Doenças da modernidade

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Doenças da modernidade

Proposta de redação: Depressão, bipolaridade, déficit de atenção: as doenças psíquicas, por vezes, representam avanços da medicina, por vezes simples patologização do comportamento humano.

Doenças da modernidade: Noites mal dormidas, congestionamentos no trânsito, responsabilidades profissionais. O homem atual desenvolve, a cada dia, mais atividades em 24 horas, cria hábitos para otimizar o tempo. Entretanto, descuida de providências necessárias, como o descanso e a alimentação. O resultado inicial é o estresse, que pode vir associado a uma série de doenças da modernidade, como a obesidade, as cardiopatias, as disfunções endocrinológicas, entre outras. Por tudo isso, os profissionais da área médica, precisam estar atentos, sob pena de inviabilizar a vida social e profissional do enfermo. Segundo a Previdência Social, os transtornos mentais já são a terceira razão de afastamentos do trabalho no Brasil, provocando gastos do INSS na casa de R$ 200 milhões em pagamentos de benefícios anuais. Por ser atual e polêmico, convém aprofundar a leitura e dissertar sobre o tema, que pode ser lembrado no próximo Enem. A seguir, material de apoio para sua produção textual.

Textos de apoio

TEXTO I A DEPRESSÃO COMO UMA DOENÇA DA MODERNIDADE A depressão certamente não é uma doença nova. Ainda que não existam dados do passado, se sabe que os sintomas da depressão sempre foram visto na humanidade em diferentes períodos históricos. O que está assustando é o substancial aumento de casos de depressão. Assim como a hipertensão e a obesidade, a depressão começa a ser classificada como uma doença causada pelo estilo de vida atual. Dá medo né? Isso porque várias características da vida que levamos hoje contribuem para o desenvolvimento da depressão. Depressão é uma desordem heterogênea, que frequentemente se manifesta com sintomas psicológicos, comportamentais e fisiológicos. Não é qualquer tristeza que é depressão! Para ser diagnosticada com depressão a pessoa precisa ter humor deprimido ou perda de interesse, todos os dias por pelo menos 2 semanas. Associado a isso, a pessoa ainda precisa ter pelo menos 4 dos sintomas a seguir (também por no mínimo 2 semanas): mudança de apetite (para mais ou para menos), distúrbios de sono, alterações motoras, fadiga, sentimento de culpa, pensamentos suicidas e distúrbios na memória e no aprendizado. Claro, que o psiquiatra utiliza várias escalas e tabelas para chegar ao diagnóstico de depressão. Os critérios acima são os preconizados pelo manual de doenças psiquiátricas (DSM- IV) utilizado pela maioria dos psiquiatras. Agora que você já sabe melhor o que é depressão é importante saber que o número de pessoas com essa doença aumenta muito a cada ano. Atualmente ela é a 4 causa responsável por incapacitação, que é impossibilitar a pessoa de trabalhar e realizar atividades cotidianas, em 2020 estima-se que ela subirá para 2 lugar. Entre 1991 e 1992 a porcentagem de novos casos de depressão nos Estados Unidos era de 3,33%, entre 2001-2002 esse número saltou para 7,06%. Alguns autores já consideram esse fenômeno como uma epidemia de depressão. Mas por que os adultos de hoje possuem um risco maior de desenvolver depressão que seus antepassados? A depressão é desencadeada pela interação dos genes com o ambiente. Considerando que herdamos os genes dos antepassados, podemos facilmente perceber que o que mudou foi o ambiente. As características da vida que levamos hoje estão extremamente relacionadas com o desenvolvimento de depressão. Quer ver?!

