DIREITO ADMINISTRATIVO PROF. MES. BRUNO VARGENS NUNES 1PROFESSOR BRUNO VARGENS
CONCEITO Existem vários conceitos para definir o Direito Administrativo. O critério que predomina hoje é o que diz que ele é ramo autônomo do Direito que regula a administração pública. É o chamado critério da administração pública. A expressão pode ser entendida em duplo sentido. 2PROFESSOR BRUNO VARGENS
SENTIDO Podemos ver a administração pública como o conjunto de órgãos, entidades e agentes que exercem a função administrativa. SUBJETIVO ORGÂNICO FORMAL 3PROFESSOR BRUNO VARGENS
SENTIDO Mas a expressão pode ser entendida também como a própria função administrativa pública. OBJETIVO FUNCIONAL MATERIAL 4PROFESSOR BRUNO VARGENS
A função administrativa compreende diversas atividades: o 1) Serviços públicos: atividade direcionada a proporcionar ou comodidades para os administrados, para satisfação de suas necessidades. 2) Poder de polícia: atividade que contém ou restringe o exercício das liberdades, adequando-as ao interesse público. 5PROFESSOR BRUNO VARGENS
3) Fomento: atividade administrativa de estímulo à iniciativa privada de utilidade pública, que desenvolve atividades de interesse coletivo. 4) Intervenção: atuação da Administração no domínio econômico, seja de forma direta (através de suas empresas estatais), seja de forma indireta, por meio da regulamentação e da fiscalização da atividade econômica. 6PROFESSOR BRUNO VARGENS
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA SENTIDO SUBJETIVO,ORGÂNIC O OU FORMAL SENTIDO OBJETIVO, FUNCIONAL OU MATERIAL ÓRGÃOS, ENTIDADES E AGENTES QUE EXERCEM A FUNÇÃO ADMINISTRATIVA. A PRÓPRIA FUNÇÃO ADMINISTRATIVA. 7PROFESSOR BRUNO VARGENS
Conceitos de Direito Administrativo 8PROFESSOR BRUNO VARGENS
CRITÉRIO LEGALISTA CRITÉRIO DO SERVIÇO PÚBLICO CRITÉRIO (OU ESCOLA) DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA CRITÉRIO DO PODER EXECUTIVO CRITÉRIO RESIDUAL RAMO DO DIREITO QUE TEM POR OBJETO O ESTUDO DAS LEIS ADMINISTRATIVAS. RAMO DO DIREITO QUE DISCIPLINA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS. RAMO DO DIREITO QUE REGULA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RAMO DO DIREITO QUE REGULA AS ATIVIDADES DO PODER EXECUTIVO. RAMO DO DIREITO QUE REGULA AS ATIVIDADES DO ESTADO, EXCETO A LEGISLAÇÃO E A JURISDIÇÃO.
FONTES 10
Fonte LEI Conceito CONSTITUIÇÃO, LEIS E ATOS NORMATIVOS INFRALEGAIS. Observação NORMA ESCRITA. FONTE PRIMÁRIA. 11
Fonte DOUTRINA Conceito OPINIÕES DOS JURISTAS. Observação FONTE SECUNDÁRIA NÃO VINCULA. 12
Fonte JURISPRUDÊNCIA Conceito DECISÕES JUDICIAIS EM UM MESMO SENTIDO. Observação FONTE SECUNDÁRIA. NÃO VINCULA, SALVO SÚMULAS VINCULANTES. 13
Fonte COSTUMES Conceito PRÁTICA REITERADA (ELEMENTO OBJETIVO) COM A CONVICÇÃO DE SEU ACERTO(ELEMENTO SUBJETIVO) Observação NORMA NÃO ESCRITA. FONTE SECUNDÁRIA. A MERA PRÁTICA, SEM A CONVICÇÃO, CARACTERIZA APENAS PRAXE ADMINISTRATIVA. 14
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ÓRGÃOS, ENTIDADES E SENTIDO AMPLO (Governo + Administração Pública stricto sensu) SUBJETIVO OBJETIVO AGENTES GOVERNAMENTAIS E ADMINISTRATIVOS. FUNÇÕES POLÍTICA E ADMINISTRATIVA. 15
SENTIDO RESTRITO (apenas Administração Pública stricto sensu) SUBJETIVO OBJETIVO SOMENTE ÓRGÃOS, ENTIDADES E AGENTES ADMINISTRATIVOS. SOMENTE FUNÇÃO ADMINISTRATIVA. 16
FUNÇÕES ESTATAIS Para bem cumprir sua missão, um Estado desempenha três funções típicas: a função legislativa, a função administrativa e a função jurisdicional. Essas funções são consideradas especializações do poder político. Este é uno e indivisível, mas repartido funcionalmente nas três atividades citadas. 17
