UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ COORDENAÇÃO DE ENGENHARIA CIVIL CAMPUS CAMPO MOURÃO ENGENHARIA CIVIL WAGNER ALEXANDRO CIBOTTO RELATÓRIO DE ESTÁGIO CURRICULAR OBRIGATÓRIO Relatório de Estágio Curricular Obrigatório apresentado como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Engenharia Civil, pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Campus Campo Mourão. Orientador: Prof. Msc. Paula Cristina de Souza Autorizo o encaminhamento para avaliação, Assinatura do prof. Orientador CAMPO MOURÃO 2013
RESUMO O estágio curricular obrigatório realizou-se na empresa Pronenge Construtora e Imobiliária LTDA, em canteiros de obras de edifícios residenciais, na cidade de Campo Mourão - PR. Ao longo de quatro meses, foi possível o acompanhamento e desenvolvimento de atividades que melhoraram o aspecto de segurança e qualidade dos canteiros. Dentre as atividades desenvolvidas neste período, destacam-se: a melhoria da sinalização da obra e execução dos serviços de forma orientada e organizada, acompanhamento da execução de infraestrutura e superestrutura, execução de ferragens, confecção de argamassas de assentamento e concreto, além da leitura, conferência e acompanhamento da execução de projetos, que foram um dos objetivos propostos para o estágio. Como resultado do aprendizado, destaca-se uma visão mais crítica dos projetos, além da criação de uma rede de contatos e aplicação dos conhecimentos adquiridos em sala na prática.
SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...4 1.1 DESCRIÇÃO DA UCE (UNIDADE CONCEDENTE DE ESTÁGIO...4 1.2 OBJETIVOS DO ESTÁGIO E RESUMO DAS ATIVIDADES...7 2 DESENVOLVIMENTO DO ESTÁGIO...8 2.1 DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS...8 2.2 PRINCIPAIS PROBLEMAS ENCONTRADOS...16 2.3 RELAÇÃO DO ESTÁGIO COM AS DISCIPLINAS DO CURSO...17 3 CONCLUSÕES...18 3.1 APRENDIZADO PRÁTICO...18 3.2 RELACIONAMENTO PROFISSIONAL...18 3.3 SUGESTÕES PARA A UNIVERSIDADE...19 3.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS...19 4 REFERÊNCIAS...21
4 1 INTRODUÇÃO O relatório de estágio tem por objetivo a apresentação dos trabalhos realizados pelo acadêmico Wagner Alexandro Cibotto, durante o seu estágio curricular obrigatório. Inicialmente procurou-se uma empresa que vinha atuando na cidade de Campo Mourão, no ramo de construção de edifícios residenciais de médio porte. O objetivo principal era complementar os conceitos de construção civil neste tipo de edificação. Tal escolha foi consequência de um estágio profissional, realizado no Parque Industrial da Coamo, entre dezembro de 2009 e março de 2011, que englobou obras de terra e grandes obras industriais da construtora SPM Mezzomo. De abril a setembro de 2011, o acadêmico também realizou estágio extra-curricular na Pronenge Construtora e Imobiliária LTDA, que o motivou para dar continuidade dos trabalhos em seu estágio curricular obrigatório na mesma empresa. Durante o período compreendido entre março e junho de 2012, foram retomadas e desenvolvidas atividades em dois canteiros de edifícios residenciais, na empresa Pronenge, no município de Campo Mourão. Dentre as atividades desenvolvidas, estão a leitura e acompanhamento da execução de projetos, recebimento e conferência de materiais, conferência de projetos, acompanhamento de execução de infraestrutura e superestrutura, acompanhamento de execução de ferragens e confecção de argamassas de assentamento e concreto, além de um plano de melhoria da qualidade e segurança do trabalho. 1.1 DESCRIÇÃO DA UCE (UNIDADE CONCEDENTE DE ESTÁGIO) A empresa Pronenge Construtora e Imobiliária LTDA foi registrada no dia 05/03/2007 no município de Campo Mourão. A sede administrativa encontra-se atualmente localizada na Rua São Paulo, Centro, Campo Mourão PR, próximo ao Banco do Brasil. Conta como responsável técnico e administrativo a Engenheira Paula Cristina de Souza e um técnico administrativo, a Economista Fabiana
5 Biondaro. Desde então, atua no ramo da construção de edifícios residenciais multifamiliares em sistema de condomínio. O estágio realizado deu-se em duas obras da empresa, descritas a seguir. - Edifício Dom Antonio, Avenida José Custódio de Oliveira, 1074, Centro, Campo Mourão PR. Empreendimento residencial e comercial no sistema de condomínio; Pavimento térreo, pavimento de garagens e 5 pavimentos tipo; Área do terreno: 950 m 2 ; Área do pavimento térreo: 654,5 m 2 ; Área do 2º pavimento, referente à garagem: 730,10 m 2 ; Área do pavimento tipo: 594.41m 2 ; Área total dos pavimentos tipo (5 pavimentos): 2972.05 m 2 ; Área construída total: 4387.77 m 2 ; Taxa de ocupação: 68.92%. Figura 1 Edifício Dom Antonio. Fonte: o Autor.
