PARECER CONSULTA Nº 12-2012 Solicitante: DR. W.L.F CRM/GO XXX Conselheiro Parecerista: DR. REGINALDO BENTO RODRIGUES Assunto: Questionamentos sob responsabilidade do Hospital e/ou Diretor Técnico sobre Plantão Médico de Pediatria. Ementa: É responsabilidade dos Planos de Saúde (ANS), dos Diretores Técnico e Clinico proporcionar aos seus usuários atendimento às urgências e emergências, principalmente nos Hospitais próprios e nos contratados para atendimento de urgências, emergências e internações. Sr. Presidente, Srs(as). Conselheiros(as), Designado que fui para emitir relatório da presente Processo Consulta, o faço da forma que se segue: PARTE EXPOSITIVA O presente parecer foi solicitado pelo Diretor Técnico do Hospital da Unimed de Jataí, a respeito do Plantão de Pediatria, nos seguintes termos: Através deste oficiamos solicitação de orientações sobre qual
deve ser a atuação mais sensata frente à situação que estamos vivendo no Hospital UNIMED de Jatai. Temos um plantão médico para atendimento de pacientes internados no Hospital, para isso houve disponibilizaçao de um plantonista "in loco" 24hs por dia. Por estar de plantão no Hospital esse médico passou a ser procurado por pacientes externos para consultas ambulatoriais de pronto atendimento. Ao longo dos anos com a persistência dessa natureza de atendimento, com a constância desse plantonista médico à disposição do paciente, com a degradação do atendimento de outros serviços na cidade, com a superlotação dos serviços de atendimento público foi gradativamente havendo um aumento da demanda por atendimento no Hospital UNIMED; de maneira que se cogitou a criação de um atendimento de sobreaviso na área de pediatria para dar suporte ao plantonista geral. Esse sobreaviso foi depois instalado e permaneceu também por longos anos funcionando, mas agora, devido à falta de pediatras interessados em continuar a prestação desse atendimento - por estarem gradativamente se debandando do plantão - temos onze pediatras cooperados na UNIMED e apenas quatro estão no momento mantendo esse atendimento, com o agravante de que também esses estão ameaçando deixar o sobreaviso; por tudo isso a Direção da UNIMED JATAÍ e a Direção Clínica/Técnica do Hospital UNIMED de Jatai estão temerosas de que haverá necessidade de suspender esse atendimento.
Há algo pior ainda que é a falta de interesse da maioria dos médicos em participar da escala do plantão geral do hospital. Dos setenta e um cooperados apenas oito estão fazendo plantões gerais hoje - seis deles com interesse real na atividade e dois que tem suprido a contragosto um ou outro plantão quando não se tenha encontrado um verdadeiro interessado em fazê-lo. Agregamos, além disso, que não divulgamos manter serviço de atendimento de urgência e emergência e não vendemos plano de saúde que deixe o usuário entender, mesmo que veladamente, que essa natureza de atendimento possa existir em nosso serviço. Face ao que foi exposto perguntamos: externo? 1. Poderíamos suspender esse atendimento ao paciente 2. Nesse caso poderíamos cancelar todo o atendimento ou apenas o atendimento do pediatra, ficando esse atendimento do pequeno paciente também para ser realizado pelo plantonista geral? 3. Caso não houver a possibilidade de cancelamento das atividades já criadas e rotineiramente prestadas ao usuário do serviço, o que poderia ser feito para suprir a escala de plantão frente a esse desinteresse quase que geral pela atividade aludida? COMENTÁRIOS A RESOLUÇÃO CFM Nº 1451/95 estabelece: Artigo 1º - Os estabelecimentos de Prontos Socorros Públicos e Privados deverão ser estruturados para prestar atendimento a situações de urgênciaemergência, devendo garantir todas as manobras de sustentação da vida e
com condições de dar continuidade à assistência no local ou em outro nível de atendimento referenciado. Parágrafo Primeiro - Define-se por URGÊNCIA a ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata. Parágrafo Segundo - Define-se por EMERGÊNCIA a constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo portanto, tratamento médico imediato. Artigo 2º- - A equipe médica do Pronto Socorro deverá, em regime de plantão no local, ser constituída, no mínimo, por profissionais das seguintes áreas: - Anestesiologia; - Clínica Médica; - Pediatria; - Cirurgia Geral; - Ortopedia. Artigo 5 º - O estabelecimento de Pronto Socorro deverá permanecer à disposição da população em funcionamento ininterrupto. Também a RESOLUÇÃO CFM Nº 1.834/2008 aborda assunto relacionado à matéria em questão: As disponibilidades de médicos em sobreaviso devem obedecer normas de controle que garantam a boa prática médica e o direito do Corpo Clínico sobre sua participação ou não nessa atividade. A disponibilidade médica em sobreaviso deve ser remunerada. Parágrafo único do Artigo 1º - Diz: A obrigatoriedade da presença de médico no local nas vinte e quatro horas, com o objetivo de atendimento continuado dos pacientes,
