UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO LATU SENSU TDAH E SUCESSO ESCOLAR: UM CAMINHO POSSÍVEL

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Transcrição:

UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUAÇÃO LATU SENSU TDAH E SUCESSO ESCOLAR: UM CAMINHO POSSÍVEL Por: Célia Maria de Oliveira Barreto Professor Orientador: Vilson Sérgio de Carvalho Julho 2009

2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATU SENSU INSTITUTO A VEZ DO MESTRE TDAH E SUCESSO ESCOLAR: UM CAMINHO POSSÍVEL Objetivos: Esta publicação atende a complementação didático pedagógica de metodologia da pesquisa e a produção e desenvolvimento de monografia para o curso de pós graduação. Célia Maria de Oliveira Barreto

3 AGRADECIMENTOS A todos os autores e ao corpo docente do Instituto A Vez do Mestre, que partilharam conhecimentos e saberes contribuindo para a confecção do trabalho acadêmico.

4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho aos meus filhos Paulo Eduardo e José Luiz, pelo apoio e incentivo e pela alegria e amor que revelam diariamente com atos e palavras enchendo minha vida de paz.

5 EPÍGRAFE Poema para Gilberto Amado O homem que pensa Tem a fronte imensa Tem a fronte pensa Cheia de tormentos. O homem que pensa Traz nos pensamentos Os ventos preclaros Que vêm das origens. O homem que pensa Pensamentos claros Tem a fronte virgem De ressentimentos. Sua fronte pensa Sua mão escreve Sua mão prescreve Os tempos futuros. Ao homem que pensa Pensamentos puros O dia lhe é duro A noite lhe é leve: Que o homem que pensa Só pensa o que deve Só deve o que pensa. Vinícius de Moraes

6 RESUMO Os estudos das dificuldades de aprendizagem são tema de vários especialistas da atualidade. De médicos neurologistas, psiquiatras, pedagogos, psicólogos e psicopedagogos, todos os profissionais que atuam em patologias que interferem no desempenho escolar necessitam estar em constante reciclagem visto que muitos são os distúrbios que apenas recentemente foram reconhecidos como tal. Entre as muitas dificuldades de aprendizagem encontra-se o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, TDAH, que foi recentemente reconhecido pela Organização Mundial de Saúde. O TDAH é um transtorno neurobiológico que aparece na infância e acompanha o indivíduo durante a vida adulta, dificultando a vida escolar e os relacionamentos do indivíduo com o outro.dificuldades de atenção e conclusão de tarefas são apenas alguns dos sintomas de TDAH que geralmente apresenta comorbidades, comprometendo ainda mais o percurso escolar de crianças que não são diagnosticadas e tratadas desde cedo.os sintomas são diferentes para meninos e meninas e só muito recentemente foi percebido que nas meninas o transtorno pode mesmo passar despercebido pois geralmente elas não apresentam hiperatividade. Responsável por inúmeros casos de fracasso escolar, o TDAH, que muitas vezes não é reconhecido pela escola como patologia e sim desvio de conduta, compromete a construção da aprendizagem e as relações com colegas e professores.é fundamental quando a família ou a escola suspeitem de qualquer comportamento fora da normalidade, o encaminhamento para o médico clínico que fará outros encaminhamentos especializados. A atuação do psicopedagogo é mais um suporte especializado com a qual os portadores de TDAH devem contar para vencer obstáculos na aprendizagem e sucesso escolar.

