A função social da empresa Considerações iniciais A função social da empresa tem como fundamento fornecer a sociedade bens e serviços que possam satisfazer suas necessidades. A propriedade privada é um direito consagrado universalmente, reconhecido pelo ordenamento jurídico internacional e na Constituição Federal do Brasil. Na Constituição Brasileira o direito à propriedade também é um direito fundamental. Partindo-se do ponto de vista que a empresa é um ente privado, logo uma propriedade privada, é latente que esta goze de proteção constitucional, proteção essa que encontra limitação na própria Constituição. Embora as empresas gozem de direitos, não falamos aqui de um gozo total, mas sim relativo, pois a Constituição ressalta que a empresa deve cumprir a sua função social. Do ponto de vista do Direito Empresarial a função social da empresa está relacionada à satisfação de uma demanda humana por bens e serviços. A partir desse prisma conceitual é mister salientar que a empresa detém papel social importante para a efetivação de direitos e garantias fundamentais implementados pelos Estados de Direito. É bem verdade que o fim último da empresa é o lucro, mas também é verdade que, na busca pelos lucros e mercados a sociedade seja beneficiada uma vez que a corrida pelos lucros produzem algumas externalidades positivas, como o emprego: que fomenta a incersão do sujeito na sociedade uma vez que ele é agente direto capaz de satisfazer um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil. Outra externalidade relevante é a contribuição para a efetivação de um dos princípios da ordem econômica que é a busca pelo pleno emprego (art. 170, VIII da CF/88). Além dos princípios insculpidos na Constituição, a empresa tem a função de oferecer através de sua atividade a possibilidade de, conjuntamente com o governo contribuir para a elimição da pobreza crítica e ajudar na consolidação da democracia. Outros fatores importantes são: as rendas, os tributos recolhidos em decorrência da atividade empresarial. Atividade essa que deverá dentro de sua área de atuação observar os dispositivos legais propostos quanto à execução do objeto social.
É perceptível, portanto, que também é função social da empresa observar as leis, seja ela trabalhista, civil e, principalmente, os preceitos constitucionais. Se é mister que a ordem jurídica dê respaldo para que as pessoas possam exercer suas atividades empresarial, também é necessário que estas se sujeitem aos deveres compatíveis com a sua natureza e atividade. Ainda é importante que a empresa seja socialmente responsável como forma de atender ao princípio Constitucional da função social da propriedade privada (art. 170, II, CF/88) uma vez que o gozo da propriedade não poder ser desmedido de forma que prejudique a sociedade, pois é necessário que haja um equilibrio entre o direito de exercício da atividade empresarial e o direito da sociedade, porque o princípio constitucional da livre iniciativa (art. 170, CF/88) não pode pode sobrepor a interesses coletivos. Podemos concluir que a função social da empresa é uma prática que leva o empresariado, através da atividade empresarial, comprometerem-se a efetivarem suas atividades de forma que beneficiem a sociedade. E, buscarem meios que objetivam definir medidas para compensar os impactos causados pelas constantes transformações sócio-econômicas oriundas da atividade empresarial e do capitalismo. As sociedades empresárias. Classificações e características gerais. Os tipos societários Sociedade empresária As sociedades empresárias são pessoas jurídicas de direito privado e podemos definir como agrupamento de pessoas que reúnem-se com o objetivo de, com habitualidade, exercerem atividade econômica com objetivo de lucro. Classificação das sociedades empresárias No que se refere à atividade econômica as sociedades empresárias podem ser simples ou empresárias. Ambas têm por finalidade a produção e a circulação de bens ou serviço e são constituídas por um grupo de pessoas que se obrigam a empenhar esforços para o bom exercício da atividade econômica, partilhando entre si os resultados. Quanto a personalidade jurídica classificam-se em personificada e não personificada.
Sociedades personificadas: são as sociedades que passaram a ter personalidade jurídica em razão da devida inscrição de seus atos constitutivos (contrato ou estatuto) no registro competente. São aquelas em que seu contrato ou estatuto social foi devidamente registrado em órgão competente, pode ser: sociedade simples, sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita simples, sociedade limitada, sociedade anônima ou sociedade por ações e sociedade em comandita por ações e cooperativas. Sociedades não personificadas aquelas que se encontram desenvolvendo atividade econômica e empresarial sem, no entanto, terem seus atos constitutivos inscritos no registro competente. Em razão disto, não são dotadas de personalidade jurídica. Sociedade comum (sociedade irregular e sociedade de fato) Embora não sejam pessoas jurídicas, possuem natureza de sociedade e, portanto, seus sócios respondem de forma solidária e ilimitada pelas obrigações sociais. Engloba a sociedade irregular, cujo contrato de constituição não foi apresentado para a devida inscrição no registro público competente, e a sociedade de fato, que sequer possui contrato social. Sociedade em conta de participação A sociedade em conta de participação é o segundo tipo de sociedade comum. É sociedade não personificada porque não possui registro, mas existe por meio de um contrato de uso interno entre os sócios. Este tipo societário é composto pelo sócio ostensivo, em cujo nome são feitos os negócios e sobre o qual recai a responsabilidade ilimitada pelas obrigações assumidas, e pelo sócio oculto, que não aparece perante terceiros e apenas responde ao sócio ostensivo se houver previsão contratual. Esta sociedade, por não ter registro na Junta Comercial, é despersonalizada e não possui nome empresarial. Sociedades personificadas A sociedade personificada é aquela que possui o registro de seus atos constitutivos no órgão competente, sendo considerada, portanto, sujeito de direito e de obrigações. As sociedades personificadas desdobram-se em duas categorias: as sociedades simples (dedicadas à atividade econômica não empresarial) e as sociedades empresárias que são voltadas às atividades predominantemente mercantis.
As sociedades simples A sociedade simples é a pessoa jurídica de direito privado, constituída para o exercício da atividade econômica de cunho não empresarial. Têm por objeto social, por exemplo, a prestação de serviços profissionais. Exemplos: economistas, arquitetos, engenheiros, médicos, dentistas etc. Sociedades empresárias Sociedade empresária é a pessoa jurídica de direito privado, que exerce atividade econômica organizada para produção ou circulação de bens ou serviços, objetivando lucro. Sociedade em nome coletivo É uma sociedade personificada, pois é registrada na Junta Comercial (sociedade empresária) ou no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas (sociedade simples). É constituída somente por pessoas físicas e os sócios respondem de forma solidária e ilimitada pelas obrigações e dívidas da sociedade. Entretanto, por ser uma sociedade personificada, o patrimônio dos sócios somente poderá ser atingido após esgotados todos os bens da empresa. Adota como nome empresarial uma firma social,
também conhecida como firma coletiva ou razão social. Dela poderão figurar um, alguns, ou todos os sócios. Sociedade em comandita simples É uma sociedade personificada que possui duas categorias de sócios, os sócios comanditados são pessoas físicas que entram na sociedade com o capital e o trabalho, assumem a gerência da empresa e respondem ilimitadamente pelas obrigações sociais e os sócios comanditários que são pessoas físicas ou jurídicas que respondem apenas pela integralização das cotas adquiridas, portanto, no limite de suas cotas. Sociedade em comandita por ações É o tipo de sociedade empresarial em que o capital é dividido em ações. A sociedade em comandita por ações é um tipo societário em que o seu capital é dividido por ações e o acionista diretor da sociedade responde ilimitadamente pelas obrigações sociais. Se houver mais de um diretor, todos serão solidariamente responsáveis depois de executados os bens sociais.