FISCALIDADE DE EMPRESA II

Documentos relacionados
FISCALIDADE DE EMPRESA II

Tribunal de Contas ANEXO II. Legislação sobre Benefícios Fiscais

IRC. Tributação de não residentes

RENDIMENTOS DE CAPITAIS

IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DAS PESSOAS SINGULARES (IRS)

ORGANISMOS INVESTIMENTO COLETIVO. Síntese do Regime Tributário

ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA INSTITUTO POLITÉCNICO DE VISEU FISCALIDADE DE EMPRESA I

Fiscalidade IRS-IRC. Exercícios de Aplicação

SEGUROS DE VIDA IRS 2018

RESOLUÇÃO CASO PRÁTICO Nº 1 IRS DA FAMÍLIA ANACLETO

IRS IRC IMI IMT EBF

O IRS no Orçamento do Estado para Audit Tax Advisory Consulting

FISCALIDADE DE EMPRESA II

IES - INFORMAÇÃO EMPRESARIAL SIMPLIFICADA (ENTIDADES RESIDENTES QUE NÃO EXERCEM, A TÍTULO PRINCIPAL, ACTIVIDADE COMERCIAL, INDUSTRIAL OU AGRÍCOLA)

II Curso de Formação para os Tribunais Administrativos e Fiscais

Como fazer o IRS? 10 MARÇO DE 2012

PPR ÚNICO - 7ª Série. Ficha de Produto. Plano Poupança Reforma

SEGUROS DE VIDA IRS 2016

FISCALIDADE DE EMPRESA II

Exemplos práticos de aplicação da sobretaxa

FISCALIDADE DE EMPRESA II

PPR ÚNICO - 3ª Série. Ficha de Produto. Plano Poupança Reforma

IMPUTAÇÃO DE RENDIMENTOS. Profissionais, Comerciais e Industriais. Agrícolas, Silvícolas e Pecuários IDENTIFICAÇÃO DO(S) SUJEITO(S) PASSIVO(S)

FISCALIDADE DE EMPRESA II

VICTORIA SEGUROS BENEFÍCIOS FISCAIS

IRS (Lei n.º 66-B/2012 de 31 de Dezembro) SEGUROS DE VIDA

Medidas Fiscais: Impostos sobre o Rendimento TITLE. Samuel Fernandes de Almeida

RENDIMENTOS DE CAPITAIS

NOTA FISCAL. Oferta Pública de Venda de Ações (OPV) da

As novas regras de tributação de rendimentos de capitais, mais-valias e de tributação do património

RESIDENTE NÃO HABITUAL

SEMINÁRIO CROWE HORWATH. ORÇAMENTO DO ESTADO PARA 2011 (IRS, IS, IMI, IMT, IVA e Justiça Tributária) 2011 Crowe Horwath International

PORTUGAL COMO PLATAFORMA DE INVESTIMENTO. 30 de Setembro de Quintela e Penalva - Sessão de Formação

RENDIMENTOS DA CATEGORIA B REGIME SIMPLIFICADO / ACTO ISOLADO. Regime Simplificado de Tributação. Profissionais, Comerciais e Industriais

ANEXO B DECLARAÇÃO MODELO 22

- Identificar as formas de tributação aplicáveis aos diferentes tipos de sujeitos passivos

PRINCIPAIS MEDIDAS FISCAIS DA PROPOSTA DE ORÇAMENTO DE ESTADO PARA 2013 (Parte 1 - IRS)

Preenchimento da Declaração Modelo 3 de IRS de 2016

d) 400. Justificação:

Grupo I. Exame de Fiscalidade Portuguesa (A que se refere alínea f) do nº 1 do artº15º do Decreto de Lei 452/99 de 5 de Novembro) VERSÃO A

Calendário das Obrigações Fiscais e Parafiscais para o mês de MAIO DE 2015

PPR ÚNICO - 12ª Série

A Sociedade Jota, Lda. vendeu em 2008 uma viatura pesada de mercadorias 4. Justificação e Cálculos:

Estágio ITE 2015 IRC Parte III DSF 2015

Comprovativo de Entrega da Declaração IES/DA Via Internet - Informação Vigente. Cód. Validação: VILA NOVA DE FOZ COA 1295

PORTUGAL COMO PLATAFORMA DE INVESTIMENTO

Pretendem-se esclarecimentos em relação a

Regime Fiscal do Investidor Residente Não Habitual

Fiscalidade IRS-IRC. Manual do Formador

MÓDULO: IRC Imposto sobre Rendimentos

REAL PPR Informações Pré-Contratuais

Decreto-Lei n.º 204/95 de 2 de Julho

BENEFÍCIOS FISCAIS RENDIMENTOS ISENTOS REGIME DE ISENÇÃO TEMPORÁRIA ZONA FRANCA DA MADEIRA E DA ILHA DE SANTA MARIA

R E N D I M E N T O D A S P E S S O A S S I N G U L A R E S E M C A B O V E R D E ( I I I )

