Interpretando a NR 10

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Transcrição:

FASCÍCULO / NR 10 Carlos Alberto Elyseo, engenheiro eletricista e responsável de marketing de serviços da Schneider Electric Brasil Ltda. carlos.elyseo@br.schneider-electric.com Interpretando a NR 10 PARTE I Este texto, que será publicado em duas partes, visa esclarecer os principais tópicos da NR 10, alertando sobre as responsabilidades envolvidas e sobre a necessidade imediata de adoção de medidas que garantam a segurança de todas as pessoas, sejam elas profissionais do ramo ou pessoas comuns, que interajam com o sistema elétrico. Legislação brasileira O cumprimento das Normas Brasileiras (NBR) é obrigatório, devido às legislações complementares, tais como, Código de Defesa do Consumidor, Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), Normas Regulamentadoras (NR), Código Civil, etc. Por estas legislações, responde civil e criminalmente, qualquer cidadão responsável por danos à propriedade ou a pessoa física que não tenha observado as Normas Brasileiras em sua total extensão. As principais ações que podem ocorrer quanto ao não-cumprimento dessas ações são: multas, interdições e responsabilização civil e criminal de todos os envolvidos (responsabilidade solidária). Código Civil - Principais Conceitos Art. 30, da Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro: Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Art. 186: Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. Súmula 229 (STF): A indenização acidentária, a cargo da Previdência Social, não exclui a do Direito Civil, em caso de acidente do trabalho ocorrido por culpa ou dolo. Código Penal - Principais Conceitos Art. 15: Diz-se do crime : Doloso - quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo; Culposo - quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou por imperícia. Art. 132: Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente. Pena - Prisão de 3 meses a 1 ano. III. Norma Regulamentadora 10 Introdução É uma Norma Regulamentadora de Segurança e Saúde no Trabalho, fiscalizada pelo Ministério do Trabalho, que trata da Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade; (revisão da Norma de 1978, através da Portaria 598 Oficializada em Diário Oficial 08.12.04). Em linhas gerais, a NR 10 prega a segurança do trabalhador, ou seja, qualquer empregado não deve correr riscos de choques elétricos, de queimaduras ou de qualquer outro efeito que os serviços com eletricidade podem causar. As Normas Regulamentadoras (NR) são de observância obrigatória para todas as empresas e o seu não-cumprimento acarretará ao empregador a aplicação das penalidades previstas na legislação pertinente; Sumário 10.1 - Objetivo e Campo de Aplicação 10.2 - Medidas de Controle 10.3 - Segurança no Projeto 10.4 - Segurança, Construção, Montagem, Operação e Manutenção 10.5 - Segurança em Instalações Desernegizadas 10.6 - Segurança em Instalações Energizadas 10.7 - Trabalho envolvendo alta tensão 10.8 - Habilitações e Autorização dos Profissionais 10.9 - Proteção contra Incêndios e Explosão 10.10 - Sinalização de Segurança 10.11 - Procedimentos de Trabalho 10.12 - Situação de Emergência 10.13 - Responsabilidades 10.14 - Disposições Finais IV. Prazo de Cumprimento Anexo IV Prazo Imediato: Habilitação dos profissionais (atendimento ao item 10.8) Prazo de seis meses: (Junho/05) Projetos especificando dispositivos de desligamento de circuitos que possuam impedimento de reenergização e adoção de aterramento temporário Exigência de certificação de componentes das instalações elétricas de ambientes com atmosferas explosivas Prazo de nove meses: (Setembro/05) Esquemas Unifilares atualizados 28 O SETOR ELÉTRICO Março 2006

