Resumo Aula-tema 03: Contabilidade Geral. Nesta aula, vamos entender os conceitos fundamentais de contabilidade, as demonstrações contábeis obrigatórias, com ênfase no Balanço Patrimonial e na Demonstração do Resultado do Exercício, apresentando sua importância e estrutura, através dos registros contábeis. Fahl (2010, p. 15) destaca que Contabilidade é a ciência social que estuda e controla o patrimônio das entidades mediante o registro dos dados com a finalidade de oferecer informações sobre sua composição e suas variações. Ela mede os resultados das empresas, avalia o desempenho dos negócios e das diretrizes para a tomada de decisão. A contabilidade utiliza métodos quantitativos para mensurar os fatos ou fenômenos que ocorrem em razão da ação do homem. A finalidade de mensurar e registrar provém da necessidade que os proprietários de patrimônios têm em quantificar suas riquezas e acompanhar a variação destas, controlando seu crescimento durante o tempo. Um dos principais objetivos da contabilidade é ser um sistema de informação destinado a prover seus usuários com informações para a tomada de decisões. Os usuários da informação contábil podem ser qualquer pessoa, física ou jurídica, público interno ou externo, que tenha interesse em conhecer os dados da empresa. Como exemplo de usuários internos, temos os gerentes, diretores, administradores e colaboradores; e de usuários externos, os acionistas, as instituições financeiras, os fornecedores, o governo e os sindicatos. O objetivo macro da contabilidade é prover seus usuários com informações e análises de dados, bem como relatórios para pessoas físicas e jurídicas, para futuras tomadas de decisões de natureza econômica, financeira, física e de produtividade. Esta ciência social evolutiva tem participado e evoluído com o cenário econômico e financeiro do mundo e do Brasil através de um sistema de informação que delimitamos de um conjunto articulado de dados, técnicas de acumulação, com ajustes e edição de relatórios que permitem tratar as informações, dando condições para que evoluam.
De acordo com a Lei 10.406/02 (Novo Código Civil): Art. 1.020. Os administradores são obrigados a prestar aos sócios contas justificadas de sua administração, e apresentarlhes o inventário anualmente, bem como o balanço patrimonial e o de resultado econômico. "Art. 1.065. Ao término de cada exercício social, proceder-se-á à elaboração do inventário, do balanço patrimonial e do balanço de resultado econômico." No entanto, antes deste dispositivo legal, a Lei 6.404/76, conhecida como a Lei das S/As, em seu artigo 176, já previa a obrigatoriedade da elaboração e publicação das seguintes Demonstrações Contábeis: Balanço Patrimonial - BP; Demonstração de Resultado do Exercício DRE; Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados DLPA; Demonstração das Origens e Aplicações dos Recursos DOAR (extinta a partir de 01/01/2008, por força da Lei 11.638/2007, sendo obrigatória para apresentação das demonstrações contábeis encerradas até 31/12/2007); Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido - DMPL (de acordo com o artigo 186, 2º é facultativa e poderá ser incluída na Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados); Demonstração do Valor Adicionado DVA (somente para empresas de capital aberto); e, Notas Explicativas, que deverão fazer parte das Demonstrações Contábeis para esclarecimento da situação patrimonial e de resultado do exercício. A Lei 6.404/76 sofreu inúmeras alterações desde a sua edição original, uma das mais recentes foi a Lei 11.638/07, que a alterou de forma significativa, principalmente a forma de exposição das demonstrações contábeis. Outro item que merece atenção é o fato de o Brasil ter adotado, a partir da Lei 11.638/07, as Normas Internacionais de Contabilidade conhecidas como IRFS, sigla americana para Internacional Financial Reporting Standard. Estas normas também
trazem importantes modificações quanto à elaboração e apresentação das demonstrações contábeis, como é o caso do Pronunciamento Técnico CPC 26, que trata da elaboração das demonstrações contábeis. Em se tratando de Demonstração Contábil, destaca-se o Balanço Patrimonial, que resumidamente tem por finalidade demonstrar a situação estática do patrimônio, quais são os bens, direitos e obrigações da sociedade numa determinada data. Por força legal, devem ser publicados sempre o balanço do ano em referência e o exercício imediatamente anterior. No caso de grupos econômicos, deverá também ser publicado o resultado consolidado. Esta demonstração representa um instrumento importantíssimo para a gestão de uma empresa. Apesar de fornecer apenas os saldos das contas, como citado anteriormente, evidencia de forma clara as origens e aplicações dos recursos obtidos pela empresa, bem como a riqueza gerada pelo ciclo operacional desta, apresentando as Origens e as Aplicações de seus recursos. Os recursos são originários do Passivo e do Patrimônio