Literatura 1 Módulo 9 SIMBOLISMO 1. Pode-se considerar como características simbolistas: tentativa de aproximar a poesia da música (para conseguir aproximação da poesia com a música, os simbolistas lançaram mão de alguns recursos, como uso de aliteração, ecos, assonância, numa tentativa de valorizar a sonoridade da linguagem), bem como o recurso das sensações indefinidas e dos sentimentos vagos. 2. O Simbolismo tem como características o hermetismo, valorizando o ritmo, os sons e a sugestão, em detrimento de um verso óbvio; a alquimia verbal, que tentava transformar palavras rudes em sons suaves; e a musicalidade, para aproximar a poesia da música, através de aliterações, onomatopeias e assonâncias. 3. O Simbolismo e o Parnasianismo assemelham-se quanto ao emprego de certos formalismos, como o uso do soneto, da métrica tradicional, das rimas ricas e raras e de vocabulário farto. 4. A escola simbolista contesta o cientificismo e tecnicismo da escola anterior, a realista, retomando certos valores da escola romântica, como o espiritualismo, o desejo de transcendência e de integração com o universo, o mistério, o misticismo, a morte, a dor existencial, porém sem a afetação sentimental romântica. Tais características são observadas na obra do poeta Cruz e Sousa. 5. Para os simbolistas, a poesia não é somente emoção, amor, mas a tomada de consciência dessa emoção. Os autores dessa escola descem ao patamar mais profundo do subconsciente humano, dando um caráter ilógico, às vezes de delírio, aos textos, apenas sugerindo os significados através de símbolos e de combinações entre sons e palavras (musicalidade), ao contrário do descritivismo parnasiano. 6. A sequência correta é: III. Sinestesia (associação de palavras ou expressões em que ocorre combinação de sensações diferentes numa só impressão); IV. Aliteração (repetição de fonemas idênticos ou parecidos no início de várias palavras na mesma frase ou verso); I. Hipérbato (transposição ou inversão da ordem natural das palavras de uma oração) e II. Crase (fusão de duas vogais idênticas numa só). 1. Pode-se considerar como característica simbolista: tentativa de aproximar a poesia da música (para conseguir aproximação da poesia com a música, os simbolistas lançaram mão de alguns recursos, como uso de aliteração, ecos, assonância, numa tentativa de valorizar a sonoridade da linguagem), bem como o recurso das sensações indefinidas e dos sentimentos vagos. 2. Pode-se afirmar que o Simbolismo foi uma reação, em certo modo, ao preciosismo parnasiano, pois propunha a adoção de uma postura subjetiva diante da realidade, expressa numa linguagem rica de associações sensoriais, muitas vezes revelando o hermetismo do poeta através de farto uso de musicalidade. 3. A leitura do fragmento destacado revela a preocupação do eu-lírico pelas formas caracterizadas pela cor branca, pelas cintilações, pela vaguidade, pelo diáfano e pelo transparente, aspectos que podem ser associados à produção poética de Cruz e Sousa. 4. Pode-se considerar que o Simbolismo se contrapõe ao Parnasianismo ao adotar uma postura subjetiva diante da realidade, expressa numa linguagem rica de associações sensoriais. 5. A partir da leitura do fragmento destacado, pode-se afirmar que, pelas características que apresenta, é um texto simbolista, haja vista o uso da sonoridade e do tom de misticismo; por valorizar uma realidade subjetiva, metafísica e espiritual, o texto opõe-se ao Naturalismo e ao Parnasianismo, do qual se aproxima pelo apuro formal. 6. Os dois tercetos apresentados pertencem ao poema Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos, poeta que utiliza uma linguagem inovadora e publicou apenas um livro, Eu, em 1912, embora não se enquadre em nenhuma estética literária, foi classificado como escritor pertencente ao Pré-Modernismo. Os versos incitam o leitor a desacreditar na constância da solidariedade e da sensibilidade. 7. Representante máximo do Parnasianismo, Olavo Bilac desenvolveu com maestria o rigor formal aliado a uma grande sensibilidade. Crus e Sousa é dotado de um estilo verborrágico e tem um Simbolismo original e melódico, repleto de imagens sinestésicas PRÉ-VESTIBULAR VOLUME 3 LITERATURA 1 1
