CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

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Transcrição:

CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE As normas elaboradas pelo Poder Constituinte Originário são colocadas acima de todas as outras manifestações de direito. A própria Constituição Federal determina um procedimento especial para alteração do texto constitucional. Vigora, no nosso país, o princípio da supremacia formal de constituição. As normas infraconstitucionais (ou subconstitucionais) devem respeitar a Constituição Federal. As normas produzidas devem estar em harmonia com os ditames constitucionais, que representa seu fundamento de validade. A Constituição Federal é o parâmetro para a elaboração de todos os demais atos normativos estatais. Deve-se respeitar o texto constitucional no ponto de vista formal (respeito ao processo legislativo), e no ponto de vista material (compatibilidade com o conteúdo das normas constitucionais). Obs.: Não existe inconstitucionalidade de normas constitucionais originárias (texto de 1988) todas as normas da constituição tem parâmetro de igualdade em nome do Princípio da Unicidade da Jurisdição. Não existe nenhum órgão constituído no país para controlar a ora do constituinte originário. O que pode existir é a análise de recepção ou não da norma pré-constitucional pela CF atual, e não a declaração de inconstitucionalidade. INCONSTITUCIONALIDADE POR AÇÃO E OMISSÃO Por ação: o desrespeito à Constituição Federal resulta de uma conduta positiva, praticada por um órgão estatal. Ex.: elaboração de lei em desacordo com a CF. Por omissão: a afronta à CF resulta de uma omissão do legislador, em face de um preceito constitucional. Ex.: CF manda legislador fazer uma lei (norma de eficácia limitada) para regulamentar suas disposições e ele não a faz. A lei é para tornar viável o exercício do direito nela assegurado. INCONSTITUCIONALIDADE MATERIAL E FORMAL Material: desconformidade do conteúdo o ato com a CF. Ex.: lei que queira introduzir pena de morte no Brasil incompatível com o inciso XLVII do art. 5º. 1

Formal: desconformidade do seu processo de elaboração com alguma regra ou princípio da CF, pode alcançar tanto o requisito de competência (orgânica), quanto o processo legislativo em si. ESPÉCIES DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Em relação a momento de realização do controle: são dois - controle preventivo e controle repressivo. Controle Preventivo: previne-se que uma norma eivada de inconstitucionalidade ingresse no ordenamento jurídico. Em regra, feito pelos Poderes Executivo e Judiciário. Neste controle, como foi dito anteriormente, toda regra que ingresse no ordenamento jurídico deverá se submeter a todo procedimento previsto constitucionalmente. São duas as hipóteses de controle preventivo, que busca evitar o ingresso no ordenamento jurídico das leis inconstitucionais: Comissões de Constituição e Justiça: tem como função, analisar a compatibilidade do projeto de lei ou proposta de emenda constitucional apresentados com o texto da CF. Ver art. 58 da CF; art. 32, inciso III do Regimento Interno da Câmara dos Deputados; art. 101 do Regimento Interno do Senado Federal. Veto Jurídico: Participação do chefe do Poder Executivo no processo legislativo. O Presidente pode vetar o projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, por entendê-lo inconstitucional (art. 66, 1º). Controle Repressivo: busca retirar a norma editada em desrespeito à CF. Em regra, feito pelo Poder Judiciário. Controle repressivo em relação ao órgão controlador Político: ocorre em Estados onde o órgão que garante a supremacia da Constituição sobre o ordenamento jurídico é distinto dos demais poderes. Ou seja, é aquele exercido por órgãos sem poder jurisdicional. 2

Judiciário ou jurídico: é a verificação da adequação (compatibilidade) de atos normativos com a Constituição, feita pelos órgãos integrantes do Poder Judiciário é a regra adotada no Brasil. Misto: a Constituição submete certas leis e atos normativos ao controle político e outras ao controle jurisdicional. MODELOS CLÁSSICOS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ADOTADOS PELO BRASIL Norte-americano: permite ao Poder Judiciário, mediante casos concretos, interpretar a CF. É o que chamamos de controle difuso. Aqui a arguição é pessoal, individual, ou seja, de acordo com o caso concreto, o interessado pede um auxílio ao Poder Judiciário para escapar da incidência de uma norma inconstitucional. Obs.: A inconstitucionalidade ou não de determinado dispositivo valerá apenas para o caso em concreto analisado. Austríaco: a Constituição austríaca criou um Tribunal Constitucional, com exclusividade para o controle judicial de constitucionalidade das leis e atos normativos. Pretendia não a resolução de casos concretos, mas a anulação genérica das leis. É o que chamamos de controle concentrado. A inconstitucionalidade de lei julgada neste módulo valerá para todos, ou seja, ao contrário do modelo anterior, onde a discussão é de interesse individual, aqui o interesse é coletivo. É sob este critério que são operadas as ações de inconstitucionalidade. 3