Obesidade e hábitos alimentares: Hoje comemos muito, muito mais que nossos antepassados. Consumimos principalmente comidas industrializadas, com muita gordura, açúcar e sal. Paralelo a isso comemos cada vez menos frutas e legumes frescos. Resultado: estamos obesos e mal nutridos. A obesidade aumenta em 55% o risco da pessoa desenvolver depressão!! Primeiro, porque a obesidade produz no organismo um estado de inflamação crônica leve, por causa do excesso de gordura nos tecidos e dentro dos vasos sanguíneos. As substâncias liberadas pelo nosso corpo durante a inflamação crônica também estão envolvidas na causa da depressão. Segundo, porque a obesidade produz uma má relação entre a pessoa e o seu corpo, que causa tristeza, sofrimento e isolamento social. Atividade física: Somos um sociedade sedentária. Alarmantemente, 37% da população é considerada completamente inativa fisicamente! Por mais que as academias estejam cada vez mais lotadas, gastamos muito menos calorias que nos sos avós gastavam. Utilizamos carros para ir a qualquer lugar, quando o nosso corpo foi feito para caminhar vários quilômetros por dia. Passamos um hora na academia gastando muitas calorias para ficarmos o resto do dia sentados em frente dos nossos computadores. A falta de atividade física além de contribuir para a obesidade, aumenta ainda mais as chances de se ter depressão. Quando fazemos atividade físicas, principalmente aeróbicas, hormônios e várias substância são liberadas no nosso corpo. Essas substâncias produzem uma sensação de bem estar e contribuem para a saúde do nosso cérebro, ajudando a reduzir o risco de depressão. O exercício físico é capaz de diminuir os sintomas em pacientes com depressão e ainda melhorar a efetividade dos medicamentos antidepressivos. Sono: Sabe quantas horas uma pessoa dormia em média nos anos 60? 7-9 horas por noite. Hoje dormimos, em média, 6 horas por noite! A falta de horas de sono acaba com nosso relógio biológico e por isso desregula a liberação de vários hormônios. Entre eles a melatonina e o cortisol, classicamente associados com a depressão. A privação de sono também leva a obesidade e daí você já sabe o que ocorre. Para muitos pacientes com depressão, passar a dormir 8 horas por noite é o suficiente para reduzir os sintomas da doença. Sol: Qual foi a última vez que você tomou sol? Trabalhamos, nos divertimos, compramos, vivemos em lugares fechados, vendo o sol somente pela janela. A falta de sol

produz depressão. Uma prova disso é a depressão sazonal, comum em países que tem poucas horas de sol no inverno. As pessoas desses países entram em depressão simplesmente por falta de luz solar. Nós precisamos de sol para manutenção do nosso relógio biológico e para produzir vitamina D. Tanto alteração no relógio biológico (como explicado antes) como baixos níveis de vitamina D estão associados com a depressão. Vida social: A vida social nunca foi tão competitiva como hoje. Precisamos ter smartphones, tablets, roupas da moda, falar 2 idiomas, saber todas as últimas notícias, ver todos os filmes em cartaz no cinema, conhecer todos os últimos lançamentos musicais, estar por dentro dos vídeos mais vistos no youtube e ainda sorrir em todas as fotos do facebook. Sabe o que isso gera? Sentimento de incapacidade, baixa autoestima, fobia social e isolamento. Sério! Cada vez mais pessoas preferem ficar em casa que sair e se encontrar com amigos, para evitar o sentimento de fracasso e frustração. Um pesquisa recente mostrou que o facebook, causa tristeza aos usuários. Sabem o porquê? Porque na vida digital todo mundo parece feliz e bem sucedido. Essa falsa ideia de que todos são felizes o tempo todo causa um sentimento de infelicidade na vida real, contribuindo muito para a depressão. Quer saber a verdade? Seriamos muito mais resistentes a depressão se fossemos fisicamente ativos, estivéssemos no peso coreto, dormíssemos bem, estivéssemos livre de estresse financeiro, vivêssemos cercados pela família e por amigos e se sentíssemos, realmente, orgulho do nosso trabalho. Reparem bem, essa era a forma como viviam nossos avós e bisavós e por isso eles enfrentavam melhor as adversidade da vida e tinham menos depressão. Que tal aplicar alguns desses velhos hábitos na nossa vida moderna, simplesmente para sermos mais felizes? http://temciencianoteucha.com/2013/08/27/a-depressao-como-uma-doenca-da-modernidade/

TEXTO II

MÃOS À OBRA A partir do material de apoio e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, em norma padrão da língua portuguesa, sobre o recorte temático: Depressão, bipolaridade, déficit de atenção: as doenças psíquicas representam, por vezes, avanços da medicina, por vezes, simples patologização do comportamento humano. Apresente, também, uma proposta de intervenção social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de maneira coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

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