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Transcrição:

A U A UL LA Acesse: http://fuvestibuar.com.br/ Todo poder emana da íngua Cenatexto Zé dos Anjos perdeu no desafio com Osias, mas ficou vários dias pensando: Um dia é da caça e outro do caçador. Assim, ee foi à uta, na tentativa de transformar a caça em caçador. Acompanhe: Naquee dia, no bar do Juvena, Zé dos Anjos estava que nem barata tonta! Também pudera, aém da humihação sofrida, havia bebido uns três copos! Agora, de cabeça fresca, nada disso fazia muito sentido. Resoveu consutar um amigo instruído. O mais instruído da cidade: dr. Rogério. Depois de escutar todo o reato e o pedido de ajuda do vioeiro, o amigo expicou: - Entendi muito bem, Zé dos Anjos. O Osias te fez de gato e sapato. Quis mostrar superioridade e, decorando umas paavras compicadas, conseguiu te confundir. - Não sei bem se foi isso não. Não sei se ee quis fazer isso. Mas que fez, fez. - Quer dizer que ee apeou até para a Constituição? E será que ee sabe bem o que é isso? - Ee faou até duma ta de Carta Magna. O senhor que é uma encicopédia ambuante, escritor e poeta, pode dizer o que é esse negócio de Constituição? - Zé dos Anjos, Constituição é a ei mais importante de um povo. É nea que está escrito: Todo poder emana do povo. - Ah, assim não dá! O senhor já começou com um paavreado compicado, dr. Rogério. O que eu vou entender com emana? - Emana quer dizer procede, vem. É o mesmo que afirmar: todo poder procede, vem do povo, Zé dos Anjos. - Escute, isso está mesmo escrito na Constituição? P/ as outras apostias de Português, Acesse: http://fuvestibuar.com.br/teecurso-2000/apostias/ensino-medio/portugues/

Acesse: http://fuvestibuar.com.br/ - Você quer ver? Eu tenho aqui uma Carta Magna. Aiás, todo mundo devia ter uma em casa. Veja o que está escrito no início. Artigo primeiro, parágrafo único: Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eeitos, ou diretamente, nos termos desta Constituição. - Mas, será mesmo assim? O senhor, em sã consciência, acredita que o poder é nosso? Acredita que o poder é do povo? Se é assim pra que é que tem presidente, deputado, prefeito? - pergunta Zé dos Anjos. - Meu amigo, esses são, justamente, os representantes eeitos por nós. São ees que exercem o poder em nosso nome. - Ah, mas no meu caso, nessa estória que está mexendo tanto comigo, o poder veio mesmo foi das paavras daquee infeiz!... - É, Zé dos Anjos. - diz o amigo - As paavras muitas vezes têm esse pape: servem como demonstração de força, servem para oprimir. As paavras são poderosas, a íngua é poderosíssima. Acho mesmo, Zé dos Anjos, que todo poder emana da íngua. O repentista coçou a cabeça, preocupado: veio buscar ã e saiu tosqueado. Queria aprender umas paavras e descobriu, isso sim, que havia outras mais compicadas ainda. Rogério, percebendo que suas divagações poderiam confundir a cabeça do Zé dos Anjos, justificou-se: - É que o poder que vem da íngua é um poder diferente daquee do presidente da repúbica. Mas, também é um poder. Veja que foi ee que botou você a perder na contenda com o Osias. Depois daquee paavreado todo, Zé dos Anjos despediu-se, faando baixinho, enquanto atravessava o jardim da casa do amigo: - Ah! não vou desistir não! pois quer saber de uma coisa? Água moe em pedra dura, tanto bate até que fura. Daí por diante, Zé dos Anjos foi à uta. Ainda haveria de vencer. A U L A Ao tentar resover um probema que o encucava, Zé dos Anjos acabou arrumando outros. Ficou enroado nas paavras do amigo tão instruído. No entanto, um dos probemas foi resovido na própria conversa entre ees. Tratavase da paavra emanar: Dicionário emanar. V. t. i. 1. Provir, proceder, sair, originar-se; manar, dimanar. 2. Desprender-se; exaar-se. Portanto, se o poder emana do povo, quer dizer que ee vem do povo, que é originário dee. Ao votar, o povo deega, ou seja, transfere, passa esse poder aos seus representantes eeitos. É isso que fazemos quando eegemos o presidente, os deputados, os senadores, os prefeitos e os vereadores. Outra paavra importante da Cenatexto está na frase: ees exercem o poder em nosso nome. exercer. V.t. d. 1. Preencher os deveres, as funções ou obrigações inerentes a (um cargo). 2. Desempenhar, cumprir. 3. Pôr em ação; praticar: 4. Adestrar, exercitar. 5. Levar a efeito; fazer sentir. O sentido usado na Cenatexto é o de desempenhar, cumprir as funções para as quais aguém foi nomeado, designado ou eeito. Exercer o poder depois de eeito é o mesmo que desempenhar ou cumprir o poder. P/ as outras apostias de Português, Acesse: http://fuvestibuar.com.br/teecurso-2000/apostias/ensino-medio/portugues/