QUESTÕES 1 - A respeito da estrutura e organização da administração pública brasileira, julgue o item subsecutivo. A administração pública, em sentido amplo, compreende tanto a função política, que estabelece as diretrizes governamentais, quanto a função propriamente administrativa, de execução de atividades administrativas. 18
QUESTÕES 2 - Os costumes sociais também podem ser considerados fonte do direito administrativo, sendo classificados como fonte direta, pois influenciam a produção legislativa ou a jurisprudência. 3 - Embora a função de administração pública seja exercida precipuamente pelo Poder Executivo, os Poderes Judiciário e Legislativo, relativamente a seus atos administrativos, também a exercem. 19
Princípios Fundamentais 20
SUPREMACIA DO INTERESSE PÚBLICO A supremacia do interesse público é o principal fundamento não só do Direito Administrativo, mas de todo o Direito Público. 21
Nas relações entre o Estado e os administrados, deve prevalecer o interesse público sobre o particular, desde que não haja ofensa aos direitos fundamentais do indivíduo. Isso porque o Estado defende o interesse de toda a coletividade, isto é, o interesse público. 22
Princípio da Indisponibilidade do Interesse Público A indisponibilidade do interesse público assevera que o gestor não possui autorização para renunciar aos poderes a ele conferidos por lei para desempenhar suas funções e administrar a coisa pública, pois isto significaria deixar de atender ao interesse público. 23
Isso porque não é o administrador o titular desses interesses, mas a sociedade, não sendo lícito, desse modo, ao agente público deixar de atendê-los. Somente o próprio titular do interesse público (o povo) pode dele dispor, mediante lei aprovada por seus representantes. 24
Um exemplo é a doação de recursos brasileiros a um país destruído por um terremoto ou uma guerra, ou às suas vítimas, que só pode ser feita mediante autorização legal. 25
PRINCÍPIOS EXPRESSOS NA CONSTITUIÇÃO O artigo 37, caput, da CF/88 prevê expressamente os princípios constitucionais da Administração Pública, são eles: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. 26
DICA: Memorize (LIMPE). Legalidade Impessoalidade Moralidade Publicidade Eficiência 27
LEGALIDADE SUBORDINAÇÃO À LEI. O ADMINISTRADOR SÓ PODE FAZER O QUE A LEI AUTORIZA OU DETERMINA. MORALIDADE HONESTIDADE, LEALDADE, BOA FÉ, DE CONDUTA, ÉTICA, DECORO, PROBIDADE... 28
EFICIÊNCIA CELERIDADE, ECONOMIA, PRODUTIVIDADE, SATISFAÇÃO DA COLETIVIDADE. PUBLICIDADE PUBLICIDADE DOS ATOS, EXIGÊNCIA DE TRANSPARÊNCIA DA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA. 29
PUBLICIDADE PUBLICIDADE DOS ATOS, EXIGÊNCIA DE TRANSPARÊNCIA DA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA. 30
QUESTÕES 1 - A administração pública deve obedecer aos princípios da legalidade, finalidade, razoabilidade, moralidade e eficiência, entre outros. 2 -Julgue o item a seguir, a respeito dos princípios básicos da administração e do controle e responsabilização da administração: Os princípios constitucionais da administração pública não são aplicáveis às sociedades de economia mista, visto que essas sociedades são regidas pelo regime de direito privado. 31
3 - A prática do nepotismo na administração pública, caracterizada pela nomeação de parentes para funções públicas, pode ser considerada uma violação ao princípio da impessoalidade. 4- A publicidade é elemento formativo do ato administrativo, uma vez que, sem ela, o ato não chega a se formar e, por isso, não pode gerar efeitos. 32
5- Com base no princípio da publicidade, os atos internos da administração pública devem ser publicados no diário oficial. 33
OUTROS PRINCÍPIOS Outros princípios podem ser encontrados na Lei 9.784/99, art. 2º, Lei 8.666/93. Para lembrar deles é só memorizar a figura acima: CHÁ IM PARIS 34