Líquido, principalmente quando atribuídos a recursos de terceiros a curto prazo (fornecedores, salários a pagar, impostos a recolher) e longo prazo (financiamentos, empréstimos bancários), assim como os recursos advindos principalmente do Capital Social, quando da constituição da empresa ou aumento do mesmo, e dos lucros apurados no período. As aplicações dos recursos são distribuídas no Ativo tanto no circulante como no não circulante, este que é normalmente oriundo dos recursos de terceiros obtidos a longo prazo. As contas que compõe o Balanço Patrimonial estão divididas em grupos de contas do Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido e são chamadas de contas patrimoniais. O Ativo está subdividido em: circulante (disponível, duplicatas a receber, estoque), que constituem movimentações a curto prazo; e não circulante que constituem movimentações a longo prazo e divide-se em: realizável a longo prazo, imobilizado e intangível. Os grupos do Passivo também estão divididos em circulante e não circulante, a curto e longo prazo. Além desses, tem-se o Patrimônio Líquido, que traz uma alteração importante em sua estrutura, a exclusão da conta Lucros Acumulados; estes deverão ser distribuídos para as Reservas de Juros, por força da
Lei 11.638/07. A conta Prejuízos Acumulados continua figurando como conta do Patrimônio Líquido. Outra demonstração de extrema importância para a tomada de decisão é a Demonstração do Resultado do Exercício DRE, que tem como finalidade, além de evidenciar o resultado do exercício lucro ou prejuízo, demonstrar a origem dos recursos próprios que são aplicados na empresa (receitas), assim como todos os gastos (custos e despesas) envolvidos na geração da riqueza da entidade. A DRE caracteriza-se como uma peça contábil de caráter econômico (relacionado à riqueza da entidade) e não financeiro (relacionado a dinheiro). Este último será evidenciado no fluxo de caixa. Para a elaboração desta demonstração deve-se utilizar o Regime Contábil da Competência, que determina que as receitas e despesas sejam apropriadas ao período de apuração em função do período de ocorrência, ou seja, do fato gerador, independente de terem sido recebidas (receitas) ou pagas (despesas) dentro do período de apuração. As contas da DRE são chamadas de contas de resultado e a sua estrutura esta determinada no artigo 187 da Lei nº 6.404/76, que foi alterada pelas leis 11.638/07 e 11.941/09, sem, no entanto, mexer na essência da informação produzida, ocorrendo apenas uma reestruturação do método de apresentação das contas, por exemplo, remodelando a conta Outras Receitas e Despesas Operacionais com as seguintes contas: Resultado da Equivalência Patrimonial; Venda de Bens e Direitos do Ativo Não Circulante; Custo da Venda de Bens e Direitos do Ativo Não Circulante - contas estas que eram tratadas em outros grupos de contas. Vale a pena pesquisar estas leis e conferir o que estas trouxeram de alterações na estrutura tanto do Balanço Patrimonial quanto na DRE. Consulte essas referências no Saiba Mais desta aula. Para se organizar a apresentação das contas nas demonstrações contábeis, sejam elas patrimoniais ou de resultado, há a necessidade de um Plano de Contas, que tem a função de agrupar ordenadamente as contas que serão utilizadas na Contabilidade. O Plano de Contas é dividido em grupos de contas, estes são divididos em unidades de primeiro grau, segundo grau, terceiro grau e assim sucessivamente até que sejam satisfeitas as necessidades da codificação da empresa.
Em relação à quantidade de contas dispostas num plano de contas, este vai depender do volume e natureza do negócio da empresa. A classificação do grupo de contas é definida da seguinte forma: Unidade 1 2 3 4 Grupo de Contas Ativo Passivo Receitas e das Deduções da Receita Dedutivas no Resultado (Custos, Despesas, etc. Fonte: Fahl (2010, pág. 118) Como exemplo de classificação contábil, temos a conta Bancos, representada pela classificação 1.1.1.2, que tem a seguinte representação: 1. 1.1 1.1.1 1.1.1.2 Ativo Ativo Circulante Disponibilidades Bancos Para um aprofundamento em relação à classificação contábil e o Plano de Contas detalhado, consulte o PLT Contabilidade Financeira na biblioteca da sua unidade. Para alimentar as demonstrações contábeis com informações das movimentações feitas no patrimônio da empresa, elabora-se a escrituração ou o registro contábil dos fatos pelo método das partidas dobradas nos livros contábeis do Diário e do Razão, ambos obrigatórios por força da Lei 8.128/91 e pelo artigo 1.179 da Lei 10.406/02, o Novo Código Civil. No Razão, detalham-se as contas e individualizam-se os fatos para melhor controle e acompanhamento dos valores que modificam o patrimônio. Do livro razão deriva o razonete, que é a forma simplificada do Livro Razão utilizada para fins didáticos. No Diário, são registrados os fatos contábeis em partidas dobradas em ordem rigorosamente cronológica de dia, mês e ano.