7 METODOLOGIA A metodologia utilizada foi uma pesquisa bibliográfica com o objetivo de esclarecer sobre um dos distúrbios de aprendizagem mais polêmicos da atualidade e que ocupa lugar de destaque na procura por psicopedagogos para atuação em crianças. A proposta desta pesquisa é conhecer os estudos mais recentes sobre TDAH, e a história do reconhecimento como transtorno tratado principalmente pela psiquiatria visto que comprovadamente crianças com TDAH não tratadas desde cedo desenvolvem outros distúrbios mais graves que interferem na vida durante toda adolescência e vida adulta. A necessidade de valorizar o trabalho desenvolvido por psicopedagogos com pacientes com TDAH, leva esta pesquisa a facilitar a possibilidade de revelar a importância de um trabalho conjunto com todos os profissionais que atuam com crianças e adolescentes com TDAH. A necessidade de crianças com TDAH serem identificadas e encaminhadas no processo escolar é fundamental para transpor os obstáculos que dificultam a construção da aprendizagem. Ao final do trabalho a bibliografia indica os profissionais consultados. Com o auxílio do orientador de monografia foi possível construir uma pesquisa bem organizada utilizando a metodologia adequada e um estudo aprofundado do TDAH e o papel do psicopedagogo.

8 SUMÁRIO Introdução...9 Capítulo I Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade...10 Capítulo II Sucesso e Fracasso Escolar...16 2.1 Situações na escola...16 2.2 TDAH e comorbidades...18 2.3 TDAH e professores...18 2.4 Fracasso Escolar...20 Capítulo III Atuação Psicopedagógica...23 3.1Aspectos Emocionais da Aprendizagem...25 3.2 A proposta com jogos e regras...26 Conclusão...29 Bibliografia...30 Webgrafia...31

9 INTRODUÇÃO Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, conhecido como TDAH é reconhecido recentemente como patologia gerando dificuldades na aprendizagem. A pesquisa desenvolvida pretende estabelecer a relação entre TDAH e dificuldades de aprendizagem comprovando as possibilidades de superação com a atuação do psicopedagogo. Através de uma pesquisa bibliográfica busca pontos comuns e divergentes entre os autores citados durante o trabalho, revelando que o distúrbio estudado é ainda recente para a ciência Observando alunos de uma escola pública na cidade do Rio de Janeiro, apontará as características básicas de crianças com quadro de TDAH, e suas dificuldades frente á rotina escolar. A auto estima de indivíduos com TDAH fica comprometida causando comprometimentos emocionais. Da identificação do distúrbio à aceitação da família, ao tratamento, o sucesso escolar de crianças com TDAH pode ser alcançado para uma vida adulta e feliz. O primeiro capítulo define TDAH e a história de seu reconhecimento como patologia; o segundo capítulo trata do sucesso e do fracasso escolar e o último capítulo estabelece a atuação psicopedagógica com crianças com TDAH.

10 CAPÍTULO I TRANSTORNO DO DÉFICIT DE ATENÇÃO COM HIPERATIVIDADE. O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e costuma acompanhar o indivíduo durante a vida adulta. Segundo o Doutor SÉRGIO BOURBON CABRAL(2007) O transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade, foi descrito pela primeira vez em 1902, e já recebeu diversas denominações ao longo desses anos. As mais conhecidas foram: Síndrome da criança Hiperativa, lesão cerebral mínima, disfunção cerebral mínima, transtorno hipercinético. Em 1994 o termo oficialmente adotado pela Associação Americana de Psiquiatria foi o de Transtorno do Déficit de Atenção/Hiperatividade, significando a barra inclinada que o problema pode ocorrer com ou sem o componente de hiperatividade, outrora o sintoma mais importante e definidor do quadro. Reconhecido pela Organização Mundial de Saúde, existe já um Consenso Internacional publicado por médicos e psicólogos a este respeito. O TDAH também é chamado de DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção). O TDAH é um transtorno comum entre crianças e adolescentes em todo o mundo.

