CIRCUITOS E SISTEMAS ELECTRÓNICOS



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Transcrição:

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DO TRABALHO E DA EMPRESA Apontamentos sobre Famílias Lógicas CIRCUITOS E SISTEMAS ELECTRÓNICOS APONTAMENTOS SOBRE FAMÍLIAS LÓGICAS

Índice Introdução... 1 Tempos de atraso e definição dos niveis lógicos...2 Tempos de subida e descida...2 Tempo de Propagação...2 Definição dos níveis lógicos...3 Principais arquitecturas e famílias lógicas...3 Evolução das arquitecturas para implementação de portas lógicas...3 Resistor-Transistor Logic (RTL)...5 Diode-Transistor Logic (DTL)...7 Transistor-Transistor Logic (TTL)...7 Lógica CMOS...8 Elementos de memória...10 Latch SR...10 Memória Estática (SRAM)...11 Memória Dinâmica (DRAM)...12

Índice de Figuras Figura 1. Tempo de propagação e tempo de subida e descida...2 Figura 2. Característica v o (v i ) de uma porta lógica NOT...3 Figura 3. Tecnologias e famílias lógicas mais comuns...5 Figura 4. Porta lógica NOT em tecnologia RTL....5 Figura 5. Característica v o (v i ) de um inversor RTL....6 Figura 6. Porta lógica NAND em tecnologia RTL....6 Figura 7. Porta lógica NAND em tecnologia DTL...7 Figura 8. Porta lógica NAND em tecnologia TTL...7 Figura 9. Característica v o (v i ) de um inversor TTL....8 Figura 10 Porta lógica NOT em tecnologia CMOS...8 Figura 11 Característica v o (v i ) de um inversor em tecnologia CMOS...9 Figura 12 Porta lógica NAND em tecnologia CMOS...9 Figura 13 Porta lógica NOR em tecnologia CMOS....10 Figura 14. Representação esquemática de um Latch SR...10 Figura 15. Latch SR em tecnologia CMOS... 11 Figura 16. Célula de memória estática de 1 bit... 11 Figura 17. Célula base de uma DRAM...12 Figura 18. Matriz de memória implementada em lógica dinâmica (DRAM)...12

Introdução A generalidade dos sinais eléctricos de interface com o meio ambiente em sistemas de 1/12

Tempos de atraso e definição dos niveis lógicos Tempos de subida e descida O tempo que uma porta lógica demora a comutar está relacionado com os tempos de subida e descida, ou seja com os tempos de comutação de LOW para HIGH e de HIGH e LOW respectivamente. O tempo de subida (t r ) rise time - é geralmente definido como o tempo que a tensão na saída da porta lógica demora a subir entre 10% e 90% do seu valor máximo. De forma complementar, o tempo de descida (t f ) fall time - é definido como o tempo que a tensão na saída demora a descer entre 90% e 10% do seu valor máximo. Tempo de Propagação O tempo de propagação de LOW para HIGH (t PLH ) e o tempo de propagação de HIGH e LOW (t PHL ) são definidos como o tempo que a tensão de saída demora a atingir o valor médio entre os valores máximo e mínimo da tensão de saída, desde o momento em que a entrada comuta. Ou seja, o tempo que decorre entre a definição do nível lógico de entrada e a definição do nível lógico na saída. Naturalmente, é desejável que t PHL e t PHL sejam iguais dado que o pior destes tempos define a velocidade máxima a que a porta lógica pode operar. A figura seguinte mostra gráficamente os tempos de propagação e de comutação de LOW para HIGH e de HIGH e LOW. Figura 1. Tempo de propagação e tempo de subida e descida. 2/12

