unidade 2 Linguagens, Códigos e suas Tecnologias



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Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Cappella Sistina, Vaticano Arte unidade 2 Capítulo 1 2 Egito e Mesopotâmia: arte, religião e poder Capítulo 2 12 O despertar da arte grega Capítulo 3 20 A Grécia e o mundo grego: arte clássica e helenística Capítulo 4 30 Arte romana: poder, sociedade e cultura Musée Du Louvre, Paris (França) ELABORAÇÃO DE ORIGINAIS The lady of Auxerre, Grécia, c. 640. Valéria Lima: bacharel em história pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre em história da arte e da cultura e doutora em história social da cultura pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas-SP (Unicamp) Material integrante do Ético Sistema de Ensino

1 Egito e Mesopotâmia: arte, religião e poder Sculpies/Shutterstock A evolução da vida do homem sobre o planeta dependeu, em grande parte, das transformações climáticas e geológicas que definiram as condições de vida e a ocupação dos espaços. Em paralelo, a fixação do homem em determinadas regiões e o aperfeiçoamento de suas habilidades intelectuais tornaram possíveis a organização de sociedades mais complexas e a configuração de verdadeiros impérios, mais conhecidos como as grandes civilizações do mundo antigo. 1 A monumentalidade dos antigos impérios Egito e Mesopotâmia são consideradas as primeiras grandes civilizações ou grandes impérios da humanidade. Esse fato se deve não tanto à expansão territorial desses impérios, mas, sobretudo, às conquistas culturais e materiais. Muito do que se conhece hoje a respeito dessas civilizações deve-se ao trabalho dos arqueólogos. Ruínas e restos de cultura material (armas, utensílios e objetos os mais diversos), bem como restos mortais, têm sido encontrados há mais de um século por pesquisadores e constituem os vestígios a partir dos quais podemos conhecer melhor a vida e a evolução daqueles povos. Sabemos que muita coisa já se perdeu, não só pela ação do tempo, mas, em muitos casos, pela ação dos homens. Saques realizados em pirâmides e templos egípcios, desde os tempos antigos, fizeram desaparecer boa parte do legado da civilização que ocupou o vale do rio Nilo há mais de 5 mil anos. Na Mesopotâmia são relativamente poucos os testemunhos da monumental arquitetura desenvolvida pelos povos que ocuparam a região entre os rios Tigre e Eufrates, no Oriente Médio, onde hoje se localiza o Iraque. Nessa região predominava a construção com adobe, que, como sabemos, não é um material muito resistente. Ainda assim, o que restou, somado às fontes deixadas pelos antigos egípcios e pelos povos mesopotâmicos, é suficiente para nos transmitir algum conhecimento das práticas e costumes daquelas civilizações. CURIOSIDADE A tumba de Tutancâmon é uma das mais famosas descobertas arqueológicas no Egito. O complexo funerário do faraó Tutancâmon, que pertenceu à XVIII dinastia do Novo Império e reinou entre 1336 e 1325 a.c., aproximadamente, foi encontrado graças ao trabalho persistente do arqueólogo inglês Howard Carter, que escavou a região do vale dos Reis por seis anos, até encontrar, em 1922, a tumba do faraó. Destaque para as peças em ouro maciço ou recobertas com folhas do metal, como a famosa máscara mortuária de Tutancâmon. Além do ouro, a máscara também ostenta detalhes em lápis-lazúli. Figura 1 Grandiosas e imponentes, as pirâmides egípcias deveriam mostrar todo o poder dos faraós. Figura 2 Máscara mortuária de Tutancâmon. Maugli/Shutterstock 2

Mesopotâmia, que quer dizer entre rios, e Egito foram reinos fluviais, cuja força e poder sempre estiveram associados ao papel dos rios e da riqueza que havia em torno deles. Os rios Nilo, Tigre e Eufrates determinavam as atividades, a economia e a cultura dos grupos que ocupavam a região ao seu redor. As cheias do rio Nilo garantiam a riqueza do solo para o plantio e uma colheita capaz de sustentar os faraós, a nobreza e o povo egípcio. Para a Mesopotâmia, além de provedores de riquezas, os rios Tigre e Eufrates representaram também a porta de entrada para os diferentes povos que se alternavam no controle da região, tornando-a um império marcado por