Carlo Marassi responde (Parte 1): Quais as principais aplicações clínicas e quais as chaves para o sucesso no uso dos mini-implantes em Ortodontia? Rosely Suguino introdução Os últimos anos têm testemunhado o aumento significativo do número de ortodontistas que utilizam dispositivos temporariamente fixados ao osso, como ancoragem esquelética e dentre estes dispositivos, se destacam os mini-implantes ortodônticos. Os mini-implantes são parafusos produzidos a partir de uma liga de titânio grau V (Ti-6l-4V), que os torna mais resistentes à fratura e menos propensos à osseointegração, portanto mais seguros de serem instalados e mais fáceis de serem removidos do que se fossem constituídos de titânio comercialmente puro. Geralmente apresentam diâmetro entre 1,2 e 2,5mm e comprimento de 6 a 12mm. nomenclatura destes dispositivos varia de acordo aom a preferência de diversos autores, sendo tamém comumente chamados de mini-parafusos ou micro-parafusos 3-18, 20-37, 40-56. Os mini-implantes utilizados, inicialmente, para ancoragem ortodôntica foram os parafusos de titânio, destinados à fixação de fraturas e enxertos ósseos (Fig. 1, 2). tualmente existem mini-implantes específicos para Ortodontia, diferenciando-se dos anteriores por possuírem uma área lisa para atravessar a mucosa e uma extremidade apropriada para instalação de fio de amarril (Fig. 3) ou módulos elásticos. lguns modelos possuem extremidade externa com encaixe para arcos retangulares. São produzidos em formatos cilíndricos ou cônicos, alguns requerem perfuração prévia da cortical enquanto outros são auto-perfurantes. Os mini-implantes podem receer carga imediata, pois a estailidade do mesmo é otida por retenção mecânica, que será proporcional à densidade e espessura da cortical óssea onde o mini-implante for instalado 4,5,10,9,21,25,30,35,37. Os mini-implantes apresentam vantagens quando comparados aos demais métodos de ancoragem tradicional e esquelética: maior eficiência, estética e conforto para o paciente; aixo custo, facilidade de instalação e de remoção; tornam mais previsíveis os resultados dos tratamentos; permitem modificações faciais mais importantes e possiilitam a otenção de uma ancoragem máxima, com necessidade mínima de colaoração dos pacientes 8,14,33,35,37,47,56. PLICÇÕES CLÍNICS Como regra geral, os mini-implantes podem ser indicados para os indivíduos: 1) com necessidade de ancoragem máxima (Fig. 4); 2) não colaoradores; 3) com unidade de ancoragem comprometida por seqüelas de prolemas periodontais, por presença de reasorção radicular ou por número reduzido de elementos dentários; 4) com necessidade de movimentos ortodônticos considerados complexos ou impossíveis para os métodos tradicionais de ancoragem 8,35,37. seguir serão citadas as principais aplicações clínicas destes dispositivos. 14 Rev. Clín. Ortodon. Dental Press, Maringá, v. 5, n. 4 - ago./set. 2006
Carlo Marassi Figura 1 - Parafuso para fixação de enxerto ósseo sendo utilizado como ancoragem ortodôntica. Figura 2 - Parafuso para fixação de enxerto ósseo - visão aproximada. Figura 3 - Mini-implante específico para uso em Ortodontia. Figura 4 - Paciente com necessidade de ancoragem máxima no arco superior utilizando mini-implante como ancoragem. Retração em massa dos elementos dentários ântero-superiores Para esta aplicação, recomenda-se a instalação do mini-implante entre o segundo pré-molar e o primeiro molar superior. plicase a força de retração diretamente no mini-implante para o gancho do arco (ancoragem direta). Sugere-se o uso de mola de nitinol ou módulos elásticos com uma força de 2,5N (aproximadamente 250g) de cada lado. s figuras (5 a 5E) ilustram essa aplicação clínica em um indivíduo com desvio de linha média inferior para o lado direito, devido à ausência do elemento dentário 46, com Classe II total do lado direito e Classe I do lado esquerdo. Foram indicadas exodontias do 14, 24 e 34 para dissolver o apinhamento, diminuir a protrusão e acertar a linha média inferior. Os dentes superiores extraídos foram desgastados no sentido mésio-distal e mantidos no arco como provisórios com finalidade estética. Mini-implantes foram instalados e utilizados como ancoragem direta para retração anterior em massa, evitando forças de mesialização nos molares