ALUNOS DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM: CONHECIMENTO E



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Transcrição:

ALUNOS DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM: CONHECIMENTO E OPINIÃO SOBRE DEPRESSÃO UNDERGRADUATE NURSING STUDENTS: KNOWLEDGE AND OPINION ABOUT DEPRESSION Antonia Regina Ferreira Furegato * Mariluci Camargo Ferreira da Silva Candido ** Moacyr Lobo da Costa Jr * Bruna Apolonio Giacomini *** RESUMO: Este trabalho objetivou identificar o conhecimento, a opinião e a presença de depressão entre estudantes de enfermagem. Trata-se de estudo descritivo que utiliza quatro instrumentos sobre depressão: questionário de conhecimento e escalas de opinião, de Beck e de Zung. A coleta junto a 32 sujeitos ocorreu na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, em 2002. Os alunos, informados, concordaram em responder aos quatro instrumentos auto-aplicáveis, em sala de aula. Os resultados da análise do questionário evidenciaram suficiente conhecimento geral sobre depressão, porém, insuficiente sobre as terapias; as opiniões carregam a descrença na cura, nos tratamentos e evidenciaram a falta de experiência no cuidado aos portadores de transtorno depressivo. As duas escalas mostraram equivalência nos resultados; foram identificados dois casos de depressão entre os alunos, que foram devidamente orientados. Palavras chave: Depressão; enfermagem; estudante; saúde mental. ABSTRACT: This descriptive study aimed to identify the knowledge and opinions about depression, as well as the presence of depression, in nursing students. Four instruments on depression (knowledge and opinion questionnaires, Beck and Zung scales) were used. Data were collected from 32 respondents, at the Ribeirão Preto College of Nursing of the University of São Paulo, in 2002. The students received information and agreed to answer the four self-applied instruments in class. The analysis of the results revealed a sufficient general knowledge about depression but insufficient general knowledge about therapies; the opinions were loaded with disbelief in cure and in treatments and disclosed the lack of experience in the care of depressive patients. The results of the 2 scales showed to be equivalent; 2 cases of moderate depression were identified, which received appropriate guidance. Keywords: Depression; nursing; student; mental health. INTRODUÇÃO Tendo em vista as transformações que vêm ocorrendo no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, com a municipalização dos serviços da rede básica e a implantação dos Programas de Saúde da Família (PSF) somados à desinstitucionalização da loucura e a criação de novas opções de cuidado e de assistência psiquiátrica, o enfermeiro depara-se com o portador de transtornos mentais e seus familiares nas mais diferentes situações de trabalho. Resumidamente, o movimento da reforma psiquiátrica atinge todo o sistema de saúde. O doente com transtorno mental não está mais confinado no manicômio. O hospital psiquiátrico, hoje, é um dos serviços terciários que objetiva o atendimento especializado e efetivo para que a pessoa retorne o mais rapidamente possível para seu ambiente, evitando assim a perda dos vínculos tão importantes para sua recuperação. Os doentes, antes institucionalizados e cronificados, estão sendo inseridos em programas de ressocialização. Serviços de atenção secundária (emergência, ambulatórios, hospitais-dia) estão sendo aparelhados para acolher os doentes com manifestações agudas de transtornos mentais e oferecer acompanhamento terapêutico pe- p.80 R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2006 jan/mar; 14(1):80-6.