11 Para BARKLEY (2002) (...) crianças com TDAH tem grandes dificuldades de ajustamento diante das demandas da escola. Um terço ou mais de todas as crianças portadoras de TDAH ficarão para trás na escola, no mínimo uma série, durante sua carreira escolar, e até 35% nunca completará o ensino médio (p.24-25) Dificuldades de prestar atenção na aula, distrair-se facilmente, ficar no mundo da lua. Pouca paciência, inquietação agitação, são características dos alunos com TDAH. O desempenho acadêmica fica prejudicado e muitos nem sabem que sofrem desse transtorno. Dificuldades na escola e nos relacionamentos são características marcantes no TDAH. Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos, dificuldades com regras e limites. Estudos científicos mostram que portadores de TDAH têm alterações na região frontal e as suas conexões com o resto do cérebro. A região frontal orbital é uma das mais desenvolvidas no ser humano em comparação com outras espécies animais e é responsável pela inibição do comportamento, pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento. O que parece estar alterado nesta região cerebral é o funcionamento de um sistema de substâncias químicas chamadas neurotransmissores (principalmente dopamina e noradrenalina), que passam informação entre as células nervosas (neurônios). Alguns pesquisadores acreditam que os genes são responsáveis por uma predisposição ao TDAH. Porém as influências ambientais também podem ser

12 consideradas visto que crianças tendem a se comportar em repetição ao que visualizam dos pais. A predisposição genética envolve vários genes. Provavelmente não existe, ou não se acredita que exista um único gene do TDAH. Foi observado também que determinadas substâncias ingeridas na gravidez podem causar alterações em algumas partes do cérebro do bebê, incluindo-se a região frontal orbital. Crianças com TDAH apresentam com freqüência sintomas de depressão e ansiedade visto que suas dificuldades nos relacionamentos podem levar a um isolamento na escola, na comunidade e mesmo uma falta de compreensão da família. MATTOS (2001) sustenta que: (...) A criança costuma apresentar sintomas de depressão e ansiedade, ficando mais irritadiça, com menos apetite e desinteresse por jogos e brincadeiras relativos à sua idade. Algumas apresentam sintomas físicos que antecedem provas ou eventos de maior importância. (p.57) A constante agitação e ansiedade leva a criança com TDAH a níveis elevados de stress gerando outras questões que comprometem sua saúde física e emocional. É muito importante o diagnóstico precoce do TDAH para que o problema não se agrave tomando outras proporções na vida do indivíduo.é comum crianças com TDAH não concluírem atividades diversas. Hiperativos e desatentos.

13 Na vida adulta os problemas com desatenção para coisas do cotidiano e do trabalho, assim como falhas na memória atrapalham a vida desses indivíduos. Crianças, adolescentes e adultos com TDAH tendem a desenvolver problemas emocionais gerados pelas dificuldades nos relacionamentos, isolamento, e baixa auto estima. Ainda segundo MATTOS (2001) (...) os problemas emocionais são uma constante pois as dificuldades decorrentes dos relacionamentos, do aprendizado, da baixa auto estima ocasionada pelas repetidas censuras, da rejeição dos colegas, do mau rendimento escolar, acabam ocasionando seqüelas psicológicas. Ao tornarem-se adolescentes, os portadores de TDAH costumam ser mais suscetíveis ao uso de álcool e drogas (p.11) A tendência da família, da escola, e dos amigos e entender o comportamento dessas crianças como desobedientes, rebeldes, desinteressadas, agravando ainda mais as questões emocionais, visto que as censuras acabam sendo uma constante e a criança incapaz de controlar o próprio comportamento distancia-se mais e mais das relações. Mas esses comportamentos se alternam em momentos mais brandos ou não reforçando a idéia de que é uma escolha e não um distúrbio.