Entendimento A U L A 1. Por que Zé dos Anjos estava como uma barata tonta no bar do Juvena? Acesse: http://fuvestibuar.com.br/ 2. Qua foi o probema que Zé dos Anjos tentou resover com seu amigo, o dr. Rogério? Ee conseguiu resover? 3. O que Zé dos Anjos quis dizer quando observou que, no caso dee, o poder que o derrotou tinha vindo das paavras? Qua foi a interpretação dada peo dr. Rogério? 4. Escreva o que Zé dos Anjos estaria pensando ao embrar do provérbio: Água moe em pedra dura, tanto bate até que fura. & Aprofundando Na aua anterior conhecemos duas figuras de inguagem: a comparação e a metáfora. Hoje, conheceremos uma outra que é muito usada: a metonímia. Na Cenatexto de hoje, foi dito que Zé dos Anjos havia bebido uns três copos. Sabendo que ninguém bebe copos, concuímos que ee deve ter bebido o conteúdo do copo. Quando substituímos um vocábuo por outro, baseados numa certa reação de sentido próximo, estamos produzindo a figura de inguagem chamada metonímia. Veja aguns casos em que ocorre a metonímia: Quando se toma o autor pea obra: Ex.: Osias gostava de er até Castro Aves. (Ee gostava de er o que o escritor Castro Aves escrevia. Ee ia os ivros de Castro Aves.) O continente peo conteúdo (ou seja: o recipiente peo que está contido nee): Ex.: Zé dos Anjos havia bebido três copos. (Ee bebeu o conteúdo e não os copos.) O ugar pea pessoa: Ex.: O Brasi gosta de samba. (Quem gosta de samba são os brasieiros e não o país Brasi.) O efeito pea causa: Ex.: Os caos das mãos eram seu maior orguho. (Os caos são o efeito do trabaho pesado e orguho era o fato de ser um trabahador.) A marca peo produto: Ex.: Amigo, vamos tomar uma pitu? (Pitu é apenas uma marca de cachaça.) Crie metonímias reacionadas aos acontecimentos narrados nas útimas Cenatextos: P/ as outras apostias de Português, Acesse: http://fuvestibuar.com.br/teecurso-2000/apostias/ensino-medio/portugues/

Acesse: http://fuvestibuar.com.br/ A útima Cenatexto apresentou uma pessoa instruída, o dr. Rogério, tentando escarecer o vioeiro sobre o primeiro artigo da Constituição brasieira. O vioeiro parecia não concordar com o amigo e argumentava com idéias pessoais. Na vida é assim mesmo. Podemos ter opiniões diferentes sobre as mesmas coisas. É possíve que os dois tenham razão, mas estejam discutindo apenas com uma parte de seus argumentos. Observe estas duas afirmações, que dizem coisas opostas: Redação A U L A no ar Leis justas faciitam a vida do cidadão. Leis justas não faciitam a vida do cidadão. Repare como poderíamos argumentar nesses dois casos: Leis justas faciitam a vida do cidadão. Com efeito, sem normas váidas para todos, não há como desenvover e defender a vida em sociedade. Não é possíve sequer imaginar pessoas vivendo em comunidade, sem a existência de regras caras para todos. Contudo, não basta que existam eis, é de suma importância que eas sejam justas, isto é, adequadas e imparciais. Leis justas não faciitam a vida do cidadão. Na verdade, a simpes existência de eis, em nada modifica a vida dos indivíduos. É preciso que as eis existentes sejam cumpridas, executadas e, sobretudo, que produzam efeitos na vida prática. De nada adiantam eis que não saem do pape, ainda que sejam justas e atamente democráticas. O cumprimento da ei é tão importante como a existência da própria ei. Veja que as duas argumentações podem ser váidas, mesmo que tenham em vista coisas diferentes. A primeira afirma que todas as eis devem ser justas (por exempo, não é admissíve uma ei que permita o racismo enquanto que a segunda diz que só a existência das eis não é suficiente, eas precisam ser cumpridas). Portanto, na verdade, as, duas argumentações se compementam. Seguindo esse modeo, eabore sua própria argumentação em reação a duas afirmações que dizem coisas diferentes sobre o mesmo probema. Lembre-se de que, nesse tipo de texto, vae muito a força das paavras empregadas. Discuta com seus amigos e compare sua argumentação com a dees. 1. a) Todo poder emana do povo. b) O poder não emana do povo. a)...... b)...... P/ as outras apostias de Português, Acesse: http://fuvestibuar.com.br/teecurso-2000/apostias/ensino-medio/portugues/

Acesse: http://fuvestibuar.com.br/ A U L A 2. a) As paavras servem para oprimir as pessoas. b) As paavras não oprimem as pessoas. a)...... b)...... Refexão Zé dos Anjos, ao sentir-se inferiorizado, foi procurar se instruir. Da conversa com dr. Rogério, ee concuiu que, aém das dúvidas provocadas peo outro cantador, havia inúmeras coisas para aprender. Você concorda que todos têm ago a aprender e ago a ensinar? Em que circunstâncias, a demonstração de conhecimento pode ser uma forma de exibicionismo? Por que a demonstração de grande conhecimento pode intimidar as pessoas? Você acha que um homem educado e cuto é sempre, em quaquer circunstância, bem-recebido? Por quê? & P/ as outras apostias de Português, Acesse: http://fuvestibuar.com.br/teecurso-2000/apostias/ensino-medio/portugues/