superiores. O fechamento de espaço foi otido com êxito, sem a colaoração da paciente e os mini-implantes permaneceram estáveis durante todo o tratamento 32,52,57. É importante que o ortodontista escolha a altura da instalação do mini-implante de acordo com o movimento desejado dos incisivos superiores. Uma instalação mais alta, mais próxima à linha muco-gengival, está indicada nos casos onde se pretende um movimento de retração, associado à intrusão dos incisivos (Fig. 6). Uma instalação em uma altura intermediária será desejável em indivíduos com soremordida normal (Fig. 7). Para casos de mordida aerta anterior está indicada uma instalação mais aixa, próxima ao limite inferior de instalação (em torno de 4mm acima da papila na região de molares e de 5mm acima da papila na região de prémolares). O ortodontista tamém poderá controlar a linha de ação de força durante a retração através da modificação da altura do gancho da região anterior. Em casos de mordida aerta anterior, Rev. Clín. Ortodon. Dental Press, Maringá, v. 5, n. 4 - ago./set. 2006 15
c d e Figura 5 - a) Foto inicial do caso, onde foram indicadas exodontias do 14, 24 e 34. ) Fase de alinhamento e nivelamento - 14 e 24 mantidos como provisórios. c) Início do fechamento de espaço no arco superior. d, e) Continuação do fechamento de espaços. f) Foto final. f Figura 6 - Retração anterior com vetor de força para intrusão dos elementos dentários anteriores. Figura 7 - Retração anterior sem vetor de intrusão na região anteiror. recomenda-se o uso de ganchos mais altos. altura da linha de ação de força em relação ao centro de resistência dos dentes anteriores irá influenciar na inclinação vestiular dos incisivos durante a fase de fechamento de espaços. Quanto mais aixo o gancho, maior a necessidade de controle de torque para os incisivos 5,24,25,35. Caso não haja espaço suficiente (mínimo de 2,5mm) entre as raízes dos segundos pré-molares e primeiros molares superiores ou em casos de extração de segundos pré-molares superiores, podese indicar a instalação do mini-implante no processo alveolar palatino entre os primeiros e segundos molares superiores (Fig. 8). retração dos dentes anteriores e do primeiro pré-molar poderá ser feita simultaneamente com ancoragem indireta do mini-implante, o qual estará estailizando os primeiros molares superiores. Indica-se o uso de arra transpalatina nestes casos para evitar giroversões dos primeiros molares. Para instalação de mini-implante nesta área é fundamental que se mensure a espessura da gengiva, a fim de escolher adequadamente a extensão do perfil transmucoso e o comprimento total do mini-implante. extensão do perfil transmucoso (área lisa do mini-implante entre a extremidade externa e a rosca) deverá corresponder à espessura do tecido mole e o mini-implante deverá estar inserido no osso de 6 a 8mm 31,35,49. Outra opção para retração anterior, utilizando-se ancoragem 16 Rev. Clín. Ortodon. Dental Press, Maringá, v. 5, n. 4 - ago./set. 2006
Carlo Marassi indireta, seria a instalação do mini-implante entre os primeiros e segundos molares superiores, caso haja espaço suficiente entre as raízes nesta região (Fig. 9). Podemos optar ainda pele instalação na distal dos segundos molares (Fig. 10), em casos onde há espaço e gengiva inserida disponível, ou mesmo entre as raízes vestiulares dos primeiros molares permanentes, em casos que apresentem estas raízes em divergentes e outros sítios não sejam favoráveis. Retração em massa dos elementos dentários ântero-inferiores O local de eleição para instalação de mini-implantes para retração anterior do arco inferior encontra-se entre os primeiros e segundos molares inferiores. Emora cada caso deva ser analisado individualmente, essa área é a que usualmente apresenta maior espaço entre as raízes e maior espessura de cortical óssea no arco inferior. Pode-se utilizar um fio de amarril para estailização dos primeiros molares inferiores, utilizando o mini-implante como ancoragem indireta (Fig. 11) 24, 25,42,43. Uma segunda opção seria a instalação do mini-implante entre segundos pré-molares e primeiros molares (Fig. 12, B) e retração anterior através de ancoragem direta. s figuras 13 e B ilustram um caso clínico onde foi indicada exodontia do segundo pré-molar