RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº / DF

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Transcrição:

Procuradoria Geral da República Nº 6584 RJMB / pc RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 639.566 / DF RELATOR : Ministro LUIZ FUX RECORRENTE: Companhia Vale do Rio Santo Antônio de Minérios VALERISA RECORRIDA : União RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONCESSÃO DE LAVRA DE MINÉRIO E DECLARAÇÃO DE SUA CADUCIDADE. DELEGAÇÃO DE PODERES. FUNDAMENTOS INFRACONSTITUCIONAL E CONSTITUCIONAL. NÃO ADMISSÃO DO RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTO DE CARÁTER LEGAL AUTÔNOMO E SUFICIENTE : INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 283 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O acórdão recorrido decidiu pela legitimidade da delegação de poderes do Presidente da República ao Ministro de Estado das Minas e Energia para outorgar e declarar a caducidade de concessão de lavra com base em dois fundamentos distintos: (i) por estar respaldada nos arts. 11 e 12 do Decreto- Lei nº 200/67, que expressamente autoriza a delegação e (ii) por ter suporte no art. 81, V e parágrafo único, da CF/67, com a EC nº 1/69. 2. O fundamento infraconstitucional, autônomo e suficiente à manutenção do julgado, tornou-se definitivo ante a decretação de inexistência do recurso especial interposto por advogado sem procuração nos autos. Incidência da Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal. 3. A matéria relativa à exploração de jazidas de minério foi remetida pelo art. 168, 1º, da CF/67-69 ao trato da lei, tanto que não consta entre as reservadas ao Presidente da República, senão por força de lei (Decreto-Lei nº 227/67, art. 43 e 63, 3º). A apreciação das questões constitucionais não prescindiria da prévia análise de normas infraconstitucionais, de forma a caracterizar violação meramente indireta ao texto constitucional. 4. O debate e decisão de questão constitucional relativa ao art. 168, 1º, da CF/67-69 apenas em votos vencidos não é suficiente para caracterizar o prequestionamento. Incidem as Súmulas 282 e 356 do STF. Precedentes. 5. Parecer pelo não-conhecimento do recurso. Procuradoria Geral da República SAF Sul Quadra 04 Lote 03 CEP 70.050-900 Brasília/DF

Trata-se de recurso extraordinário interposto pela Companhia Vale do Rio Santo Antônio de Minérios VALERISA, com fundamento no art. 102, III, a, b e c, da CF, contra o acórdão proferido pela Primeira Seção do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (fls. 1.254-1.282) assim ementado: CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. DELEGAÇÃO DE PODERES. DECLARAÇÃO DE CAPACIDADE DE CONCESSÃO DE EXPLORAÇÃO DE LAVRA. ATO DO MINISTRO DE ESTADO DAS MINAS E ENERGIA. LEGALIDADE. I. O Ministro de Estado das Minas e Energia, por delegação do Presidente da República, tem competência para outorgar e declarar a caducidade de concessão de exploração de lavra, nos termos do Decreto-Lei nº 200/67 e do Decreto nº 83.841, de 14.08.79. II. Legislação que encontra respaldo no inciso V do art. 81 da Emenda Constitucional nº 1 de 1969. III. Embargos Infringentes providos. O Tribunal a quo decidiu pela legitimidade da delegação ao Ministro de Estado das Minas e Energias para, por portaria ministerial, outorgar ou declarar a caducidade de concessão de exploração de lavra de minério, ainda quando concedida por decreto presidencial, pois respaldada no Decreto-Lei nº 200/67, no Decreto nº 83.841/79 e no art. 81, V, da CF/67-EC 1/69. Os embargos de declaração opostos pela recorrente foram acolhidos para sanar erro material da contagem de votos e alterar a conclusão do julgado, decisão reformada posteriormente para restabelecer o provimento dos embargos infringentes em razão de ter sido sanado o erro com a juntada da retificação do voto do desembargador presidente (fls. 1.433-1.435 e 1.499-1.505). Os demais embargos de declaração opostos pela ora recorrente foram todos rejeitados. Daí o recurso extraordinário com alegação de violação aos arts. 81, V e parágrafo único, e 168, 1º, da CF/67-EC nº 1/69, pois nula a Portaria ministerial nº 549/80, que declarou a caducidade do direito de exploração da lavra de minério com base na delegação do Decreto nº 83.841/79, vez que: (i) a delegação não tem respaldo no art. 81, V, da CF/67-EC 1/69 e (ii) a outorga e 2

