Financiamento á exportação Crédito seguro/pagamento Garantido É um meio de pagamento internacional que consiste na emissão de uma carta de crédito na qual o Banco Emitente se compromete a pagar, aceitar ou negociar um efeito, desde que o beneficiário (exportador) apresente os documentos exigidos e quando integralmente cumpridos os termos e condições impostos pelo ordenador (importador). Este tipo de operação destina-se a negócios com a máxima segurança entre empresas. Estas operações regem-se por normas emanadas pela Câmara de Comércio Internacional. A vantagem para o importador é a garantia de só efectuar o pagamento contra apresentação dos documentos requeridos. A vantagem para o exportador é a garantia de bom pagamento na data fixada, desde que apresente os documentos em conformidade com as condições da carta de crédito. Essa garantia pode ainda ser reforçada pelo seu Banco se for solicitada a confirmação do crédito. Seguro de caução É o seguro que garante o bom cumprimento de obrigações contratuais assumidas na ordem externa, normalmente em países de risco político, por uma Empresa (Tomador de Seguro) perante o Beneficiário da caução (Segurado). O Seguro Caução com garantia do Estado cobre frequentemente: ü Cauções de apresentação de propostas a concursos públicos e privados (bid bond)
ü Cauções de reembolsos de adiantamento em contratos de construção civil e obras públicas (advance payment bonds) ü Cauções de boa execução das obrigações contratuais (performance bond) O seguro caução é perfeitamente equivalente a garantias prestadas por instituições financeiras. A vantagem de contratar seguro caução com garantia do Estado? Todas as empresas exportadoras portuguesas que tenham de prestar garantias ou caucionar o cumprimento de obrigações contratuais relativos a contratos de exportação, normalmente, de construção de obras públicas ou privadas ou fornecimentos, podem obter um seguro caução nos casos em que, face aos riscos envolvidos, o mercado privado não tem capacidade de resposta, designadamente em mercados de risco político e em cauções com a cláusula first demand. Seguros de créditos financeiros É o Seguro, também designado como Garantia Financeira, que cobre directamente o incumprimento no reembolso dos financiamentos à exportação, causado por factos de natureza política, monetária e catastrófica, podendo incluir também o risco comercial. Este produto destina-se a todas as instituições de crédito que financiam a exportação de bens e serviços nacionais. São qualificáveis como créditos seguravam, aqueles decorrentes dos financiamentos ao importador (operações individuais ou linhas de crédito) ou ao exportador (préfinanciamentos).
Quais as vantagens de contratar seguros de créditos financeiros? ü Partilha do risco de crédito no financiamento das operações de exportação, na percentagem da garantia contratada, que pode atingir até 99% do crédito seguro. ü Melhoria de condições no acesso do exportador ao financiamento bancário. ü Estudo da operação e da situação economico-financeira dos importadores e dos respectivos países. ü Apoio técnico na área dos contratos internacionais. ü Acompanhamento dos riscos cobertos para prevenção de eventuais incumprimentos. ü Indemnização dos prejuízos causados pelo não pagamento dos créditos na proporção contratada. Seguro de Investimento É o seguro que cobre os riscos do investimento português no estrangeiro. Se a sua empresa tem um projecto de investimento, num país de risco político, o Estado Português pode cobrir os riscos extraordinários de natureza política e monetária. Este produto destina-se às pessoas colectivas com sede em Portugal, a pessoas singulares de nacionalidade portuguesa associadas a pessoas colectivas e às Instituições de Crédito com sede em Portugal, que pretendam iniciar investimentos em países de risco político, com carácter de continuidade e com enquadramento legal adequado no país de destino. Estes requisitos são igualmente aplicáveis a empréstimo bancário associado ao investimento.
Antes de iniciar a execução do seu projecto de investimento, deverá apresentar a proposta de seguro à COSEC, beneficiando também das vantagens de apoio técnico que a COSEC lhe proporciona. Os Investimentos seguráveis deverão corresponder a uma das seguintes tipificações: ü Participações societárias, prestações suplementares de capital, etc; ü Empréstimo de médio e longo prazo, associado ao investimento, a conceder pelo investidor; ü Empréstimo de médio e longo prazo, associado ao investimento, a conceder por instituição de crédito com sede em Portugal; ü Reinvestimento de rendimentos ou repatriação de lucros, dividendos e juros de empréstimos; ü Produto resultante do desinvestimento (alienação onerosa de títulos representativos do investimento e ou do empréstimo, ou da liquidação voluntária da empresa estrangeira). Quais as vantagens de contratar seguros de investimento? ü Partilha do risco de investimento com o investidor, na percentagem de garantia contratada, que pode atingir 95% do valor do investimento coberto. ü Estudo da operação e da situação económico - financeira do país de investimento. ü Apoio técnico no que respeita ao enquadramento legal no país de investimento. ü Indemnização dos prejuízos causados pela ocorrência dos riscos cobertos na proporção contratada.
