Medidas de campos magnéticos

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INSTITUTO DE FISICA- UFBa Fev. 22 DEPARTAMENTO DE FÍSICA DO ESTADO SÓLIDO ESTRUTURA DA MATERIA I (FIS 11) Roteiro elaborado por Newton Oliveira e Iuri Pepe (Modificado em março de 23 por Ossamu Nakamura) Medidas de campos magnéticos Objetivo do experimento: A finalidade do experimento é investigar o campo magnético entre as peças polares de um eletroimã, como função da corrente magnetizante e também função da distância ao eixo. Material: 1. Eletroimã (I max 1.5 A), com peças polares cilíndricas. 2. Fonte de alimentação CENCO 5 V DC, 5 A. 3. Multiteste Minipa ET-28, - 2 A, DC (medida da corrente do imã). 4. Multiteste Minipa ET-28, - 4mA, DC (medida da corrente da indutância mútua padrão). 5. Fonte de tensão ajustável SME. 6. Chave inversora (Relê acionado por togle flip-flop ). 7. Indutância mútua padrão. 8. Galvanômetro balístico WPA EDSPOT. 9. Bobina de prova, com N espiras. 1. Resistência de proteção TEORIA DA MEDIDA A medida da indução magnética B, que abordaremos a seguir, está baseada na lei de Faraday e nas propriedades de integração de carga de um galvanômetro do tipo balístico. Consideremos uma bobina com um número de espiras N, conhecidas e cuja área de uma espira é S. O fluxo Φ, do vetor indução magnética, através desta bobina é

2 dado por: Φ = B N S cos ϕ, onde B é a indução magnética ( em Wb/m 2 ), ϕ é o ângulo entre as linhas de indução e o eixo da bobina. Ver Fig1. ϕ B Fig. 1 Suponhamos que a bobina esteja imersa num campo de indução magnética. Quando desligamos esse campo de indução magnética num tempo finito ou retiramos a bobina desse campo, o fluxo decresce do valor inicial Φ até zero. A medida em que o d Φ( t) fluxo varia no tempo, aparece uma força eletromotriz induzida na bobina ε =. dt Se os terminais da bobina estão ligados a um circuito fechado com resistência total R (incluindo a própria resistência da bobina) uma corrente flui durante o processo de desaparecimento do fluxo magnético. 1 dφ( t) I = ε = R R dt A carga total que passa através do circuito fechado é obtida por integração t= Q= I dt. Contando o tempo a partir do instante t = quando o fluxo magnético Φ t= 1 dφ 1 Φ começa a cair, chegamos a: Q = dt = dφ = R dt R R Φo. É importante observar que a carga total não depende da forma de Φ(t), mas tão somente dos valores inicial e final do fluxo. Podemos medir a carga total Q inserindo um galvanômetro balístico em série com a bobina. Esse galvanômetro possui uma bobina móvel com um momento de inércia muito elevado. Ao contrário dos galvanômetros convencionais, o período de oscilação da bobina é muito longo, da ordem de dezenas de segundos. Esse galvanômetro tem a propriedade de integrar uma corrente impulsiva dando como resultado um deslocamento angular α da bobina móvel proporcional à carga total. A condição necessária para que isso ocorra é que o tempo de duração da corrente seja muito menor que o período de oscilação da bobina móvel. Normalmente, um pequeno

3 espelho acoplado à bobina móvel reflete uma imagem luminosa de um retículo sobre uma escala graduada onde podemos fazer a leitura do deslocamento. Ao ligarmos um galvanômetro balístico em série com a bobina, a deflexão causada pela passagem da carga é proporcional ao fluxo magnético inicial e portanto à indução magnética B. Se desejarmos determinar o valor absoluto de B, devemos calibrar o galvanômetro. É conveniente realizar a calibração fazendo uso de uma indutância mútua padrão (ver a figura 2). Uma fonte DC de tensão ajustável é conectada a uma chave inversora de polaridade e alimenta o primário de um transformador com núcleo de ar (indutância mútua padrão). Essa fonte estabelece uma corrente no primário cujo valor final é definido pelo valor da tensão e pela resistência do circuito primário. A chave inversora permite fazer uma inversão rápida no sentido da corrente primária. A corrente no primário do transformador estabelece um fluxo de indução magnética que se acopla ao secundário do transformador pois as bobinas primária e secundária são enroladas com espiras muito próximas umas das outras, sobre a mesma fôrma (com núcleo de ar). De acordo as leis do eletromagnetismo, o fluxo no secundário é produzido pela corrente no primário I 1 e pela corrente no secundário I 2. A resistência do circuito do secundário é suficientemente grande para que possamos desprezar I 2 com relação a I 1 (I 2 <<I 1 ) de modo que o fluxo no secundário pode ser escrito como Φ 2 = M 12 I 1 onde M 12 é a indutância mútua entre as bobinas primária e secundária. Esse é um parâmetro conhecido que depende apenas da geometria de construção das bobinas. Lado II Lado I R Bobina de prova Φ 2 Φ 1 Fonte de tensão I 2 G M 12 A I 1 Indutância mútua Chave inversora Fig. 2. Circuito de calibração do galvanômetro Iniciando com uma corrente I 1 e em seguida invertendo-se o sentido da corrente de I 1 para -I 1 por meio da chave de inversão, a variação total do fluxo magnético no