renovadas iniciativas no sentido de desenvolver a civilização local e aumentar o poder dos impérios constituídos. Em ambos os locais, desenvolveu-se uma sociedade agrária, dependente de um governo forte o suficiente para sustentar o esforço tecnológico e econômico demandado pelas atividades de controle das águas e planejamento dos trabalhos agrícolas. Desse modo, faraós e reis desses impérios têm um significado fundamental para a compreensão dos hábitos e da cultura daquelas civilizações. O alcance desse poder traduz-se no caráter monumental das construções egípcias e mesopotâmicas complexos funerários, pirâmides, templos e conjuntos urbanísticos, bem como toda a riqueza contida em seus interiores, que espelhavam a importância atribuída aos faraós e reis, por vezes associados a divindades locais. De certa forma, assim como já destacamos para o período pré-histórico, a produção artística nessas sociedades provavelmente não nascia de uma consciência ou desejo estético de fazer arte, mas a grande motivação, tanto da arquitetura, quanto das fantásticas obras em pintura, escultura e ourivesaria, era de caráter sagrado e mágico, todas portadoras de forte caráter simbólico. Tal simbolismo marcaria, como veremos a seguir, não apenas a destinação das obras, mas também seus aspectos formais. A crença na imortalidade da alma levava os egípcios a apreciar a estabilidade e a permanência, o que fez com que o estilo por eles desenvolvido se caracterizasse pela obediência a regras fixas e rígidas, que permitiam pouca diversidade. Simbolicamente, essa arte rígida e imutável representava a estabilidade do próprio império. 2 Arte egípcia: poder e idealização Observação Associadas ao culto da imortalidade da alma e ao poder dos deuses que determinavam seus destinos, a arte e a arquitetura no Egito e na Mesopotâmia eram dedicadas à continuidade dessas crenças e, sobretudo, à sua eficácia. Para garantir, por exemplo, que o corpo do faraó pudesse novamente receber o sopro da vida e reiniciar sua existência após a morte, os artesãos e construtores egípcios decoravam o interior da tumba com cenas associadas à existência e posição social do morto e objetos usados por ele em vida, deixando-os à sua disposição na nova vida. Durante três milênios, sucederam-se no Egito mais de 30 dinastias, comandadas por poderosos monarcas os faraós, que possuíam poderes divinos. Como tudo o que movimentava a arte e a arquitetura no Egito Antigo estava ligado à continuidade da vida após a morte, aos poucos foi se definindo e afirmando um código de convenções figurativas que dirigia todos os trabalhos voltados à construção dos edifícios e sua ornamentação. A ideia de uma arte para a eternidade implicava a adoção de formas e modelos que pudessem ser reconhecidos em todos os tempos, não importando aos artistas egípcios buscar uma representação naturalista da realidade, mas uma representação idealizada, que fosse capaz de traduzir a ideia de que aquelas imagens não pertenciam a uma época específica, mas à eternidade. Por esse motivo, as figuras humanas, os objetos e animais são representados de modo que possamos reconhecer como típicas do estilo egípcio: cada parte da figura deve representar o que melhor a caracteriza. A opção de reproduzir a cabeça e os pés de perfil e o tronco de frente, por exemplo, obedece a essa intenção: esses são os melhores ângulos para que alguém possa reconhecer essas partes do corpo ou ter uma ideia precisa de como são. BrasPhoto/Shutterstock Figura 3 Sacerdote sentado à frente de uma mesa de oferendas, representado de acordo com os cânones da arte egípcia: rosto e membros (braços, pernas e pés) de perfil, olho e ombros de frente. Os objetos, alimentos e utensílios são apresentados de forma pouco naturalista, aparecendo dispostos na superfície do relevo como se estivessem arranjados sobre uma mesa, vistos de cima, numa composição que destaca claramente suas formas. 3