inferior e havia espaço insuficiente para instalação do mini-implante entre os primeiros e segundos molares inferiores. Decidiu-se instalar os mini-implantes entre segundos e terceiros molares e utilizar ancoragem indireta, estailizando-se os molares inferiores para retração em massa dos primeiros pré-molares e demais elementos dentários anteriores. Foram utilizadas molas de nitinol super-elásticas, com força em torno de 2,5N (aproximadamente 250g) 43,52,57. Figura 8 - Estailização de molares superiores em caso de exodontia de segundo pré-molar. Figura 9 - ncoragem indireta. Molares superiores ligados ao mini-implante por fio de amarril. Figura 10 - ncoragem indireta para fechamento de espaço no arco superior com vetor de força intrusivo para região anterior. Figura 11 - ncoragem indireta para retração anterior no arco inferior. Rev. Clín. Ortodon. Dental Press, Maringá, v. 5, n. 4 - ago./set. 2006 17
Retração anterior superior e inferior Indicado para pacientes com necessidade de ancoragem máxima nos dois arcos, como acontece comumente em pacientes com iprotrusão (Fig. 14). Nesses casos é possível oter melhor aproveitamento dos espaços das extrações, com modificações faciais mais importantes, principalmente nos pacientes não colaoradores. ancoragem poderá ser direta ou indireta, como ilustrado nos itens anteriores 42. Intrusão de molares superiores Com o auxílio dos mini-implantes, a intrusão de molares pode ser otida sem efeito colateral indesejado para os dentes vizinhos e sem o risco de desvio do plano oclusal em casos de intrusão unilateral. Pode ser feita de modo previsível e representa uma alternativa interessante para a solução tradicional de desgaste da coroa, seguido de tratamento endodôntico e em alguns casos aumento de coroa clínica do molar extruído 11,12,20,24,39,41. Como primeira opção para intrusão de molar superior, recomenda-se a instalação de um mini-implante por vestiular, entre segundo pré-molar e primeiro molar superior e um mini-implante por palatina, na distal do primeiro molar superior. Sugere-se uma força de intrusão em torno de 1,5N a 2,0N (aprox. 150g a 200g) que pode ser otida utilizando-se elásticos em cadeia, trocados a cada três semanas ou por molas de níquel titânio. s figuras 15 a F ilustram a recuperação do espaço protético para instalação de implante osseointegrado no arco inferior 11,12,20,24,41,57. Para intrusão ilateral de molares superiores, com finalidade de melhoria de mordida aerta anterior em indivíduos com o terço inferior da face aumentado, podem ser instalados mini-implantes no processo alveolar vestiular entre os primeiros e segundos Figura 12 - a) Retração ântero-posterior com ancoragem direta. ) Imagem radiográfica da aplicação clínica realizada. Figura 13 - a) Estailização de molares inferiores para retração anterior. ) Estailização de molares inferiores para retração anterior - vista vestiular. 18 Rev. Clín. Ortodon. Dental Press, Maringá, v. 5, n. 4 - ago./set. 2006
Carlo Marassi molares superiores. Utiliza-se então ancoragem direta, ligando-se um módulo elástico do mini-implante até o arco de aço (mínimo 017x025 ) entre os tuos dos molares. tendência de inclinação destes molares para vestiular durante o processo de intrusão pode ser controlada através do uso de uma arra transpalatina 23. Distalização de molares superiores Distalizações de até 4,0mm de molares superiores têm sido otidas de uma forma previsível com o auxílio dos mini-implantes. Em caso de distalização ilateral pode-se instalar um mini-implante na sutura palatina e utilizar molas de nitinol ou módulos elásticos ligados à arra transpalatina para efetuar a distalização. figura 16 ilustra esta aplicação clínica no tratamento de um paciente de transferência com histórico de exodontia dos primeiros pré-molares superiores e segundos pré-molares inferiores. Houve perda de ancoragem no arco superior e a relação inter-arcos permaneceu em Classe II de caninos, em uma fase adiantada do fechamento de espaços (Fig. 16B). Um parafuso de titânio não específico foi instalado na sutura palatina e um otão lingual foi colado na extremidade do parafuso para facilitar a instalação de módulos elásticos para a Figura 14 -, B) ncoragem máxima em paciente com iprotrusão. c e d f Figura 15 - a, B) Fase inicial da intrusão do 16. c, D) Continuação da intrusão do 16. e, F) Intrusão do 16 concluída. Rev. Clín. Ortodon. Dental Press, Maringá, v. 5, n. 4 - ago./set. 2006 19