4 secundário será 2 M 12 I 1. Pelas razões anteriormente discutidas, circulará então uma carga Q = (1/R. 2 M 12 I 1 ) através do secundário. Pelo fato da deflexão no galvanômetro balístico ser proporcional à carga total que passa através dele, teremos α = C b Q, onde α é o ângulo de deflexão e C b é a constante balística do galvanômetro. O ângulo de deflexão α 1 ao invertermos a corrente será então: α 1 = 2C b M 12 I 1 / R, sendo R a resistência total do circuito secundário. A constante balística não é conhecida mas seu valor também aparece quando retiramos rapidamente a bobina de prova da região entre os pólos do eletroimã onde havia um campo de indução magnética B e um fluxo Φ. Sendo α o ângulo de deflexão obtido ao retirar a bobina da região de fluxo Φ, teremos: α = C b Φ / R, onde Φ = B N S. Portanto, α = C b B N S / R Dividindo α por α 1 a constante e a resistência podem ser eliminadas e podemos determinar B a partir dos dois ângulos de deflexão: α = α M12 I N S 2 1 B 1 MEDIDAS 1. Ligue os terminais das bobinas do eletroímã na fonte de alimentação CENCO (figura 3). Esta fonte consiste de um autotransformador variável e um retificador de onda completa. Para maior exatidão na leitura da corrente de magnetização I mag que circulará pelas bobinas do eletroímã utilize um amperímetro digital ligado em série no circuito. Certifique-se sempre que o knob (botão) da fonte está na posição zero, no começo da operação. Nunca ligue ou desligue as bobinas do eletroímã a menos que a tensão da fonte seja zero volt indicado no voltímetro. Eletroímã Fonte DC ajustável - 5 A Figura 3 A

5 2. Monte o circuito indicado na figura 2. Nesta parte do experimento usaremos apenas o lado II do circuito, permanecendo o lado I inativo. A bobina de prova deve ser colocada no centro do espaço entre as peças polares do eletroímã, com o ângulo ϕ (da figura 1) nulo. Fazemos as medidas da indução magnética, retirando a bobina de prova do campo magnético do eletroimã tão rápido quanto possível, pois condição de uma medida balística é que a carga total medida passe através do galvanômetro num tempo bem mais curto que o seu período. Anotamos sempre a primeira deflexão máxima, α, bem como a corrente de magnetização I mag. Faça essas medidas variando a corrente de magnetização desde zero até 1,5 A, em passos de,1 A, em ambas as direções de corrente. Não desligue as bobinas do eletroímã enquanto a corrente estiver fluindo! Para inverter a polaridade, primeiro reduza a corrente a zero continuamente por meio do knob de comando da fonte. 3. Depois de terminada essa série de medidas do campo, fazemos a calibração. Usamos agora apenas a parte I da figura 2,permanecendo outra parte inativa. Ajustamos a corrente I 1 no primário para um determinado valor. Faça uma comutação na chave inversora e observe uma deflexão α 1 no galvanômetro. Anote este valor, bem como o da corrente I 1. Repita este procedimento para mais 1 valores de corrente, até atingir o seu valor máximo. O knob (botão) de sensibilidade do galvanômetro deve estar na mesma posição durante toda a operação de calibração e medida. O Shunt calibrado que pode existir no galvanômetro não é aplicável em medidas balísticas, portanto não o selecione. 4. A determinação de B pode ser feita, através da expressão α = α M12 I N S 2 1 B 1 Anote os valores de N e S da bobina de prova, bem como o valor M 12 da indutância mútua padrão. Trace o gráfico da indução magnética B em função da corrente de magnetização I mag correspondente às medidas realizadas nos itens precedentes.

6 5. Para um dado valor fixo de corrente (ex. 1A) meça a homogeneidade do campo, colocando a bobina de prova a distâncias diferentes (gradualmente) do eixo das peças polares, tanto no interior quanto no exterior do eletroimã. Não é necessário se afastar mais que 2 cm com relação à borda no exterior. Para tanto utilize a régua graduada fixada numa das peças polares. Faça medidas para pelo menos 1 valores, concentrando-as próximo à borda das peças polares. Trace o gráfico da indução magnética B em função da posição medida com relação ao eixo do eletroímã.!! Cuidado para não danificar os relógios de pulso no campo magnético!! BIBLIOGRAFIA: Física, Halliday D. e Resnick R. vol 3, 4 a ed.