Furegato ARF, Candido MCFS, Costa JR ML, Giacomini BA las equipes multidisciplinares. Aos serviços de atenção primária cabe a educação da população, a detecção dos primeiros sinais da doença, o encaminhamento adequado e o cuidado, mantendo os vínculos da rede social tão importantes para a qualidade de vida do portador de transtorno mental e sua família 1. A Organização Panamericana de Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde 2 (OMS) reconhecem a importância da detecção precoce bem como o tratamento adequado dos casos de depressão, tendo em vista a carga de sofrimento, a elevada morbidade e mortalidade, ou seja, os custos pessoais e sociais que este mal envolve. Reconhecem também que os profissionais da saúde não estão preparados para diagnosticar transtornos mentais na rede básica de saúde onde o indivíduo, portador de depressão, vai inicialmente procurar ajuda nas diferentes entradas para atendimento clínico. O profissional de saúde, quando se depara com pessoas que despertam suspeita de depressão, precisa considerar que todas as pessoas passam por momentos nos quais se sentem tristes, sozinhos ou infelizes. Uma pessoa que sofreu perda de um ente querido ou perda do emprego pode sentir-se deprimida. Na maioria das vezes, estará experimentando um sentimento normal e absolutamente compreensível. Assim, sentir-se deprimido nem sempre significa um processo patológico. A depressão pode ser caracterizada como um episódio patológico quando um conjunto de sintomas se apresenta durante um certo período com alterações no sono e o apetite, retardo motor, sentimentos de inutilidade ou culpa, distúrbios cognitivos, diminuição da energia, perda de interesse ou prazer e pensamentos de morte e suicídio. As pessoas afetadas revelam dificuldades no desempenho de suas tarefas cotidianas (estudo, trabalho, afazeres domésticos) e até no cuidado de si mesmas 2-6. Por ser uma doença altamente incapacitante e com sérios riscos é tanto um fenômeno pessoal quanto social, o que reforça a necessidade de a equipe de saúde saber identificar, encaminhar e dar a assistência adequada em todas as fases da doença. O cuidado de enfermagem ao deprimido começa pela observação, pelo levantamento da história e outras informações clínicas acompanhado pelo exame das funções mentais. Conhecer o cliente, identificando suas necessidades é tarefa dos enfermeiros. O profissional deve estar alerta e ser sensível às pistas ocultas. É preciso uma atitude receptiva, disposição em escutar, observação acurada do comportamento e do conteúdo da comunicação do outro. A humanização do cuidar se faz necessária 2,5-9. Com vistas à melhoria da qualidade da assistência, é importante identificar o que o aluno de enfermagem pensa e conhece sobre os transtornos mentais, sobre os procedimentos terapêuticos e os cuidados a serem implementados. Conhecendo o que os alunos sabem, vivenciam e pensam sobre a depressão, o professor de enfermagem pode suprir ou enfatizar, no ensino, os pontos que levarão ao melhor preparo do futuro enfermeiro para cuidar do indivíduo que apresenta depressão. Por outro lado, é importante identificar a presença de depressão entre estudantes e profissionais da enfermagem, visto que o estado depressivo poderá interferir negativamente no seu desempenho pessoal, profissional e social. Esta pesquisa teve como objetivos: identificar o conhecimento e a opinião sobre depressão entre os alunos do Curso de Graduação em Enfermagem; e, verificar a presença de sinais indicativos de depressão entre esses alunos. METODOLOGIA A partir de abordagem quantitativa foi realizada pesquisa descritiva, com análise psicométrica. Os dados baseiam-se em medidas psicométricas uma vez que utilizou -se escalas e questionário internacionalmente aceitos como indicadores de conhecimento, opinião e níveis de depressão. A medida escalar constitui uma das várias formas de mensuração que a psicometria aplica, incluindo os testes psicológicos, os inventários, os questionários e as escalas que apresentam parâmetros mínimos para que estes sejam instrumentos legítimos e válidos 10. Este trabalho foi realizado com estudantes do Curso de Graduação em Enfermagem que estavam freqüentando o 6 semestre, na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP/USP), em 2002. Escolheuse este grupo de sujeitos por estarem cursando a disciplina Enfermagem Psiquiátrica, porém, não haviam recebido ainda aulas sobre a temática depressão. R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2006 jan/mar; 14(1):80-6. p.81

