ESTÁGIOS DO CICLO DE VIDA: ANÁLISE DO CICLO DE VIDA Introdução: Os processos industriais não geram somente resíduos, como também, consomem recursos naturais, requerem infraestrutura de transporte, utilizam produtos químicos, água e energia, e geram produtos que devem ser transportados, consumidos e, em alguns casos, reutilizados antes de seu descarte final. Avaliação do Ciclo de Vida ACV é uma técnica de análise e quantificação do impacto ambiental de um produto ou processo. Essa avaliação é feita sobre todo o "ciclo de vida" do produto ou processo, desde o início até o final da sua vida. EXEMPLO: desde a extração das matérias-primas no caso de um produto, até o momento em que ele deixa de ter uso e é descartado como resíduo ou é reciclado, passando por todas as etapas intermediárias como, manufatura, transporte, uso, etc. Em cada uma dessas etapas são gerados impactos ambientais diversos que devem ser analisados quando se deseja avaliar o efeito de um processo sobre o meio. A Análise de Ciclo de Vida ACV consiste na avaliação de cada um dos efeitos ambientais gerados ao longo da vida de um produto, desde as fontes dos recursos primários até o descarte final "do berço ao túmulo". De acordo com a Norma ISO 14040, Análise de Ciclo de Vida é uma técnica para determinar os aspectos ambientais e impactos potenciais associados a um produto: Juntando um inventário de todas as entradas e saídas relevantes do sistema; Avaliando os impactos ambientais potenciais associados a essas entradas e saídas; Interpretando os resultados das fases de inventário e impacto em relação com os objetivos de estudo. Esta técnica é muito utilizada para comparar o impacto ambiental de diferentes produtos com similar função. ACV também é utilizada na área de gestão ambiental para comparar o impacto ambiental de diferentes tipos de tratamento de resíduos, como comparar incineração vs. aterro sanitário, ou o impacto ambiental de diferentes destinos para um determinado resíduo especificamente, como comparar a reciclagem de papel vs. compostagem de papel, ou ainda analisar os impactos dos diferentes tipos de reciclagem de plástico, entre outros. A Análise de Ciclo de Vida foi desenvolvida originalmente na década de 70, com a crise energética. Inicialmente, esse estudo limitava-se a um simples balanço de matéria e energia ao longo do processo de geração e consumo energético, com o objetivo de identificar oportunidades de economia de energia através da cadeia de produção e consumo. Devido a estreita relação existente entre o consumo energético, o consumo de recursos naturais e as emissões de resíduos, a evolução da ACV cresceu rapidamente ao que se conhece hoje. Junto a ACV existe um conjunto de ferramentas complementares, como por exemplo: Avaliação de impacto ambiental Avaliação de Tecnologias Avaliação de riscos Análise de recursos Avaliação de desempenho ambiental As técnicas específicas para a análise de ciclo de vida para um produto ou processo estão em desenvolvimento. Tais aspectos, como o desenvolvimento e análise dos fluxos de matéria e energia através do ciclo de vida, e sua relação com os diferentes fatores ambientais, representam um grande desafio. Prof.Valmir Gonçalves Carriço Página 1
RECURSOS E ENERGÉTICOS EMISSÕES PARA O SOLO, AR E ÁGUA SISTEMA PRODUTIVO MEIO AMBIENTE PRODUTOS Cargas Ambientais de um Sistema de produção DEFINIÇÕES DOS CRITÉRIOS E ALCANCES ANÁLISES DOS INVENTÁRIOS AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS INTERPRETAÇÃO APLICAÇÕES: 1.DESIGN E MELHORES PRODUTOS 2.PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO 3.DESENVOLVIMENTO DE POLÍTICAS PÚBLICAS 4.MARKETING Quadro de Análise do Ciclo de Vida RECURSOS NATURAIS, E ENERGÉTICOS PROCESSO DE EXTRAÇÃO CONVERSÃO ENERGÉTICA PROCESSOS DE PURIFICAÇÃO PROCESSOS DE MANUFATURA USO RECICLAGEM OU DISPOSIÇÃO Ciclo de Vida de um Produto Prof.Valmir Gonçalves Carriço Página 2
LOGÍSTICA CONVENCIONAL E REVERSA: Introdução: O ciclo dos produtos na cadeia comercial não termina quando, após serem usados pelos consumidores, são descartados. Há muito se fala em reciclagem e reaproveitamento dos materiais utilizados. Esta questão se tornou foco no meio empresarial, e vários fatores cada vez mais as destacam, estimulando a responsabilidade da empresa sobre o fim da vida de seu produto. Numa visão ecológica, as empresas pensam com seriedade em um cliente preocupado com seus descartes, sendo estes sempre vistos como uma agressão à natureza. Desta forma surge uma Logística Verde baseada nos conceitos da Logística Reversa do pós-consumo. Numa visão estratégica, a preocupação fica por conta do aumento da confiança do cliente, com políticas de Logística Reversa