CAPÍTULO 3 INSTALAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS

Documentos relacionados
INSTALAÇÃO DE EQUIPAMENTOS

INSTRUMENTOS TOPOGRÁFICOS (PLANIMETRIA)

Existe um desvio entre o azimute verdadeiro e o azimute magnético.

NOMENCLATURA DO TEODOLITO

INSTRUMENTOS DE TOPOGRAFIA

CONTROLE DIMENSIONAL TOPOGRAFIA VERIFICAÇÃO DE ESTAÇÃO TOTAL / TEODOLITO PR-093

UNICAP Universidade Católica de Pernambuco Laboratório de Topografia da UNICAP LABTOP Topografia 1. Prática. Instrumentos Topográficos

Apostila de aulas práticas de topografia

Modelo de estação total Leica TS02

Modelo de estação total Leica TS02

E-QP-ECD-096 REV. A 15/Abr/2008

FUCAMP Fundação Carmelitana Mário Palmério. Topografia Básica. Aula 03 Goniologia (Medições de ângulos, azimutes e rumos) Profº Weldon Martins

CONTROLE DIMENSIONAL MONTAGEM DE MÁQUINAS ALINHAMENTO DE EIXOS DE MÁQUINAS COM RELÓGIO COMPARADOR

1 Objetivos. 2 Pré-requisitos

Topografia NIVELAMENTO GEOMÉTRICO

NIVELAMENTO TOPOGRÁFICO. Douglas Luiz Grando¹, Valdemir Land², Laudir Rafael Bressler³

Aula 07 Medidas Indiretas Medidas eletrônicas

Professor:: Mário Paulo

ENGENHARIA CIVIL CURSO: TOPOGRAFIA PROF.: RIDECI FARIAS LEVANTAMENTO DE NIVELAMENTO

1. LEVANTAMENTO EM CAMPO

Topografia 1. Métodos de Levantamento Planimétrico. Prof.ª MSc. Antonia Fabiana Marques Almeida Outubro/2013

CONTROLE DIMENSIONAL - CALDERARIA NÓS DE ESTRUTURAS TUBULARES APÓS SOLDAGEM

Aparelhos topográficos (Teodolitos e nível); Nível de mangueira/nível a laser; Régua; Fio de prumo e trena; Cavaletes; Tabeira/gabarito/tábua corrida.

1. INTRODUÇÃO 2. CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS

TÉCNICAS CONSTRUTIVAS

O objetivo da Topografia é, representar graficamente uma porção limitada do terreno, através das etapas:

MATERIAL DE APOIO TOPOGRAFIA II ALTIMETRIA NIVELAMENTO GEOMÉTRICO

Componentes do kit 04 FOLGAS DO VIDRO

Universidade Federal do Ceará Centro de Ciências Agrárias Departamento de Engenharia Agrícola Disciplina: Topografia Básica Facilitadores: Nonato,

CYGNUS KS-102.

TOPOGRAFIA: Erros e correções

NIVELAMENTO GEOMÉTRICO

Operação Básica da Estação TC 407 Leica.

Manual de Instalação para Antena de 1,20m

Laboratório de Física

GONIÓMETRO BÚSSOLA 1. GONIÓMETRO BÚSSOLA

MANUAL DE INSTRUÇÕES

NIVELAMENTO TAQUEOMÉTRICO

Universidade do Estado de Santa Catarina Departamento de Engenharia Civil TOPOGRAFIA I. Profa. Adriana Goulart dos Santos

Componentes do kit 03 FOLGAS DO VIDRO

TECNOLOGIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL 1

PRÁTICAS TOPOGRÁFICAS

TRABALHOS PRELIMINARES

Introdução É com grande satisfação que queremos parabenizá-lo pela excelente escolha que acaba de fazer, pois você adquiriu um produto fabricado com a