O lugar dos deuses José Ignácio Soto/Shutterstock Trappy76/Shutterstock Figura 4 As colossais estátuas dos faraós nas entradas dos templos traziam elementos que permitem identificar alguns dados a seu respeito, como o chapéu usado pelos soberanos da imagem, que era convencionalmente adotado para representar as dinastias que vieram após a unificação do Estado egípcio, com a junção do Alto e Baixo Egito. Ao fundo, podemos ver as gigantescas colunas papiriformes, um dos modelos empregados pelos arquitetos egípcios. Obelisco: bloco monolítico vertical, de formato quadrangular, que se afunila progressivamente e culmina em uma ponta de formato piramidal. A existência de edifícios dedicados às divindades oficiais egípcias está documentada desde o Antigo Império; no entanto, grande parte das construções egípcias, sobretudo os templos e complexos funerários, não foi resultado de apenas uma dinastia, mas estendeu-se por longos períodos, passando por remodelações e reconstruções. Entre os grandes templos dedicados aos deuses egípcios, destacam-se os complexos monumentais de Luxor e Karnak, onde eram adoradas as divindades locais e o deus protetor dos faraós, Amon-Rá. Localizam-se em Tebas e o início de sua construção data do Médio Império, ainda que quase nada reste desse período. Nesses locais celebravam-se as homenagens ao deus supremo dos egípcios, cerimônias que eram apenas em parte acompanhadas pelo povo, proibido de entrar no recinto sagrado. A entrada desses templos, cuja estrutura era retangular, apresentava duas grandes construções em forma de trapézio, à frente das quais eram colocadas gigantescas estátuas dos faraós e obeliscos. O caminho de acesso aos templos era protegido por esfinges esculturas com o rosto do monarca e corpo de animal, cuja força deveria afugentar os maus espíritos. A passagem para o interior da construção era feita através de uma extensa fileira de colunas, cujo formato lembrava alguns vegetais. Conforme se avançava para o interior, alcançavam-se outros ambientes: pátios abertos, ladeados por enormes colunas, salões e santuários internos, cujo acesso ia se tornando cada vez mais difícil, à medida que os ambientes iam se tornando mais sagrados. O espaço ia diminuindo o chão era elevado e o teto, rebaixado provavelmente para simbolizar a dificuldade de se passar do ambiente externo e terreno para o interno e sobrenatural. De certa forma, fazia-se também referência à passagem da vida para a vida após a morte. Figura 5 Avenida dos carneiros, no templo de Amon-Rá. As longas fileiras de esfinges eram normalmente colocadas no caminho dos templos, para afugentar os maus espíritos. Nos templos dedicados a divindades, era comum que as esfinges retratassem a figura do animal sagrado do titular do templo, como os carneiros de Amon-Rá. 4

A B C D E Figura 6 As colunas e os capitéis (parte superior das colunas) egípcios assemelhavam-se a formas vegetais, como podemos ver nesta imagem: feixes amarrados de cana de papiro (A), folhas de palmeira sobre um tronco liso (B), folhas de papiros e flores de lótus estilizadas (C), botões fechados de papiro (D), feixes amarrados de flores de lótus (E). Originalmente, essas colunas e capitéis eram parcialmente coloridos. A decoração desses templos tinha um aspecto colossal, pelas dimensões das colunas, em geral recobertas por relevos alusivos aos grandes feitos dos faraós, e das imensas fachadas, recobertas por relevos e pinturas impressionantes, que serviam para afirmar o poder dos faraós e de sua natureza divina. O lugar dos mortos O Egito foi, em todos os tempos, exaltado por sua arquitetura funerária. Como já ressaltamos, além da afirmação CURIOSIDADE do poder divino dos faraós, a civilização egípcia guiava-se pela crença na imortalidade da alma, levando-os a construir e ornamentar tumbas e complexos funerários dos mais diversos tipos e graus de complexidade. Além daqueles destinados aos faraós e seus familiares mais próximos, também a nobreza egípcia e alguns altos funcionários passaram a ocupar necrópoles especialmente construídas para eles, a partir da V dinastia do Antigo Império. A verdade, porém, é que, de acordo com tal crença, para garantir a existência eterna, era preciso investir muito para construir as moradas e dotá-las de todos os utensílios necessários a uma vida confortável e tranquila na eternidade, o que não era uma condição viável para todos os membros da hierárquica sociedade egípcia. De todo