do Pós-venda ou Administração de Devoluções. Desta forma a empresa se responsabiliza pele troca imediata do produto, logo após a venda. Outro foco dado à logística reversa é o reaproveitamento e remoção de refugo, feito logo após o processo produtivo. O que é Logística Reversa? Logística Reversa pode ser classificada como sendo apenas uma versão contrária da Logística Convencional como a conhecemos. O fato é que um planejamento reverso utiliza os mesmos processos que um planejamento convencional. Ambos tratam de nível de serviço, armazenagem, transporte, nível de estoque, fluxo de materiais e sistema de informação. No entanto a Logística Reversa deve ser vista como um novo recurso para a lucratividade. Diferenças fundamentais existem entre a logística convencional e a logística reversa, dentre as quais estão: Na cadeia logística convencional os produtos são puxados pelo sistema, enquanto que na logística reversa existe uma combinação entre puxar e empurrar os produtos pela cadeia de suprimentos. Isto acontece, pois há, em muitos casos, uma legislação que aumenta a responsabilidade do produtor. Quantidades de descarte já são limitadas em muitos países. Os fluxos logísticos reversos não se dispõem de forma divergente, como os fluxos convencionais, mas sim podendo ser divergente e convergente ao mesmo tempo. O processo produtivo ultrapassa os limites das unidades de produção no sistema de Logística Reversa. Os fluxos de retorno seguem um diagrama de processamento pré-definido, no qual os produtos descartados são transformados em produtos secundários, componentes e materiais. Os processos de produção aparecem incorporados à rede de distribuição. Ao contrario do processo convencional, o processo reverso possui um nível de incerteza bastante alto, pois questões como qualidade e demanda tornam-se difíceis de controlar. Principais razões que levam as empresas a atuarem em Logística Reversa: 1. Legislação Ambiental que força as empresas a retornarem seus produtos e cuidar do tratamento necessário; 2. Benefícios econômicos do uso de produtos que retornam ao processo de produção, ao invés dos altos custos do correto descarte do lixo; 3. A crescente conscientização ambiental dos consumidores; 4. Razões competitivas Diferenciação por serviços; 5. Limpeza do canal de distribuição; 6. Proteção da margem de lucro; 7. Recaptura de valor e recuperação de ativos. Logística do Pós-consumo: Os sinais de descarte tornam-se a cada dia mais evidentes. Índices de descarte de alguns produtos comprovam na prática o motivo da preocupação. A produção de plástico no mundo, por exemplo, cresceu de 6 milhões de toneladas em 1960, para 120 milhões de toneladas em 2000. Anualmente são descartados por ano nos EUA cerca de 1 milhão de automóveis. No Brasil não é diferente. Os sinais de descarte estão presentes e crescem a cada ano. Calcula-se que no ano 2000 tínhamos 10 bilhões de latas de alumínio e mais 13 bilhões de garrafas pet. O descarte também pode ser visto através da quantidade de lixo produzida pelos grandes centros urbanos. São Paulo produzia em 1985, 4.450 toneladas de lixo por dia, este número subiu para 16.000 toneladas por dia em 2000. Prof.Valmir Gonçalves Carriço Página 3
O aumento do descarte é proporcional à diminuição do ciclo de vida dos produtos. O crescimento do poder de consumo, gerado pelas novas tecnologias de fabricação que barateiam o custo de venda, sistemas logísticos que buscam cada vez mais a qualidade do serviço garantindo a acessibilidade dos consumidores e o Marketing acirrado em função das vendas são fatores que acarretam ao problema. O perfil do novo consumidor é de preocupação com o meio-ambiente, pois ele tem consciência dos danos que dejetos podem causar em um futuro próximo. A falta de aterros sanitários e o constante aumento de emissões de poluentes, inclusive nos países mais desenvolvidos, geram polêmicas e discussões em âmbito mundial. Esta preocupação se reflete nas empresas e indústrias, que são responsabilizadas pelo aumento destes resíduos. E é pensando nestes fatores que surgem políticas de processos que contribuam para um desenvolvimento sustentável. A Logística Reversa de pós-consumo vem trazendo o conceito de se administrar não somente a entrega do produto ao cliente, mas também o seu retorno, direcionando-o para ser descartado ou reutilizado. Após chegar ao consumidor final o produto pode seguir em três destinos diferentes: ir para um local seguro de descarte, como aterros sanitários e depósitos específicos, um destino não seguro, sendo descartado na natureza, poluindo o meio ambiente, ou por fim, voltar a uma cadeia de distribuição reversa. Matérias Primas Matérias Primas Secundárias Mercados Secundários Fabricação Reuso / Desmanche / Reciclagem Industrial Destinação Distribuição Reversa Varejo Verejo Reverso Consumidor Coleta Produtos de Destino Seguro Pós-consumo Fluxograma da Logística Reversa do Pós-consumo Destino Não Seguro Prof.Valmir Gonçalves Carriço Página 4