6 A figura 1 apresenta a fachada frontal do Edifício Dom Antonio. A obra encontra-se em fase de acabamento, com a superestrutura quase 100% concluída, restando apenas: execução da casa de máquina, reservatório de água e cobertura. - Edifício Residencial Phyladelphya, Rua São Paulo, Centro, Campo Mourão PR. Empreendimento residencial no sistema de condomínio; Térreo mais três pavimentos tipo; Área do terreno: 1000 m 2 ; Área do pavimento térreo: 642m 2 ; Área do pavimento tipo: 485.8 m 2 ; Área total dos pavimentos tipo (3 pavimentos): 1457.40 m 2 ; Área construída total: 2099.76 m 2 ; Taxa de ocupação: 64.23 %. Figura 2 Edifício Phyladelphya. Fonte: o Autor.
7 A figura 2, apresenta a fachada frontal do Edifício Phyladelphya que encontra-se em fase de acabamento. Nota-se a colocação de tela protetora contra queda de materiais, para início dos trabalhos de chapisco e emboço. Na fachada lateral direita, estão sendo finalizados os serviços de chapisco e emboço. 1.2 OBJETIVOS DO ESTÁGIO E RESUMO DAS ATIVIDADES O objetivo principal do estágio curricular foi aplicar os conhecimentos obtidos ao longo das diversas disciplinas de construção civil, no canteiro de obras. Além do objetivo principal, outra meta a ser alcançada era o acompanhamento do trabalho de toda a equipe e desenvolvimento dentro da obra, de atividades que trouxessem alguma melhoria no andamento dos trabalhos. O estágio foi realizado em dois canteiros de edifícios, um residencial e outro residencial-comercial, de múltiplos pavimentos, padrão normal, respectivamente com três e seis andares. As atividades propostas a serem desenvolvidas inicialmente, foram: Leitura de projetos; Acompanhamento da execução de projetos; Conferência e recebimento de materiais; Conferência dos serviços executados.
8 2 DESENVOLVIMENTO DO ESTÁGIO 2.1 DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS Inicialmente, realizou-se uma reunião junto ao responsável técnico da obra, a Engenheira Civil e Mestre Paula Cristina de Souza, e um dos proprietários da empresa, Senhor Maciel in memoriam, sobre as atividades a serem desenvolvidas e o fornecimento de equipamentos de segurança. A primeira atividade realizada, foi a visita ao ambiente de trabalho do Edifício Dom Antonio e do Edifício Phyladelphya, seguida da apresentação do estagiário junto ao grupo de colaboradores da Construtora e Imobiliária Pronenge. Neste primeiro contato, discutiu-se a respeito dos trabalhos desenvolvidos anteriormente nas obras, as dificuldades, os problemas que apresentavam o Edifício Dom Antonio e as perspectivas futuras para o Edifício Phyladelphya. Todos os projetos foram apresentados e ficaram disponíveis em pastas nos canteiros de obras para consulta, e posteriormente, para o acompanhamento dos serviços. Após a leitura dos projetos e o primeiro contato com a equipe, no decorrer dos dias, através de conversas informais com os diversos colaboradores, procurouse entender as dificuldades encontrados por eles na execução de projetos na construção civil. Em especial, discutiu-se sobre a obra Dom Antonio que estava em andamento com sua segunda laje já executada. Estas conversas possibilitaram detectar pontos críticos dentro do canteiro de obra e o comprometimento ou descaso da equipe com a execução de alguns serviços. O primeiro ponto a ser atacado, foi a conscientização de alguns trabalhadores a respeito de segurança no trabalho e os benefícios dos trabalhos executados uma única vez, com qualidade. Mesmo a empresa fornecendo cursos especiais de segurança no trabalho, fiscalização do responsável técnico e presença de mestre de obra, detectou-se certo desconhecimento e/ou falta de motivação da