14 Segundo BARKLEY (2002) Alguns dias ou em determinadas vezes, as crianças parecem ser capazes de completar o trabalho estabelecido, facilmente, e sem ajuda. Outras vezes, ou em outros dias, elas não conseguem terminar nada ou completam muito pouco do seu trabalho e podem até não fazer muito, mesmo que sejam supervisionadas de perto.(p.96) Mesmo com supervisão constante crianças com TDAH não conseguem se concentrar quando em seus piores dias fortalecendo ainda mais a idéia de falta de limites, desinteresse e rebeldia. Notas baixas, problemas de comportamento e dificuldade de adaptação ao escolar são problemas recorrentes das crianças portadoras de TDAH. Apresentam grande dificuldade de obedecer um código disciplinar e são muito agitados em sala de aula. Uma das grandes dificuldades encontradas pelos pais de crianças com TDAH é a permanência do filho nas escolas. Com freqüência essas crianças são rejeitadas pela escola ao final do ano letivo com as mais diversas desculpas: falta de vaga, incapacidade de adaptação ao modelo da escola, etc. Esse fato agrava na criança os problemas emocionais e a auto estima. Nesse ponto muitas famílias já se conscientizam de que algo está errado e buscam ajuda profissional, outras acham que a escola não compreende o filho ou tem uma proposta pedagógica incompatível com a formação familiar. Mas é muito importante esclarecer que crianças com TDAH apresentam hiperatividade como um sintoma, mas que nem toda criança agitada é portadora de TDAH. Por isso é tão importante buscar ajuda profissional.

15 O diagnóstico de TDAH nas meninas é menos comum e geralmente só é percebido mais tarde pois o quadro nas meninas nem sempre apresenta hiperatividade. Geralmente elas são quietinhas, distraídas e não incomodam. O distúrbio só é percebido quando elas avançam pelos anos escolares e começam a encontrar dificuldades graves nas disciplinas com resultados desastrosos em provas e exames. É estimado que dois terços dos pacientes com TDAH são homens e um terço mulheres, mas as dificuldades de aprendizagem são as mesmas.falta de paciência e impulsividade são outras características de crianças com TDAH. Por isso é comum executarem uma atividade apenas com parte da orientação da mesma visto não esperam a conclusão de instruções diversas. Crianças com TDAH são criativas e capazes de pensar várias coisas ao mesmo tempo levando à constante distração do ambiente à sua volta. Os médicos garantem que crianças com TDAH são inteligentes e criativas mas precisam de um ambiente que possibilite a observação de suas deficiências e o desenvolvimento de seu potencial.

16 CAPÍTULO II SUCESSO E FRACASSO ESCOLAR. Crianças com TDAH estão sujeitas ao fracasso escolar. Os comportamentos de hiperatividade e déficit de atenção se constituem um grande obstáculo na trajetória escolar dos primeiros anos à adolescência. Conforme o grau de dificuldade das diversas disciplinas aumenta exigindo maior poder de concentração do aluno, mais o aluno que apresenta TDAH encontra dificuldades. É importante reconhecer que crianças com TDAH nem sempre tem dificuldades na apreensão de conhecimentos, muitos inclusive são alunos brilhantes nos primeiros anos escolares, mas a grande dificuldade de concentração compromete a continuidade de apreensão de conhecimentos ao longo dos anos escolares. É de grande importância a compreensão de que o aluno com TDAH tem um problema. Infelizmente esses alunos são vistos pelas instituições de ensino e professores como o problema. Isso dificulta ainda mais a vida escolar destas crianças. 2.1. Situações na escola. É comum a reação ou a não reação diante de uma instrução verbal ou uma ordem dada oralmente, porque há uma dificuldade para retenção. As ordens longas e com muitos detalhes dificilmente serão executadas pois ao término delas o portador já terá dispersado. Por isso conforme o grau de dificuldade da