E-QP-ECD-073 REV. B 01/Abr/ PROCEDIMENTO DE CONTROLE DIMENSIONAL - NÓS DE ESTRUTURAS TUBULARES APÓS SOLDAGEM

UNICAP Universidade Católica de Pernambuco Laboratório de Topografia de UNICAP LABTOP Topografia 1. Altimetria. Aula 2

APOSTILA DE TOPOGRAFIA

MÉTODOS PARA EXECUÇÃO DE LEVANTAMENTOS TOPOGRÁFICOS ALTIMÉTRICOS. (PROF. ENOQUE)


Manual de Manutenção. Cabeçote Inferior Robofil 290P

UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA FACULDADE DE CIÊNCIAS INTEGRADAS DO PONTAL

Alinhamento de Máquinas Rotativas. Introdução


Manual do Usuário ALF-3000/GII

Laser LAX 50. Manual de instruções

Componentes do kit 05 FOLGAS DO VIDRO

Contracer L-19. Contracer CV-2100 Série 218 Equipamento para Medição de Contorno ESPECIFICAÇÕES


Blumenau Engenharia Civil

TOPOGRAFIA PLANIMETRIA: AZIMUTES E DISTÂNCIAS. Prof. Dr. Daniel Caetano

Departamento de Engenharia Civil Nivelamento

INSTALAÇÃO LINHA NYLOFOR

PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO Microscópios Verticais do LAMEB: Cuidados Gerais e Focalização das Lâminas

ATENÇÃO LEIA ATENTAMENTE ESTE MANUAL INSTALAÇÃO OPERAÇÃO

TOPOGRAFIA PLANIMETRIA: AZIMUTES E DISTÂNCIAS. Prof. Dr. Daniel Caetano

TECNOLOGIA DAS CONSTRUÇÕES AULA 06 LOCAÇÃO DA OBRA

TOPOGRAFIA PLANIMETRIA: AZIMUTES E DISTÂNCIAS. Prof. Dr. Daniel Caetano

Importância. Um projeto de locação de precisão é essencial para a qualidade do produto final, tendo importância nas etapas de:

Instrução de Trabalho

WD-010 WD-011 WD-012 WD-032 WD-027

A escolha mais inteligente para seu projeto.

Preparativos Antes da Montagem

Posicionamento considerando a Terra Plana. Prof. Carlos Aurélio Nadal

TOPOGRAFIA ALTIMETRIA: CÁLCULO DE COTAS

WD-030 EX-714L WD-020 WD-019 U-491 BX-102 EX-398 EX-713L EX-714L BX-052 WD-027 WD-032

A implantação é a materialização de pontos de projetos no terreno.

MANUAL DE INSTRUÇÕES. Grua SMC-7000

Posicionamento considerando a Terra Plana. Prof. Carlos Aurélio Nadal

TOPOGRAFIA ALTIMETRIA: CÁLCULO DE COTAS

FIXO FIXO FIXO FIXO FIXO

Componentes do kit 07

TM-10 MANUAL DE INSTRUÇÕES TM-10

CUNHA PUXADOR ESCOVINHA 5X5

Manual de Operação w w w. a u t e n t i c. c o m. b r v e n d a a u t e n t i c. c o m. b r

MANUAL EM PORTUGUÊS. Regulagem do Coldre para a sua arma

Componentes do kit 06 FOLGAS DO VIDRO

Transcrição:

19 CAPÍTULO 3 INSTALAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS 3.1. INTRODUÇÃO Diversos procedimentos de campo em Topografia são realizados com o auxílio de equipamentos como estações totais e teodolitos. Para que estes equipamentos possam ser utilizados, os mesmos devem estar corretamente estacionados sobre um determinado ponto. Estacionar um equipamento significa que o mesmo deverá estar nivelado e centrado sobre o ponto topográfico. As medições somente poderão iniciar após estas condições serem verificadas. É muito comum diferentes profissionais terem a sua forma própria de estacionar o equipamento, porém, seguindo algumas regras simples, este procedimento pode ser efetuado de forma rápida e precisa. Este roteiro não visa normatizar ou interferir no seu método de instalação do instrumento sobre o ponto topográfico, mas sim de auxiliá-lo numa seqüência lógica para evitar que se perca tempo executando ações que podem facilmente serem executadas num número minimizado ou apenas para facilitar as ações do processo de estacionar equipamentos topográficos com prumo ótico.