modo, moradas eternas era o termo empregado no Egito Antigo para definir os locais onde eram depositados os cadáveres de monarcas, nobres ou artesãos. Nessas moradas, o indivíduo ficava livre do caráter passageiro da vida terrena e passava a desfrutar de uma existência eterna, para a qual havia se preparado durante toda a vida. Dessa preparação faziam parte o projeto e a execução dos monumentos sepulcrais, inicialmente construídos com adobe, pouco restando, portanto, desses primeiros túmulos. A partir da III dinastia, o uso da pedra nas construções se difundiu, garantindo maior durabilidade a vários desses monumentos. O primeiro complexo em que a pedra foi unicamente empregada foi o conjunto funerário de Djoser, monarca da III dinastia. Nele está o único exemplar de pirâmide escalonada que perdurou, forma que se originou das mastabas e constitui o modelo a partir do qual os construtores aperfeiçoaram a forma das pirâmides propriamente ditas, que se tornariam a marca registrada da arquitetura egípcia. É muito raro encontrarmos identificações dos artistas no Egito Antigo, apenas alguns arquitetos e escultores tiveram seus nomes recuperados e foram reconhecidos em vida, como foi o caso de Imhotep. Desenhistas, pintores, escultores, arquitetos e outras categorias de artesãos dividiam as etapas dos trabalhos de construção e ornamentação dos templos e complexos funerários, que realizavam para atender às encomendas de reis, divindades (através dos sacerdotes e mesmo dos reis) e altos funcionários do governo. Como, em geral, sempre havia muitas encomendas, esses artistas parecem ter tido uma vida razoável, conscientes de seus direitos. Consta, inclusive, que os artesãos envolvidos na construção do templo de Ramsés III organizaram uma greve por causa do atraso no pagamento de seus salários, que eram pagos em espécies (alimentos, vestuário etc.). Mastaba: forma antiga de túmulo, construção em forma de pirâmide achatada, larga e baixa, de base retangular. A origem da palavra é árabe e significa banco. 5

A pirâmide de Djoser foi projetada pelo arquiteto Imhotep, por volta de 2600 a.c., e consiste em uma sobreposição de mastabas, em tamanho decrescente, até atingir a forma de uma pirâmide em degraus. O complexo de Djoser, porém, era muito amplo e incluía um recinto sagrado, um pavilhão real, dois palácios, depósitos e locais de serviços para os ritos de mumificação e sepultamento. Alguns restos de muralhas e recintos desse complexo demonstram a riqueza plástica do conjunto, no qual Imhotep transpôs para a pedra modelos da arquitetura em adobe, extremamente criativa e rica em efeitos. Da pirâmide escalonada, a evolução das técnicas construtivas levou à criação das pirâmides sólidas, de base quadrada. Os degraus foram preenchidos até atingirem a forma piramidal canônica e algumas delas, como as pirâmides do complexo de Gizé, recebiam ao final uma cobertura brilhante, transformando-as em marcos espaciais no meio do deserto. Esse conjunto de pirâmides, talvez o complexo arquitetônico mais famoso do Antigo Egito, foi erguido pelos reis da IV dinastia e compreende a pirâmide de Quéops, a maior de todo o país, com 146 metros de altura, a de Quéfren e a de Miquerinos. Por trás da pirâmide de Quéops foi construída uma necrópole civil, onde o faraó permitiu que fossem erguidas mastabas para seus colaboradores. No interior desses imensos túmulos piramidais desenhavam-se corredores ascendentes e descendentes, conduzindo a câmaras muito profundas e escondidas. O objetivo era, obviamente, proteger a câmara mortuária, onde seria depositado o sarcófago do faraó e seus objetos. Mesmo com todo esse cuidado, não foi possível evitar os saques aos túmulos no interior das pirâmides, o que fez surgir, no Novo Império, uma nova tendência na arquitetura funerária: em vez das pirâmides, que eram um marco destacado na paisagem e, consequentemente, mais à vista dos saqueadores, os reis passaram a construir seus sepulcros em locais mais afastados e de mais fácil vigilância os vales da margem ocidental do rio Nilo, na região de Tebas, capital do país. Hoje conhecidos como vale dos Reis e vale das Rainhas, eram chamados na época, respectivamente, lugar