distalização (Fig. 16C). Empregou-se uma força de aproximadamente 4N (aprox. 400g) para a distalização ilateral. No sistema ilustrado, há uma tendência inversa dos tratamentos de distalização com os aparelhos intraucais tradicionais. Como a força é aplicada próximo ou acima do centro de resistência dos molares, há tendência de movimentação de corpo dos molares ou maior movimento das raízes para distal do que das coroas, o que normalmente é favorável do ponto de vista de estailidade do movimento (Fig. 16D). pós a recuperação e sorecorreção da relação de Classe I de molares (Fig. 16F), iniciou-se a retração em massa dos elementos dentários ântero-superiores, mantendo-se os molares estailizados pela arra transpalatina ligada ao mini-implante (Fig. 16G). O fechamento de espaço foi concluído com êxito, permanecendo o mini-implante estável e os molares em relação de Classe I (Fig. 16H) 6,22,57. Em casos de pacientes com palato mais alto, há uma tendência indesejável de inclinação da coroa dos primeiros molares para mesial. Nestes casos o ortodontista pode optar por um desenho diferente de sistema de distalização, onde a linha de ação de força passa próximo ao centro de resistência dos molares que estão sendo movimentados (Fig. 17) 6,22,32,35. Em indivíduos em fase de crescimento, no qual se opta pela distalização de molares com o sistema supracitado, recomendase a instalação de dois mini-implantes ao lado da sutura palatina, visando evitar a inserção em áreas ricas em tecido firoso (Fig. 18). Dois mini-implantes tamém podem ser utilizados para distalização de molares em adultos, quando o cirurgião suspeita de pouca densidade óssea durante a instalação ou quando se planeja uma distalização mais significativa no arco superior (Fig. 19) 27. c d e f g h i Figura 16 - a) Foto inicial. ) Relação interarcos de Classe II e espaços das exodontias quase totalmente fechados. c) Distalização ilateral de molares superiores com módulo elástico ligando o mini-implante ao gancho soldado na arra transpalatina. d) Radiografia cefalométrica mostrando a linha de ação de força da distalização. e) Melhoria ântero-posterior com a distalização dos molares superiores. f) Relação molar corrigida com a distalização dos molares superiores. g) Retração anterior com os molares estailizados pela arra ligada ao mini-implante na sutura. h) Fechamento de espaço concluído com os molares. i) Foto final. 20 Rev. Clín. Ortodon. Dental Press, Maringá, v. 5, n. 4 - ago./set. 2006
Carlo Marassi Figura 17 - Distalização de molares com linha de ação de força próxima à altura do centro de resistência dos molares superiores. Figura 18 - Distalização com mini-implante no palato em pacientes em crescimento. Figura 19 - Distalização de molares ancorados em dois mini-implantes. figura 20 ilustra uma opção para distalização uni ou ilateral de molares, utilizando-se o mini-implante instalado no processo alveolar vestiular, entre o segundo pré-molar e o primeiro molar superior. Em casos onde há possiilidade de alinhamento e nivelamento sem a necessidade de distalização prévia, progride-se com os arcos até atingir o 019x025 de aço e então se recomenda a instalação do mini-implante (Fig. 20). Remove-se o acessório do segundo pré-molar e instala-se uma mola de nitinol e um gancho deslizante e ativa-se o sistema ancorado no mini-implante com uma força de 2N a 2,5N (Fig. 20B). Durante a distalização dos molares ocorre rotineiramente migração espontânea dos pré-molares, caninos e mesmo incisivos para distal, devido à ação das firas supra-alveolares (Fig. 20C-E). Uma vez otida a sorecorreção da distalização, solicita-se remoção do mini-implante e reinstala-se o acessório do segundo pré-molar para o alinhamento do mesmo (Fig. 20F) e instala-se uma arra transpalatina para estailização dos molares. Nos casos onde ainda há necessidade de significativa distalização dos elementos dentários anteriores, o ortodontista pode solicitar a instalação de um mini-implante no espaço interdental na distal do molar superior no processo alveolar palatino e unir com fio de amarril este implante à