Apoio Por João José Barrico de Souza e Joaquim Gomes Pereira SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE CAPÍTULO I SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS ELÉTRICOS Após três anos de aprovada e publicada a atualização da Norma Regulamentadora no 10, estabelecida pela Portaria do Ministério do Trabalho e Emprego no 598 de 07/12/2004, pretende-se, neste espaço da revista O SETOR ELÉTRICO, compartilhar nossa visão acerca dos questionamentos mais freqüentes sobre o tema Segurança em instalações e serviços elétricos, fornecendo informações atualizadas e interpretações sobre conceitos relacionados à Norma Regulamentadora. Com o objetivo de facilitar o entendimento e a implantação da NR-10, os fascículos Segurança em instalações e serviços elétricos visam à conscientização dos gestores quanto às responsabilidades de contratantes e contratados nas atividades sujeitas aos riscos elétricos. Discute os impactos e as dificuldades na implantação e na integração das novas exigências aos conceitos já estabelecidos de gestão. Além disso, apresenta oportunidades de melhoria nos ambientes e promove a reflexão dos envolvidos na busca de soluções para o cumprimento da Norma. Os fascículos têm como objetivo facilitar a aplicação dos conceitos e dos fundamentos regulamentados, que buscam garantir a preservação da vida e manter um ambiente de trabalho seguro e saudável. Os fascículos abordarão, entre outros, os temas a seguir relacionados. Cabe ressaltar que, para um maior aprofundamento dos assuntos, estes poderão sofrer alterações: 1 - A abrangência da NR-10 2 - A gestão e a organização do Prontuário das Instalações Elétricas 3 - Medidas de proteção coletiva 4 - O aterramento elétrico e a equipoten cialização 5 - Autorização para serviços em instalações elétricas 6 - Serviços em instalações elétricas energizadas e suas proximidades 7 - Equipamentos de proteção individual 8 - Responsabilidade solidária na contratação de prestadores de serviços O objetivo e a responsabilidade no atendimento à NR 10 Sabe-se que a energia elétrica, em função da facilidade de aplicação, da multiplicidade de fontes de produção, da eficácia, da empregabilidade, da disseminação, do baixo custo, da limpeza e da renovabilidade, é um insumo fundamental ao progresso e ao crescimento das nações, com abundância de aplicações em iluminação, comunicação, informação, aquecimento, transportes, refrigeração, entretenimento e, principalmente, como a base das atividades industriais. É inquestionável que a energia elétrica produz o desenvolvimento, o conforto e o bem-estar do homem e constitui-se, portanto, em um bem de consumo indispensável para quase todos os processos de trabalho. O aumento do consumo da eletricidade nas últimas décadas está intimamente vinculado ao crescimento das instalações de geração, transmissão, distribuição e consumo de energia elétrica, o que impõe o aumento na demanda de serviços elétricos ou em outros serviços, que são realizados nas proximidades das instalações elétricas. Entretanto, essa maravilhosa energia que move o planeta apresenta potenciais perigos em suas instalações e serviços, nos mais diversos usos, atividades diárias e ambientes, tais como: o lar, logradouros públicos, indústrias, serviços, construção civil, constituindo-se em um considerável motivo de preocupação, sob o ponto de vista da segurança para as pessoas e até para animais, quando não se é dada a atenção e os cuidados necessários. A eletricidade pode desencadear ocorrências de imensa gravidade para a vida, como a passagem de elevada corrente elétrica pelo corpo humano, com conseqüentes choques elétricos, paradas cardiorrespiratórias, fibrilação e queimaduras internas. Neste mesmo âmbito, pode produzir arcos voltaicos, que causam seríssimas queimaduras, contribuir com patologias relacionadas a seus campos eletromagnéticos ou, ainda, como conseqüência indireta, promover quedas e batidas. 40 O SETOR ELÉTRICO Janeiro 2008

Apoio obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa (...) quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. Mediante essa determinação, o responsável pelo dano indenizará simplesmente por existir um prejuízo, não se cogitando a existência de sua culpa, bastando a casualidade entre o ato e o dano para obrigá-lo a reparar. Vale lembrar que a Constituição determina a responsabilidade da empresa quanto ao pagamento de um seguro de acidentes para o trabalhador. O pagamento dessa tarifa está previsto na Lei do Seguro de Acidentes do Trabalho no 8213/91. Tal legislação abrange todas as questões relativas às pecúnias devidas ao trabalhador acidentado, como auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, pecúlio e pensão por morte, porém, deixa claro que o pagamento desse seguro não isenta a empresa do pagamento de uma indenização no âmbito cível. Portanto, mesmo que o trabalhador atingido passe a receber o benefício previdenciário devido, este, ou sua família, tem o direito a ingressar em juízo pedindo reparação por danos morais e materiais. No entanto, há também a responsabilidade criminal, que se constitui em ação de natureza pública dirigida à pessoa física e que independe da vontade da parte atingida, normal em acidente que cause lesão ou mutilação, o que poderá ser considerado crime de lesão corporal. É dever do Estado apurar a responsabilidade por esse crime e, para tanto, é aberto um processo criminal. Ficam envolvidas, nessa situação, todas as pessoas diretamente ligadas ao trabalhador atingido: projetista; construtor; instalador; engenheiro com ART no CREA; fabricante de materiais e equipamentos; gerentes, chefes ou supervisores da operação e manutenção; diretores e administradores; proprietários ou sócios; demais trabalhadores. Nesse caso, haverá a obrigatoriedade de se apurar a culpa ou dolo, que poderá resultar na condenação criminal de quem, por ação ou omissão, der causa ao óbito do trabalhador (homicídio culposo, art. 121, parágrafo 3º do Código Penal) ou acarretar lesões corporais (lesão corporal culposa art. 129, parágrafo 6º do Código Penal). É importante, ainda, salientar que o causador do dano pode estar sujeito a outro artigo do Código Penal, referente ao chamado Crime de Perigo, conforme o artigo 132 do Código Penal: expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente, e que também pode conduzir a condenação criminal. A formalização de contratos com terceiros (terceirização), O SETOR ELÉTRICO Setembro 2008 31

