conjunto de procedimentos que direta ou indiretamente contribuem para aumentar a competitividade da planta forrageira e reduzir a das plantas invasoras Alguns deles: A adubação correta de pastagem NPK Utilização de espécies de plantas forrageiras bem adaptadas ao ambiente Tipo de manejo empregado pelos produtores. Espécies forrageiras com maior agressividade Controle de plantas invasoras Controle químico Consiste no uso de produtos químicos: herbicidas Inibem o crescimento normal ou matam as plantas sem interesse agronômico Vantagens: Alto rendimento na aplicação Eficiência elevada e uniforme Controle das plantas indesejáveis sem comprometer as plantas de pastagens Efeito rápido Redução do potencial do banco de sementes Viabilidade econômica Tipos de preparo do solo A escolha da forma de preparo do solo para semeadura ou plantio depende de vários fatores: O nível tecnológico adotado na propriedade Participação em associações e cooperativas Desvantagens: Risco aos recursos naturais, vida silvestre e humana Contaminação dos alimentos dos humanos e dos animais Cuidados específicos durante sua aplicação Cuidados especiais no armazenamento das embalagens 6
Limpeza da área Sistema convencional Em áreas de vegetação de porte baixo com pequeno grau de declividade: primeira medida é usar uma grade pesada. Esta fará a incorporação da: Matéria orgânica Sementes de ervas daninhas Descompactação deste solo Se necessário Aração com arado tipo aiveca Após a aração promover uma gradagem de nivelamento: antes do plantio Esta operação deverá ser realizada durante o período seco, se possível Solos arenosos: compactação do solo com rolo compactador, após o seu preparo, antes e após o plantio da forrageira. principalmente, das gramíneas Gradear Preparo convencional Arar Preparo convencional Cultivo mínimo O cultivo mínimo: forma não convencional de preparo do solo para receber mudas ou sementes de uma determinada cultura Consiste do preparo do solo e plantio ao mesmo tempo, em um menor número de operações possível Apenas as linhas em que haverá o plantio terão o solo revolvido Há o revolvimento mínimo do solo Benefícios: Menor revolvimento do solo Conserva a estrutura a estrutura do solo Mantém o solo coberto pelos resíduos da cultura Economia de combustível. Diminui a ação de processos erosivos Cultivo mínimo Sistema plantio direto (SPD) Plantio direto: processo de semeadura em solo não revolvido, no qual a semente é colocada em sulcos ou covas, com largura e profundidade suficientes para a adequada cobertura e contato das sementes com a terra Técnica de cultivo conservacionista Considera-se uma técnica de cultivo mínimo Objetivo: manter o solo sempre coberto por plantas em desenvolvimento e por resíduos vegetais Essa cobertura tem por finalidade: Proteger o solo do impacto das gotas de chuva Escoamento superficial Erosões hídrica e eólica O preparo do solo limita-se ao sulco de semeadura, procedendo-se a semeadura, a adubação e, eventualmente, a aplicação de herbicidas em uma única operação 7
Sistema plantio direto (SPD) Sistema plantio direto (SPD) Fundamentos Eliminação/redução das operações de preparo do solo Uso de herbicidas para o controle de plantas daninhas Formação e manutenção da cobertura morta Rotação de culturas Uso de semeadoras específicas Sistema plantio direto (SPD) Sistema plantio direto (SPD) Principais métodos de estabelecimento de pastagens e implicações de manejo 8
Pastejo inicial O pastejo inicial: estimula o crescimento lateral e perfilhamento Deve ser realizada quando as plantas apresentarem um desenvolvimento compatível com o porte da espécie Alta lotação Curta duração Atenuar os efeitos danosos da desfolha e pisoteio sobre a forrageira O uso de animais mais leves Em condições ótimas: 60-90 dias após a semeadura Renovação, recuperação e reforma de pastagens degradadas Entende-se por: Recuperação: a aplicação de práticas culturais e/ou agronômicas, visando o restabelecimento da cobertura do solo e do vigor das plantas forrageiras na pastagem. Reforma: entende-se a realização de um novo estabelecimento da pastagem, com a mesma espécie e, geralmente, com a entrada de máquinas. Renovação: consiste na utilização da área degradada para a formação de uma nova pastagem com outra espécie