8. Pode-se afirmar que o simbolismo foi uma reação ao preciosismo parnasiano, pois propunha a adoção de uma postura subjetiva diante da realidade, expressa numa linguagem rica de associações sensoriais, enquanto os poetas parnasianos estavam preocupados com a exatidão do uso da linguagem e a construção de um poema formalmente perfeito. 9. Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens foram os maiores representantes do Simbolismo na literatura brasileira. Pode-se afirmar que o Simbolismo é marcado pela busca da transcendência, a preponderância do símbolo entre as figuras e o cultivo de um vocabulário ligado às sensações. 10. São características do Parnasianismo: valorização exagerada da forma, buscando o poeta a rima rara e a linguagem preciosa, associação da poesia com a escultura, haja vista o poeta ser identificado como um escultor da palavra. São características do Simbolismo: exploração intensa da musicalidade das palavras e a utilização frequente de palavras relacionadas a rituais religiosos e místicos., A, B, B. PRÉ-MODERNISMO Módulo 10 1. Todas as afirmações são verdadeiras e podem ser associadas à produção literária do Pré-Modernismo. O que se convencionou chamar de Pré-Modernismo, no Brasil, não constitui uma "escola literária", ou seja, não temos um grupo de autores afinados em torno de um mesmo ideário, seguindo determinadas características. Na realidade, Pré-Modernismo é um termo genérico que designa uma vasta produção literária que abrangeria os primeiros 20 anos deste século. Aí vamos encontrar as mais variadas tendências e estilos literários, desde os poetas parnasianos e simbolistas, que continuavam a produzir, até os escritores que começavam a desenvolver um novo regionalismo, além de outros mais preocupados com uma literatura política e outros, ainda, com propostas realmente inovadoras. Por apresentarem uma obra significativa para uma nova interpretação da realidade brasileira e por seu valor estilístico, limitaremos o Pré- Modernismo ao estudo de Euclides da Cunha, Lima Barreto, Graça Aranha, Monteiro Lobato e Augusto dos Anjos. Assim, abordaremos o período que se inicia em 1902, com a publicação de dois importantes livros Os Sertões, de Euclides da Cunha, e Canaã, de Graça Aranha e se estende até o ano de 1922, com a realização da Semana de Arte Moderna. A literatura brasileira atravessa um período de transição nas primeiras décadas do século XX. De um lado, ainda há a influência das tendências artísticas da segunda metade do século XIX; de outro, já começa a ser preparada a grande renovação modernista, que se inicia em 1922, com a Semana de Arte Moderna. A esse período de transição, que não chegou a constituir um movimento literário, chamou-se Pré- Modernismo. Nas duas primeiras décadas do século, nosso país passou por várias transformações que apontavam para uma modernização de nossa vida política, social e cultural. Do ponto de vista cultural, o período foi marcado pela convivência entre várias tendências artísticas ainda não totalmente superadas e algumas novidades de linguagem e de ideologia. Esse período, que representou um verdadeiro cruzamento de ideias e formas literárias, é chamado de Pré-Modernismo. Apesar de o Pré-Modernismo não constituir uma "escola literária", apresentando individualidades muito fortes, com estilos às vezes antagônicos, como é o caso, por exemplo, de Euclides da Cunha e Lima Barreto podemos perceber alguns pontos comuns às principais obras prémodernistas. Apesar de alguns conservadorismos, o caráter inovador de algumas obras, que representa uma ruptura com o passado, com o academismo; a linguagem de Augusto dos Anjos, ponteada de palavras "nãopoéticas", era uma afronta à poesia parnasiana ainda em vigor. Lima Barreto ironiza tanto os escritores "importantes" que utilizavam uma linguagem pomposa quanto os leitores que se deixavam impressionar: "Quanto mais incompreensível é ela (a linguagem), mais admirado é o escritor que a escreve, por todos que não lhe entenderam o escrito" (Os bruzundangas). Resposta correta: V, V, V, V, V, V. 2. Os fatos históricos retratados na crônica de Monteiro Lobato são a Independência do Brasil ( Quando Pedro I lança aos ecos o seu grito histórico ( ) ); a Libertação dos Escravos ( Pelo 13 de maio, mal esvoaça o florido decreto da Princesa ( ) ); e a Proclamação da República ( A 15 de novembro troca-se um trono vitalício pela cadeira quadrienal. ). 3. Augusto dos Anjos, conhecido como poeta do mau gosto, tem sua obra caracterizada pelo pessimismo e carregada de termos técnico-científicos. 4. Triste fim de Policarpo Quaresma é a história de um nacionalista fanático que tenta, sozinho, salvar o Brasil de suas mazelas. Primeiro, o Major Quaresma tenta tornar o tupi a língua oficial do Brasil, numa tentativa de retomar as origens indígenas de nosso povo. Depois, vê na agricultura a verdadeira vocação nacional. E, por último, apoia o marechal Floriano Peixoto na Revolta da Esquadra. Acaba humilhado e traído pela pátria que tanto defendeu. 5. O Pré-Modernismo caracterizou-se pela observação e denúncia da realidade brasileira, mostrando o Brasil nãooficial e retratando o sertão nordestino, os subúrbios das grandes cidades e a vida de seus habitantes. 2 PRÉ-VESTIBULAR VOLUME 3 LITERATURA 1