da verdade e lugar da beleza e abrigaram sepulturas escavadas na rocha, igualmente recortada por corredores e galerias ricamente decoradas com pinturas parietais e baixos-relevos, com pequenas aberturas no lado de fora. A ideia de esconder os túmulos sob as rochas não impediu, porém, que vaidosos monarcas mandassem erguer para si templos funerários grandiosos, em locais bem visíveis. Era comum, naquela época, que os locais de culto aos faraós fossem erguidos separadamente dos lugares de sepultamento e, por isso, enquanto protegiam suas moradas eternas sob as rochas, os governantes deixaram em evidência os locais em que o culto a eles próprios estava diretamente associado ao culto às divindades maiores do povo egípcio. Figura 7 A pirâmide escalonada de Djoser fazia parte de um complexo maior, do qual sobraram apenas algumas ruínas. As fachadas ainda visíveis da construção demonstram os efeitos plásticos obtidos com o uso da pedra, com pilastras incorporadas à parede, movimentando a fachada e criando efeitos de sombra e luz. José Ignácio Soto/Shutterstock 6

Regras e convenções da arte egípcia Vimos que a arte egípcia tinha uma função específica e seu caráter era sagrado. Arquitetura, pintura, escultura e ourivesaria deveriam atender à glória dos deuses e à magia dos rituais ligados à imortalidade da alma. O objetivo era garantir que tudo fosse perfeito na nova morada do morto. Dessa forma, diante das intenções evidentes de toda a arte egípcia, é fácil compreender que as regras e convenções estabelecidas por eles para a execução de pinturas e de esculturas também estejam relacionadas com esses objetivos e com a natureza simbólica de sua arte. A arte oficial egípcia afastou-se intencionalmente do naturalismo, buscando alcançar a essência das coisas, e não sua aparência transitória. Criou e desenvolveu um sistema próprio de representação que a distancia de grande parte da arte ocidental desde a época grega, pois não considera a arte como imitação da realidade, mas como instrumento mágico e sagrado. Assim, a rigidez das figuras, sua posição frontal e estática, bem como a presença de convenções figurativas reconhecidas em todo o império, deveriam assegurar a eternidade daquelas formas. Essas convenções figurativas remetem a vários aspectos, como a fixação de elementos de figurino, tal como peças e adornos que caracterizavam a figura dos faraós a nemes, espécie de cobertura para a cabeça, de linho listrado em azul, com duas tiras que descem sobre os ombros e o peito e uma cauda de tecido na nuca; as diversas coroas que ajudavam a identificar os soberanos; figuras animais também relacionadas à caracterização dos monarcas, entre outros. Outro aspecto dessas convenções reside na maneira de representar as figuras e objetos, já comentada anteriormente: captar suas formas eternas e evitar as particularidades. Também por isso, grande parte das representações dos faraós não pode ser considerada retrato, pois geralmente não há semelhança física com a personagem; são figuras idealizadas, atemporais. Figura 8 Esta imagem, excepcionalmente executada em madeira, é um exemplar do naturalismo que caracterizou a produção artística egípcia em alguns momentos. No final do Antigo Império, a nova clientela que emerge entre os altos funcionários do Estado será assim representada pelos artistas da época, diferentemente da forma idealizada aplicada sobre as figuras dos soberanos. As feições e forma física do retratado são bem realistas e o movimento da figura é sugerido pela posição das pernas, padrão que seria amplamente usado na escultura grega. dea/a. jemolo/getty images CURIOSIDADE Uma exceção naturalista na arte oficial egípcia ocorreu na produção do reinado de Amenófis IV, também chamado Akhenaton, monarca da XVIII dinastia. Este monarca, que ousou romper com uma tradição milenar, abolindo o culto a vários deuses e impondo a adoração exclusiva a Aton, o disco solar, no lugar de Amon-Rá, também promoveu mudanças radicais na arte. A pintura e o relevo desse período trazem características naturalistas, até mesmo exageradas nas fortes expressões das figuras, além de maior liberdade iconográfica. Ainda influenciada pelas alterações operadas por Amenófis IV, a produção artística no reinado de Tutancâmon apresenta maior naturalismo na representação das figuras, que parecem ter se libertado da rigidez extrema dos períodos anteriores. A ausência de diferenciação de tamanho e do tom da pele entre o soberano e sua mulher também são características das mudanças ocorridas no período. H.-P. Haack /Museu Egípcio, Cairo (Egito) 7