Instrumentos A coleta dos dados foi realizada baseandose em quatro instrumentos: um questionário e três escalas, descritos a seguir. O Questionário de Conhecimento sobre Depressão (QCD), desenvolvido pela OMS 2, apresenta 12 situações que demandam conhecimentos específicos sobre a doença e suas modalidades terapêuticas, cada uma com cinco alternativas de repostas. O instrumento Pontos de Vista sobre Depressão (PVD) é uma escala tipo Likert, com 10 afirmativas sobre os diferentes posicionamentos dos sujeitos sobre depressão. Este instrumento proposto pela OPAS/OMS 2 investiga o significado da saúde mental, a procura do aperfeiçoamento pessoal e a conduta do profissional no contato direto com portadores desse transtorno. O Inventário de Beck é uma escala, construída nos Estados Unidos, em 1961, aceita e utilizada em muitos países, tendo sido traduzida no Brasil em 1998. Em sua construção, Beck propôs 21 afirmativas graduadas para refletir a intensidade dos sinais de depressão, variando desde a sua ausência até a manifestação grave 11-14. A Escala de Zung 15 foi desenvolvida na década de 60 do século passado e adotada pela OPAS/OMS 2 em um projeto de capacitação profissional. Nessa Escala, Zung apresenta 20 afirmativas que focalizam os principais sinais de transtorno depressivo. Estes dois últimos instrumentos de avaliação da depressão são usados tanto para o diagnóstico entre suspeitos como entre pessoas sadias na busca de indicadores da presença de depressão. Contém alternativas fechadas com possibilidades de resposta numa escala, tipo Likert, apresentando graus diferentes de intensidade em cada questão. Sabendo-se que o Inventário de Beck 14 e a Escala de Zung 15 se propõem a alcançar a mesma finalidade, identificando os diferentes graus de depressão, esses instrumentos foram utilizados neste estudo para se comparar seus resultados. Coleta e Análise dos Dados Sendo os quatro instrumentos auto-aplicáveis, a coleta dos dados foi realizada em sala de aula, com 35 alunos matriculados na disciplina Enfermagem Psiquiátrica. Naquele dia, um aluno faltou, um respondeu parcialmente e um não quis responder, perfazendo um total de 32 participantes. Os testes foram respondidos pelos sujeitos após a explicação dos procedimentos para seu preenchimento. Os resultados do conhecimento e da opinião dos estudantes sobre depressão indicados pelos escores dos acertos foram submetidos à análise descritiva e discutidos com apoio da literatura especifica. As escalas de Beck e de Zung permitiram diagnosticar a presença de depressão entre os alunos, os sintomas mais freqüentes e comparar os resultados nas duas situações. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da EERP/USP. Os alunos foram devidamente esclarecidos sobre os objetivos e procedimentos e assinaram o termo de Consentimento Livre e Esclarecido, atendendo à Resolução 196/ 96, do Conselho Nacional de Saúde. RESULTADOS E DISCUSSÃO Participaram 32 sujeitos neste estudo, concentrando-se 68,8% na faixa etária entre 20 e 21 anos. Eram todos solteiros, sendo apenas um do sexo masculino, o que é coerente por serem jovens estudantes de enfermagem, numa profissão eminentemente feminina. Os Sujeitos e o Interesse pela Saúde Mental Na questão que indagava sobre seu interesse pela saúde mental, as respostas indicaram que é uma área de alto interesse para 46,9% ou médio interesse para 43,8% dos alunos. Além disso, 25,8% desses alunos freqüentaram algum curso extracurricular de saúde mental, nos últimos três anos. Esses resultados são interessantes visto que apenas 9,4% dos alunos assumem que têm baixo interesse pela área de saúde mental e 90,6% têm médio ou alto interesse. O fato de 25,8% terem cursado alguma matéria extracurricular sobre saúde mental confirma o interesse concreto por esta área. O interesse pela saúde mental, provavelmente, é uma nova atitude dos alunos de enfermagem que coincide com um momento de reorganização do sistema de saúde em relação à psiquiatria e à saúde mental. Estudo recente realizado com enfermeiros da rede básica de saúde, formados há algum tempo, evidenciou menor interesse pela busca de novos conhecimentos sobre saúde mental 6. p.82 R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2006 jan/mar; 14(1):80-6.