arra transpalatina para estailização dos molares 6,22,55. distalização ou recuperação de ancoragem pode ser feita tamém com um jig instalado sore o arco principal de aço (Fig. 21, B). Nos indivíduos que apresentam falta de espaço para o alinhamento pode-se utilizar um Jones Jig modificado para correção da relação molar e otenção do espaço para o alinhamento dentário no arco superior (Fig. 22), dispensando o uso de otão de Nance e principalmente, sem perda de ancoragem anterior. Mesialização de molares superiores e inferiores Muitas vezes a mesialização de molares sem a colaoração do paciente representa um desafio para o ortodontista, principalmente quando este movimento é unilateral, devido à tendência de desvio da linha média. O uso dos mini-implantes pode tornar esse procedimento em mais simples. s figuras 23 e B ilustram o fechamento de espaço em um indivíduo com 12 anos de idade, com agenesia do canino superior direito, no qual se decidiu utilizar o auxílio de ancoragem esquelética para evitar desvio da linha média inferior e diminuir o tempo de tratamento 24,26,28,49. Para a mesialização de molares, usualmente, indica-se a instalação de mini-implante entre os pré-molares ou entre canino e primeiro pré-molar, se houver espaço inter-radicular disponível nesta região. Recomenda-se o uso de um raço de força, elaorado com fio de aço 019x025 ou 021x025, inserido no tuo auxiliar para que a linha de ação de força se aproxime do centro de resistência do molar a ser movimentado, prevenindo inclinação mesial do mesmo durante o fechamento do espaço (Fig. 24). O mini-implante deverá ser preferencialmente instalado na direção ou próximo à altura do centro de resistência do molar a ser mesializado e a linha de ação de força deverá, de modo geral, ficar paralela ao plano oclusal 24,26,28,49. No arco superior é possível fazer mesialização ilateral dos molares utilizando-se um mini-implante instalado na região anterior da sutura palatina mediana, ligando-se o mini-implante à arra transpalatina através de módulos elásticos. Intrusão de incisivos Os mini-implantes podem ser utilizados para auxiliar na intrusão de incisivos superiores e inferiores. Para essa aplicação podese instalar um mini-implante entre os incisivos centrais e utilizar módulo elástico com aproximadamente 1,2N de força, ligando o mini-implante ao arco principal de aço (Fig. 25). Para os casos de intrusão incisivos e tamém de molares, recomenda-se instalar os mini-implantes mais perpendiculares em relação ao longo eixo do dente para evitar que o módulo elástico escape para oclusal. Deve-se fazer a instalação no mínimo 6mm acima da papila inter-dental, uma vez que o movimento intrusivo irá levar a uma remodelação da crista óssea. falta de oservação Rev. Clín. Ortodon. Dental Press, Maringá, v. 5, n. 4 - ago./set. 2006 21
c d e f g h Figura 20 - a) Final do alinhamento e nivelamento e mini-implante instalado. ) Início da distalização de molares. c, d) Continuação da distalização. e) Molar sorecorrigido. f) Distalização otida com êxito. g) specto clínico logo após a remoção do mini-implante. h) Inclusão do segundo pré-molar para finalização do tratamento. i) Foto Final. i Figura 21 - a) Distalização com jig. ) Visão aproximada do sistema de distalização com jig. 22 Rev. Clín. Ortodon. Dental Press, Maringá, v. 5, n. 4 - ago./set. 2006
Carlo Marassi Figura 22 - Distalizador intraucal ancorado no mini-implante. Figura 23 - a) Início do fechamento de espaço unilateral. ) Fim do fechamento de espaço unilateral. Figura 24 - Mesialização de segundo molar inferior com raço de força. Figura 25 - Intrusão de incisivos superiores. desta distância pode levar à perda do implante ou até à recessão óssea e gengival na região do mini-implante. instalação nesta região muitas vezes torna-se complicada pela presença de uma inserção mais aixa do freio laial no arco superior ou faixa estreita de gengiva inserida no arco inferior, exigindo em alguns casos instalação em mucosa alveolar. Durante o planejamento iomecânico, deve-se levar em conta que este mini-implante instalado entre os incisivos centrais, normalmente está à frente do centro de resistência dos incisivos, havendo, portanto, uma tendência de vestiularização dos mesmos durante o processo de