CONTROLE DIFUSO Também conhecido por controle aberto, por via de exceção ou de defesa. Criado pelos norte-americanos. A idéia do controle de constitucionalidade difuso foi concebida no caso Madison versus Marbury (1803), em que o Juiz Marshall presidente do Supremo Trinunal dos Estados Unidos afirmou que é proprio do poder judiciário interpretar e aplicar a lei. O que faz tal modelo? Permite que qualquer juiz ou tribunal realize no julgamento de um caso concreto a análise incidental da constitucionalidade de uma lei ou ato normativo. O ex-ministro do STF, Sepúlveda Pertence, em 1993 disse que se caracteriza pela permissão a todo e qualquer juiz ou tribunal realizar no caso concreto a análise sobre a compatibilidade do ordenamento jurídico com a Constituição Federal. O controle de constitucionalidade não é o objeto principal da ação. É realizado em caráter incidental. Pode ser analisada pelo juiz de ofício, ou seja, independentemente de provocação. Porém, costuma ser invocada por uma das partes como fundamento para viabilizar sua pretensão principal por isto que é via de exceção ou defesa. Pode alegar tanto o autor da ação quanto a defesa. Momento de alegar: Pelo autor, na inicial de qualquer natureza cível, trabalhista, penal, eleitoral, tributária. Perante qualquer órgão, juiz ou tribunal. Até mesmo nos casos de competência originária; Pelo réu, por ocasião da resposta (no momento da contestação, reconvenção ou exceção); Pelo terceiro, que integra a relação processual opoente, denunciado à lide, nomeação à autoria; Pelo juiz - pode declarar ato próprio a não-aplicação da lei ou ato normativo considerado inconstitucional. 4

Competência para julgamento: todo e qualquer juiz que julgar a causa principal, quer originariamente, quer em grau de recurso. Obs.: Princípio da reserva de plenário (art. 97, CF). A decisão sobre inconstitucionalidade pelos Tribunais depende de maioria absoluta do Tribunal Pleno ou do órgão. Maioria absoluta: é o primeiro número inteiro acima da metade dos membros do Tribunal ou do órgão especial. E se não observar a reserva de plenário? Gera nulidade absoluta da decisão judicial que reconheça a inconstitucionalidade da lei ou ato (jurisprudência do STF). Exceção à regra da Reserva de Plenário dispensa do quórum especial: Quando exista previamente à decisão do tribunal, uma decisão do plenário do STF, dando pela inconstitucionalidade da lei. O STF deve ter decidido em ação direta de inconstitucionalidade ou ação declaratória de inconstitucionalidade. Em caso de outras decisões daquela Corte, como recursos extraordinários, mesmo que reiteradas, o quórum continua sendo necessário; Quando existir decisão, no tribunal inferior, normas anteriores à constituição: nesse caso, o órgão fracionário menor declarará que a lei ou ato normativo foram revogados ou não recepcionados pela nova ordem constitucional. A decisão anterior deve ter atendido o quórum mínimo constitucional. Obs.: O efeito da decisão no controle difuso é inter partes o controle de constitucionalidade tem efeito apenas no caso em litígio. A norma permanece válida e eficaz perante o resto da população. Trata-se de eficácia restrita, particular. Tal discussão no caso concreto pode chegar ao STF por meio de recurso extraordinário. 5

CONTROLE CONCENTRADO O controle é exercido por um tribunal superior do país ou por uma corte constitucional. A inconstitucionalidade de lei julgada neste módulo valerá para todos. É sob este critério que são operadas as ações de inconstitucionalidade. O efeito é erga omnes: a decisão de inconstitucionalidade passa a valer para todos. 6