OUTROS PRINCÍPIOS C = Continuidade H = Hierarquia A = Autoexecutoriedade I = Isonomia M = Motivação P = Presunção de legitimidade A = Autotutela R = Razoabilidade I = Indisponibilidade do interesse público S = Supremacia do interesse público 35
OUTROS PRINCÍPIOS RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE No Direito Administrativo, estes dois princípios são aplicados especialmente no controle de atos administrativos discricionários que restrinja os direitos dos administrados ou que imponha sanções administrativas. 36
Ressalte, desde logo, que estes princípios atuam no campo do controle da legalidade e legitimidade (a validade do ato), nunca no controle do mérito. 37
Os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade podem ser entendidos como a adequação entre os meios e os fins da administração pública, a proibição do excesso no desempenho da função pública. 38
Objetivam aferir a adequação entre os meios e os fins da atividade administrativa, de modo a evitar restrições desnecessárias ou abusivas aos direitos fundamentais. 39
QUESTÕES 1. O princípio da razoabilidade impõe à administração pública a adequação entre meios e fins, não permitindo a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. 40
QUESTÕES 2 - Com base no princípio da publicidade, os atos internos da administração pública devem ser publicados no diário oficial. 3 - Os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade estão expressos no texto da CF. 41
CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA (ART. 5º, LV, CF) A falta do contraditório e da ampla defesa torna nulos os processos administrativos nos quais esta ausência se afigura. OBS: Súmula vinculante nº 5: A FALTA DE DEFESA TÉCNICA POR ADVOGADO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR NÃO OFENDE A CONSTITUIÇÃO. 42
SÚMULA VINCULANTE Nº 3 Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão. 43
SEGURANÇA JURÍDICA Art. 54 da Lei n. 9.784/99 O direito da administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em 5 (cinco) anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé. 44
CONTINUIDADE DO SERVIÇO PÚBLICO É um princípio implícito, decorrente do regime de direito público a que eles estão sujeitos. A prestação do serviço público deve ser adequada, por isso, não pode sofrer interrupções. A paralização de um serviço público prejudica toda a coletividade, que dele depende para satisfação de seus interesses e necessidades. 45
EXEMPLO: A impossibilidade de o particular prestador de serviço público por delegação interromper sua atividade, ainda que o poder concedente descumpra os termos do contrato que tenha celebrado com ele. Essa restrição é chamada de inoponibilidade da exceção do contrato não cumprido (exceptio non adimpleti contractus). 46
No caso de prestação de serviços, o particular delegatário prejudicado pela Administração Pública concedente só poderá rescindir o contrato mediante sentença judicial transitada em julgado (Lei n. 8.987/1995, art. 39, parágrafo único). 47
Consequências: restrição ao direito de greve, artigo 37, VII CF/88; suplência, delegação e substituição casos de funções vagas temporariamente; possibilidade da encampação da concessão do serviço, retomada da administração do serviço público concedido no prazo na concessão, quando o serviço não é prestado de forma adequada. 48
PRINCÍPIOS IMPLÍCITOS PRIMCESA Os Princípios elencados no artigo 37 da Constituição Federal não esgotam o acervo principiológico do regime jurídico-administrativo. Diante disso, há outros princípios expressos em artigos distintos bem como há, também, princípios implícitos. 49
MACETE... 50
PRIMCESA P = Presunção de Legitimidade R = Razoabilidade I = Indisponibilidade do Interesse Público M = Motivação C = Continuidade do Serviço Público E = Especialidade S = Supremacia do Interesse Público A = Autotutela Fonte: http://www.macetesjuridicos.com.br/ 51