Definição dos níveis lógicos A figura seguinte representa a característica v o (v i ) de um inversor (porta lógica NOT) genérico. Nesta são identificadas as tensões V OH, V OL, V IH e V IL, que correspondem à definição dos níveis lógicos na saída output e na entrada input respectivamente. V M corresponde à intersecção da característica com uma recta com 45º de inclinação. As tensões V OH e V OL correspondem ao valor máximo e mínimo da tensão de saída respectivamente. As tensões V IH e V IL representam o valor da tensão de entrada nos pontos em que a tangente à característica é igual a 1, e que correspondem respectivamente ao valor mínimo da tensão de entrada para o qual a saída já pode ser considerada LOW, e ao valor máximo da tensão de entrada para o qual a tensão de saída já pode ser considerada HIGH respectivamente. Obviamente é desejável que a zona da característica em que os níveis lógicos de entrada e de saída não estão completamente definidos seja tão pequena quanto possível, o que corresponde igualmente a tempos de propagação mais curtos. Do mesmo modo, a gama de tensões V OH - V IH e V IL - V OL definem as gamas em que o nível lógico HIGH e LOW respectivamente estão bem definidos. É desejavel que estas gamas sejão tão largas quanto praticável e se possível iguais. Figura 2. Característica v o (v i ) de uma porta lógica NOT. Principais arquitecturas e famílias lógicas Evolução das arquitecturas para implementação de portas lógicas Existem várias tecnologias e topogias disponiveis para a implementação de portas lógicas digitais. Apesar da tecnologia dominante actualmente ser a tecnologia CMOS, quer devido ao seu baixo custo 3/12

quer devido à grande densidade de portas lógicas que permite integrar por unidade de área, existem tecnologias alternativas que também apresentam algumas vantagens e são usadas correntemente em circuitos comerciais. As principais tecnologias utilizadas são: CMOS, Bipolar (TJB), BiCMOS e Arseneto de Gálio (GaAs). A tecnologia bipolar foi a tecnologia percursora dos circuitos digitais (nomeadamente através das famílias RTL e DTL), pode ser vantagosa em termos de velocidade face às tecnologias baseadas em transistores MOS. No entanto, é uma solução mais cara, mais complexa, pior em termos de consumo de potencia e não permite a implementação de sistemas de larga escala devido à área que uma porta lógica ocupa. As principais variantes actuais da tecnologia bipolar são as famílias TTL e ECL respectivamente vocacionados para circuitos lógicos genéricos e de muito alta velocidade. A tecnologia BiCMOS combina as vantagens dos circuitos bipolares e CMOS mas partilha também algumas das desvantagens da tecnologia bipolar, nomeadamente o custo e área e o seu campo de utilização é bastante limitado, sendo por vezes uma boa opção em circuitos mistos (analógicos e digitais). A tecnologia de GaAs permite a realização de circuitos de muito alta frequência (acima de 10 GHz), no entanto a densidade que é possível obter e o seu levado custo de fabricação limitam a seu utilização prática a circuitos muito específicos para os quais seja virtualmente impossivel qualquer das outras tecnologias disponíveis. Finalmente, a família CMOS tem algumas variante, nomeadamente as portas lógicas CMOS (lógica complementar), o Pseudo-NMOS e a lógica dinâmica. As portas CMOS são a escolha de eleição para a grande generalidade dos circuitos digitais (e sempre que se possível para circuitos mistos), sendo a tecnologia base para todos os microprocessadores, e demais electrónica de consumo. As topologias Pseudo-NMOS são semelhantes à topologia complementar CMOS, dado que a estrutura dos transistores NMOS é igual, no entanto, em vez de utilizar o circuito dual PMOS usa um único transistor como carga activa. O espaço ocupado é potencialmente menor e pode tornar-se uma opção atraente em circuitos muito complexos, mas é usualmente relegada para segundo plano. A lógica dinâmica é utilizada para a implementação de memórias dinâmicas (DRAM) dado que permite uma densidade de integração muito superior a qualquer outra, nomeadamente face à memórias estática implementada com portas CMOS comuns (SRAM). A figura seguinte representa uma estrutura hierarquica das várias famílias lógicas descritas, bem como das principais topologias ou variantes oferecidas tendo como base as tecnologias utilizadas actualmente. 4/12

