PSICOMOTRICIDADE e LUDICIDADE Prof. Ms. Fabio Mucio Stinghen PSICOMOTRICIDADE Avaliando Desenvolvimento e Aprendizagem Ao se abordar o tema avaliação, para este contexto têm duas vertentes distintas, uma compreende uma análise motora de rendimento e resultado com interesse clínico, onde se procura obter dados sobre a criança e seu desenvolvimento motor. Na análise do desenvolvimento motor de crianças com desenvolvimento típico pressupõe-se que pela idade escolar alcançada, a maioria das crianças possui um repertório motor suficiente para lidar com habilidades de demanda básica em casa ou no ambiente escolar (HENDERSON e SUGDEN, 1992). O desenvolvimento e refinamento dos padrões motores e das habilidades motoras são influenciados de maneiras complexas por uma série incorporada de sistemas, em que cada indivíduo é peculiar com sua própria escala de tempo para o desenvolvimento, sendo esta escala resultante da combinação da hereditariedade do indivíduo e das influências ambientais (GALLAHUE e OZMUN, 2005; NEWELL, 2003). No entanto, a influência dos diferentes estímulos pode alterar o desenvolvimento motor das crianças, causando uma dissociação entre a fase de desenvolvimento motor e a faixa etária. Assim, a capacidade de coordenar as ações e a sua combinação em movimentos mais habilidosos é inerente a todo ser humano; entretanto, a escala de tempo e grau com que este progresso ocorre difere de indivíduo para indivíduo. 1
Dentre as razões que tem levado ao interesse crescente pelos conhecimentos acerca do desenvolvimento motor, destacam-se os paralelos existentes entre o desenvolvimento motor e o desenvolvimento cognitivo. Há uma estreita relação entre o que a criança e capaz de aprender (cognitivo) com o que e capaz de realizar (motor). O desenvolvimento motor e um processo sequencial, relacionado à idade cronológica, trazido pela interação entre os requisitos das tarefas, a biologia do individuo e as condições ambientais, sendo inerentes as mudanças sociais, intelectuais e emocionais (Gallahue, 2005). a aquisição de habilidades motoras esta vinculada ao desenvolvimento da percepção do corpo, espaço e tempo, e essas habilidades constituem componentes de domínio básico tanto para a aprendizagem motora quanto para as atividades de formação escolar (Medina, 2006). Isso significa que, ao conquistar um bom controle motor, a criança estará construindo as noções básicas para o seu desenvolvimento intelectual. O Protocolo de testes da Escala de Desenvolvimento Motor EDM (Rosa Neto, 2002) - que avalia as seguintes áreas do desenvolvimento: Motricidade fina (IM1), Motricidade global (IM2), Equilíbrio (IM3), Esquema corporal (IM4), Organização espacial (IM5), Organização temporal (IM6) e lateralidade. Este instrumento determina a idade motora (obtida através dos pontos alcançados nos testes) e o quociente motor (obtido pela divisão entre a idade cronológica multiplicada por 100). 2
Com exceção dos testes de lateralidade, as outras baterias consistem em 10 tarefas motoras cada, distribuídas entre dois e 11 anos, organizadas progressivamente em grau de complexidade, sendo atribuído para cada tarefa, em caso de êxito, um valor correspondente à idade motora (IM), expressa em meses. Manual disponível em http://www.motricidade.com.br/edm/manual%20edm.pdf KTK O teste de coordenação corporal para crianças Hamm-Marburger (MHKTK- Hamm-Marburger Körperkoordinationtest für Kinder), apresentado por Kiphard e Schilling em 1970. o rendimento máximo do testando é obtido pela constante de repetição das tarefas com dificuldades crescente, através de uma avaliação por pontos ou pela contagem das repetições por unidade de tempo. Pela elevação da dificuldade das tarefas, tornou-se possível ampliar o teste de oito a doze anos, podendo mais tarde, ser estendido até aos quatorze anos. A concepção final do teste foi publicada em 1974 em Weinhein (Beltz-Verlag); ela está baseada na normatização nº1228 de 1973-74 usada por Schilling. O teste de KTK leva cerca de 10 a 15 minutos para ser administrado. A sala de teste deve ser de mais ou menos 4x5 metros. O KTK tem, em sua forma final, quatro tarefas de movimento descritas a seguir: 3