A exportação A exportação pode ser um óptimo negócio para a empresa, desde que exista um planeamento e uma política que levem em conta o conhecimento e o domínio das regras e usos do comércio internacional. A exportação é uma actividade que exige tempo, investimento e, principalmente, continuidade. A exportação não pode ser apenas uma alternativa para os momentos de reaquecimento do mercado interno, mas sim uma actividade permanente. Existe alguns passos a seguir para a exportação nomeadamente: Identificar mercados de destino O primeiro passo para o futuro exportador é fazer uma análise competitiva da inserção de seus produtos no mercado internacional. Em seguida, é necessário seleccionar os mercados (países) que tenham carência do produto a ser exportado ou para os quais o produto apresente um diferencial competitivo em função de aspectos tributários, económicos, políticos, culturais, logísticos, entre outros. Verificar se o produto não tem restrições para exportação O segundo passo é verificar se o produto a ser exportado não tem nenhum tipo de restrição para comercialização internacional, ou seja, verificar se a legislação Portuguesa e a legislação vigente no país de destino permitem a comercialização do produto em questão. Exemplo: De acordo com a legislação vigente nos E.U.A., para exportar produtos do segmento alimentício, farmacêutico e cosmético, é necessário que o exportador efectue um cadastro tanto do produto, quanto da empresa, junto ao F.D.A. - Food and Drug Administration.
Analisar o mercado para avaliar a viabilidade da exportação Uma vez identificado o mercado e não havendo restrições legais, a empresa deve efectuar uma análise com relação a preços praticados no país, diferenças cambiais, nível de demanda, sazonalidade, embalagens, exigências técnicas e sanitárias, custo de transporte, entre outras. Ou seja, aprofundar a análise realizada no primeiro ponto (identificar mercados de destino), focando cada um dos países pré-selecionados, visando a captação de importadores. Efectuar o primeiro contacto com o importador Identificado o cliente, é imprescindível que seja enviado a ele o maior número de informações possíveis sobre o produto. Para tanto, pode-se utilizar catálogos, lista de preços e amostras. O exportador deverá sempre se colocar à disposição do cliente (importador) para esclarecimentos técnicos e comerciais sobre o produto. Efectuar o credenciando como exportador Para obter plena habilitação para exportar, o interessado deverá efectuar credenciando no Registo de Exportadores e Importadores (R.E.I.), no Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX) e também no Registo e Rastreamento da Actuação dos Intervenientes Aduaneiros (RADAR). O SISCOMEX é um instrumento que integra as actividades de registo, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior, através de um único fluxo computadorizado de informações. O RADAR é um sistema que visa agilizar as informações sobre operações efectuadas por exportadores e importadores quando exigido por algum fiscal em um posto aduaneiro.
Analisar aspectos tributários, nacionais e internacionais Seleccionar Canal de Distribuição O exportador deve definir um canal de distribuição. As exportações podem ser cursadas: directamente, indirectamente ou por intermédio de Trading Companies. A venda de produtos directamente ao consumidor no exterior, possibilita a eliminação de intermediários. O contacto entre exportador e importador é directo, o exportador factura a mercadoria em nome do importador, providencia todos os trâmites necessários para a exportação e recebe o pagamento directamente do importador, eliminando a actuação de Comerciais Exportadoras ou Trading Companies. São as exportações realizadas por meio de intermediários, conforme segue: a) Empresa comercial exclusivamente exportadora; b) Empresa comercial de actividade mista (que opera tanto nas actividades de mercado interno como da importação e exportação); c) Cooperativas ou consórcios de fabricantes ou exportadores; d) Indústria cuja actividade comercial de exportação seja desenvolvida com produtos fabricados por terceiros. Trading Company é a empresa que compra mercadoria em um mercado para revendê-la em outro.
