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Transcrição:

Destinatário: Notarial Editor. Advogado Militante(s): Rogério Nahas Grijó OAB/SP 225.096. Objeto: Parecer sobre o Provimento 34/2013 do Conselho Nacional de Justiça e suas implicações nas rotinas dos Notários e Registradores Paulistas. 1 SOBRE O PROVIMENTO 34 CNJ Trata-se de ato administrativo do CNJ que Disciplina a manutenção e escrituração de Livro Diário Auxiliar pelos titulares de delegações e pelos responsáveis interinamente por delegações vagas do serviço extrajudicial de notas e de registro e dá outras providências. Obrigação que teve sua vigência iniciada em 12 de agosto de 2013 (em função do Provimento 35/2013 CNJ) trata-se de ato que visa aumentar a transparência e criar regras para a fiscalização das receitas e despesas das serventias. Referido livro serviria para que eventual descontrole financeiro não coloque em risco a regular prestação do serviço público, assim como para permitir o exercício das atividades de regulamentação e de fiscalização que abrange a verificação da regular arrecadação e destinação de parcelas de emolumentos que na forma das diferentes legislações estaduais são destinadas ao Tribunal de Justiça, ao Estado, ao Distrito Federal ou outras entidades de direito público, e a Fundos de Renda Mínima e de Reembolso de Atos Gratuitos. Além do mais, a fiscalização da prestação do serviço extrajudicial de notas e de registro abrange a verificação do regular cumprimento das obrigações tributárias a que estão sujeitos os titulares e os responsáveis interinamente por delegações vagas, inclusive no que tange ao lançamento de valores que compõem as bases de cálculo do Imposto de Renda (IR) e do Imposto Sobre Serviços (ISS). Desta forma, o Livro Diário Auxiliar também servirá como mais um elemento de fiscalização colocado de forma obrigatória ao contribuinte, embora se alegue que tal livro não terá caráter de obrigação acessória tributária. 1

Embora não conste nenhuma penalidade pela ausência de manutenção do Livro Diário Auxiliar ou pela Escrituração tida como incorreta. Certamente a ausência de tais livros acarretará sanção ao Notário ou Registrador. Inobstante a existência de Livros Contábeis que claramente demonstram toda a movimentação da serventia, com a possibilidade de verificação dos valores percebidos pelos Titulares e pelos Designados, criou-se outro Livro Contábil para facilitar a apuração de haveres e a verificação de eventuais prejuízos que possam colocar em risco a prestação dos serviços delegados. No mais, é o antigo problema da transferência da fiscalização ao próprio contribuinte. Entendemos que o maior problema será com relação aos cartórios deficitários, que além de todas as responsabilidades e obrigações acessórias terão ainda outra para minimizar a sua renda, pois tudo custa dinheiro e tempo. Claro está que as declarações a serem prestadas, a princípio não trazem nenhuma consequência brusca e radical à continuidade dos serviços, uma vez que os atos declarados praticamente já constam dos outros livros contábeis obrigatoriamente mantidos pelas serventias. De outra sorte, fazendo uma analise minuciosa do Provimento 34/2013 CNJ e as Normas da Corregedoria Geral da Justiça de São Paulo, vimos que o Provimento Federal COPIOU as disposições a que os Notários e Registradores Paulistas se submetem, senão vejamos: Provimento 34 - CNJ Normas de Serviço CGJ/SP Art. 1º Os serviços notariais e de registro Art. 44 Os serviços notariais e de registro prestados mediante delegação do Poder Público a particulares, ainda que sob a respon- a) Registro Diário da Receita e da Despe- possuirão os seguintes livros: sabilidade de interinos, possuirão Livro de sa; Registro Diário Auxiliar da Receita e da Despesa. Art. 2º Os responsáveis por unidades cujos Art. 44.1 Os notários e registradores cujos serviços admitam o depósito prévio de emolumentos manterão, separadamente, Livro de lumentos possuirão, ainda, o Livro de Con- serviços admitam o depósito prévio de emo- Controle de Depósito Prévio. trole de Depósito Prévio. 2