independe da disponibilidade médica em sobreaviso nas instituições de saúde que funcionam em sistema de internação ou observação. Art. 2º - A disponibilidade médica em sobreaviso, conforme definido no art. 1 º, deve ser remunerada de forma justa, sem prejuízo do recebimento dos honorários devidos ao médico pelos procedimentos praticados. Art. 5º Será facultado aos médicos do Corpo Clínico das instituições de saúde decidir livremente pela participação na escala de disponibilidade em sobreaviso, nas suas respectivas especialidades e áreas de atuação. Parágrafo único. Os regimentos internos das instituições de saúde não poderão vincular a condição de membro do Corpo Clínico à obrigatoriedade de cumprir disponibilidades em sobreaviso. Art. 7º - Cabe aos diretores técnicos das instituições o cumprimento desta resolução. O PARECER CONSULTA CREMEGO N 105/2005 da lavra deste Conselheiro sobre o mesmo: Ementa: É obrigação de todo Hospital que mantém regime de internação, disponibilizar plantonista em regime integral para atender as intercorrências dos pacientes que estiverem internados. O PARECER CONSULTA CREMEGO N 08/2003, também da lavra deste Conselheiro, assim determina na ementa: Todos os hospitais que mantenham internações são obrigados a manterem um plantão médico. Deve ter o plantão médico para o atendimento das intercorrências dos pacientes internados. O Diretor Técnico e/ou Clínico, bem como o médico, poderão ser responsabilizados ética e penalmente por omissão de socorro por quaisquer intercorrência clínica que ocorra em hospital desprovido de plantão médico.
O PARECER CONSULTA CREMEGO N 66/2003 da lavra do Conselheiro Dr. Silas Pereira Lima: Ementa - O Diretor Técnico é responsável pela presença de médicos plantonistas 24 horas por dia em unidades que tenham pacientes internados ou em observação para atender intercorrências. PARTE CONCLUSIVA Considerando que o alvo de toda a atenção do médico é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo zelo e o melhor de sua capacidade profissional; Considerando que o médico investido em função de direção tem o dever de assegurar as condições mínimas para o desempenho ético-profissional da Medicina; Considerando que é vedado ao médico praticar atos profissionais danosos ao paciente, que possam ser caracterizados como imperícia, imprudência ou negligência; Considerando que é vedado ao médico deixar de utilizar todos os meios disponíveis de diagnóstico e tratamento a seu alcance em favor do paciente; Considerando que é vedado ao médico deixar de atender em setores de urgência e emergência, quando for de sua obrigação fazê-lo, colocando em risco a vida de pacientes, mesmo respaldado por decisão majoritária de categoria; Considerando que é vedado ao médico afastar-se de suas atividades profissionais, mesmo temporariamente, sem deixar outro médico encarregado do atendimento de seus pacientes em estado grave e; Considerando que é vedado ao médico deixar de comparecer a plantão em horário preestabelecido ou abandoná-lo sem a presença do substituto, salvo por motivo de força maior.
Conclui-se que: A composição das equipes de assistência a urgências e emergências deve atender ao disposto na Resolução CFM Nº 1451/95, que prevê a permanência de pediatra nos plantões. A ausência deste especialista é um problema grave que deve ser resolvido pela direção técnica do hospital, a qual poderá até contar com a eventual colaboração dos outros especialistas de plantão, mas não se prevalecer disso para se esquivar de resolver a questão. Por conseguinte, a ausência de pediatra de plantão em estabelecimentos que atendam a urgências e emergências é um problema grave, que deve ser resolvido pela direção técnica do hospital, a qual, como dito anteriormente, poderá até contar com a eventual colaboração dos outros especialistas de plantão, em situações excepcionais, mas não se prevalecer disso para se esquivar de resolver a questão. Torna-se mais gravoso o fato de se tratar de uma operadora de plano de saúde a qual segundo as normas de ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) as operadoras ficam obrigadas a cobertura para procedimentos de urgência e emergência em 24 horas após a assinatura do contrato. Este é o meu parecer. Goiânia, 31 de maio de 2012. DR. REGINALDO BENTO RODRIGUES Conselheiro Parecerista