3 Arte da Mesopotâmia: entre a história e a religião Diferentemente do que aconteceu na fase antiga da existência do Egito, onde o isolamento da região permitiu a constituição de um Estado forte e de um sistema teológico uniforme e permanente, a região conhecida como Mesopotâmia teve outro destino. Ocupando a parte sul da confluência dos rios Tigre e Eufrates, essa área esteve constantemente submetida às invasões que trouxeram uma instabilidade política e administrativa considerável, durante quase quatro milênios. No que diz respeito à arte, porém, parece ter havido certa continuidade dos padrões originalmente concebidos pelos sumérios, fundadores da civilização mesopotâmica, como uma maneira de legitimar a presença dos novos dominadores, apoiados Observação Vários povos se sucederam no controle da Mesopotâmia: os sumérios, que se organizaram em cidades-estado; os acádios, que estabeleceram uma forma centralizada de governo; os amoritas, que fundaram o Primeiro Império Babilônico; o Império Assírio, que estabeleceu o primeiro exército organizado da história; os caldeus, que deram origem ao Segundo Império Babilônico ou Império Caldeu, seguido da invasão e domínio persa. Arte, religião e poder na força da tradição das representações já instituídas. Por volta de 3500 a.c., os sumérios, vindos da Pérsia, instalaram-se na região, inventaram a escrita cuneiforme e organizaram uma administração centrada nos templos. Os deuses, soberanos, eram representados pelos príncipes-sacerdotes, que não eram considerados descendentes dos deuses nem eram adorados como os soberanos egípcios. Na Mesopotâmia, cultuar os mortos não era uma preocupação da arte e da arquitetura, como era no Egito. Com a sucessão de povos no comando da região, também os deuses soberanos se sucediam, impedindo que se constituísse um império mesopotâmico unificado. No decorrer das ocupações da região por diferentes povos, o poder transformador dos homens dirigia os rumos da história, muito mais do que no Egito, se formos pensar na importância absoluta que a religião possuía para essa civilização. Os soberanos da Mesopotâmia investiram na organização política, administrativa e jurídica do império, e isso resultou em uma relação diferente da sociedade com a religião. Essa característica da civilização mesopotâmica se reflete diretamente na maneira como conceberam a arte e a arquitetura. Desde o início da ocupação da Mesopotâmia, desenvolveu-se uma arquitetura voltada para a construção de templos sagrados. Esses complexos incluíam um pátio e um santuário e, próximos a eles, muitas vezes se erguiam os zigurates, torres altas e escalonadas com acesso por escadarias laterais. O acesso ao topo dos zigurates, porém, era reservado aos príncipes-sacerdotes, onde estes se encontrariam com as divindades. Sendo assim, esses santuários eram erguidos em plano mais elevado que as moradias, para chegarem mais próximo dos deuses. Esses locais eram também usados para observar o céu e os astros. Figura 9 Zigurate em Ur, na Mesopotâmia. Essas pirâmides representavam o encontro do céu com a Terra. Hardnfast 8

Estátuas de mármore, representando os deuses e os fiéis, mostram a hierarquia que regulava o contato da população com as divindades as maiores representam deuses e divindades e as menores, sacerdotes e fiéis. As imagens são estilizadas, concebidas a partir de blocos cilíndricos, característica da estatuária mesopotâmica. Em sintonia com o estilo egípcio, essas estátuas se caracterizam pela frontalidade e imobilidade, ainda que possuam um elemento muito particular: a presença de grandes olhos, mais evidentes nas figuras divinas. Acredita-se que esse traço das imagens esteja associado à concepção religiosa daquele povo, como se os olhos arregalados estivessem vislumbrando