9 equipe para trabalhar com segurança e organização. Depois de muita conversa e apresentação da experiência 1 vivida pelo estagiário dentro do Parque Industrial da Coamo Cooperativa Agroindustrial os trabalhadores mais resistentes, começaram a colaborar com toda a equipe para a segurança no canteiro. Com o apoio total da Engenheira Paula Cristina de Souza, desenvolveu-se um trabalho de limpeza, e firmemente, buscou-se a política de manter o local limpo sempre, com passagens livres e locais para descarte de materiais. A figura 3 a seguir, mostra a área destinada à carpintaria do canteiro de obras do Edifício Dom Antonio, localizado no pavimento da garagem, antes e depois do movimento de conscientização. Figura 3 Antes e depois do plano de limpeza. Fonte: o Autor. 1 Durante 16 meses o estagiário participou na readequação de obras no Parque Industrial da Coamo e aplicação do Programa de O-OLHO, baseado no 5S, em canteiro de obras da SPM Mezzomo Ltda.
10 Nota-se pela figura 3, o descarte desordenado de material pós desenforma da estrutura e escoramento da laje. Não havia um controle ou um ponto específico, onde a madeira era descartada, apenas pilhas e pilhas espalhadas por todos os pontos, sem seleção de material que poderia ser reutilizado. Madeira com pregos ofereciam perigo aos próprios trabalhadores. Chegou-se a conclusão, que o caminho mais fácil para os carpinteiros, era o caminho das pilhas de chapas de madeira e compensado que não tinham sido utilizadas e com aspecto visual mais atrativo. O consumo de madeira para caixaria de vigas e pilares era muito grande, porque não se tinha o cuidado na hora da retirada das formas, nem a preocupação em separá-las e classificá-las em pilhas de fácil movimentação e acesso. Com o apoio da equipe, a empresa conseguiu um melhor aproveitamento do material, e o resultado foi significativamente positivo, tanto para economia, quanto para a segurança e movimentação de pessoas e materiais dentro do canteiro. O passo seguinte para consolidação da política de segurança e melhoria na qualidade dos serviços foi a realização de um relatório baseado na NR-18 Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção e livros sobre a produtividade e qualidade dentro de canteiros de obras. Este relatório foi elaborado tendo em vista as situações mais comuns dentro do canteiro, direcionado para a sinalização, proteção de partes perigosas e utilização de equipamentos de proteção individual e coletivo. Realizado todo o levantamento das necessidades dos canteiros, o relatório foi entregue a orientadora e responsável técnica da obra, que tomou todas as providências necessárias, para que os problemas fossem solucionados. Buscou-se neste diagnóstico destacar os pontos que ofereciam certos riscos a integridade física dos trabalhadores. Outro objetivo foi a melhoria da sinalização dentro do canteiro de obra, com a aplicação de mensagens indicativas, restritivas, de alerta e motivacionais. Além das mensagens, realizou-se a instalação de sensores para iluminação das escadas, fechamento dos vãos e fossos, guardacorpos das escadas e periferia da edificação, compra de extintores, pintura dos guarda-corpos e isolamento da área onde se encontra instalado o elevador de carga.
11 Figura 4 Sinalização do canteiro de obras. Fonte: o Autor. A figura 4, mostra algumas das placas que foram distribuídas pelo canteiro de obras. Além da indicação dos pavimentos, escadarias, extintores, ao longo do acesso dos elevadores foram locadas barreiras e placas indicativas com a seguinte mensagem: Elevador para uso exclusivo de carga. Na serra circular, placa indicativa sobre os equipamentos de proteção individual, necessários para sua utilização. Os modelos de placas confeccionadas, foram baseados em boas práticas de empresas que aplicavam os conceitos do 5S em seu canteiros de obras, além de disciplinas de qualidade e segurança do trabalho na construção civil. Outras boas práticas foram executadas em ambos os edifícios, visando zelar principalmente pela segurança e que fossem visualmente claras a todas as pessoas que no canteiro tivessem acesso.