Art. 4º A responsabilidade pela escrituração Art. 49 A responsabilidade pela escrituração do Livro Diário Auxiliar e do Livro de Controle de Depósito Prévio é direta do notário Despesa é direta do notário ou registrador, do livro Registro Diário da Receita e da ou registrador, ou do responsável interinamente pela unidade vaga, mesmo quando mesmo quando escriturado por seu preposto. escriturado por seu preposto. Art. 5º O Livro Diário Auxiliar poderá ser Art. 49.1 O livro de que trata o item anterior impresso e encadernado em folhas soltas, as poderá ser impresso e encadernado em folhas quais serão divididas em colunas para anotação da data e do histórico da receita ou da para anotação da data, do histórico, da receita soltas, as quais serão divididas em colunas despesa, obedecido o modelo usual para a ou da despesa, obedecido o modelo usual, em forma contábil. forma contábil. Art. 6º O histórico dos lançamentos será sucinto, mas deverá identificar, sempre, o ato cinto, mas deverá permitir, sempre, a identifi- Art. 50 O histórico dos lançamentos será su- que ensejou a cobrança de emolumentos ou a cação do ato que ensejou a cobrança ou a natureza da despesa. natureza da despesa. 1º Os lançamentos compreenderão apenas Art. 51 Os lançamentos compreenderão apenas os emolumentos percebidos como receita os emolumentos percebidos como receita do notário ou registrador, ou recebidos pelo responsável por unidade vaga, pelos atos pratidos de acordo com a lei e com a tabela de do notário ou registrador pelos atos praticacados de acordo com a lei e com a tabela de emolumentos, não devendo ser incluídas a emolumentos, excluídas a parcela de emolumentos, a taxa de fiscalização, o selo ou ou- Carteira das Serventias não Oficializadas, as receita devida ao Estado, a contribuição à tro valor que constituir receita devida ao Estado, ao Distrito Federal, ao Tribunal de Justos praticados pelos Oficiais de Registro Civil partes destinadas ao custeio dos atos gratuitiça, a outras entidades de direito, e aos fundos de renda mínima e de custeio de atos grasas Especiais do Tribunal de Justiça, bem das Pessoas Naturais e ao Fundo de Despetuitos, conforme previsão legal específica. como outras quantias recebidas em depósito para a prática futura de atos. Art 6, 3º Serão lançadas separadamente, de Art. 54 Serão lançadas separadamente, de forma individualizada, as receitas oriundas da forma individualizada, as receitas oriundas da prestação dos serviços de diferentes especia- prestação de serviços de diferentes especiali- lidades. dades. 3

Art. 9º A despesa será lançada no dia em que se efetivar. Art. 10 Admite-se apenas o lançamento das despesas relacionadas à serventia notarial e de registro. Art. 11 Ao final do mês, serão somadas a receita e a despesa, apurando-se separadamente a renda líquida ou o déficit de cada unidade de serviço notarial e de registro. Art. 12 Ao final do ano, será feito o balanço, indicando-se a receita, a despesa e o líquido mês a mês, apurando-se, em seguida, a renda líquida ou o déficit de cada unidade de serviço notarial e de registro no exercício. Art. 13 Anualmente, até o décimo dia útil do mês de fevereiro, o Livro Diário Auxiliar será visado pelo Juiz Corregedor Permanente, que determinará, sendo o caso, as glosas necessárias, podendo, ainda, ordenar sua apresentação sempre que entender conveniente. Art. 14 Sem prejuízo do Livro Diário Auxiliar, e obedecida a legislação específica, poderá ser adotado outro livro contábil para fins de recolhimento do Imposto de Renda (IR), bem como do Imposto Sobre Serviços (ISS) se assim for exigido. Art. 57 A despesa será lançada no dia em que se efetivar. Art. 57.1 Admite-se apenas o lançamento das despesas relacionadas com a serventia notarial e de registro, sem restrição. Art. 58 Ao final do mês, serão somadas a receita e a despesa, apurando-se separadamente a renda líquida ou o déficit de cada unidade de serviço notarial e de registro. Art. 59 Ao final do ano, será feito o balanço, indicando-se a receita, a despesa e o líquido mês a mês, apurando-se, em seguida, a renda líquida ou o déficit de cada unidade de serviço notarial e de registro no exercício. Art. 60 Anualmente, até o décimo dia útil do mês de fevereiro, o Diário será visado pelo Juiz Corregedor Permanente, que determinará, sendo o caso, as glosas necessárias, podendo determinar sua apresentação sempre que entender conveniente. Art. 61 Sem prejuízo do livro Registro Diário da Receita e da Despesa, pode-se adotar outro livro contábil para fins de recolhimento do imposto sobre a renda, obedecida a legislação específica. 2 Livro Diário Auxiliar (CNJ) X Livro Diário (CGJ/TJSP) Se os livros são idênticos, devo trocar a denominação do meu livro e passar a escriturar apenas o do CNJ? NÃO! Determina o artigo 15 do Provimento 34/2013, que: Este Provimento não revoga as normas editadas pelas Corregedorias Gerais da Justiça e 4