Definir Vias de Embarque, Condição de Venda (INCOTERMS) e Modalidade de Pagamento Após a aceitação do produto por parte do cliente (importador), é preciso negociar três pontos fundamentais para concretizar a exportação. A condição de venda (INCOTERMS), a via de embarque e a modalidade de pagamento. Formas e Vias de Embarque O transporte internacional pode ser realizado pelos meios aéreo, marítimo e terrestre, ou pela combinação dos mesmos em uma mesma remessa que denominamos Multimodalidade. Definidas as condições de transporte com o cliente (importador), o exportador deve providenciar, com antecedência, a reserva de praça (local) para a carga no meio de transporte seleccionado. Factores a serem analisados: ü Pontos de embarque e desembarque; ü Urgência na entrega; ü Características da carga: peso, volume, formato, dimensão, periculosidade, cuidados especiais, refrigeração etc; ü Possibilidade do uso dos meios de transporte, tais como disponibilidade, frequência, adequação, exigências legais. Multimodalidade - A opção vincula o percurso da carga a um único documento de transporte, designado Documento ou Conhecimento de Transporte Multimodal, independente das diferentes combinações de meios de transportes, como por exemplo, terrestre e aéreo.
Modalidades de Pagamento As principais modalidades de pagamento no comércio exterior são: ü Pagamento antecipado (Advanced Payment); ü Remessa directa ou sem saque (Clean Collection); ü Cobrança documentaria (Sight Draft / Term Draft); ü Carta de crédito (L/C - Letter of Credit). Formalizar a negociação Confirmado o encerramento do negócio, o exportador deve formalizar a negociação enviando uma factura pró-forma. Esta factura é um précontrato, semelhante a um pedido de compra, contendo o logótipo da empresa, informações sobre o importador e o exportador, descrição da mercadoria, peso líquido e bruto, quantidade, preço unitário e total, condição de venda, modalidade de pagamento, meio de transporte e tipo de embalagem. A factura pró-forma garante as informações necessárias para a emissão da Carta de Crédito e para o encerramento de câmbio no caso de pagamento antecipado. Não existe nenhum padrão de pró-forma, cada exportador pode montar o seu, desde que contenha todas as informações descritas acima. Preparar a mercadoria para embarque Caso não haja mercadoria em stock, o exportador deve agilizar a produção e informar previsão de entrega ao cliente, para que o mesmo possa tomar as providências necessárias quanto ao pagamento e iniciar os processos aduaneiros de acordo com a legislação vigente no país.
Solicitar a autorização do embarque Concluída a produção da mercadoria, o exportador deverá confirmar com o importador se o pagamento ou a abertura da L/C já foi efectuado(a) e solicitar autorização para proceder com o embarque. Providenciar a documentação para embarque De posse da autorização de embarque do importador, é necessário iniciar a emissão da documentação que irá amparar a mercadoria. Esta documentação é composta por: ü Packing List ü Registro de Exportação ü Nota Fiscal ü Conhecimento de Embarque ü Certificados Embarque da mercadoria e despacho aduaneiro Após a emissão da documentação, deverá ser efectuado o embarque da mercadoria e desembaraço na aduana (alfândega). O despacho de embarques aéreos ou marítimos é efectuado por agentes aduaneiros mediante o pagamento da taxa. O embarque rodoviário é efectuado no próprio estabelecimento do produtor, ou em local pré-estabelecido pelo importador. Preparar a documentação pós embarque Embarcada a mercadoria para o exterior, inicia-se uma nova fase, que é a preparação dos documentos necessários para o recebimento dos recursos provenientes da exportação junto ao banco.
Documentos exigidos junto aos Bancos: ü Factura Comercial ü Registo de Exportação (RE) ü Solicitação de Despacho (SD) ü Saque ou Cambial ü Certificado ou Apólice de Seguro ü Factura e/ou Visto ü Conhecimento de Embarque ü Carta de Crédito ü Certificados ü Carta de Entrega Efectuar a contratação de operação de câmbio Para efectuar a operação de câmbio, é necessário negociar com uma instituição financeira autorizada ou uma corretora de câmbio o pagamento, em reais ou a conversão da moeda estrangeira, recebida pela aquisição das mercadorias exportadas. Esta operação é formalizada mediante um contrato de câmbio. Após a confirmação da transferência para o banco do exportador deverá ser feita a liquidação do câmbio conforme as condições descritas no contrato de câmbio. O recebimento deverá ser em reais. Tânia Leão n.º 19