RENDIMENTOS DA CATEGORIA B REGIME SIMPLIFICADO / ATO ISOLADO. Regime Simplificado de Tributação. Profissionais, Comerciais e Industriais

Pensar Angola. Aspectos fiscais do investimento português em Angola. PwC. Jaime Esteves. Fevereiro Banco BIC Portugal

Tributação dos advogados , delegação de Viana do Castelo

Seminário TRIBUTAÇÃO EFECTIVA DE LUCROS DISTRIBUÍDOS O (NOVO) ARTIGO 51.º, N.º 10 DO CIRC. Moderador: João Taborda da Gama

CIRCULAR N.º 4/2013. A) IRS Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares

PPR FUTURO. Informações Pré-Contratuais. Plano Poupança Reforma BPN

ÍNDICE SISTEMÁTICO DECRETO-LEI N.º 159/2009, DE 13 DE JULHO

RESIDENTE NÃO HABITUAL

CALENDÁRIO DAS OBRIGAÇÕES FISCAIS E DE SEGURANÇA SOCIAL JANEIRO 2018

RENDIMENTOS DA CATEGORIA B REGIME SIMPLIFICADO / ACTO ISOLADO. Regime Simplificado de Tributação ANO DOS RENDIMENTOS MODELO 3

MODELO 3 IRS IMPRESSO 2013 CAMPANHA DE ENTREGA DAS DECLARAÇÕES IRS 2012

Orçamento do Estado para 2013

DECLARAÇÃO MENSAL DE REMUNERAÇÕES (AT)

OS IMPOSTOS DIRECTOS NA ECONOMIA

O Novo Regime Fiscal dos Residentes Não Habituais

Transcrição:

FISCALIDADE DE EMPRESA II Módulo 4 Ano 2006 Carlos Manuel Freitas Lázaro 1

Categoria E - Rendimentos de aplicação de capitais Rendimentos sujeitos (artº 5, CIRS) Essencialmente: Juros e Lucros entre outros: valor atribuído aos associados em resultado da partilha rendimentos das unidades de participação em fundos de investimento rendimentos de cessão ou utilização temporária de direitos da propriedade intelectual ou industrial - não titular originário Não há deduções específicas 2

Presunções (artº 6, CIRS) Presunções relativas, ou "juris tantum" - podem ser ilididas mediante prova em contrário Letras e livranças: credor originário não comerciante Mútuos (a partir do contrato) e aberturas de crédito (a partir da sua utilização): não instituições financeiras remunerados à taxa de juro legal, se outra mais elevada não constar do título constitutivo ou não houver sido declarada Lançamentos em contas correntes dos sócios: considerados lucros ou adiantamentos de lucros 3

Retenções na fonte (Artº 101, nº 1, a), CIRS) Entidades devedoras destes rendimentos: quando coloquem rendimentos à disposição se tiverem contabilidade organizada rendimentos não sujeitos a taxas liberatórias do artº 71, CIRS Taxa = 15% Dispensa de retenção se montante de cada retenção < 4,99 (artº 9, nº 1, c), DL 42/91) excepto nos casos de taxas liberatórias 4

Taxas liberatórias rias (artº 71, CIRS) Estão sujeitos a retenção na fonte, a título definitivo Taxa = 25% valor atribuído aos associados em resultado da partilha (artº 75, CIRC) - não residentes rendimentos do trabalho dependente e os certos rendimentos de trabalho independente - não residentes lucros colocados à disposição dos associados por entidades sujeitas a IRC - a não residentes pensões - não residentes 5

Taxas liberatórias rias (artº 71, CIRS) Estão sujeitos a retenção na fonte, a título definitivo Taxa = 20% juros de depósitos à ordem ou a prazo rendimentos de títulos de dívida, nominativos ou ao portador rendimentos de operações de reporte, cessões de crédito, contas de títulos com garantia de preço de outras operações similares outros rendimentos de capitais - não residentes lucros e dividendos auferidos por residentes (2006) 6

Taxas liberatórias rias (artº 71, CIRS) Estão sujeitos a retenção na fonte, a título definitivo Taxa = 35% prémios de rifas, totoloto e jogo do loto, bem como de sorteios ou concursos Taxa = 25% prémios de lotarias, as apostas mútuas desportivas e o bingo As taxas incidem sobre os rendimentos ilíquidos Razões para a Tributação Liberatória: regime de anonimato de títulos ao portador e sigilo bancário 7