pelos Juízes Corregedores, ou Juízes competentes na forma da organização local, para a escrituração de Livro Diário, Livro Diário Auxiliar, ou Livro Contábil, no que forem compatíveis. Entendemos que a escrita dos dois livros é idêntica, porem, recomendamos a impressão de ambos de forma autônoma, alterando-se a denominação até que a CGJ/SP, altere as normas de serviços de forma a adequá-la a denominação utilizada pelo CNJ, órgão superior. 3 O QUE HÁ DE NOVO NO PROVIMENTO 34/2013 - CNJ Determina em seu artigo 11, e parágrafos que os responsáveis interinamente por delegações vagas de notas e de registro lançarão no Livro Diário Auxiliar o valor da renda líquida excedente a 90,25% dos subsídios de Ministro do Supremo Tribunal Federal que depositarem à disposição do Tribunal de Justiça, indicando a data do depósito e a conta em que realizado, observadas as normas editadas pelo respectivo Tribunal para esse depósito. Para apuração do valor excedente a 90,25% dos subsídios de Ministro do Supremo Tribunal Federal que deverá ser depositado à disposição do Tribunal de Justiça será abatida, como despesa do responsável interinamente pela unidade vaga, a quantia que for paga a título de Imposto Sobre Serviços (ISS), observada a legislação municipal específica. Nos prazos previstos no art. 2º do Provimento nº 24 desta Corregedoria Nacional de Justiça, os responsáveis interinamente pelas unidades vagas lançarão no sistema "Justiça Aberta", em campos específicos criados para essa finalidade, os valores que, nos termos do parágrafo anterior, depositarem mensalmente na conta indicada pelo respectivo Tribunal de Justiça. 4 LIVRO CAIXA CARNÊ LEÃO Ambas as citadas legislações abrem espaço para a apuração do Imposto de Renda em livro próprio, em consonância a legislação Federal, sobre o assunto. Recomendamos que além do registro de receitas de despesas do cartório, nos livros 5

Diário e Diário Auxiliar, seja realizado controle fiscal via software carnê leão, disponibilizado pela Receita Federal, ou outro controle equivalente, levando em consideração o CPF do tabelião. Sugerimos a leitura de: http://www.notarialeditor.com.br/docs/boletim-notarial-irpf-livro-caixa-carne- Leao-Edicao-Extra.pdf. 5 CORREIÇÃO Sugerimos adotar e regularizar o Livro Diário Auxiliar do CNJ, com data retroativa de 12 de agosto de 2013, pois o mesmo será exigido nas Correições. Acesse o material de apoio em: http://www.notarialeditor.com.br/docs/legislacao- Procedimentos-Correicao.pdf. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Para não dizer que NADA mudou, mudou o nome do Livro. Para os Registradores e Notários Paulistas, o Provimento 34/2013 CNJ, trata-se de mais uma obrigação pro forma, pois já exista a obrigação pelas Normas de Serviço da Corregedoria, conforme demonstramos. Cabe ressaltar que existem empresas que estão se aproveitando desse momento de incerteza e dúvida para oferecerem pacotes de serviços milagrosos, porem DESNECESSÁRIOS. Entendemos que pequenos ajustes nos softwares utilizados para a escrita do Livro Diário os farão emitir também o Diário Auxiliar CNJ. ROGÉRIO NAHAS GRIJÓ OAB n 225.096/SP 6