Furegato ARF, Candido MCFS, Costa JR ML, Giacomini BA Conhecimento e Opinião sobre Depressão As 12 questões de conhecimento sobre depressão mostraram que, no conjunto, os alunos têm conhecimento suficiente sobre depressão (75%). Analisando as respostas dos alunos por questão, na Tabela 1, verifica-se que a maioria (30) conhece o perfil epidemiológico da depressão uma enfermidade freqüente principalmente entre mulheres, com possibilidades de manifestar complicações letais e que pode ser detectada pela enfermeira. A maioria (29) reconhece que um conjunto de sintomas deve ser considerado no diagnóstico desta doença, mas nem todos sabem, com clareza, os critérios para se determinar o diagnóstico clínico de depressão. Quanto ao tratamento medicamentoso, a Tabela 1 mostra que a maioria (22) indicaria a imipramina, oito recomendariam, além da imipramina, anfetaminas, analgésicos e vitaminas, o que configura uma atitude terapêutica inadequada de estímulo à hipermedicação; cinco também têm conhecimento insuficiente sobre os efeitos secundários decorrentes do uso dos antidepressivos tricíclicos. A desinformação fica bem evidente no quinto item do questionário aplicado, no qual 15 alunos indicam a psicanálise e seis a psicoterapia breve como terapias de escolha para o tratamento da depressão, em detrimento das terapias interpessoais apontadas por apenas sete sujeitos e comportamentais registradas por quatro. As terapias cognitivas 16 e as interpessoais têm oferecido resultados importantes na cura da depressão. Apesar de os dados mostrarem que 11 alunos ainda caracterizam a depressão através dos sintomas somáticos inespecíficos, a maioria (21) tem informações de que dor de cabeça, lentidão, alterações digestivas, perda de sono e da libido, perda de interesse e do prazer pelas coisas do seu cotidiano são sintomas que podem fazer parte de um quadro depressivo. A conduta terapêutica do enfermeiro foi perguntada na questão nº 12, mas os alunos não responderam, como mostra a Tabela 1. Esse resultado já era esperado, pois os sujeitos ainda não haviam estudado esse tópico. Tal como em outras condutas terapêuticas da enfermeira diante do sofrimento e da dor que a pessoa sob seus cuidados apresenta, é importante ouvir atentamente a queixa, ajudar a pessoa a tomar consciência de seu estado, reforçando a importância do tratamento clínico especializado e apoiá-la em suas atitudes positivas. No item seis da Tabela 1, a maioria dos alunos (28%) associa o suicídio, os acontecimentos estressantes e o alcoolismo à depressão, assim como 31% deles sabem que doentes crônicos, puérperas, pessoas sem trabalho, sem família e sem apoio social fazem parte dos grupos da população com maiores riscos de apresentarem um quadro depressivo. A Escala que identificou os pontos de vista do aluno sobre depressão contém 10 afirmativas e mostrou que 81,3% alcançaram um alto escore, demonstrando acerto/ concordância, conforme mostra a Tabela 2. TABELA 1: Distribuição dos resultados do conhecimento sobre depressão, entre os alunos de Enfermagem, por item do questionário. Ribeirão Preto, 2002. - - g Respostas corretas em itálico R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2006 jan/mar; 14(1):80-6. p.83

TABELA 2: Distribuição dos escores dos significados atribuídos aos pontos de vista dos sujeitos sobre depressão. Ribeirão Preto, 2002. Conforme se verifica na Tabela 2, os escores utilizados para análise do posicionamento individual frente à depressão foram: baixo (0 2,9), médio (3 6) e alto (6,1 9), visto que, numa escala de 0 a 9, os alunos identificavam sua posição assinalando seu nível de acordo com cada uma das afirmativas apresentadas. Os resultados apontam que 81,3% dos alunos atingiram altos índices de acordo e 15,6% revelaram índices médios de acordo nas respostas como um todo. Apesar deste consenso, vale ressaltar alguns pontos das respostas. Na Escala referente aos pontos de vista, os alunos (78%) consideram fácil para o enfermeiro detectar pacientes deprimidos. Entretanto, estão indecisos quanto à afirmação (segundo item) de que se deprimir é o modo utilizado pelas pessoas frágeis para enfrentarem as dificuldades da vida. Em outras duas afirmativas, terceiro e quinto itens, também percebem-se incoerências e a inexperiência dos alunos no cuidado ao cliente deprimido pois ao mesmo tempo em que mais da metade concorda que a pessoa deprimida irrita, 68,8% consideram que trabalhar com esse paciente é uma tarefa agradável. O enfermeiro experiente bem como o familiar que convive com o deprimido sabem como é difícil demover a pessoa de suas convicções negativistas, mesmo diante de evidências e para seu próprio benefício. Chama a atenção o ponto de vista dos alunos que maciçamente (96,9%) acreditam que atender pacientes deprimidos é perda de tempo pois nada os faz melhorar (item nº 8). Estes alunos também crêem que a depressão é a forma de ser de alguns pacientes, difícil de ser modificada (65,7%). Estes resultados mostram que eles