6. Lima Barreto teve uma infância difícil, largou o curso de Engenharia por não ter condições financeiras de continuar e era alcoólatra. Apesar disso, publicava artigos e contos em jornais e lia bastante. 1. Pode-se afirmar acerca do romance Os Sertões, de Euclides da Cunha que é uma obra híbrida com relação ao gênero, pois mescla elementos da cultura científica e histórica ao artesanato verbal, à escolha precisa do vocabulário e à visão dramática do mundo. O romance a- presenta influência do determinismo científico em sua construção, pois descreve o sertão e o sertanejo com base nos postulados desta teoria científica. Pode-se ainda considerar que o vocabulário utilizado por Euclides apresenta elementos que podem ser associados à segunda geração do Modernismo brasileiro, de que fizeram parte José Lins do Rego e Graciliano Ramos. 2. Acerca da construção do romance Os Sertões, de Euclides da Cunha, pode-se afirmar que o autor descreve, na terceira parte do livro, as várias etapas da guerra de Canudos e denuncia o massacre dos sertanejos pelas tropas do exército brasileiro, revelando a miséria e o subdesenvolvimento da região. 3. Não se pode afirmar que o romance Os Sertões, de Euclides da Cunha, apresenta uma linguagem voltada para a análise pessoal sobre o episódio, pois o autor volta-se para a análise da guerra sem interferir nos acontecimentos. Também não se pode considerar que o autor tenha utilizado elementos ficcionais para compor a narrativa, pois busca ser fidedigno ao acontecimento que se passara no interior baiano. 4. Pode-se considerar que o tema central de Triste fim de Policarpo Quaresma é o nacionalismo absurdo, porém honesto do protagonista. 5. A obra Triste fim de Policarpo Quaresma é uma sátira do nacionalismo romântico, portanto critica o Romantismo e se opõe às palavras de Antônio Cândido. 6. Acerca de autores e obras do Pré-Modernismo, pode-se afirmar que Graça Aranha retratou em seu romance Canaã a imigração alemã no Espírito Santo; Lima Barreto detém-se na análise das populações suburbanas do Rio de Janeiro, característica que pode ser associada a Manuel Antônio de Almeida, e Monteiro Lobato descreve a miséria do caboclo na região decadente do Vale do Paraíba, no Estado de São Paulo. 7. Os trechos destacados de Triste fim de Policarpo Quaresma exemplificam a sátira ao ufanismo característica da obra. 8. O termo Pré-Modernismo apresenta elementos que podem ser associados à irreverência desenvolvida pelos autores da primeira geração modernista. Portanto, consideramos que elementos deste período podem ser observados naquele. 9. Sobre Policarpo Quaresma, personagem do romance de Lima Barreto, pode-se afirmar que defendeu valores nacionais, brigou por eles a vida toda e foi condenado à morte justamente pelos valores que defendia. Devemos lembrar que o desfecho do personagem aconteceu a partir das ações do presidente a quem tanto defendeu. 10. A expressão de aspectos negligenciados da realidade brasileira, a busca em integrar a literatura a fatos político-sociais do início do século XX e o retrato de tipos humanos marginalizados foram aspectos que uniram a produção literária pré-modernista. MODERNISMO Módulo 11 1. I. (V) II. (F) A proposta modernista era romper com a idealização do elemento indígena, característica da escola romântica. III. (F) O intuito dos artistas do Modernismo era valorizar a cultura nacional e resgatar os elementos primitivos na cultura brasileira. IV. (V) V. (F) O Modernismo visava a valorizar as lendas e mitos brasileiros, o que se torna aparente na obra Macunaíma, de Mário de Andrade. 2. O Modernismo brasileiro tratou de analisar a realidade brasileira sem a idealização e com distância das escolas literárias que surgiram no século XIX. 3. I. (F) O crescimento da industrialização e o florescimento da vida urbana tornaram a burguesia industrial uma classe que viria a competir com os latifundiários do Rio de Janeiro e de São Paulo. II. (V) III. (V) IV. (V) PRÉ-VESTIBULAR VOLUME 3 LITERATURA 1 3