a declaração de caducidade de concessão de exploração de lavra de minério é competência privativa do Presidente da República, nos termos do art. 168, 1º, da CF/67-69 c/c art. 43 c/c art. 63, 3º, do Código de Mineração. Recurso tempestivo. Contrarrazões à fl. 2.550. Juízo positivo de admissibilidade às fls. 2.843-2.844. Inexigível o requisito processual de admissibilidade do art. 543-A, 2º, do CPC (AI 664.567-QO, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 06.09.07). Em síntese, os fatos de interesse. O aresto recorrido decidiu pela legitimidade da delegação de poderes do Presidente da República para o Ministro de Estado das Minas e Energia para a outorga e declaração de caducidade de concessão de exploração de lavra de minério (Decreto nº 83.846/79), com base em dois fundamentos distintos: (i) por estar a delegação autorizada nos arts. 11 e 12 do Decreto-Lei nº 200/67 e (ii) por encontrar respaldo no art. 81, V e parágrafo único da CF/67-69. Os arts. 11 e 12 do Decreto-Lei nº 200/67 autorizam expressamente a delegação de competência do Presidente da República para os Ministros de Estado para a prática de atos administrativos. O Decreto nº 83.841/69 delegou ao Ministro de Estado de Minas e Energia as competências atribuídas pelos arts. 43 e 63, 3º do Código de Mineração ao Presidente da República para a outorga e declaração de caducidade da concessão de lavra de minérios. Logo, ainda que o Código de Mineração estabeleça a competência do Presidente da República para outorgar ou declarar a caducidade de concessão de lavra (Decreto-Lei nº 227/69, arts. 43 e 63, 3º), tal fato não representa empecilho à delegação de tais competências com base nos arts. 11 e 12 do DL nº 200/67 (norma de idêntica hierarquia ao Código de Mineração), até porque tais atribuições não constam entre as competências privativas do Presidente da República previstas no art. 81 da CF/67, com a EC nº 1/69. 3

Tal fundamento infraconstitucional, autônomo e suficiente para a manutenção do julgado, tornou-se definitivo ante a decretação de inexistência do recurso especial interposto por advogado sem procuração nos autos (Fls. 3.089-3.090). Incide, na espécie, a Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal. É o que se colhe das ementas dos seguintes julgados: Agravo regimental em agravo de instrumento. 2. Acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo fundado em fundamento constitucional e infraconstitucional. 3. Interposição simultânea de recurso especial e extraordinário. Recurso especial não-provido no Superior Tribunal de Justiça. Manutenção dos fundamentos infraconstitucionais. Incidência da Súmula 283 do STF. Precedentes. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AI 487.379-AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 21.11.2008). RECURSO EXTRAORDINÁRIO. JUROS. TETO CONSTITUCIONAL. SÚMULA STF Nº 283. 1. Agravo regimental em recurso extraordinário. Aresto recorrido que limitou os juros a 12% ao ano escudado em razões de bases constitucional e infraconstitucional. Recurso especial e extraordinário interpostos simultaneamente. Prejudicado o extraordinário quando o fundamento legal remanesce definitivo, ante a inadmissão do apelo especial. Incidência da Súmula STF nº 283. 2. Precedentes das Turmas desta Corte. 3. Agravo regimental improvido. (RE 412.346-AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, DJ de 20.04.2006). Ademais, a apreciação de violação aos dispositivos constitucionais não prescindiria da prévia análise de normas infraconstitucionais, até mesmo porque a Carta de 1967, com a EC nº 1/69, remete à lei o trato da matéria (Decreto nº 83.846/79, Decreto-Lei nº 227/67 e Decreto-Lei nº 200/67). Assim, a ofensa ao texto constitucional somente se daria de maneira indireta ou reflexa, não autorizando a admissão do recurso extraordinário. Além disso, a questão constitucional relativa ao art. 168, 1º, da CF/67-69 apenas foi objeto de debate e decisão nos votos vencidos, os quais não se prestam para fins de prequestionamento (AI 647.409-AgR, Rel. Min. 4

Dias Toffolli, DJe de 10.10.11; AI 682.486-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJ de 14.03.08, inter plures ). Incide, no ponto, as Súmulas nºs 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal. No que concerne ao recurso extraordinário interposto pela alínea b do art. 102, III, da CF, é preciso ressaltar não ter o acórdão recorrido declarado a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. Ademais, a decisão recorrida não é do Plenário do Tribunal a quo e tampouco se assenta em decisão deste que tenha declarado a inconstitucionalidade de lei federal ou de tratado, na forma do art. 97 da Constituição Federal. Por fim, o recurso extraordinário interposto pela alínea c do art. 102, III, da CF pressupõe que o acórdão recorrido tenha julgado válida lei ou ato de governo local em detrimento da Constituição Federal (AI 138.298-AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 30.03.92), o que não ocorreu na espécie. Diante do exposto, opina o Ministério Público Federal pelo não conhecimento do recurso extraordinário. Brasília, 10 de fevereiro de 2012. Rodrigo Janot Monteiro de Barros Subprocurador-Geral da República 5