TÍTULO: PRÁTICAS E ATITUDES DE ESTUDANTES DE UMA ESCOLA PÚBLICA RELACIONADOS AS DSTS/AIDS AUTORES: Aline Salmito Frota, Luciana Soares Borba, Débora Silva Melo, José Ueides Fechine Júnior, Viviane Chave Pereira, Daniel Medeiros Almeida, Patrícia Coelho Rodrigues, Francisco Tiago Barroso Chagas. INSTITUIÇÃO: FACULDADE DE MEDICINA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (FAMED-UFC); FORTALEZA CEARÁ. E-mail: (ueides@hotmail.com) ÁREA TEMÁTICA: Saúde INTRODUÇÃO As DST são definidas como um grupo de doenças venéreas clássicas (sífilis, gonorréia, linfogranuloma venéreo, cancro mole e donovanose) e um número crescente de síndromes e entidades clínicas (uretrites não-gonocócicas, herpes genital, vaginites, etc), que têm como traço comum de importância epidemiológica a transmissão durante a atividade sexual. No entanto, podem ser classificadas em: doenças essencialmente transmitidas por contato sexual (sífilis, gonorréia, cancro mole, linfogranuloma venéreo e uretrite por Chlamydia sp.), doenças freqüentemente transmitidas por contato sexual (donovanose, condiloma acuminado, uretrites não-gonocócicas/não clamídicas, herpes simples genital, tricomoníase, candidíase genital, fitiríase, hapatite B e Aids), e doenças eventualmente transmitidas por contato sexual (escabiose, pediculose, molusco contagioso, shiguelose e amebíase). As mudanças sócio-sexuais das últimas décadas têm mudado o perfil das doenças sexualmente transmissíveis (DST), transformando seu controle em desafio para a saúde pública em todo o mundo. O maior número de adolescentes e adultos jovens que vivenciam sua sexualidade com maior liberdade e as mudanças econômicas que levaram à concentração da população de baixa renda nos perímetros urbanos - onde as condições de saúde, quase sempre, são precárias, o nível de instrução é baixo e nem sempre é fácil o acesso aos serviços de saúde - têm elevado o número de casos novos de doenças nessas duas populações. Além disso, há pessoas denominadas grupos-núcleo por estarem assumindo papel preponderante como disseminadores das infecções dentro de algumas comunidades e populações fechadas, em virtude de suas práticas sexuais de risco e do grande número de parceiros, como descrito por Yorke et al. (1978), Rothemberg (1983) e Potterat et al. (1985).
OBJETIVOS Objetivos Gerais: - Avaliar o comportamento sexual, entre alunos de uma escola pública da comunidade Serrinha, na cidade de Fortaleza, e os riscos de exposição a DSTs, particularmente à AIDS, decorridos desse comportamento. Objetivos específicos: - Verificar a influência da prática da religião no padrão de relacionamento dos estudantes - Conhecer o tipo de relacionamento que os alunos têm mantido - Analisar a prática de sexo seguro entre os estudantes
METODOLOGIA Local da pesquisa: A pesquisa foi realizada em uma escola pública, situada em um bairro pobre da cidade de Fortaleza. Esta escola foi escolhida devido ao fácil acesso, por fazer parte de uma comunidade onde os pesquisadores já atuam, possibilitando, assim, um melhor conhecimento por parte destes sobre a prática de sexo seguro entre os estudantes. Caracterização da amostragem: Para a aplicação dos questionários, foi escolhido o período da tarde por ser mais viável aos pesquisadores. Os entrevistados foram alunos de 7 a e 8 a séries, que estavam presentes. Coleta dos dados: Para que os objetivos da pesquisa em questão fossem atingidos, foi elaborado um instrumento contendo questões relacionadas ao assunto. As questões eram objetivas e apresentavam uma linguagem simples e clara de modo que não apresentassem dificuldade para serem respondidas. Todos os alunos receberam o instrumento da pesquisa. Foram orientados previamente para não colocarem nomes no questionário, de modo que não fossem identificados, com o intuito de que eles respondessem as questões com sinceridade e sem receio de serem reconhecidos. Os questionários foram recolhidos à medida que os alunos fossem terminando de respondê-los. Análise dos questionários: Os cento e cinqüenta e um questionários respondidos foram armazenados e analisados pelo programa EPI INFO versão 6.02. Para a avaliação da significância estatística, foi considerado estatisticamente correto o valor de P(a) < 0,05.
