antropologia & cultura carlos joão correia estudos africanos filosofia artes & humanidades 2011-2012/2ºsemestre
Dopamina Serotonina Acetilcolina Glutamato Opiáceos (ex: endorfinas) Noradrelanina...
a presença de si é o sentir aquilo que acontece quando o seu ser é modificado pela acção de apreender alguma coisa. 1. sentimento de si associado à consciência do aqui e agora 2. mesmo quando estamos desatentos em relação a nós próprios, é sempre possível surpreender em cada acto de consciência um grau mínimo de auto-referência.
imagem de si sentimento de si nuclear - consciência do aqui e agora
imagem de si Devo ser eu porque eu estou aqui. Foi isto que a Emily disse, cautelosa e vagarosamente, ao contemplar o rosto que estava no espelho à sua frente. Tinha que ser ela; tinha-se colocado em frente ao espelho, por sua livre vontade, por isso tinha que ser dela a imagem do espelho, de quem mais poderia ser? Todavia, a Emily não era capaz de reconhecer o seu rosto no espelho, estava certa de que era uma cara de mulher, mas de quem não fazia ideia. Não parecia que fosse a dela, mas também não podia dizer que não fosse, uma vez que não conseguia visualizar a sua face na mente, mesmo que insistisse em recordá-la da memória. ( ) A situação mostrava-lhe de forma inequívoca que não podia ser outra pessoa senão ela, e foi isso que aceitou a minha afirmação de que era ela sem qualquer dúvida. ( ) Não era capaz de reconhecer o rosto do marido, o dos filhos ou de outros familiares, amigos e conhecidos. ( ). E quantos valores teve a Emily na minha classificação da consciência nuclear? Vinte. Não preciso de vos dizer que a Emily está vígil e atenta sob todos os pontos de vista. A sua atenção concentra-se facilmente e pode ser mantida em toda a espécie de tarefas. As emoções e os sentimentos que refere também são inteiramente normais. O seu comportamento é intencional e adequado em todos os contextos, imediatos ou a longo prazo 193-196 prosopagnosia
linguagem
linguagem/1 "Nos tempos em que estudava medicina e neurologia, lembro-me de perguntar a algumas das pessoas mais sábias que me rodeavam como é que produzíamos a mente consciente. Curiosamente, a resposta era sempre a mesma: o segredo está na linguagem. Diziam-me que as criaturas sem linguagem estavam limitadas à sua ignorante existência, ao contrário de nós, felizardos humanos, a quem a linguagem permitia conhecer. A consciência era uma interpretação verbal dos processos mentais em curso. A linguagem providenciava o afastamento necessário para podermos olhar para as coisas com a distância necessária. Esta resposta pareceu-me sempre muito simples, simples demais para explicar um fenómeno que eu imaginava na altura impossível de explicar dada a sua complexidade. E a resposta não só era simples, mas também improvável, dado o que me era dado ver sempre que visitava o Jardim Zoológico. Nunca acreditei na resposta e agrada-me muito nunca ter acreditado. A linguagem, com as suas palavras e frases, é tradução de uma outra coisa, é uma conversão de imagens não-linguísticas que representam entidades, eventos, relações e inferências. Se a linguagem funciona em relação ao si e à consciência do mesmo modo que funciona para todas as outras coisas, ou seja, simbolizando em palavras e frases aquilo que começa por existir de uma forma não verbal, então deverá existir um sentimento de si não verbal 133-134
linguagem/2 "A melhor demonstração do que acabo de descrever ocorre em pessoas com aquilo a que chamamos afasia global. Trata-se de uma perturbação de todas as faculdades da linguagem. Os doentes são incapazes de compreender a linguagem, auditiva ou visualmente. Quando se fala com eles não compreendem o que dizemos e não conseguem ler uma única letra ou palavra; não são capazes de falar ( ) Não há qualquer prova de que, nas suas mentes atentas, se estejam a formar quaisquer palavras. Pelo contrário, o seu processo de pensamento parece não usar palavras. Todavia, enquanto manter uma conversa normal com afásicos globais está fora de questão, é possível comunicar com eles, duma forma rica e humana, se tivermos a paciência de nos adaptarmos ao vocabulário limitado e improvisado de sinais não linguísticos que estes doentes inventam e usam. ( ) Em termos de consciência nuclear, estas pessoas em nada diferem de mim ou do leitor, apesar da incapacidade de traduzirem o pensamento em linguagem e viceversa. ( ) Posso assegurar-vos que ninguém jamais pôs em causa a integridade da consciência de Earl e que ninguém com bom juízo clínico o faria nos dias de hoje. ( ) O Earl não só estava vígil e atento, como também produzia um comportamento apropriado à desgraçada situação que lhe tinha cabido em sorte. Não se limitava a produzir reflexos não pensados e não conscientes. ( ) A gratidão dos seres humanos para com a linguagem não requer de todo que a linguagem esteja na origem da consciência. 135-138