46 Apoio O Setor Elétrico / Janeiro de 2010 Segurança do trabalho em eletricidade Capítulo I PSSR Partindo uma instalação elétrica de forma segura Por Fábio Correa Leite e Clineu Alencar Neto* Ações que garantam uma maior segurança para o empregado no seu ambiente de trabalho têm se popularizado nos últimos dez anos. Na área de eletricidade, esse processo tem acontecido, sobretudo, após a publicação da segunda versão da Norma Regulamentadora nº 10, em 2004, a NR-10, que dispõe sobre medidas de controle e sistemas preventivos a serem implantados para garantir a segurança e a saúde do trabalhador em instalações e serviços em eletricidade. Essa preocupação e, principalmente, essa mudança de postura das empresas e dos próprios empregados com relação à segurança têm refletido em uma redução do número de acidentes no ambiente de trabalho. De 1999 a 2008, eles caíram aproximadamente 33%, segundo indicadores da Fundação Comitê de Gestão Empresarial (Fundação COGE), entidade de aprimoramento de gestão empresarial do setor elétrico. Considerando a relevância do tema, desde 2003, é organizado no País o Seminário Internacional da Engenharia Elétrica na Segurança do Trabalho (Electrical Safety Workshop), mais conhecido como ESW Brasil. Neste evento, são apresentados trabalhos desenvolvidos sobre o assunto por profissionais e pesquisadores da área. Os artigos que compõe esses fascículos de Segurança do trabalho em eletricidade foram selecionados dentre os trabalhos apresentados no último ESW, realizado entre os dias 22 e 24 de setembro de 2009 em Blumenau (SC). Serão publicados, ao todo, seis artigos, que abordarão temas como: Segurança humana e patrimonial; Adequações das empresas à NR 10; Como garantir instalações elétricas seguras; Segurança em situações de calamidades públicas; entre outros. Neste primeiro artigo, serão analisados os riscos elétricos e o que pode ser feito para aumentar a segurança na hora de operar uma nova unidade utilizando a ferramenta PSSR, do inglês Pre Start up Safety Review, ou Revisão de Segurança Pré Partida, em português. O objetivo deste trabalho é demonstrar a aplicação dessa ferramenta na partida de um sistema elétrico usando como exemplo uma cabine primária que passou por um processo de retrofit. A principal premissa seguida foi garantir que a segurança das pessoas e integridade das instalações tivessem sido implementadas antes da energização. Introdução O sucesso de projetos de grandes plantas químicas está diretamente relacionado à execução de um bom planejamento. Os três principais indicadores de sucesso de um projeto para seus stakeholders são: custo, prazo e qualidade. Ou seja, quando o time de projeto consegue construir uma instalação a um custo competitivo, dentro do prazo desejado e com qualidade, é possível concluir que o projeto teve sucesso.

30 Apoio Proteção contra arco elétrico e EPIs Capítulo III A NFPA 70E e os requisitos de segurança para arco elétrico Seleção de EPIs Por Alan Rômulo e Eduardo Senger* No último capítulo foram apresentadas e discutidas, de maneira abrangente, as principais normas que abordam o risco de arco elétrico nas atividades em eletricidade. Entre todas as normas apresentadas, foram destacadas a NFPA 70E (Standard for electrical safety requirement for employee workplace) e a IEEE 1584 (IEEE Guide for performing arc-flash hazard calculations) como as principais referências atualmente utilizadas para mensurar os riscos e prover meios para sua mitigação. Em função dessa relevância, este artigo apresenta os principais pontos da NFPA 70E relacionados ao risco de arco elétrico e à seleção dos EPIs. NFPA 70E A norma NFPA 70E visa a estabelecer práticas de segurança para a proteção dos trabalhadores envolvidos em serviços com eletricidade. Além da introdução, a norma está estruturada em três capítulos e também contempla 16 anexos. Contudo, esses anexos não fazem parte dos seus requisitos e estão incluídos apenas para fins informativos. A Figura 2 destaca a organização do conteúdo apresentado nos principais capítulos da norma. Aplica-se para segurança em eletricidade no local de trabalho Requisitos de segurança relacionados à manutenção. Complementa ou modifica o Capítulo 1 com requisitos de segurança para equipamentos especiais. Capítulo 1 Práticas de trabalho relacionadas à segurança Capítulo 2 Requisitos de segurança relacionados à manutenção Capítulo 3 Requisitos de segurança para equipamentos especiais Figura 1 Edição 2012 da NFPA 70E. Figura 2 Organização da norma NFPA 70E.