CORPO NACIONAL DE ESCUTAS ESCUTISMO CATÓLICO PORTUGUÊS Documento de Enquadramento dos Cursos Introdução Os princípios do Escutismo estão todos certos. O êxito da sua aplicação depende do Chefe e do modo como ele os aplica Auxiliar do Chefe-Escuta Os componentes das sete maravilhas do método escutista existe uma, que pela voluntariedade dos dirigentes (muitas vezes falsamente interpretada), nem sempre é devidamente realçada, trata-se da relação educativa. É preciso ter consciência que a ausência de qualquer das setes maravilhas, implica a não existência de Escutismo. Pode parecer Escutismo, mas não é Escutismo. Escutismo só é real com a aplicação e desenvolvimento integral, harmonioso e pleno das setes maravilhas do método escutista, a saber: lei e promessa, aprender fazendo, sistema de patrulhas, sistema de progressão apoiada, mística e simbologia, vida na natureza e relação educativa. Esta evocação das sete maravilhas do método escutista no documento de enquadramento dos cursos, prende-se com um alerta, ou melhor dizendo, um tomar de consciência mais profundo da necessidade dos animadores que temos ao serviço das nossas unidades corresponderem às 3 vertentes referidas pela Conferência Episcopal Portuguesa, no grato documento de 1996 dedicado ao Escutismo que se designa: Escutismo, Escola de Educação, citando: 9. Os Dirigentes, Educadores e Evangelizadores A capacidade de formação e de evangelização do CNE depende, de maneira preponderante, dos dirigentes ou animadores do movimento. São eles que dão forma concreta à pedagogia do Escutismo católico e exercem uma influência marcante no estilo e nos frutos de cada agrupamento. Assim a renovação do CNE passa primeiramente pelo perfil humano e cristão e pela adequada formação dos dirigentes. A formação sólida integra concretamente: a formação cristã de base que fundamenta a identidade cristã; a formação especializada em ordem a conhecer por dentro o projecto educativo do Escutismo; e, ainda, a formação permanente que conduz a um aperfeiçoamento contínuo das capacidades educativas. Como interpretação deste texto podemos assinalar as 3 vertentes principais da formação de um adulto no Escutismo, e no nosso caso específico do CNE, Escutismo Católico Português: Formação cristã de base; Formação especializada no método escutista; Formação contínua;
Compete à nossa associação, num dever solidário de todos os níveis, como referenciado no artigo 5º das Normas para a Formação, proporcionar aos dirigentes as oportunidades de se desenvolver nestas 3 vertentes. Neste momento, o CNE vive uma fase de transição. Terminada a fase piloto da experimentação da metodologia RAP, inicia-se o processo de disseminação a todo o CNE, colocando sobre os ombros da formação o desafio de dotar os nossos animadores de conhecimentos, capacidades e atitudes (CCA) que lhe permitam a correcta aplicação desta nova metodologia assumida pela associação. Assim, nesta fase transitória da própria formação, dado que já se iniciou também a Reestruturação do Sistema de Formação do CNE (RSF), urge introduzir pequenas alterações em algumas Unidades de Formação, mantendo a estruturas dos cursos em vigor. É importante que todos os animadores em formação no imediato, possam ter oportunidades de se identificarem com a metodologia RAP, independentemente dos seus agrupamentos terem sido agrupamento-piloto ou de ainda estarem na fase de primeiro contacto com a RAP. Que nada possa obstar para a plena implementação da nova metodologia do CNE. Objectivos + Dotar os diferentes níveis da Associação de instrumentos de difusão das especificidades da metodologia RAP; + Permitir a realização de cursos com a transmissão de mensagem comum a todo o CNE; + Clarificar novos conceitos originários da metodologia RAP; Inserção nos Cursos Como referenciado na introdução, poderemos dizer que o proposto é uma pequena alteração nos conteúdos e objectivos de algumas Unidades de Formação dos cursos, a saber: CI: - O Método Escutista CIP / CAP: - Finalidades Educativas do Escutismo - Mística e Simbologia - Sistema de Progresso Dentro da liberdade permitida ao director do curso previsto no Artigo 25º das Normas para a Formação de Dirigentes ( O tempo dedicado aos conteúdos opcionais não pode ultrapassar 10 % do tempo total da acção; exceptuam-se as acções de formação em cuja concepção se determine explicitamente outros valores. ) é necessário fazer alguns ajustes aos programas dos cursos.