Opção pelo Englobamento (artº 71, nº 6, CIRS) Podem ser englobados para efeitos da sua tributação por opção dos respectivos titulares, residentes se obtidos fora de actividades empresariais e profissionais os seguintes rendimentos: rendimentos de títulos de dívida, nominativos ou ao portador rendimentos de operações de reporte, cessões de crédito, contas de títulos com garantias de preço ou de outras operações similares juros de depósitos à ordem ou a prazo rendimentos de fundos de pensões em 2006: lucros e dividendos auferidos por residentes 8

Formas de atenuar a dupla tributação económica Dupla Tributação Económica o mesmo rendimento tributado mais do que uma vez em diferentes sujeitos passivos Lucros anteriormente tributados Tributação dos rendimentos gerados pelas sociedades Tributação desses rendimentos nos seus sócios em função das suas participações (artº 5, nº 2, h), CIRS) Origina uma dupla tributação da mesma realidade 9

Formas de atenuar a dupla tributação económica Lucros colocados à disposição por pessoas colectivas sujeitas e não isentas de IRC Rendimentos resultantes da partilha em consequência da liquidação dessas entidades que sejam qualificados como rendimentos de capitais Englobamento obrigatório (em 2005) - artº 40-A, CIRS Englobamento facultativo (em 2006) - artº 40-A, CIRS rendimento considerado em 50% 10

Formas de atenuar a dupla tributação económica Retenção na Fonte 2005-15% (artº 101, nº 1, a),cirs) Taxa Liberatória 2006-20% (artº 71, nº 3, c),cirs) Imposto sobre as Sucessões e Doações - 5% (imposto por avença) - até 2003 (artº 182, c) e 184, CIMSISD Tributação dos dividendos A Reforma Fiscal (1989) - tributação dos rendimentos do capital (juros e dividendos) através de taxas liberatórias - carga fiscal mais leve do que a dos rendimentos de trabalho. 11

Formas de atenuar a dupla tributação económica Acções adquiridas no âmbito de privatizações (artº 59, EBF) Os dividendos de acções adquiridas no âmbito de processo de privatização realizado até ao final do ano de 2002 ainda que resultantes de aumentos de capital contam, desde a data do início do processo até decorridos os 5 primeiros exercícios encerrados após a sua data de finalização apenas por 50% do seu quantitativo líquido de outros benefícios para fins de IRS ou IRC 12

Juros de suprimentos Contrato pelo qual o sócio empresta à Sociedade dinheiro ou outra coisa fungível (que se determina pelo seu género, qualidade ou quantidade) ficando aquela obrigada a restituir outro tanto do mesmo género e qualidade ou pelo qual o sócio convenciona com a Sociedade o diferimento dos créditos sobre ela desde que, em qualquer caso, o crédito fique com carácter de permanência, entendendo-se como tal aquele em que o prazo de reembolso seja superior a 1 ano 13

Juros de suprimentos O rendimento sujeito a imposto é constituído pelos juros, acentuando-se o facto de apenas relevarem juros efectivos já que, quanto a estes contratos, a lei não estabelece qualquer presunção Englobamento obrigatório (artº 5, nº 2, d), CIRS) 14

Dupla tributação internacional Dupla Tributação Internacional: a mesma pessoa tributada em mais de um Estado pelo mesmo rendimento Aplica-se a todas as categorias de rendimentos Rendimentos auferidos por residentes no Estrangeiro 15

Dupla tributação internacional Crédito de Imposto por dupla tributação internacional (artº 81, CIRS) Rendimentos considerados pelos valores ilíquidos dos impostos sobre o rendimento pagos no estrangeiro (artº 22, nº 6, CIRS) Dedução à colecta da menor das seguintes importâncias: o imposto sobre o rendimento pago no estrangeiro fracção da colecta do IRS, calculada antes da dedução, correspondente aos rendimentos que no país em causa possam ser tributados, líquidos das deduções específicas 16

Dupla tributação internacional Existindo convenção para eliminar a dupla tributação celebrada por Portugal, a dedução a efectuar não pode ultrapassar o imposto pago no estrangeiro Até 2004, não sendo possível efectuar a dedução, por insuficiência de colecta no ano a que os rendimentos obtidos no estrangeiro foram englobados na matéria colectável o remanescente pode ser deduzido até ao fim dos 5 anos seguintes à parte da colecta proporcional ao rendimento líquido da respectiva categoria 17