17 seriação escolar vai aumentando, maiores serão as dificuldades de aprendizagem. Quando o aluno chega ao segundo segmento do ensino fundamental, sexto ano, ele ficará ainda mais exposto pois o volume de informações aumenta sensivelmente com professores diferentes em um tempo menor ainda. Nesta fase, acompanhada de mudanças hormonais características da faixa etária, a necessidade de organização e atenção é ainda maior levando na maioria das vezes ao agravamento do quadro. Nas aulas é comum perder a atenção no que o professor está falando e ficar pensando em coisas bem distantes das aulas. Com freqüência comete erros em trabalhos escolares e provas por puro descuido. Examinando a prova que ela mesma faz, a criança é capaz de apontar os próprios erros e até se aborrecer por cometer erros tão tolos.essa mesma perda constante de concentração é que dificulta a leitura de um livro recomendado pela escola. Com freqüência precisa voltar a ler do início da página pois é como se tivesse dado um branco em que estava lendo um trecho. Em geral é muito desorganizado e costuma perder lápis, borracha, etc. Para ir bem nas provas, uma criança precisa não apenas exibir as aptidões que estão sendo avaliadas, mas também possuir a capacidade de ouvir e seguir instruções, prestar atenção e persistir até que a prova seja completa. A criança deve também ser capaz de parar para pensar qual seria, entre as várias opções a melhor resposta possível. Entretanto as crianças hiperativas são fracas nessas áreas de aptidões e, portanto, as notas obtidas nas provas de inteligência muitas vezes refletem mais a sua hiperatividade que seu potencial intelectual. Algumas crianças hiperativas são muito brilhantes. A maioria está dentro dos limites médios e algumas, infelizmente, ficam abaixo da média em suas aptidões intelectuais.

18 É uma grande dificuldade para a criança hiperativa quando ela entra no jardim de infância, e precisa aprender a lidar com as regras, a estrutura e os limites, e o seu temperamento simplesmente não se ajusta muito bem com as expectativas da escola. 2.2. TDAH e Comorbidades. Acredita-se que o TDAH seja um problema de funcionamento do sistema executivo e não um transtorno de inteligência ou conhecimento. Isso significa que as pessoas com TDAH sabem que comportamentos eles precisam ter, mas não conseguem fazer por causa da disfunção no sistema executivo. Essas outras disfunções que podem acompanhar portadores de TDAH muitas vezes dificultam o diagnóstico. Transtorno de Ansiedade, Transtorno de Conduta, Transtorno de Aprendizagem, Transtorno de Humor Bipolar, entre outros. É fundamental que os profissionais que acompanham crianças e adolescentes com TDAH tenham amplo conhecimento e especialidade no assunto de modo que percebam as necessidades destes indivíduos. 2.3. TDAH e professores. Um fator crucial para o sucesso de alunos com TDAH na escola é a atuação do professor. Além de amplo conhecimento sobre questões relevantes para a aprendizagem, o profissional de educação precisa estar disposto a reconhecer que este problema tem um impacto significativo sobre as crianças da classe, buscando estratégias para lidar com ele.

19 Para BARKLEY (2002) (...) TDAH é como um transtorno de desenvolvimento do autocontrole que consiste em problemas com os períodos de atenção com o controle do impulso e com o nível de atividade. (p.35) O próprio educando é incapaz de controlar os impulsos que o impedem de concluir tarefas ou executar atividades, Sua atenção freqüentemente desviada para qualquer situação de maior interesse leva ao descontrole da classe e conseqüentemente falta de domínio por parte do professor. A tendência de professores e profissionais da escola é entender o comportamento destas crianças como desobedientes e desinteressadas, e insistirem em valorizar o trabalho escolar apenas como transmissão do conhecimento e produção do trabalho escrito, colocando em evidência a quantidade em detrimento da qualidade. É importante que os professores conheçam técnicas que auxiliem os alunos com TDAH a ter melhor desempenho. Em alguns casos é necessário ensinar ao aluno técnicas específicas para minimizar as suas dificuldades. Um fator importante no trabalho em sala de aula é evitar sobrecarga de informações. Instruções muito longas e com muitos detalhes provavelmente não serão plenamente compreendidas por alunos com TDAH. Identificar crianças com TDAH é o ponto de partida para um bom trabalho em sala. Cabe ao professor encaminhar alunos que apresentem comportamentos significativos ao profissional capacitado para diagnóstico. Seguir as orientações do profissionais que acompanham o aluno é outra tarefa fundamental para o trabalho do professor com estes alunos.