Figura 3. Tecnologias e famílias lógicas mais comuns. Resistor-Transistor Logic (RTL) A topologia RTL Resistor Transistor Logic pode ser considerada como uma das arquitecturas base para a realização de portas digitais. A figura seguinte representa uma porta lógica NOT. Figura 4. Porta lógica NOT em tecnologia RTL. O comportamento desta porta é relativamente simples, quando a tensão de entrada tem o nível lógico HIGH o transistor está directamente polarizado e a resistencia R c é dimensionada para que o transistor esteja na zona de saturação, pelo que a tensão de saída é aproximadamente 0.2V o que corresponde ao nível lógico LOW. Quando o nível lógico de entrada é LOW o transitor está cortado e portanto i C é igual a zero o que implica que a tensão de saída v O seja V CC - nível lógico HIGH. Estes dois comportamentos, juntamente com a zona intermédia em que o transistor está na zona activa, são visíveis na característica v o (v i ) representada na figura seguinte: 5/12

Figura 5. Característica v o (v i ) de um inversor RTL. É relativamente simples implementar uma porta lógica NAND que é porta lógica universal, dado que qualquer outra pode ser implementada a partir desta com base na porta lógica NOT, basta para isso acrescentar um segundo ramo de entrada tal como é apresentado na figura seguinte. Figura 6. Porta lógica NAND em tecnologia RTL. Quando ambos os transistores estão a conduzir, ou seja, quando ambas as tensões de entrada correspondem ao nível lógico HIGH, há corrente na resistência R c e o nível lógico de saída é LOW. Quando qualquer dos dois transistor estiver cortado i C = 0, a tensão de saída é igual a V CC e o nível lógico na saída é HIGH, bastando para isso que uma das tensões de entrada seja LOW. 6/12

Diode-Transistor Logic (DTL) A topologia DTL Diode Transistor Logic visível na figura seguinte, apresenta tem um comportamento algo à porta lógica NAND usada em lógica RTL. Figura 7. Porta lógica NAND em tecnologia DTL. Neste caso, só quando ambos os diodos de entrada D 1 e D 2 estão cortados, é que o transistor tem a junção base-emissor polarizada directamente e impõe o nível lógico LOW na saída. Caso qualquer dos dois diodos D 1 e D 2 esteja em condução, a tensão no nó X não é suficiente para polarizar o transistor - que fica cortado e portanto i C = 0 pelo que a tensão de saída é igual a V CC e o nível lógico na saída é HIGH. Basta portanto que uma das tensões de entrada seja LOW para que corrente o nível lógico de saída seja LOW. Transistor-Transistor Logic (TTL) A figura seguinte representa uma implementação simplificada de uma porta lógica NAND realizada em lógica TTL. Figura 8. Porta lógica NAND em tecnologia TTL. 7/12

A análise da porta lógica NAND da família TTL é um pouco mais complicada, mas também aqui o transistor de saída Q 3 só está em condução quando ambas as junções de Q 1 estão polarizadas inversamente. Quando a tensão na base de Q 3 não é suficiente para o polarizar directamente, este fica cortado e portanto a sua corrente de colector é nula pelo que o nível lógico na saída é HIGH. Caso contrário, o transistor Q 3 conduz e o nível lógico de saída é LOW. A figura seguinte representa a característica v o (v i ) de uma porta lógica TTL, que corresponde à porta anterior sem um dos emissores do transistor Q 1. Figura 9. Característica v o (v i ) de um inversor TTL. Lógica CMOS A lógica CMOS Complementary MOS tem um análise simples e pode ser facilmente entendida pelo estudo do inversor CMOS, representado na figura. Figura 10 Porta lógica NOT em tecnologia CMOS. Quando a tensão no nó de entrada A tem uma tensão de entrada igual a V DD - nível lógico HIGH - o transistor NMOS está na zona activa pelo que a sua resistência equivalente é baixa, enquanto que o transistor PMOS está cortado e portanto tem uma resistência equivalente muito elevada (pode considerar-se infinita), sendo assim a tensão no nó de saída Y é puxada para 0V. Por outro lado, 8/12