12 Figura 5 Proteção contra quedas instaladas nos fossos e elevador. Fonte: o Autor. A figura 5 apresenta o isolamento do acesso aos fossos do elevador do edifício Dom Antonio e a barreira de proteção ao elevador de cargas. Estas medidas foram tomadas para evitar acidentes como queda de pessoal e proteção aos trabalhadores no transporte vertical de cargas. O elevador instalado na obra também é normatizado, aprovado pelos órgãos fiscalizadores, sendo um investimento da empresa, que busca modernidade e segurança para seus empreendimentos. O elevador conta com sistema de freio automático e dispositivo de segurança. A operação é realizada por um trabalhador treinado e certificado para este serviço. Para o Edifício Phyladelphya, a estratégia adotada foi a mesma: motivar a equipe e melhorar a movimentação no canteiro de obras. O resultado não poderia ter sido melhor. Todos os trabalhadores abraçaram a causa e desempenharam papel fundamental para elevação da qualidade do canteiro de obra. Todo serviço que gerasse resíduos, ao final, eram retirados e destinados ao local de descarte.
13 Esta postura possibilitou o andamento dos trabalhos sem dificuldades e durante todo o período de estágio, não foi observado qualquer acidente na obra. Os benefícios não demoraram a aparecer. Devido ao empreendimento ser no sistema de condomínio, visitas frequentes dos proprietários eram detectadas. No início, simplesmente questionavam sobre alguns serviços. Após este plano de melhoria, elogios começaram a surgir. Mesmo tratando-se de pessoas de áreas distintas da construção civil, a percepção de segurança por eles, foi o ponto fundamental que motivou ainda mais a continuidade dos trabalhos. A seguir, a figura 6 apresenta alguns pontos de movimentação de cargas no canteiro de obras. (A) (B) (C) Figura 6 Desobstrução de passagens e limpeza do canteiro. Fonte: o Autor. Na imagem (A) Edifício Phyladelphya e (B) Edifício Dom Antonio, observa-se um ambiente limpo, de fácil acesso e sem problemas para a movimentação de materiais. Na imagem (C), o trabalhador realizando limpeza das vias de acesso aos diversos pontos do edifício Dom Antonio. A continuidade dos trabalhos foi fundamental. A figura 7 apresenta algumas imagens da situação dos dois canteiros de obras durante os trabalhos diários.
14 (A). (B) (C) (D) Figura 7 Vias de acesso aos elevadores e locais de descarte. Fonte: o Autor. Em ambas as imagens, (A) e (B), respectivamente Edifício Phyladelphya e Dom Antonio, percebe-se acesso livre aos elevadores de carga. Destaca-se também a limpeza geral e a organização dos materiais a serem utilizados. Já a imagem (C), observa-se a classificação em pilhas, de madeiras já utilizadas, em um local que não interfere no tráfego de pessoas e execução dos serviços. A imagem (D) demonstra os fundos do canteiro do Edifício Phyladelphya, com local para descarte de resíduos. Outra atividade desenvolvida ao longo do estágio, foi o acompanhamento de execução de diversos projetos. O auxílio do mestre de obra foi fundamental para compreensão de alguns sistemas construtivos e práticas adotadas. Nos dois edifícios, pode presenciar-se atividades como: execução da infraestrutura; locação de pilares; execução de caixaria; paredes de vedação; montagem de lajes pré-fabricadas; cimbramento de lajes e vigas; lançamento de mangueiras do projeto elétrico;
15 armação e execução de ferragens; concretagem de lajes, pilares, vigas e escadas; instalação de equipamentos, como elevador de cargas. A seguir, imagens de algumas etapas da execução de uma laje pré-fabricada. (A) (B) (C) Figura 8 Etapas de execução da laje. Fonte: o Autor. (D) Na figura 8, apresenta-se as diversas fases executivas de uma laje préfabricada. No primeiro momento, imagem (A), ocorre a execução de formas e armação de vigas. Em seguida, há o cimbramento de toda a estrutura, para suportar inicialmente ao peso próprio e as cargas acidentais de concretagem. A imagem (B), demonstra a laje já montada, com as vigotas treliçadas amarradas à estrutura e o fechamento com placas de EPS. O lançamento das mangueiras, constituinte do projeto elétrico, é executado sobre as placas de EPS. Na mesma imagem, há as esperas para prosseguimento dos pilares para o pavimento superior. Já a imagem (C), há a execução de uma laje maciça de concreto, referentes às sacadas dos apartamentos. Observa-se a armação da laje e a passagem de barras de aço sobre a laje pré-fabricada, responsáveis pela ancoragem. Este fato ocorre, uma vez que,