outra realidade, além da materialidade presente. Igualmente envolvida numa trama que confunde os níveis de realidade, está a famosa torre de Babel. Citada na Bíblia e incontáveis vezes representada na arte, a torre foi um zigurate erguido na cidade da Babilônia, célebre por seus luxuosos palácios, pelos jardins suspensos e pela torre de Babel. A cidade era cercada por altíssimas muralhas de tijolos e atravessada por uma vasta avenida, a Rua da Procissão, com 22 m de largura e pavimentada com calcário branco e mármore rosa. A Porta de Ishtar era a entrada da cidade, cuja construção traduz o requinte da arte mesopotâmica e é, talvez, o mais significativo resquício da grandeza e do luxo babilônicos. Sua beleza deve-se, Arte, urbanismo e propaganda em grande parte, ao emprego de uma técnica desenvolvida pelos mesopotâmios: azulejos esmaltados coloridos usados como cobertura ornamental. A porta é revestida por esses ladrilhos cozidos e esmaltados, de azul intenso, destacando-se figuras em relevo de dragões, auroques (espécie bovina, extinta no século XVII) e leões, todos também esmaltados, de notável delicadeza. Figura 10 Porta de Ishtar, conservada no Museu Nacional de Berlim. A porta original está no museu alemão e uma réplica foi instalada no local de origem. É extraordinário o impacto dessa grande peça, exemplo da alta qualidade técnica e artística alcançada pela sociedade mesopotâmica. Depois de um primeiro período em que os sumérios estabeleceram as bases de sua civilização, os acadianos e assírios controlaram a região, dando início a uma fase de organização de conjuntos urbanísticos em volta dos templos. Pela primeira vez, os governos de uma sociedade antiga pensaram na organização das pessoas e dos espaços, regularizando o trabalho e as práticas coletivas. Alexandre Lung Figura 11 A capital erguida a mando do rei Sargão II ocupava uma área de 2,59 km 2, sendo que uma significativa parte era ocupada pelo complexo palaciano. Note-se, na parte central, ao fundo, do lado esquerdo, um zigurate, que, originalmente, possuía sete andares, alcançando 45 metros. Desse edifício restaram três andares e meio, cada um pintado de modo diferente. 9

As construções eram feitas de adobe, produzido com a argila abundante na região; assim, pouco dessa primeira arquitetura pode ser encontrado nos dias de hoje, mas há vestígios importantes da riqueza e sofisticação dos edifícios e muralhas desses conjuntos urbanísticos, demonstrando que a arquitetura era já vista como símbolo e manifestação de poder. Restos da cidadela do rei Sargão II permitiram a reconstituição gráfica desse complexo construído em Khorsabad, entre 742 e 706 a.c. O complexo era dominado pelo palácio do soberano, com diversos aposentos ricamente ornamentados. Na sala do trono havia relevos entalhados em alabastro, de tamanho maior que o natural, apresentando cenas do rei em combate, triunfante sobre os inimigos mortos. Esse é um traço bastante referenciado na iconografia mesopotâmica: as cenas violentas, nas quais os soberanos sempre triunfam sobre seus opositores. Outros palácios reais também eram adornados com relevos pintados, característica da arte na região. Os temas representados nesses conjuntos exaltavam a figura do soberano e seus feitos militares, além de cenas de caça, onde a coragem do rei era constantemente exaltada. Pode-se perceber que as imagens na Mesopotâmia agregaram à função mágica e simbólica da arte a função de fazer propaganda de seus soberanos e de seus domínios. Na entrada desses palácios, geralmente havia grandes estátuas representando figuras imaginárias, como touros alados com rosto humano. Tal era a força expressiva dessas figuras, que parecia estarem ali para impor respeito e medo a quem quisesse entrar no recinto real, sem que sua presença fosse desejada. O investimento em palácios reais e o emprego da arte para a propaganda oficial seguiram na região, mesmo depois da invasão da Mesopotâmia pelos persas, em 539 a.c. A formação do Império Persa, a partir desse período, marca o fim dos antigos impérios egípcio e mesopotâmico, sob o ponto de vista político e administrativo. Cultural e artisticamente falando, porém, elementos dessas