20 À partir de um diagnóstico comprovado por profissionais habilitados, o professor assim como todos os profissionais da escola devem interagir constantemente com os profissionais que acompanham a criança, além de estabelecer diálogo e parceria com a família. Ao professor cabe a busca de estratégias adequadas para total integração da criança com a classe e com os conhecimentos. Por isso as escolas da atualidade devem contar com professores em constante reciclagem e capacitados para as demandas da escola. Oferecer atividades variadas e motivadoras que atendam aos mais diversos gostos e habilidades da classe além de atendimento individualizado são duas importantes atitudes que o profissional de educação deve estar habilitado a utilizar, garantindo um bom trabalho educativo. 2.4. Fracasso Escolar. Nada pode ser tão destruidor para a construção da cidadania do que o fracasso escolar. O fracasso escolar, ainda que muitos acreditem o contrário, é sem dúvida um ataque à auto estima de crianças e adolescentes. Infelizmente a sociedade brasileira em sua maioria não reconhece a escola como caminho de ascensão social, até porque são os jogadores de futebol e as modelos da playboy que enriquecem no Brasil, enquanto médicos, professores, operários, agricultores, etc padecem para pagar suas contas e sobreviver com dignidade. E a escola acaba mesmo sendo vista por uma grande parte de brasileiros como depósito de crianças, creche, lugar de fazer amigos.

21 Para FREIRE (2001) É a partir deste saber fundamental: mudar é difícil mas é possível, que vamos programar nossa ação político-pedagógica, não importa se o projeto com o qual nos comprometemos é de alfabetização de adultos ou de crianças, se de ação sanitária, se de evangelização, se de formação de mão de obra técnica (p.89) Quando se trata de fracasso escolar primeiramente vale lembrar que esse tema é uma realidade no Brasil há anos. Os motivos, os mais variados. Imagina uma criança com TDAH inserida em uma instituição de ensino de um país onde o fracasso escolar é histórico e vicioso. Educadores precisam antes de tudo acreditar que é possível mudar e precisam também estudar, estudar, estudar. Só assim podem ajudar e melhor atender seus alunos e atenuar esse quadro. Para FREIRE (2000) E a sociedade passa assim aos poucos, a se conhecer a si mesma. Renuncia à velha postura de objeto e vai assumindo a de sujeito. Por isso a desesperança e o pessimismo anteriores, em torno de seu presente e de seu futuro, como também aquele otimismo ingênuo, se substituem por otimismo crítico. Por esperança. (p.62) Conhecer a realidade de crianças com TDAH e acreditar em suas possibilidades de construção. Compreender, buscando caminhos que possibilitem a aprendizagem. São tarefas de todos os profissionais de educação. Orientar as famílias compreendendo também o quanto é difícil lidar em casa com filhos que apresentam TDAH.

22 O sucesso escolar é possível para crianças com TDAH. Elas precisam ser acompanhadas por profissionais habilitados e quanto mais cedo o diagnóstico maiores as possibilidades de crescimento.

23 CAPÍTULO III ATUAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA A psicopedagogia é uma área de estudo relacionada diretamente com a aprendizagem escolar. Compreender como o aluno constrói seus conhecimentos, que fatores podem interferir nestas construções são campos de estudo de psicopedagogos. Segundo WEISS (2000) Todo diagnóstico psicopedagógico é, em si, uma investigação, é uma pesquisa do que não vai bem com o sujeito em relação a uma conduta esperada. Será portanto, o esclarecimento de uma queixa, do próprio sujeito, da família e, na maioria das vezes, da escola. No caso, trata-se do não aprender, do aprender com dificuldade ou lentamente, do não revelar o que aprendeu, do fugir de situações de possível aprendizagem. (p.27) Quando a criança com alguma dificuldade de aprendizagem chega ao psicopedagogo, muitas ainda não buscou outros profissionais especializados, por isso é tão importante que crianças com dificuldades de aprendizagem busquem investigação com médico Clínico, Neurologista, Psiquiatra; Psicólogo;Fonoaudiólogo e Fisioterapeuta. Exames físicos, testes cognitivos e laudos são essenciais para dar suporte ao trabalho e investigação do Psicopedagogo.