forrageira, geralmente mais produtiva. Principais causas e sinais de degradação de pastagens com suas interrelações Recuperação sem preparo de solo Características: A degradação ocorreu devido a erros de manejo Há grande ocorrência de plantas invasoras Baixa produção de forragem A forrageira está adaptada às condições edafoclimáticas locais e, eventualmente, o estande possui uma boa densidade de plantas desejadas Neste caso O controle químico das plantas invasoras Adubação sem a necessidade da utilização de máquinas para o preparo do solo Uso de leguminosas forrageiras Tratamentos físico-mecânicos do solo A densidade de plantas estando muito abaixo da necessária para boa produção de forragem Ocorrendo áreas sem cobertura e com acentuada compactação do solo Conjunto com a ressemeadura e novo estabelecimento, seja da mesma, ou outra, espécie forrageira Necessita nível tecnológico médio da propriedade Podem ser: Plantadas em consórcio com as gramíneas Exclusivas para uso na época seca como banco de proteína depois de certo tempo a área é plantada com gramíneas e o banco é usado para recuperar uma nova pastagem degradada Cultivo Posterior incorporação (como adubo verde) 9
Formação e utilização de banco de proteína Escolha da leguminosa forrageira A leguminosa deve ser: Adaptada às condições edafoclimáticas locais Tolerante à seca Elevado teor protéico Produzir forragem satisfatoriamente Boa recuperação pós-pastejo Ser bem consumida pelos animais Tamanho da área O tamanho da área pode ser de 10% a 15% do total da área de pastagem Preparo da área Final do período seco Formação e utilização de banco de proteína Plantio No início do período chuvoso. Sementes que devem ser escarificadas Água quente à temperatura de 80 C, por 2 a 4 minutos Água natural: sementes emergidas por +/- 4 horas, quando serão tiradas da água Secar na sombra. Essa operação deve ser feita de preferência à tarde, na véspera do plantio Outra forma de escarificação é danificar o tegumento da semente com lixa, areia grossa ou seixo Adubação A adubação deve ser feita em razão da análise de solos e das exigências da leguminosa escolhida para a formação do banco de proteína Pastejo Utilização do banco de proteína O animal deve ter acesso à área de leguminosa, de acordo com o manejo a ser adotado Esquema de um sistema integrando uma pastagem de gramínea e um banco de proteína Deve-se proporcionar uma maior freqüência possível do animal ao banco de proteína Alternativas de manejo Acesso diário dos animais ao banco de proteína, por aproximadamente 1 a 2 horas Acesso dos animais ao banco de proteína apenas a cada 2 ou 3 dias, por aproximadamente 1 a 2 horas O banco de proteína pode apresentar duas ou mais subdivisões, permitindo-se fazer um sistema de rodízio entre elas, visando auxiliar a recuperação da leguminosa, que é normalmente lento, variando de 40 a 60 dias. Ilustração: Guilherme Azevedo Integração lavoura pecuária (ILP) Sistema importante em áreas com declividades moderadas O sistema Barreirão (CNPAF/EMBRAPA) Recuperação de pastagens degradadas (CNPAF/EMBRAPA) Mais moderno e com várias alternativas Banco de proteína de puerária (Pueraria phaseoloides) pastejada por bovinos Fonte: Embrapa 10
Sistema Barreirão O sistema Barreirão é uma tecnologia de recuperação/renovação de pastagens em consórcio com culturas anuais Vantagens: Ocupação da área para recuperação/renovação por curto período de tempo (setembro/outubro a março/abril), coincidindo com o período de possível sobra de pastagens Menor necessidade de máquinas e implementos, em relação ao sistema de rotação Correção de acidez do solo de acordo com as exigências das espécies a serem consorciadas Vantagens: Redução apreciável dos cupinzeiros de monte e das plantas daninhas perenes Redução dos riscos de perdas por deficiência hídrica, devidos aos veranicos, graças ao manejo diferenciado do solo Desenvolvimento vegetativo das forrageiras por mais tempo, no período seco Retorno parcial ou total do capital aplicado em curto prazo, pela venda dos grãos produzidos no consórcio Facilidade de aplicação, bastando haver disponibilidade de máquinas e implementos e de orientação técnica Sistema Barreirão No sistema Barreirão, a escolha da cultura e da forrageira a serem consorciadas depende