16 esta estrutura encontra-se em balanço. Finalmente, na imagem (D), tem-se a laje concretada e já marcada para o levantamento das paredes e pilares do pavimento seguinte. Ao longo do período de estágios na Pronenge, foi possível a realização de uma pesquisa sobre as características físicas dos canteiros de obras verticais em Campo Mourão. A pesquisa englobou um check-list sobre as características físicas dos canteiros de obras, baseado nas diversas normas de segurança do trabalho. Como resultado, há a produção de um artigo técnico que está sendo finalizado e será remetido a alguma revista ou evento para avaliação e publicação. 2.2 PRINCIPAIS PROBLEMAS ENCONTRADOS No primeiro instante, a resistência de alguns trabalhadores foi a maior barreira a ser quebrada. Mesmo tendo conhecimento de algumas normas e processos construtivos, alguns operários preferiam executar os serviços da sua maneira, que nem sempre, eram adequados e seguros aquela situação. A utilização de EPI s e a racionalização de movimentação de cargas no canteiro também foi uma tarefa difícil de compreensão por todos. Com o andamento dos trabalhos, percebeu-se que o detalhamento e as características de certos projetos, nem sempre facilitam a vida dos operários. O papel aceita muita coisa, mas na hora da execução, a história pode mudar. Estes acontecimentos despertaram um alerta sobre a compatibilização de projetos na fase de planejamento, e de projetos que visem uma melhor produção por parte dos trabalhadores no canteiro de obras. A falta de mão-de-obra qualificada também foi sentida neste período. Com a explosão da construção civil, é difícil encontrar bons mestres de obras, contra mestres e oficiais. A empresa realizou várias contratações e a terceirização de alguns serviços foi a solução. Detectou-se que são poucos os operários que participam de cursos de atualização ou, até mesmo de treinamentos para exercer a profissão. Em sua maioria, são profissionais que herdaram o ofício dos familiares, ou
17 que ao longo do tempo, de forma autônoma, foram adquirindo certa experiência na execução de pequenas obras. O cumprimento de todas as normas e boas práticas dentro dos canteiros, se não for trabalhada com toda a equipe, planejada e bem executada, pode ser muito onerosa e aumentar o valor final da obra, sem um ganho que justifique este investimento. 2.3 RELAÇÃO DO ESTÁGIO COM AS DISCIPLINAS DO CURSO O canteiro de obra e a vivência com os diversos projetos, arquitetônico, estrutural, hidráulico, elétrico, propiciou uma visão mais ampla do que é abordada dentro da universidade. Quanto se está frente aos projetos no papel, e vê-los funcionando na prática, o conhecimento absorvido é maior. As dificuldades aumentam com o número de etapas e projetos, e, a partir dos conceitos de algumas disciplinas de raciocínio lógico, de planejamento e construção civil, é possível fazer uma inter-relação de todas as etapas, e colocá-las em andamento. Disciplinas que muitas vezes, pelo seu grau de dificuldade ficaram em segundo plano no decorrer do curso de Engenharia Civil, foram fundamentais fora das salas de aula. Entre elas, Tecnologias da Construção Civil e Materiais da Construção Civil. Resume-se ao entendimento da produção dos materiais necessários e das técnicas simples e adequadas de execução. Algumas disciplinas que englobavam em sua grade projetos, também foram fundamentais para dar uma noção básica do que acontece no mercado de trabalho.