24 Ainda segundo WEISS (2000) O objetivo básico do diagnóstico psicopedagógico é identificar os desvios e os obstáculos básicos no Modelo de Aprendizagem do sujeito que, o impedem de crescer na aprendizagem dentro do esperado pelo meio social. Assim, para conhecer esse Modelo de Aprendizagem, conta-se com dados oriundos das observações da escola, da família e obtidos diretamente pelo terapeuta e por outros profissionais.(p.32) A contribuição do psicopedagogo para o diagnóstico de TDAH é fundamental visto que não há exame físico que comprove o transtorno. Quanto mais precoce o diagnóstico e tratamento maiores as possibilidades de crescimento da criança com TDAH e menores os agravamentos na auto estima. Na vida escolar o aluno convive com a dupla situação: relação humana e relação cognitiva. Nas relações humanas encontram-se as relações do aluno com o professor, com os colegas, com a equipe de direção com os funcionários; e na relação cognitiva encontra-se a relação do aluno com o conhecimento. Essa rede de relações é dinâmica e necessita ser saudável para que a maior importante das relações não se prejudique: a relação do aluno com ele mesmo. Para WEISS(2000) A aprendizagem dá-se de forma integrada no aluno, no seu pensar, sentir, falar e agir. Quando começam a aparecer dissociações e sabe-se que o sujeito não tem danos orgânicos, pode-se pensar que estão se instalando dificuldades na aprendizagem: algo vai mal no pensar, na sua expressão, no agir sobre o mundo. É hora de pesquisar por onde está começando a fratura.(p.22)

25 A atuação psicopedagógica é fundamental para o trabalho com crianças co TDAH. Em parceria com a escola e o professor o psicopedagogo poderá encurtar caminhos, ajudar na socialização, contribuir com o trabalho do professor, orientar a família. 3.1. Aspectos Emocionais da Aprendizagem. Crianças com TDAH com freqüência apresentam dificuldades de se relacionar e conseqüentemente ficam emocionalmente mais frágeis. Inseguros, muitas vezes deixam mesmo de acreditar na própria capacidade de aprender. Para JOSÉ & COELHO (1999) Os sentimentos de fracasso e desânimo que muitos estudantes desenvolvem como resultado de experiências escolares mal sucedidas são a causa agravante de problemas de comportamento mais sérios. Como existem fatores de pressão, conformidade e competição (os quais a escola reforça, levando freqüentemente a problemas de comportamento), existem também outros fatores ou forças no ambiente escolar que favorecem uma boa saúde mental e ajudam a reduzir ou eliminar esses mesmos problemas. Por exemplo, a oportunidade de trabalhar e brincar em grupo, a cooperação e a expressão de maneira satisfatória e socialmente aceitável. (p.169) A escola pode ser a maior aliada das crianças com TDAH, visto que é um espaço privilegiado para o trabalho em coletividade. As diferenças devem ser valorizadas como caminho para conhecer o outro e aprender com o outro o que não se sabe.

26 Muitas vezes a família de portadores de TDAH encontra mais dificuldades de lidar com o problema do que a própria escola. Se a criança com TDAH tem irmãos que não são portadores do transtorno, com freqüência são os próprios pais que desencadeiam a baixa auto estima comparando os irmãos. Ainda segundo JOSÉ & COELHO (1999) O receio de falhar, de ser reprovado ou de perder prestígio aos olhos dos outros é um fator muito comum de medo na escola. Muitas vezes a criança leva à escola o medo que sente dos pais, de uma censura por nota baixa, de uma observação na caderneta escolar. Essas atitudes devem ser observadas com atenção pelo professor, que procurará chegar aos problemas individuais do aluno. (p.178) O psicopedagogo pode atuar junto a família investigando possíveis danos causados a auto estima de crianças com TDAH gerando comprometimentos emocionais. A entrevista com a família é fundamental pra o trabalho psicopedagógico, pois dará pistas para interagir com a criança. 3.2.A proposta com jogos e regras. Crianças gostam de jogos e são capazes de estabelecer regras próprias e combinadas. O trabalho com jogos é extremamente interessante para crianças com TDAH. Além da possibilidade de socialização, o jogo é atividade lúdica que ensina brincando. Crianças de um modo geral apresentam comportamentos diferentes nas aulas teóricas das aulas práticas. Tudo que é diferente e dinâmico, motiva muito mais crianças com TDAH que outras atividades. Além disso aumenta o poder de concentração e organização.