quando a tensão de entrada é 0V o transistor PMOS está na zona activa - resistência equivalente baixa e o transistor NMOS está cortado, e portanto a tensão no nó de saída Y é puxada para V DD. A característica v o (v i ) correspondente, representada na figura seguinte, é bastante abrupta e tem boas gamas de definição dos nívies lógicos como se referiu anteriormente. Uma das grandes vantagens da lógica CMOS é que o consumo estático é nulo pois quer o sinal esteja a HIGH quer esteja a LOW um dos transistores está cortado e portanto não há corrente. Assim, só há consumo na zona intermédia da característica, que corresponde à zona em que acontecem as comutações. Figura 11 Característica v o (v i ) de um inversor em tecnologia CMOS. Para implementar uma porta lógica NAND a portir da porta lógica NOT, é necessário acrescentar um segundo ramo de entrada NMOS em série tal como foi feito para a porta lógica RTL, e um ramo PMOS em paralelo tal é apresentado na figura seguinte. Figura 12 Porta lógica NAND em tecnologia CMOS. A complementaridade destes dois acréscimos é também referida como circuito dual, e dá o nome à família lógica. Este raciocínio pode ser também aplicado para construir outro tipo de portas, 9/12

nomeadamente a porta lógica NOR (que também é uma porta lógica universal) tal como é visível na figura seguinte. Figura 13 Porta lógica NOR em tecnologia CMOS. Quando ambos os transistores estão a conduzir, ou seja, quando ambas as tensões de entrada correspondem ao nível lógico HIGH, há corrente na resistência R c e o nível lógico de saída é LOW. Quando qualquer dos dois transistor estiver cortado i C = 0, a tensão de saída é igual a V CC e o nível lógico na saída é HIGH, bastando para isso que uma das tensões de entrada seja LOW. Elementos de memória Latch SR O elemento básico de memória do qual derivam a generalidade dos flip-flops e consequentemente as máquinas estado síncronas, é o Latch SR, representado na figura seguinte. Figura 14. Representação esquemática de um Latch SR. A implementação deste bloco em tecnologia CMOS pode ser conseguida com o circuito representado na figura seguinte, em que quando a fase φ está a HIGH faz permite o carregamento dos dados (caso contrário é mantido o valor lógico anterior). Pode implentar-se um flip-flop D a partir deste latch acrescentando uma porta lógica NOT entre o nó S e o nó R. 10/12

Figura 15. Latch SR em tecnologia CMOS. Memória Estática (SRAM) Um bloco de memória estática tem por base exactamente o circuito anterior, e consiste num conjunto imenso de células iguais à representada na figura seguinte, dispostas numa matriz de colunas e linhas, em que cada uma destas células é capaz de memorizar 1 bit. Figura 16. Célula de memória estática de 1 bit. Na realidade, a necessidade de mais e mais memória torna (mesmo) esta implementação demasiado dispendiosa em termos de área para implementar uma memória de dimensão razoável, como as que são usadas actualmente por exemplo nos computadores pessoais. 11/12

Memória Dinâmica (DRAM) A figura seguinte representa uma forma alternativa de realizar blocos de memória. Consiste num único transistor e funciona com base num adressamento de linha e coluna em que cada bit de dados armazenado na memória é mantido à custa da capacidade C S. Figura 17. Célula base de uma DRAM. Naturalmente, correntes de fuga associadas a esta capacidade obrigam que se façam ciclos de refrescamento para garantir que os dados não são perdidos. Assim todos os bits de memória são dinamicamente acedidos periodicamente. A figura seguinte representa uma DRAM. Figura 18. Matriz de memória implementada em lógica dinâmica (DRAM). 12/12