18 3 CONCLUSÕES 3.1 APRENDIZADO PRÁTICO Com toda certeza o estágio é fundamental para aplicação dos conhecimentos fora da universidade. Esta oportunidade propicia ao aluno, mesmo que em um período curto de tempo, estar frente a frente aos problemas encontrados nas empresas. Este choque fora da sala de aula obriga o estudante a procurar em varias vezes, uma solução rápida e eficaz para determinados problemas cotidianos, que possa ser executada naquele momento. Problemas estes, que sem dúvida, farão parte da sua vida profissional fora da universidade. A convivência com novos materiais e técnicas construtivas, também aumenta o leque de opções apresentados dentro do curso. A partir do momento que o estudante depara-se com os diversos problemas e soluções, estas situações vêm na cabeça e criam um banco de dados para a sua vida profissional - fazer igual, melhorar, adaptar ou evitar?! 3.2 RELACIONAMENTO PROFISSIONAL O dia-a-dia com profissionais experientes, que passaram por diversas etapas da profissão, também contribuem para o crescimento dentro do curso e uma visão mais crítica do que é visto em sala de aula. Os questionamentos dos diversos trabalhadores de algumas situações e projetos ao longo do estágio foram fundamentais. Quando questiona-se sobre as diferentes atividades dentro de um projeto e o por que estão sendo executadas de tal forma, o aproveitamento e aprendizado dentro da sala de aula, passa a ser maior. O vínculo de amizade e de confiança criado com todos dentro da obra, foi importante para o crescimento pessoal e profissional. O bom ambiente de trabalho
19 proporcionou um melhor aproveitamento dos objetivos proposto pelo orientador de estágio e pela própria empresa. 3.3 SUGESTÕES PARA A UNIVERSIDADE É de extrema importância a abordagem de temas atuais e técnicas construtivas que estejam de acordo com a nossa realidade regional. Às vezes a sensação em algumas disciplinas, é a falta de aplicação na prática de diversos conceitos. Em alguns casos, a atualização de alguns docentes já seria um grande passo para o crescimento do curso. Visitas técnicas e aulas de campo são raras na Universidade. Não há uma abordagem prática de muitas disciplinas ministradas no curso de Engenharia Civil do Campus Campo Mourão. Muitas vezes, as aulas ficam presas a conceitos acadêmicos e não tem andamento desejável, prejudicando o futuro engenheiro civil atuando em campo. Poucos são os programas em que os alunos têm a oportunidade de exercer os conhecimentos de sala ao longo do curso. Destaca-se em nossa universidade o Programa PET e algumas iniciações científicas, mas que ainda são insuficientes. Quando realizamos aulas em laboratório, nos deparamos com falta de materiais e espaço físico. É necessário e indispensável a oferta dentro da universidade de cursos extracurriculares e de atualização, ligados a construção civil. 3.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS O estágio foi fundamental para o crescimento profissional e pessoal, também para a criação de uma rede de contatos. A amizade criada com todos os operários é sensacional. Ao longo deste tempo, pode perceber-se a dificuldade em elaborar e executar diversos projetos, e, ao mesmo tempo, gerenciá-los. A ampla rede de
20 projetos, técnicas e pessoas que formam um processo de construção, só é notada quando se materializa as ideias. Esta materialização dá-se por meio de estágios e visitas técnicas, orientadas por pessoas capacitadas e com vontade. Toda esta experiência positiva, só foi possível pelo apoio de todos os funcionários da empresa Pronenge Construtora e Imobiliária LTDA, à orientadora Paula Cristina de Souza e aos professores, que ao longo do curso, não mediram esforços para que as dúvidas fossem resolvidas. A estas pessoas deve-se todo o reconhecimento e mérito pela formação de verdadeiros profissionais.
21 4 REFERÊNCIAS ROCHA, Carlos Alberto G.S. de C.;SAURIN, Tarcísio Abreu;FORMOSO, Carlos Torres. Avaliação da Nr-18 em canteiro de obras. Disponível em: http://www.producao.ufrgs.br/arquivos/arquivos/e0013_00.pdf. SOUZA, Ubiraci E. Lemes de. Projeto e implantação do canteiro. São Paulo: O nome da rosa, 2000. 96 p. VIEIRA, Helio Flavio. Logística aplicada à construção civil: como melhorar o fluxo de produção nas obras. São Paulo, SP: Pini, 2006. 178 p.