4. Os modernistas desejavam libertar-se das amarras da métrica e da rima, portanto os versos do poema reproduzido são, além de brancos, assimétricos. 5. A partir da leitura dos versos de Poética, de Manuel Bandeira, pode-se depreender que o poeta pretende, bem ao gosto modernista, desenvolver um novo modelo poético e um novo lirismo, não mais o lirismo do passado. 6. A leitura do excerto destacado permite-nos afirmar que o Modernismo, em uma de suas propostas mais ousadas, pretendia buscar a identidade do povo brasileiro e o registro, no texto literário, da diversidade das falas brasileiras. 1. A primeira fase modernista no Brasil (1922-1930) caracteriza-se por ser uma tentativa de definir e marcar posições. Período rico em manifestos e revistas de vida efêmera. Um mês depois da SAM, a política vive dois momentos importantes: eleições para Presidência da República e congresso (RJ) para fundação do Partido Comunista do Brasil. Ainda no campo da política, surge em 1926 o Partido Democrático, que teve entre seus fundadores Mário de Andrade. É a fase mais radical justamente em consequência da necessidade de definições e do rompimento de todas as estruturas do passado. Caráter anárquico e forte sentido destruidor. Principais autores desta fase: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Antônio de Alcântara Machado, Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo, Guilherme de Almeida e Plínio Salgado. Características: busca do moderno, original e polêmico; nacionalismo em suas múltiplas facetas; volta às origens e valorização do índio verdadeiramente brasileiro; língua brasileira falada pelo povo nas ruas; paródias tentativa de repensar a história e a literatura brasileira. A postura nacionalista apresenta-se em duas vertentes: nacionalismo crítico, consciente, de denúncia da realidade, identificado politicamente com as esquerdas e nacionalismo ufanista, utópico, exagerado, identificado com as correntes de extrema direita. 2. Todos os fragmentos apresentam elementos que podem ser associados às ideias modernistas sintetizadas no excerto, apenas o item I apresenta elementos que podem ser associados ao Parnasianismo. Resposta correta: F, V, V, V, V. 3. Os versos de Poética de Manuel Bandeira exemplificam uma oposição à estética parnasiana, que privilegia a forma e a objetividade temática. 4. O poeta italiano Marinetti publicou, em 1909, o Manifesto Futurista, que, entre outras propostas, defendia a negação do passado e o uso de palavras em liberdade. 5. Sobre Manuel Bandeira, pode-se afirmar que conservou um estilo que utilizou, no início de sua carreira, das formas poéticas tradicionais e de um certo sentimentalismo terno, que pode até ser associado ao romantismo. 6. A partir da leitura do poema O bicho, de Manuel Bandeira, pode-se considerar que o tema do poema é a degradação da natureza humana, haja vista estar o homem exposto a uma condição sub-humana. 7. Nas últimas duas estrofes, o autor faz uso de uma enumeração gradativa que atinge o clímax ao se constatar que o homem é o bicho sobre o qual o eu lírico escreve. 8. O conteúdo semântico da maioria dos verbos que ocorrem nas duas primeiras estrofes do poema indica um processo pertinente aos animais irracionais, tais como estar catando comida entre os detritos e engolir o alimento com voracidade sem examiná-lo ou cheirá-lo. 9. O bicho a que se faz referência no poema é um ser humano que passa por dificuldade e que por isso poderia ter praticado as ações narradas no poema. 10. I. (V) II. (V) III (F) A repetição do verso Café com pão lembra o som que o trem produz quando começa a se mover. Virge Maria é uma expressão típica do falar interiorano brasileiro. Essa aproximação com o falar do povo brasileiro era uma das ambições do movimento modernista. Módulo 12 A SEGUNDA FASE MODERNISTA A POESIA 1. Pode-se considerar, a partir da leitura do poema Sentimental, de Drummond, a presença de elementos modernistas: uso de uma linguagem coloquial, de versos livres, de humor e de uma cena do cotidiano. 4 PRÉ-VESTIBULAR VOLUME 3 LITERATURA 1