SISTEMAS DE CERTIFICAÇÃO CERTIFICAÇÃO DE UM SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL PELA NORMA ISO 14001:2004: A norma em referência possui em seu conteúdo os seguintes itens: 1. Objetivo e Campo de Aplicação 2. Referências Normativas 3. Termos e Definições 4. Requisitos do Sistema da Gestão Ambiental 4.1. Requisitos Gerais 4.2. Política Ambiental 4.3. Planejamento 4.4. Implementação e Operação 4.5. Verificação 4.6. Análise pela Administração Organizações de todos os tipos estão cada vez mais preocupadas com o atingimento e demonstração de um desempenho ambiental correto, por meio do controle dos impactos de suas atividades, produtos e serviços sobre o meio ambiente, coerente com sua política e seus objetivos ambientais, agindo assim dentro de um contexto de legislação cada vez mais exigente, do desenvolvimento de políticas econômicas e outras medidas visando a proteção ao meio ambiente. Muitas organizações têm efetuado análises ou auditorias ambientais para avaliar seu desempenho ambiental, entretanto isso pode não ser suficiente para proporcionar a uma organização a garantia de que seu desempenho não apenas atenda aos requisitos legais e aos de sua política ambiental. Para que sejam eficazes, é necessário que esses procedimentos sejam realizados dentro de um sistema da gestão estruturado que esteja integrado na organização. As normas de gestão ambiental têm por objetivo prover as organizações de elementos de um Sistema da Gestão Ambiental SGA, eficaz que possam ser integrados a outros requisitos da gestão, e auxiliá-las a alcançar seus objetivos ambientais e económicos. Esta norma é baseada na metodologia do PDCA Plan-Do-Check-Act (Planejar-Executar-Verificar-Agir). Planejar: Estabelecer os objetivos e processos necessários para atingir os resultados em concordância com a política ambiental da organização. Executar: Implementação dos processos. Verificar: Monitorar e medir os processos em conformidade com a política ambiental, objetivos, metas, requisitos legais e outros, e relatar os resultados. Agir: Para continuamente melhorar o desempenho do sistema da gestão ambiental. Prof.Valmir Gonçalves Carriço Página 5
SINERGISMO DE IMPLANTAÇÃO INTEGRADA: A combinação do processo de gerenciamento da qualidade e do meio ambiente permite a empresa garantir sempre uma melhoria contínua. O Sistema Integrado visa assegurar a manutenção e conformidade da Política da empresa, ou seja, os Objetivos e Metas de Qualidade e Meio Ambiente; e a Responsabilidade Social. Vantagens advindas da implementação do SGI: Melhoria da imagem da organização no âmbito nacional e internacional; Melhoria da satisfação e da confiança das partes interessadas (acionistas, clientes, força de trabalho; fornecedores, comunidade, das ONGs e governo); Redução dos recursos internos e infraestrutura necessária para a manutenção e melhoria contínua dos sistemas de gestão; Melhoria do treinamento, conscientização e competência da força de trabalho; Redução da complexidade do sistema de gestão; Aumento da confiabilidade e disponibilidade dos processos, atividades, produtos e serviços; Melhoria do desempenho organizacional competitivo; Redução de custos e investimentos de implantação, certificação, manutenção e auditoria dos sistemas de gestão. Correlação entre as Normas ISO 14001 e ISO 9001: ABNT.NBR.ISO.14001:2004 ABNT.NBR.ISO.9001:2008 4.2.5 - Controle de documentos 4.2.3 - Controle de documentos 4.5.4 - Controle de registros 4.2.4 - Controle de registros 4.5.5 - Auditorias internas 8.2.2 - Auditorias internas 4.4.7 - Preparação e resposta a emergências 8.3 - Controle de produto / Serviço não conforme 4.5.3 - Não conformidade, ação corretiva e ação preventiva 8.5.2 - Ação corretiva 8.5.3 - Ação preventiva BIBLIOGRAFIA: SEIFFERT, Mari Elizabete Bernardini. ISO 14001 Sistemas de Gestão Ambiental: Implantação Objetiva e Econômica. 4ª edição São Paulo: Atlas, 2011. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/an%c3%a1lise_do_ciclo_de_vida>. Acesso em 04 jun. 2015. Disponível em: <http://www.universoambiental.com.br/novo/artigos_ler.php?canal=6&canallocal=10&canalsub2=28&id=68>. Acesso em 04 jun. 2015. Disponível em: <http://web-resol.org/textos/artigo01_1.pdf>. Acesso em 04 jun. 2015. Disponível em: <http://www.logisticadescomplicada.com/a-nova-onda-logistica-reversa/>. Acesso em 04 jun. 2015. Prof.Valmir Gonçalves Carriço Página 6