antigas civilizações foram incorporados às práticas artísticas e arquitetônicas persas, como no caso do palácio de Persépolis, iniciado no reinado de Dario I (522-486 a.c.) e concluído apenas em 460 a.c. Os últimos séculos dessa era da história trazem os desdobramentos dos contatos entre as civilizações que, nos milênios anteriores, haviam se constituído na região do Oriente Médio e, mais recentemente, nas imediações do mar Egeu e do Mediterrâneo oriental. Figura 12 (A) Monumento do rei Naram-Sim. Nesse relevo, típico da escolha temática entre os mesopotâmios, a vitória do soberano acadiano é festejada de forma inclemente: o rei espezinha o corpo do inimigo, enquanto outros opositores clamam por misericórdia. O rei é caracterizado como deus, com chifres de touro, é proporcionalmente maior do que todas as outras figuras e está acima delas, próximo dos deuses, que surgem no alto, como sóis. (B) Touro alado, originário do palácio de Sargão II, em Korshabad. Esculturas monumentais de touros alados com rostos humanos guardavam as salas do trono e as portas dos palácios reais. Tais esculturas faziam parte dos programas de ornamentação escultural típicos da arte mesopotâmica palaciana. Observe as cinco pernas do animal que permitiam uma visão completa da imagem, tanto de lado quanto de frente. B A Musée Du Louvre, Paris (França) British Museum, Londres (Reino Unido) 10

ATIVIDADES 1 O que as pinturas e relevos encontrados nas tumbas nos dizem sobre os artistas egípcios? O que era importante para eles? a) sarcófagos inteiramente decorados em madeira. b) esfinges simbolizando o Sol e a Lua. c) pirâmides para a conservação dos restos dos faraós. d) túmulos acessíveis aos sacerdotes e ao povo. e) templos para a morada dos deuses. 2 Por que o conhecimento da arte da Mesopotâmia é inferior ao da arte egípcia? Exercícios complementares 3 (Vunesp) A religião egípcia, orientadora das instituições, foi também a grande inspiradora da arte. Em Karnak e Luxor subsistem obras, com linhas sólidas e grandiosas, a saber: Vá em frente 4 Relacione as duas colunas, identificando a relação entre os termos e comentários: a) Pirâmide escalonada b) Torre de Babel c) Construções em adobe d) Akhenaton e) Sargão II ( ) Técnica construtiva típica da Mesopotâmia. ( ) Faraó que instituiu a crença em apenas um deus. ( ) Formato do túmulo do faraó Djoser. ( ) Soberano da Mesopotâmia, dono de um enorme complexo palaciano. ( ) Famoso zigurate erguido na Mesopotâmia. 5 (UFPE) Em relação à arte do Egito Antigo, assinale a alternativa correta. a) Visava à valorização individual do artista. b) Manifestava as ideias estéticas com representações da natureza, evitando a representação da figura humana. c) Estava destinada à glorificação do faraó e à representação da vida além-túmulo. d) Aproveitava os hieróglifos como ornamentação. e) Era uma arte abstrata de difícil compreensão. Leia MACAULAY, David. Construção de uma pirâmide. São Paulo: Martins Fontes, 1988. Neste volume, o autor apresenta, em detalhes e de forma bem didática, as etapas do trabalho de construção de uma pirâmide. Complementa o texto com desenhos das diversas fases dessa atividade. ESPAÑOL, Francesca. Saber ver a arte egípcia. São Paulo: Martins Fontes, 1992. Os volumes desta série estão dedicados a apresentar em detalhes, ainda que de forma simples, aspectos da arte e arquitetura das grandes civilizações e períodos da história da arte. Nesse volume, a autora resume a história do Egito Antigo e os aspectos de sua arte e arquitetura. EZQUERRA, Jaime Alvar. Saber ver a arte mesopotâmica e persa. São Paulo: Martins Fontes, 1992. Detalhes a respeito da organização histórica e das atividades artísticas e arquitetônicas nos impérios da Mesopotâmia e da Pérsia podem ser encontrados de forma muito agradável neste pequeno volume. Assista Pirâmides do Egito. Segredos revelados. National Geographic. PlayArte Home Video. A maldição de Tutancâmon. Discovery Channel. PlayArte Home Video. Estas indicações são de documentários produzidos por canais de televisão com interessantes aspectos da vida e da cultura egípcias. Destacam-se pelo rico material visual que disponibilizam para os espectadores. 11