2. Acerca de Cecília Meireles e dos versos apresentados, pode-se afirmar que a autora pertenceu ao movimento modernista, dentro de uma tendência espiritualista, bem como está presa a uma tradição lírica do passado em que se podem encontrar traços do simbolismo; pode-se ainda considerar, quanto aos versos destacados, que há uma preocupação com a passagem do tempo, haja vista o tempo eliminar o amor, as ilusões, o corpo e até as lembranças. 3. O nome de Drummond está associado ao que se fez de melhor na poesia brasileira. Pela grandiosidade e pela qualidade, sua obra não permite qualquer tipo de análise esquemática. De acontecimentos banais, corriqueiros, gestos ou paisagens simples, o eu lírico extrai poesia na sua fase inicial ligada ao Modernismo de 22. Em um segundo momento de sua produção, muitos poemas de Drummond funcionam como denúncia da opressão que marcou o período da Segunda Grande Guerra. A temática social, resultante de uma visão dolorosa e penetrante da realidade, predomina em Sentimento do mundo (1940) e A rosa do povo (1945), obras que não fogem a uma tendência observável em todo o mundo, na época: a literatura comprometida com a denúncia da ascensão do nazi-fascismo. A consciência do tenso momento histórico produz a indagação filosófica sobre o sentido da vida, pergunta para a qual o poeta só encontra uma resposta pessimista. O passado ressurge muitas vezes na poesia de Drummond e sempre como antítese para uma realidade presente. A terra natal ltabira transformase, então, no símbolo da atmosfera cultural e afetiva vivida pelo poeta. Nos primeiros livros, a ironia predominava na observação desse passado; mais tarde, o que vale são as impressões gravadas na memória. Transformar essas impressões em poemas significa reinterpretar o passado com novos olhos. O tom agora é afetuoso, não mais irônico. Da análise de sua experiência individual, da convivência com outros homens e do momento histórico, resulta a constatação de que o ser humano luta sempre para sair do isolamento, da solidão. 4. A partir da leitura do soneto O acendedor de lampiões, de Jorge de Lima, pode-se observar que há um lamento pelas injustiças sociais (observe a terceira estrofe). 5. Não se pode interpretar, a partir do excerto destacado de Romanceiro da Inconfidência, que a redação da legislação colonial incentiva a prática de delitos (observe os quatro últimos versos). 6. A poética de Murilo Mendes e seus poemas-piadas constituem uma forma literária que marcou o caráter anárquico e o forte sentido destruidor da primeira fase do Modernismo brasileiro, cujos autores buscavam negar os valores tradicionalistas do passado, rompendo em forma e conteúdo com os escritores do Parnasianismo. 1. Na 4ª estrofe, José anseia mudar de vida, porém não vê perspectivas. Na 5ª estrofe, várias possibilidades são oferecidas a José, mas, por ser duro, ele não aceita e continua com sua vida monótona e sem expectativas. 2. Apenas o verso da opção a não foi escrito em linguagem figurada. 3. A proposta mais extremada seria a morte de José. 4. José é alguém que não se contenta com a vida que leva, mas não faz nada para mudar isso. 5. A ideia de abandono de José se traduz nos versos 12, 13 e 14 da 2ª estrofe e nos sete primeiros versos da 6ª estrofe. 6. A sensação de abandono de José é agravada pelo frio da noite, numa analogia do clima físico com o significado figurado da palavra frio, que significaria desprovido de afeto, de calor humano. 7. O fato de José não ter nome tira-lhe qualquer possibilidade de atuar na sociedade, em qualquer âmbito, seja como marido, pai, filho e até cidadão, reduzindo ao nada a sua importância. 8. Mesmo quando teve a oportunidade, quando estava com a chave na mão, José não seguiu um caminho diferente, e agora que ele marcha, não sabe sequer para onde vai, pois sua vida carece de rumo e significado. 9. O poeta se dirige a José com ar de reprovação, pois não concorda com a letargia de seu personagem. 10. A poesia de Drummond, num primeiro momento, reveste-se de sarcasmo e humor, porém um humor desencantado, devido ao seu distanciamento com o mundo a sua volta. Nessa fase de sua obra, o poeta refreia quaisquer tipos de sentimentos e emoções. Após essa fase, deixase envolver pela realidade à sua volta e canta a impotência e a solidão em um mundo mecânico, frio e político; a decepção e a falta de perspectiva diante da fragmentação causada pela guerra; o sofrimento e a solidariedade do ser humano brasileiro e universal. -19309 Rev.: Julyta PRÉ-VESTIBULAR VOLUME 3 LITERATURA 1 5