20 3.2. INSTALAÇÃO DO EQUIPAMENTO O exemplo a seguir demonstra os procedimentos para o estacionamento de equipamentos que possuam prumos óticos ou laser. 3.2.1. Instalando o tripé Para estacionar o equipamento de medida sobre um determinado ponto topográfico, o primeiro passo é instalar o tripé sobre o ponto. Um ponto topográfico pode ser materializado de diversas maneiras, como por piquetes, pregos ou chapas metálicas, entre outros. A figura 3.1 ilustra um exemplo de ponto materializado através de uma chapa metálica engastada em um marco de concreto de forma tronco de pirâmide. Figura 3.1 Marco de concreto Na chapa metálica será encontrada uma marca (figura 3.2), que representa o ponto topográfico. Teoricamente, após o equipamento estar devidamente calado e centrado sobre o ponto, o prolongamento do eixo principal do equipamento passará por esta marcação sobre a chapa.

21 Figura 3.2 Chapa metálica com a indicação do ponto topográfico O tripé possui parafusos ou travas que permitem o ajuste das alturas das pernas (figura 3.3). Figura 3.3 Movimento de extensão das pernas do tripé Inicialmente o tripé deve ser aberto e posicionado sobre o ponto. Deve-se procurar deixar a base do tripé numa altura que posteriormente, com a instalação do instrumento de medida, o observador fique em uma posição confortável para manuseio e leitura do equipamento. Dois pontos devem ser observados nesta etapa, para facilitar a posterior instalação do equipamento: I. a base do tripé deve estar o mais horizontal possível (figura 3.4.a);

22 II. através do orifício existente na base do tripé deve-se enxergar o ponto topográfico (figura 3.4.b). Figura 3.4 Cuidados a serem seguidos na instalação do tripé o tripé. Terminada esta etapa o equipamento já pode ser colocado sobre 3.2.2. Retirando o instrumento da caixa item 2.2.4). O mesmo deve ser retirado com cuidado do seu estojo (conforme 3.2.3. Fixando o instrumento ao tripé Após posicionado sobre a base do tripé, o equipamento deve ser fixo (conforme item 2.2.5). 3.2.4. Centragem do equipamento Após o equipamento estar fixo sobre o tripé é necessário realizar a centragem do mesmo. Centrar um equipamento sobre um ponto significa que, uma vez nivelado, o prolongamento do seu eixo vertical (também chamado principal) está passando exatamente sobre o ponto (figura 3.5). Para fins práticos, este eixo é materializado pelo fio de prumo, prumo ótico ou prumo laser.

23 Figura 3.5 Eixo principal do equipamento passando pelo ponto Para centragem do equipamento, proceder da seguinte maneira: I. inicialmente, posicione a marca central do prumo laser (para prumos óticos não se deve esquecer de realizar a focalização e centrar os retículos sobre o ponto) sobre o ponto topográfico utilizando duas pernas do tripé; II. quando a marca estiver perfeitamente sobre o ponto topográfico, crave o tripé no solo; III. com o auxílio dos parafusos calantes, posiciona-se o prumo laser sobre o ponto (figura 3.6).