RESULTADOS Caracterização da amostra: Foram entrevistados 151 alunos de uma escola pública do bairro Serrinha. A amostra constou de 63 homens (41,75% do total) e 88 mulheres (58,3% do total). A maioria tinha entre 12 e 14 anos de idade (54,6%), com grande parte também tendo idade entre 15 e 17 anos (44,6%). A grande maioria dos entrevistados era solteira com renda familiar de um ou dois salários mínimos. Quanto à religião, grande parte dos entrevistados tinha como religião a católica, sendo que a maioria, 65%, não pratica a religião. Comportamento sexual dos estudantes entrevistados: Mais de 80% das mulheres entrevistadas e cerca de 70% dos homens entrevistados não têm vida sexual ativa. Com um p de significância estatística de 0,02. Gráfico 01: Distribuição percentual dos estudantes de acordo com a vida sexual, por sexo 100 80 60 40 Ativa Não ativa 20 0 Masculino Feminino No gráfico 02, apresentamos a distribuição percentual dos estudantes que têm uma vida sexual ativa de acordo com a idade de início desta. Gráfico 02: Distribuição percentual dos estudantes com vida sexual ativa de acordo com a idade de início da vida sexual
24,10% 31% 27,60% 13,80% 3,40% 12 anos 13 anos 14 anos 15 anos 16 anos Na tabela 04, apresentamos o tipo de relacionamento que os jovens entrevistados mantiveram nos últimos seis meses. Tabela 04. Padrão de relacionamento que os estudantes têm mantido nos últimos seis meses Padrão de relacionamento n % Nenhum relacionamento 68 47,2 Ficou com alguém sem relação sexual 45 31,3 Ficou com alguém com relação sexual 5 3,5 Relacionamento fixo sem relação sexual 13 9 Relacionamento fixo com relação sexual 11 7,6 Relacionamento fixo com relação sexual e relação com outra pessoa 2 1,4 Total 144 100 Podemos observar, no gráfico 03, que grande maioria dos estudantes têm o costume de sempre ter camisinha consigo. Gráfico 03: Distribuição percentual dos estudantes de acordo com o costume de ter camisinha consigo Nunca Raramente 4,90% 2,50% Às vezes 18,50% Quase sempre Sempre 37% 37% No gráfico 04, podemos observar que, apesar de 80,08% dos entrevistados ainda não terem tido relações sexuais nos últimos 6 meses, a maioria dos que tiveram relação sexual usou camisinha em todas as relações sexuais.
Gráfico 04. Distribuição percentual dos estudantes de acordo com o uso de camisinha nos últimos seis meses Não usou Usou em menos da metade Usou em mais da metade Usou em todas as relações 4,60% 3,10% 1,50% 10% Sem relações sexuais 80,80% Muitos estudantes assumem um comportamento de risco, pois têm deixado de usar camisinha porque conhecem o parceiro há muito tempo ou o acham confiável ou pelo de fato não sentirem prazer com camisinha ou não terem camisinha na hora. Outros motivos estão sendo mostrados na tabela 05. Tabela 05. Motivo alegado para o não uso da camisinha pelos estudantes com vida sexual ativa Motivo alegado número Esquecimento 3 Parceiro fixo confiável 5 Parceiro não quis usar 1 Não tinha camisinha na hora 6 Não sente prazer com camisinha 5 Parceiro bonito 1 Parceiro conhecido há bastante tempo 5 Parceiro de boa família 1 Sem dinheiro para comprar 0 Não dispensa camisinha 9 CONCLUSÃO Os jovens ainda estão assumindo um comportamento de risco que os predispõe as DSTs, sendo necessária uma campanha educativa mais eficaz voltada para estes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BUENO,S.M.V, CREPALDI,L. Estudo do Conhecimento e das Dificuldades de Alunos do 2º Grau de uma Escola Estadual de Ribeirão Preto Relativos a Sexualidade e DST/AIDS. J. Brás.Doenças Sex Transm, 9(6):24-36,1997 KNIJNIK,J. et al- Necessidades educativas de jovens sobre doenças sexualmente transmissíveis. Na bras Dermatol, 65(6): 289-292, 1990 CHICRALA,M.A. et al- Conhecimento, Atitudes e Práticas Relacionadas à DST/AIDS. J. brás Doenças Sex Trans, 9(3): 10-15, 1997 STRUCHINER,C.J.- Introdução à dinâmica populacional das doenças transmissíveis. Rio de Janeiro, mimeo, 1994. PAIVA,V.- Sexualidade e gênero num trabalho com adolescentes para prevenção do HIV/AIDS. Rio de Janeiro, ABIA,IMS, 1994.