do interesse do produtor e das condições do solo. Normalmente, consorcia-se milho, sorgo, milheto com forrageiras, principalmente braquiárias, Andropogon gayanus e Panicum sp. e/ou leguminosas forrageiras, como Stylosanthes sp., Calopogonio mucunoides e Arachis pintoe. Sistema Barreirão Implantação Correção da acidez do solo Preparo do solo Segunda etapa Objetiva-se: Descompactação Controle de plantas daninhas anuais e perenes Incorporação de resíduos orgânicos e corretivos Adubação Análise de solo Implantação do Consórcio A terceira etapa Uso de sementes de qualidade, tanto das culturas anuais como das forrageiras Sistema Barreirão Sistema Barreirão Semeadura Deve-se dar preferência às cultivares recomendadas para a região Espaçamento e densidade de semeadura das culturas anuais No Sistema Barreirão, a consorciação de culturas anuais, como o milho, o sorgo e o milheto, com forrageiras obedece às recomendações convencionais Mistura das sementes das forrageiras com o adubo As sementes das forrageiras do gênero Brachiaria são misturadas ao adubo para posterior incorporação ao solo Mistura: imediatamente antes de sua incorporação ao solo, não devendo permanecer estocada por mais de 24 horas Profundidade de adubação e de semeadura da forrageira As forrageiras dos gêneros Panicum e Andropogon: recomendações convencionais As do gênero Brachiaria, principalmente B. brizantha e B. decumbens: de 8 a 10 cm da superfície em solos de textura franca 11
Sistema Barreirão Condução A quarta etapa diz respeito à condução da lavoura A quinta etapa é a colheita O processo e a velocidade da colheita são idênticos aos recomendados para os cultivos solteiros A sexta e última etapa é a vedação da área, por um período mínimo de 30 dias, após a colheita Melhor formação da pastagem e/ou produção de novas sementes da forrageira Embrapa Arroz em 1993 Fundamenta-se: na produção consorciada de culturas de grãos (milho, sorgo, milheto e soja) com forrageiras tropicais Sistema de plantio direto como no convencional, em áreas de lavoura, com solo devidamente corrigido Vantagem: Não altera o cronograma de atividades do produtor Não exige equipamentos especiais para sua implantação Inicia-se o pastejo Estabelecimento do Semeadura simultânea Misturada do adubo com as sementes da forrageira Alguns cuidados devem tomados para a implantação do consórcio, tais como: Dessecação da área ou preparo do solo Semente da forrageira 5 a 10 kg de semente de braquiária por hectare com valor cultural (VC) igual ou superior a 30% Adubação Misturar as sementes da forrageira ao adubo correspondente a um hectare Semeadura Velocidade entre 4 e 6 km/h A mistura de adubo e semente da forrageira deve ser colocada mais profundamente que as sementes da cultura anual Nos solos com teor de argila entre 30% e 50%: de 4 a 6 cm abaixo das sementes da cultura Nos solos com mais de 60% de argila ou mais de 70% de areia: em torno de 2 a 3 cm abaixo das sementes da cultura Semeadura da forrageira em pós emergência da cultura anual Recomendada para áreas muito infestadas por plantas daninhas Permite controlá-las em pós-emergência precoce Em seguida semeia-se a cultura forrageira Utilizar o espaçamento idêntico ao da cultura anual Os sulcos de semeadura: mais próximo possível das fileiras da cultura anual No caso de espaçamento da cultura anual ser superior a 80 cm, devem-se semear duas fileiras da forrageira entre duas fileiras da cultura anual A adubação nitrogenada Solos com mais de 30% de argila: dez dias após a emergência das plântulas Solos com mais de 70% de areia aplicar: 50% aos dez dias da emergência e 50% quando o milho, o sorgo ou o milheto apresentarem seis a sete folhas totalmente expandidas e o arroz estiver no estádio de primórdio floral Manejo de herbicidas Semeadura imediatamente após a dessecação A área não apresente grande quantidade de cobertura viva, em número de plantas ou volume de massa vegetal Caso contrário: Dessecar com herbicida sistêmico Aguardar o secamento das plantas e a emergência de novas plantas daninhas, Realizar a semeadura Antes da emergência das espécies consorciadas, dessecar com herbicida de contato 12