Procedimentos Tarefa 1 - Trave de Equilíbrio Objetivo: estabilidade do equilíbrio em marcha para trás sobre a trave. Material: Foram utilizadas três traves de 3 metros de comprimento e 3 cm de altura, com larguras de 6cm, 4,5cm e 3cm. Tarefa 02 - Salto Monopedal Objetivo: Coordenação dos membros inferiores; energia dinâmica/força. Material: São usados 12 blocos de espuma, medindo cada um 50 x 20 x 5cm. Tarefa 03 - Salto Lateral Objetivo: Velocidade em saltos alternados. Material: Uma plataforma de madeira (compensado) de 60 x 50 x 0, 8cm, com um sarrafo divisório de 60 x 4 x 2cm e um Cronômetro. Tarefa 04 - Transferência Sobre Plataforma Objetivo: lateralidade; estruturação espaçotemporal. Material: São usados para o teste, 2 plataformas de 25 x 25 x 5cm e um cronômetro. RESULTADOS: QM = R + I QM Quociente Motor R Resultado/Repetições no teste I Idade AVALIAÇÃO ESCOLAR A observação e o registro se constituem nos principais instrumentos de que o professor dispõe para apoiar sua prática. 4
Por meio deles o professor pode registrar contextualmente, os processos de aprendizagem das crianças; a qualidade das interações estabelecidas com outras crianças, funcionários e com o professor e acompanhar os processos de desenvolvimento obtendo informações sobre as experiências das crianças na instituição. Esta observação e seu registro fornecem aos professores uma visão integral das crianças ao mesmo tempo em que revelam suas particularidades. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, sancionada em dezembro de 1996, estabelece, na Seção II, referente à educação infantil, artigo 31 que:... a avaliação far-seá mediante o acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental. A avaliação nessa etapa deve ser processual e destinada a auxiliar o processo de aprendizagem, fortalecendo a autoestima das crianças. a avaliação é entendida, como um conjunto de ações que auxiliam o professor a refletir sobre as condições de aprendizagem oferecidas e ajustar sua prática às necessidades colocadas pelas crianças. No que se refere às crianças, a avaliação deve permitir que elas acompanhassem suas conquistas, suas dificuldades e suas possibilidades ao longo de seu processo de aprendizagem. 5
Para que isso ocorra, o professor deve compartilhar com elas aquelas observações que sinalizam seus avanços e suas possibilidades de superação das dificuldades. A avaliação também é um excelente instrumento para que a instituição possa estabelecer suas prioridades para o trabalho educativo, identificar pontos que necessitam de maior atenção e reorientar a prática, definindo o para que possa se constituir como um instrumento voltado para reorientar a prática educativa. A avaliação deve se dar de forma sistemática e contínua, tendo como objetivo principal a melhoria da ação educativa. Bibliografia BATISTELLA PA. Estudo de parâmetros motores em escolares com idade de 6 a 10 anos na cidade de Cruz Alta - RS. [Dissertacao de Mestrado Programa de pós-graduação em Ciências do Movimento Humano]. Florianópolis (SC): Universidade do Estado de Santa Catarina; 2001. GALLAHUE DL, Ozmun JC. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebes, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Ed. Phorte; 2005. GORLA. J.I.; ARAÚJO, P.F.; RODRIGUES, J.L.; PEREIRA, V.R. O teste KTK em estudos da coordenação motora. UNICAMP/UEM. 2005. KIPHARD, E. J.; SCHILLING, V. F. Köper-koordinations-test für kinder: KTK. Beltz Test Gmbh, Weinhein, 1974. MEDINA J, Rosa GKB, Marques I. Desenvolvimento da organização temporal de crianças com dificuldades de aprendizagem. Rev Educ Fis/UEM 2006;17(1) ROSA NETO F. Manual de Avaliação Motora. Porto Alegre: Artmed; 2002. SANTOS S, Dantas L, Oliveira JA. Desenvolvimento motor de crianças, de idosos, e de pessoas com transtorno da coordenação. Rev. Paul. Educ. Fis. 2004 6