intrusão. Estas dificuldades (presença do freio e tendência de vestiularização dos incisivos) podem ser contornadas com a instalação de dois miniimplantes, um em cada quadrante, entre as raízes dos caninos e dos incisivos laterais. Pode-se utilizar apenas um implante nessa região nos casos de intrusão assimétrica (Fig. 26, B) 10,24,32. Verticalização de molares correção de molares inclinados para mesial pode ser otida com utilização de um mini-implante distal ao dente a ser verticalizado (Fig. 27) ou com dois mini-implantes na mesial do mesmo (utilizando-se um tuo colado sore estes mini-implantes e arco segmentado) ou ainda com ancoragem indireta, usando arco contínuo e estailizando-se um dente ou grupo de dentes mesiais ao molar a ser verticalizado (Fig. 28) 24,45. Outras aplicações lém dessas aplicações mais freqüentemente utilizadas, existem outras possiilidades de uso dos mini-implantes como: retração de caninos em casos onde há significativa falta de espaço para o alinhamento do lateral e necessidade de ancoragem máxima (Fig. 29); ancoragem direta em pacientes que utilizam aparelhos fixos linguais; loqueio inter-maxilar em pacientes que irão ser sumetidos à cirurgia ortognática, que possuem periodonto reduzido, histórico de reasorção radicular ou utilizam ortodontia lingual; correção de linha média (Fig. 30) e preparo Ortodôntico para restauração protética (Fig. 31) 24,29,33. DISCUSSÃO s forças comentadas neste texto devem ser consideradas apenas como uma referência inicial, tendo que ser ajustadas de acordo com o sistema empregado e com a resposta individual do paciente 57. Rev. Clín. Ortodon. Dental Press, Maringá, v. 5, n. 4 - ago./set. 2006 23
Figura 26 - a) Intrusão assimétrica de incisivos inferiores - arco superior correto em relação à face. ) Intrusão assimétrica de incisivos inferiores - visão lateral. Figura 27 - Verticalização de molar com miniimplante distal a este elemento dentário. Figura 28 - Verticalização de molar inferior com ancoragem indireta e arco contínuo. Segundo pré-molar inferior estailizado pelo mini-implante. Figura 29 - Retração de canino superior para gerar espaço para alinhamento do 22. Figura 30 - Correção de linha média superior. Fio de amarril conjugando do 13 ao 23. Figura 31 - Dois mini-implantes instalados no reordo alveolar para ajuste de espaços e correção da linha média inferior, em paciente edêntulo na região posterior do arco. 24 Rev. Clín. Ortodon. Dental Press, Maringá, v. 5, n. 4 - ago./set. 2006
Carlo Marassi Emora tenham sido citadas aqui as aplicações clínicas e os locais de instalação mais utilizados, cada caso deverá ser analisado de forma única. Fatores como tipo de movimento desejado, iomecânica, distância entre as raízes, faixa de gengiva inserida, altura do seio maxilar, força a ser utilizada e densidade óssea, deverão nortear a escolha do sítio de instalação do mini-implante. Um planejamento cuidadoso é uma das chaves para o sucesso deste tipo de ancoragem. Detalhes sore o planejamento e outras chaves para o sucesso no uso dos mini-implantes serão aordados na segunda parte deste artigo 24,38,32,33,34,37. CONCLUSÃO Os mini-implantes têm se mostrado eficientes como ancoragem esquelética e vêm auxiliando os ortodontistas em inúmeras aplicações clínicas. Estes dispositivos liertam os profissionais da necessidade de colaoração do pacientes e ampliam as possiilidades de tratamento, tornando mais fáceis os casos, antes considerados complexos ou inviáveis para os métodos tradicionais de tratamento ortodôntico. GRDECIMENTOS gradeço aos vários alunos, colegas, e professores que vêm me auxiliando nas pesquisas relacionadas ao uso dos mini-implantes. Em especial agradeço à Zelna Marassi, Patrícia M. Marassi, Cesar Marassi, ndré Leal, Cláudio Dutra, José Luiz Herdy, Orlando Chianelli, Paulo César Nery, Wagner Luz, rnaldo Palhano, Bruno Martinelli; Editora Napoleão e à Universidade Unigranrio, onde vários dos casos apresentados foram tratados. Referências 1. kin-nergiz N, Nergiz I, Schulz. et al. Reactions of peri-implant tissues to continuous loading of osseointegrated implants. m J Orthod Dentofacial Orthop 2001 May; 119(5): 489-497. 2. sscherickx K. Root repair after injury from mini-screw. 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