Explicitando melhor. Nas estruturas actuais dos cursos citados temos: CI: O Método Escutista 60 minutos parece-nos ser tempo suficiente para a animação desta UF. CIP: - Finalidade Educativas do Escutismo 120 minutos parece-nos ser tempo suficiente para a animação desta UF. - Sistema de Progresso esta maravilha do método está inserida nos conteúdos e objectivos da UF Metodologias Educativas 180 minutos parece-nos claramente insuficiente. Tratando-se da alteração mais profunda na metodologia RAP, pensamos ser necessários 560 minutos para eliminar as dúvidas mais prementes e o adquirir de competências de aplicação. - Mística e Simbologia 60 minutos parece-nos necessários 90 minutos como forma de promover novos conceitos e as alterações nas secções intermédias. CAP: - Finalidade Educativas do Escutismo 120 minutos parece-nos ser tempo suficiente para a animação desta UF. - Sistema de Progresso 120 minutos parece-nos claramente insuficiente. Tratando-se da alteração mais profunda na metodologia RAP, pensamos ser necessários 360 minutos para eliminar as dúvidas mais prementes e o adquirir de competências de aplicação, muito mais num CAP direccionada ao responsável da Unidade, o Chefe de Unidade. - Mística e Simbologia 120 minutos embora pensemos bastar 90 minutos, como num CAP se pretende aprofundar conteúdos e objectivos justifica-se a manutenção do tempo já atribuído. Importa esclarecer que se tratando de uma fase transitória, as Unidades de Formação do CIP e do CAP são iguais, porque nenhum formando frequenta no mesmo ano esses dois cursos distintos, entretanto a continuidade da RSF poderá determinar alterações estruturais aos cursos, optando-se por não realizar diferenciação nesta fase sobre o risco de se estar a trabalhar em vão. Quem animar Naturalmente quando se fala de animar espaços de formação, deve-se privilegiar quem tem a formação específica para tal, neste caso os formadores (CAF, CCF e CDF), no entanto, existe neste momento um património fundamental a aproveitar, referimo-nos aos Chefes de Unidade dos Agrupamentos-Piloto, dado que são os únicos neste momento com a experiência do desempenho nas Unidades, conhecendo as dificuldades, experiências bem sucedidas ou não, além do entusiasmo que podem transmitir.
Evidentemente que também existem neste momento os tutores que conhecem as realidades experimentadas, podendo ser igualmente uma mais valia na partilha das diferentes dinâmicas implementadas para a mesma necessidade em agrupamentos diferentes. Um outro recurso que não é de desprezar, bem pelo contrário, são os nossos Assistentes na UF Mística e Simbologia, dado que existe uma maior coerência na proposta educativa aplicada às quatro secções e pelos seus conhecimentos serão pessoas muito habilitadas para nos falarem de Jesus Cristo. Parece-nos ser uma boa opção cada UF ser apresentada conjuntamente por um formador e um Chefe de Unidade de Agrupamento-Piloto sempre que for possível, permitindo assim fazer uma melhor junção entre a teoria e a prática. Mensagens a transmitir A primeira mensagem a transmitir é que ninguém está a inventar nada. A matriz continua por um lado a ser Baden-Powell e o método escutista que ele inventou e, no caso específico do CNE, resolveu-se dar outra tónica à nossa índole confessional reforçando a presença de referenciais (modelos) enquanto católicos e cristãos. Pormenorizando cada uma das 3 UFs alteradas, importa dizer que da mesma forma que às 4 finalidades educativas propostas por BP no Auxiliar do Chefe-Escuta, se intuiu a 5 finalidade educativa, a fé, porque o próprio BP dizia que a religião já lá está, também se pode intuir que a dimensão do emocional como área de desenvolvimento trespassa toda a obra escrita de BP com diversas citações que nos parece ser despropositada estar a reforçar num documento introdutório. Em relação à UF Mística e Simbologia nada de profundo se alterou nas secções dos extremos (lobitos e caminheiros), mas reformulou-se as secções intermédias (exploradores e pioneiros), criando uma coerência e unidade evolutiva nas 4 secções fundamentada na pessoa de Jesus Cristo. Como já supracitado, a oferta de referenciais (modelos) inseridos na nossa fé, mas também outras personagens que pelas suas vidas, feitos e obras podem ajudar a puxar os nossos jovens. A UF Sistema de Progresso apresenta-nos uma nova postura em que a centralidade no jovem é mais evidente agora ele constrói o seu percurso, ele segue os seus trilhos. Por outro lado, faz-nos novamente ir beber à fonte BP que sempre reforçou a necessidade de uma educação individualizada, ainda que enquadrada, e muito bem, entre pares, no Sistema de Patrulhas. Independente das UFs é necessário combater a ignorância que normalmente conduz à construção de mitos que embora sejam inverdades e falíveis podem criar obstáculos à mudança, dado que qualquer mudança custa sempre porque mexe com estruturas mentais construídas ao longo do tempo. Recursos Procurou-se que além do material disponibilizado para animar as UFs referidas, se incluísse nesta pen-disc alguns subsídios que sirvam de consulta (manuais dos cursos), potenciais cartazes de animação do espaço de formação, além de um ou outro ficheiro conceptual.
Como sugestão, dado que não existe nas actuais estruturas de cursos, propomos a existência de um imaginário que sirva de linha condutora a todo curso, acreditem que até ajuda na própria concepção dos espaços e momentos de animação espiritual e da fé. Algumas sugestões baseadas em obras literárias: O Feiticeiro de Oz Alice no País das Maravilhas O Gato que ensinou a Gaivota a voar O Principezinho