24 Figura 3.6 Posicionando o prumo sobre o ponto 3.2.5. Nivelamento do equipamento Nivelar o equipamento é um dos procedimentos fundamentais antes da realização de qualquer medição. O nivelamento pode ser dividido em duas etapas, uma inicial ou grosseira, utilizando-se o nível esférico, que em alguns equipamentos está associado à base dos mesmos, e a outra de precisão ou "fina", utilizando-se níveis tubulares, ou mais recentemente, níveis digitais (figura 3.7). Figura 3.7 Níveis esférico, tabular e digital I. Nivelamento inicial: O nivelamento grosseiro é realizado utilizando o nível esférico, este nivelamento deve ser feito da seguinte maneira:

25 i. prestar muita atenção na direção formada pela bolha e o círculo (figura 3.8). Esta direção irá definir com qual perna você deverá subir ou abaixar a base do tripé; Figura 3.8 Vista superior da bolha circular ii. com o movimento de extensão das pernas do tripé (figura 3.9), observase o deslocamento da bolha no nível esférico; Figura 3.9 Ajustando o nível de bolha utilizando os movimentos de extensão do tripé iii. realiza-se a calagem do mesmo (figura 3.10).

26 Figura 3.10 Calagem da bolha do nível esférico Ao terminar este procedimento, verifica-se a posição do prumo. Se o mesmo não está sobre o ponto, solta-se o parafuso de fixação do equipamento e desloca-se o mesmo com cuidado até que o prumo esteja coincidindo com o ponto. Deve-se tomar o cuidado de não rotacionar o equipamento durante este procedimento, realizando somente uma translação do mesmo. Feito isto, deve-se verificar se o nível esférico está calado e caso isto não seja verificado, realiza-se novamente o nivelamento grosseiro. Este procedimento deve ser repetido até que o equipamento esteja perfeitamente centrado e o nível esférico calado. II. Nivelamento de precisão: O nivelamento "fino" ou de precisão é realizado com auxílio dos parafusos calantes e níveis tubulares ou digitais, para iniciar o nivelamento da bolha tabular deve-se: i. alinhar o nível tubular a dois dos parafusos calantes (figura 3.11);

27 Figura 3.11 Nível alinhado a dois calantes ii. atuando nestes dois parafusos alinhados ao nível tubular, faz-se com que a bolha se desloque até a posição central do nível. Vale lembrar que os parafusos devem ser girados em sentidos opostos, a fim de calar a bolha do nível (figura 3.12); Figura 3.12 Movimentação dos dois calantes ao mesmo tempo, em sentidos opostos iii. após a bolha estar calada, gira-se o equipamento a 90º, de forma que o nível tubular esteja agora ortogonal à linha definida anteriormente (figura 3.13);

28 Figura 3.13 Alinhamento do nível ortogonalmente à linha inicial iv. atuando-se somente no parafuso que está alinhado com o nível (figura 3.14), realiza-se a calagem da bolha. Figura 3.14 Calagem da bolha atuando no parafuso ortogonal a linha inicial Repete-se o procedimento até que, ao girar o equipamento, este esteja sempre calado em qualquer posição. Caso isto não ocorra, deve-se verificar a condição de verticalidade do eixo principal e se necessário, retificar o equipamento. Depois de feito, verifique se a marca central do prumo ótico saiu do ponto. Caso tenha saído afrouxe o instrumento do tripé e posicione novamente a marca sobre o ponto topográfico. Então, deve-se verificar se o instrumento está calado e caso isto não seja verificado, realiza-se novamente o nivelamento fino. Este

29 procedimento deve ser repetido até que o equipamento esteja perfeitamente calado e centrado. Ao final desta etapa, o equipamento estará pronto para a realização das medições. em: As etapas para instalação do equipamento podem ser resumidas 1. Posicionar o tripé sobre o ponto tomando o cuidado de deixar o prato o mais horizontal possível sendo possível enxergar o ponto através do orifício existente na base do tripé; 2. Fixar o equipamento sobre o tripé; 3. Com o auxílio dos parafusos calantes, posicionar o prumo sobre o ponto; 4. Nivelar a bolha esférica com o auxílio do movimento de extensão das pernas do tripé; 5. Realizar o nivelamento fino utilizando o nível tubular ou digital; 6. Verificar se o prumo sai do ponto. Caso isto ocorra, soltar o equipamento e deslocar o mesmo até que o prumo esteja posicionado sobre o ponto; 7. Repetir os dois últimos procedimentos até que o equipamento esteja perfeitamente nivelado e centrado.