Professor Roberson Calegaro

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Transcrição:

L I B E R D A D E

L I B Ousadia E R D A D E

Liberdade, em filosofia, pode ser compreendida tanto negativa quanto positivamente. Negativamente: a ausência de submissão; isto é, qualifica a ideia de que não existe independência do ser humano. Positivamente: é a autonomia e a espontaneidade de um sujeito racional; elemento qualificador e constituidor da condição no comportamento e do mau comportamento dos humanos.

Agostinho de Hipona: liberdade da vontade (Livre arbítrio) É do homem a faculdade de buscar ou não o Criador. Se não o conhece, pela liberdade optou por ignorar-lhe a existência. Se o conhece, pode negar-lhe livremente a presença pela faculdade da vontade que lhe assiste. Se o conhece e aceita-o, ainda assim continua livre para deliberar sobre qual a melhor atitude a seguir, podendo, inclusive, agir contra seus princípios.

Descartes: Compreensão das alternativas Age com mais liberdade quem melhor compreende as alternativas que precedem à escolha. Dessa premissa decorre o silogismo lógico de que quanto mais evidente a veracidade de uma alternativa, maiores chances dela ser escolhida pelo agente. Nesse sentido, a inexistência de acesso à informação configura-se enquanto impedimento na identificação da alternativa com maior grau de veracidade.

Montesquieu: permissões legais Deve-se ter sempre presente em mente o que é independência e o que é liberdade. A liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem; se um cidadão pudesse fazer tudo o que elas proíbem não teria mais liberdade, porque os outros também teriam tal poder.

Spinoza: agir de acordo com a própria natureza Para Spinoza, a liberdade possui um elemento de identificação com a natureza do "ser". Nesse sentido, ser livre significa agir de acordo com sua natureza. Diretamente associada a ideia de liberdade, está a noção de responsabilidade, vez que o ato de ser livre implica assumir o conjunto dos nossos atos e saber responder por eles. (O homem aranha)

Leibniz: é a contingência, a espontaneidade e a reflexão da escolha Para Leibniz, o agir humano é livre a despeito do princípio de causalidade que rege os objetos do mundo material. "A ação humana é contingente, espontânea e refletida. Ela é tal que poderia ser de outra forma e por isso, contingente. Sempre parte do sujeito agente que, mesmo determinado, é responsável por causar ou não uma nova série de eventos dentro da teia causal. Pode conhecer os motivos pelos quais age no mundo e, uma vez conhecendo-os, lidar com eles de maneira livre. (MATRIX)

Schopenhauer: a ação humana não é absolutamente livre. O homem é capaz de acessar sua realidade por um duplo registro: 1. o primeiro, o do fenômeno, segundo o qual todo o ser existente reduzse, nesse nível, a mera representação. 2. no nível essencial, que não deixa-se apreender pela intuição intelectual, pela experiência dos sentidos, o mundo é apreendido imediatamente como vontade, Vontade de Vida. O homem, objeto entre objetos, coisa entre coisas, não possui liberdade de ação porque não é livre para deliberar sobre sua vontade. O homem não escolhe o que deseja, o que quer. Logo, não é livre - é absolutamente determinado a agir segundo sua vontade particular.

Sartre: O homem é antes de tudo livre. O tema da liberdade é o núcleo central do pensamento do filósofo francês. Sua tese é: a liberdade é absoluta ou não existe. Ele recusa todo determinismo e mesmo qualquer forma de condicionamento. Assim, ele recusa Deus e inverte a tese de Lutero; para este, a liberdade não existe justamente porque Deus tudo sabe e tudo prevê. Mas como, para Sartre, Deus não existe, a liberdade é absoluta. Qual é, então, o fundamento da liberdade? É o nada, o indeterminismo absoluto. A liberdade humana revela-se na angústia. O homem angustia-se diante de sua condenação à liberdade. (Limite Vertical)

Limite Vertical

Pecotche: é prerrogativa natural do ser humano (consciência) O homem já que nasce livre, embora não se dê conta até o momento em que sua consciência o faz experimentar a necessidade de exercê-la como único meio de realizar suas funções primordiais da vida e o objetivo que cada um deve atingir como ser racional e espiritual. A liberdade é como o espaço, e que depende do ser humano que ela seja, também como ele, mais ampla ou mais estreita, vinculada ao controle dos próprios pensamentos e das atitudes. O conhecimento é o grande agente equilibrador das ações humanas e, em consequência, ao ampliar os domínios da consciência, é o que faz o ser mais livre.

Marx: expressão das condições materiais de existência É a constante criação prática pelos indivíduos de circunstâncias objetivas nas quais despontam suas faculdades, sentidos e aptidões (artísticas, sensórias, teóricas...). Para ele, a liberdade humana só pode ser encontrada de fato pelos indivíduos na produção prática das suas próprias condições materiais de existência. Desse modo, se os indivíduos são privados de suas próprias condições materiais de existência, isto é, se suas condições objetivas de existência são propriedade privada (de outra pessoa, portanto), não há verdadeira liberdade, e a sociedade se divide em proletários e capitalistas.

Mikhail Bakunin: é emancipação social Não se refere a um ideal abstrato de liberdade, mas a uma realidade concreta baseada na liberdade simétrica de outros. Liberdade consiste no "desenvolvimento pleno de todas as faculdades e poderes de cada ser humano, pela educação, pelo treinamento científico, e pela prosperidade material." Tal concepção de liberdade é "eminentemente social, porque só pode ser concretizada em sociedade," não em isolamento. Em um sentido negativo, liberdade é "a revolta do indivíduo contra todo tipo de autoridade, divina, coletiva ou individual. (HSBC)

HSBC

Guy Debord: é ilusória (pré-determinismo capitalista) Critica a sociedade de consumo e o mercado, afirmando que a liberdade de escolha é uma liberdade ilusória, pois escolher é sempre escolher entre duas ou mais coisas prontas, isto é, pré-determinadas por outros. Uma sociedade como a capitalista onde a única liberdade que existe socialmente é a liberdade de escolher qual mercadoria consumir impede que os indivíduos sejam livres na sua vida cotidiana. A vida se divide em tempo de trabalho (que é não-livre, submetido à hierarquia de administradores e às exigências de lucro impostas pelo mercado) e tempo de lazer (onde os indivíduos tem uma liberdade domesticada que é escolher entre coisas que foram feitas sem liberdade durante o tempo de trabalho da sociedade). Assim, a sociedade da mercadoria faz da passividade (escolher, consumir) a liberdade ilusória que se deve buscar a todo o custo, enquanto que, de fato, como seres ativos, práticos (no trabalho, na produção), somos não-livres.

Philip Pettit: Liberdade e Democracia Parte de dois pontos importantes do debate filosófico acerca da liberdade: o tratamento simbiótico imprimido a liberdade da vontade e liberdade política; a tradição republicana de conceptualização da liberdade como nãodominação, posteriormente substituída pela percepção liberal desta enquanto não-interferência. Inicia sua abordagem pela ótica da liberdade da vontade. Existe liberdade da vontade?

Foucault: relações de poder e jogos de verdade A liberdade consiste em uma ampla gama de escolhas a nossa frente, uma série de configurações sociais, políticas, éticas, que podem ser construídas e enriquecidas por nós. Podemos dizer que, de fato, nos deparamos com algo que merece o título de liberdade. Vigiar e punir