No Brasil, esta sendo implantado, nas empresas, de forma gradativa, desde 2009, o Sistema Público de Escrituração digital SPED, no qual, ao invés da empresa imprimir o Diário, o Razão e os demonstrativos contábeis Balanço e DRE, a empresa gera um arquivo digital, conforme especificações técnicas constantes na legislação. Conforme descreve Fahl (2010, pág. 114) o arquivo gerado nesse processo é assinado por meio de uma certificação digital e validado por software específico disponibilizado pela Receita Federal do Brasil e em seguida é transmitido para o FISCO, para as suas esferas responsáveis pelo sistema. No entanto, antes da elaboração das demonstrações e dos livros obrigatórios, há a necessidade da elaboração do Balancete de Verificação, que tem a função de averiguar a exatidão dos lançamentos dos fatos contábeis feitos no razão, e possibilita o acompanhamento da execução orçamentária e a verificação da situação econômica e financeira da empresa, que poderá ser feita de forma diária, semanal, mensal ou no momento da necessidade da empresa. Através da análise do balancete de verificação podemos observar a evolução da receita e da despesa, a movimentação das contas de ativo (bens e direitos) e as do passivo (obrigações e patrimônio líquido), sem a necessidade de levantarmos o balanço patrimonial, que é obrigatório somente no final do exercício financeiro. Após a análise do Balancete de verificação, verificando todos os lançamentos contábeis no diário e no razão, é necessário fazer os lançamentos de Apuração do Resultado do Exercício. Apurar o Resultado do Exercício consiste em confrontar as contas de Receita com as contas de Despesas com a finalidade de verificar se a movimentação patrimonial da empresa gerou um resultado positivo (Lucro) ou um resultado negativo (prejuízo) durante o exercício social, com base no Regime Contábil da Competência. O encerramento das contas de receita é realizado pela transferência de seus saldos credores para crédito na conta Resultado. As contas de despesa são encerradas pela transferência de seus saldos devedores para débito da conta Resultados. Esta conta de Resultado é uma conta transitória que será encerrada após a apuração do resultado.
Se o total de créditos da conta Resultado for superior ao total de débitos, teremos um Lucro Líquido; ao contrário, chegaremos a um Prejuízo. Ocorrendo Lucro, a Lei 11.638/07 prescreve que o lucro deve ser distribuído de alguma forma, seja através de capitalização (reinvestimento), distribuição aos sócios e/ou transferência do saldo positivo da conta Lucros Acumulados para a formação de reserva de lucros. Caso o resultado obtido seja Prejuízo, o resultado apurado será transferido para a conta Prejuízo Acumulado, pertencente à conta do Patrimônio Líquido. Após este processo de apuração, então, a empresa elabora as demonstrações e os livros obrigatórios pela legislação e pelas Normas Brasileiras de Contabilidade. Para um melhor aprofundamento, consulte a livro texto (PLT) de Contabilidade Financeira. Conceitos Fundamentais Balancete de Verificação: Resumo ordenado de todas as contas utilizadas pela contabilidade. Bens: podem ser definidos como os itens, avaliados em moeda, capazes de satisfazer as necessidades das entidades, sejam estas pessoas físicas ou jurídicas. Se eles têm forma física, são palpáveis, denominam-se bens tangíveis; se não têm forma física, não são constituídos de matéria, são chamados de intangíveis. Conta: são nomes (títulos) que qualificam os elementos patrimoniais (bens, direitos, obrigações, patrimônio líquido, despesas e receitas) e quantificam os mesmos através de saldos devedores e credores. Despesa: saída de recurso da empresa. Representa a utilização ou consumo de bens e serviços no processo de produzir receitas. Direitos: Bens em posse de terceiros. Em contabilidade, os valores a receber de terceiros representam os direitos. Estes itens são gerados através das operações da entidade, como alugar um imóvel ou vender mercadorias a prazo.
Fato contábil: é aquele que provoca modificação no Patrimônio da entidade. Dividese em fato permutativo, modificativo e misto. Grau de Conta: desdobramento de uma conta para que aumente seu grau de detalhe, possibilitando melhor análise. NBC: Normas Brasileiras de Contabilidade. Obrigações: representam as dívidas que a entidade contrai junto a terceiros. Em contabilidade, este item também pode ser encontrado com o nome de obrigações exigíveis ou somente exigível, ou seja, um terceiro exige o pagamento da dívida. Partidas dobradas: cada fato contábil é registrado na forma de entradas em pelo menos duas contas, nas quais o total de débitos deve ser igual ao total de créditos. Razonete: é a forma simplificada do Razão, representada pela conta T, ou seja, uma forma didática do Razão. Receita: representa a entrada de recurso na empresa sob a forma de dinheiro ou de direitos a receber, correspondentes, normalmente, à venda de mercadorias, de produtos ou à prestação de serviços. Tomada de Decisão: Processo de escolher entre alternativas competitivas. Referencias AZEVEDO, Marcelo Cardoso de. Estrutura das Demonstrações Financeiras. Ed., São Paulo: Alínea, 2011 (PLT). FAHL, Alessandra Cristina; MARION, José Carlos (orgs.) et al. Contabilidade Financeira. 1ª ed. Valinhos: Anhanguera Publicações, 2011 (PLT).
FAHL, Alessandra Cristina (org.) ET AL. Contabilidade. 1ª ed. São Paulo: Person Prentice Hall, 2008 (PLT); IUDICIBUS, Sérgio de. Dicionário de Termos de Contabilidade. 2ª ed. São Paulo: Altas, 2003. Conselho Federal de Contabilidade CFC. Disponível em: < www.cfc.org.br>. Acesso em: 01 nov. 2012.