Colheita da cultura Para os consórcios entre sorgo, arroz ou milho com forrageira, o procedimento de colheita é o convencional Evitar atrasos Utilização da forrageira Pastejo, silagem, silagem seguida de pastejo, fenação e cobertura morta. Pastejo Vedar a área, após a colheita da cultura anual 30 a 60 dias Sistemas silvipastoris Caracterização Integração de árvores ou arbustos, pastagens e animais, com a finalidade de obter produtos ou serviços destes três componentes. BENEFÍCIOS Solo Sistemas silvipastoris captação de nutrientes de camadas profundas pelas raízes das árvores e devolução de parte destes nutrientes nas camadas superficiais com decomposição de raízes e folhas Benefícios Sistemas silvipastoris Produção de forragens: crescimento das forrageiras => prejudicado ou favorecido, dependerá da tolerância da espécie à sombra, ao grau de sombreamento e a competição entre as plantas por água e nutrientes melhora na atividade microbiológica pela mudança no microclima sob a copa das árvores plantadas em locais estratégicos as árvores ajudam a controlar o processo de erosão 13
Benefícios Sistemas silvipastoris Valor nutritivo da forragem: Benefícios Sistemas silvipastoris Consumo da forragem: Brachiaria decumbens sombreadas, teores de proteína bruta influenciados pela luminosidade, sendo 29% maiores na sombra do que no sol Tendência de redução dos teores de FDN e aumento da digestibilidade (variável conforme a espécie, o grau de sombreamento e as condições climáticas temperatura e umidade Embrapa Gado de Leite => não há diferença significativa entre o sistema agrosilvipastoril e o sistema tradicional pesquisas em outros países demonstraram haver diferença entre os sistemas Benefícios Sistemas silvipastoris Conforto animal: Procura dos animais por ambientes sombreados, durante o verão No inverno, vacas mestiças, em lactação, em um experimento da Embrapa, permaneceram 43% do tempo de pastejo sob a sombra das árvores. No verão este percentual subiu para 69% Sistemas silvipastoris Desvantagens Gramíneas: sombreamento Uso de arbustos ou árvores que perdem folhas facilmente Dependendo do tipo de sombra e pelo trânsito dos animais, a espécie forrageira pode ficar rareada ou deixar de cobrir estas áreas, ficando o solo susceptível à compactação e também à erosão Sistemas silvipastoris Barreiras para adoção do sistema silvipastoril Implantação onerosa e o retorno financeiro demora Falta de conhecimento por parte dos produtores dos benefícios deste sistema Dificuldade de implantar árvores em pastagens já estabelecidas Aumento na mão de obra Escolha das espécies As espécies arbóreas e as gramíneas devem ser tolerantes ao sombreamento Forrageiras: ter boa produtividade, alto valor nutritivo, serem adaptadas ao manejo e condições edafoclimáticas da região onde será implantado o sistema Árvores: crescimento rápido, copa reduzida e pouco densa, fuste longo, para diminuir sombreamento no pasto e regeneração rápida quando sofrer alguma injúria, não causar efeito tóxico aos animais e nem efeito alelopático sobre a espécie forrageira 14
Arranjo espacial Arranjo espacial Plantio de linhas simples: o espaçamento entre árvores é com base na espécie, altura da árvore e tipo de copa. Recomendados: 3x10; 5x10; 10x10; 5x20; Sentido leste-oeste. Plantio de linhas duplas: espaçamentos de no mínimo 10 m entre linhas duplas. Sentido lesteoestemodelo; para evitar plantas daninhas entre as linhas, recomenda-se o plantio de uma leguminosa tolerante ao sombreamento, como o Arachis pintoi Arranjo espacial Arranjo espacial Pequenos bosques: espaçamentos 3x2; 3x3; 3x5 m. Há problemas com pisoteio do gado nas raízes superficiais das árvores, compactação do solo, devido ao não crescimento de gramíneas por excesso de sombra, provocando a exposição do solo Plantio aleatório: não há espaçamento indicado, pois é muito utilizado quando se deseja aumentar a biodiversidade, ou a regeneração de espécies naturais existentes na pastagem Arranjo espacial Manejo O plantio ao longo da cerca também é uma opção; pode ser feito nas divisórias das cercas, funcionando como uma cerca viva O principal é evitar o uso de fogo e herbicidas, e se usados fazê-lo com maior controle para evitar danos às árvores Fonte: Embrapa 15
Consórcio de eucalipto com Brachiária Obrigada Fonte: Beefpoint Prof. Dra. Ana Cláudia Ruggieri acruggieri@fcav.unesp.br (16) 3209-2682 16