27 O trabalho do psicopedagogo deve envolver atividades lúdicas diversas propiciando à criança diversas de expressão e aprendizagem. MACEDO (1994) defende: (...) os jogos, especialmente os de regras, porque criam um contexto de observação e diálogo sobre processos de pensar e construir conhecimento de acordo com os limites da criança. Permitem, ainda que indiretamente, uma aproximação ao mundo mental da criança, pela análise dos meios, e pelos procedimentos utilizados ou construídos durante o jogo. (p.52) Penetrar esse universo, que muitas vezes parece impenetrável, das crianças com TDAH é fundamental para ajudá-las em seu percurso na escola e na vida. Muitas vezes incompreendidas simplesmente ficam à margem na escola, na família e na sociedade. Reconhecer a existência do TDAH hoje é um grande avanço, mas é necessário preparar profissionais na área de educação e saúde para lidar com essas crianças e adolescentes que um sua maioria, principalmente nos países pobres ficam totalmente desatendidos, aumentando ainda mais os problemas sociais e existenciais. Faz-se necessário políticas públicas de assistência à saúde e educação das crianças brasileiras não com TDAH mas com qualquer outra dificuldade de aprendizagem que possa interferir em sua vida escolar e adulta. A escola assim como a família se reinventa a cada dia, mas necessita se conscientizar de que o homem deve construir para a coletividade e não apenas para seu próprio bem estar.

28 Segundo FREIRE (2000) A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa.(p.23)

29 CONCLUSÃO Ao tratar do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade, pode-se constatar que ele interfere severamente na aprendizagem do aluno se não for detectado e tratado nos primeiros anos escolares. Afetando auto estima e relações interpessoais, o TDAH, afeta desde a infância à vida adulta gerando outros transtornos de maior gravidade na vida do indivíduo. A aceitação da família é fundamental para que o tratamento tenha sucesso. Crianças com TDAH necessitam de atendimento constante com especialistas para garantir que os os sintomas sejam atenuados possibilitando uma vida escolar em constante construção e aprimoramento. As instituições de ensino assim como os profissionais da educação devem estar capacitados a reconhecer sintomas de qualquer dificuldade de aprendizagem fazendo imediato encaminhamento ao médico clínico que fará orientação dos especialistas indicados. As instituições de ensino devem estar preparadas com profissionais capacitados e estrutura material para lidar com alunos que apresentem diagnóstico de TDAH. Dos jogos às atividades lúdicas a escola é um espaço privilegiado para socialização e construção de conhecimento sem preconceitos. O psicopedagogo é o profissional que poderá trabalhar junto à escola derrubando obstáculos, possibilitando a utilização de ferramentas lúdicas que possam facilitar o caminho de crianças com TDAH.

30 BIBLIOGRAFIA BARKLEY, Russel Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade.Porto Alegre: Artmed Editora, 2002. FREIRE, Paulo.Educação como Prática da Libertdade. São Paulo: Paz e Terra, 2000 FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra,2001. JOSÉ, Elisabete da Assunção & COELHO, Maria Teresa. Problemas de Aprendizagem. São Paulo: Ática, 1999. MACEDO,Lino.Psicopedagogia: contextualização, formação e atuação profissional. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. MATTOS, Paulo.No Mundo da Lua. São Paulo: Lemos Editorial,2001. WEISS, Maria Lúcia. Psicopedagogia Clínica.Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

31 WEBGRAFIA CABRAL,Sérgio Bourbon. Déficit de Atenção Hiperatividade (DDA ou TDAH) em adultos. Acesso: WWW.mentalhelp.com.br

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