não acreditam na cura e desconhecem os avanços terapêuticos (medicamentosos e psicoterápicos) em relação aos estados depressivos. Tais achados são compatíveis com a falta de conhecimento sobre o tema, pois expressa a condição desses estudantes que ainda estão cursando a disciplina de Enfermagem Psiquiátrica. A grande questão que suscita esse dado é: o que esperar do cuidado de enfermagem deste aluno se ele sair do curso de graduação com esta opinião? Após cursarem a disciplina Enfermagem Psiquiátrica, espera-se que outros elementos sejam agregados ao seu conhecimento, tendo como conseqüência uma prática que poderá ser, de fato, terapêutica. Isto reforça a responsabilidade do ensino e da formação dos novos profissionais. A OPAS/OMS 2 enfatizam a importância do preparo do enfermeiro para identificar e manejar os casos de depressão na população assim como sua posição de elemento participante ativo do processo terapêutico junto aos outros elementos da equipe profissional. Os alunos concordam que poderão contribuir para elevar a adesão do portador ao tratamento com anti- depressivos (item nº 9). Diferentemente de outra pesquisa 6 em que os enfermeiros evidenciam que não estão despertos para a importância da atuação da enfermagem em nível primário, os alunos deste estudo, 81,3%, valorizam o papel do enfermeiro, para detecção e cuidados do paciente deprimido. Na rede básica de saúde, inclusive nos Programas de Saúde da Família, o enfermeiro deve estar preparado para identificar, dar os cuidados imediatos fazer os devidos encaminhamentos dos casos de depressão valorizar a rede de relações da pessoa em sua comunidade. Além disso, há o trabalho educativo junto aos familiares e demais segmentos da comunidade. Indicativos de Depressão entre os Alunos Tanto o Inventário de Beck 14 como a Escala de Zung 15 contêm elementos básicos para identificação da depressão. As duas escalas são utilizadas tanto em pesquisa como na clínica. Há diferentes propostas de pontos de corte para distinguir os níveis de depressão. A escolha do ponto de corte depende da natureza da amostra e dos objetivos do estudo. Esta pesquisa trabalhou com uma amostra não diagnosticada, nem suspeita e com o propósito de verificar a presença de sinais indicativos de depressão, comparando o alcance diagnóstico das duas escalas. Os escores adotados observaram os seguintes critérios: Inventário de Beck: < de 15 = sem depressão; de 15 a 20 = disforia ou depressão leve; de 20 a 30 = depressão moderada; acima de 30 = depressão grave. Escala de Zung: abaixo de 59 = sem depressão; 60 a 69 = depressão moderada; com 70 e + pontos = depressão grave 11-16. p.84 R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2006 jan/mar; 14(1):80-6.

Furegato ARF, Candido MCFS, Costa JR ML, Giacomini BA O Inventário de Beck 14 mostrou que 81,3% dos alunos não apresentavam sinais de depressão, 12,5% revelavam sinais de disforia (depressão leve) e 6,2%, apresentaram respostas indicativas de depressão moderada e grave (um moderada = 23 pontos e um grave = 40 pontos). A escala de Zung mostrou que havia 2 (6,3%) alunos com sinais de depressão moderada (62 e 68 pontos) e 93,7% sem depressão. O uso das duas escalas possibilitou verificar que há alta concordância entre os resultados dos dois instrumentos, portanto com capacidade diagnóstica equivalente. A comparação entre os resultados evidencia uma correlação linear positiva entre Beck e Zung de + 0,9. Nas respostas dos alunos, observando-se cada uma das questões tanto no Inventário de Beck 14 como na Escala de Zung 15, foram assinaladas alterações no sono, choro, tristeza e cansaço, desinteresse com necessidade de esforço para realizar as tarefas do cotidiano, muita auto-crítica e sentimentos de cobrança. Apenas metade da turma (16) sente-se otimista em relação ao futuro, e acha que sua vida é boa e satisfatória, desfrutando dos bens e momentos do dia-a-dia. Para jovens universitários, a expectativa seria de atitudes mais positivas em relação ao seu cotidiano e ao futuro. Os sintomas mais freqüentes, identificados nas respostas dos 32 alunos foram: diminuição do interesse por coisas que antes gostavam (47%), tristeza (47%), sentimentos de culpa (28%), decepção consigo (25%) e acham que podem ser punidos (37%). Os dois alunos com sinais indicativos de depressão foram procurados para orientação individual, corroborando a posição de que o estado depressivo é prejudicial ao individuo em suas diferentes relações pessoais e sociais. Um deles foi encaminhado para tratamento psiquiátrico e outro para acompanhamento no Centro de Orientação Psicológica/USP. CONCLUSÕES Pesquisando o conhecimento e a opinião dos 32 estudantes de enfermagem sobre depressão, encontrou-se um grupo que refere ter interesse pela área. Os testes de conhecimento indicaram que, no conjunto, os alunos têm conhecimento suficiente sobre depressão. Entretanto, o conhecimento que se mostrou com maior fragilidade referese aos medicamentos e às terapias mais indicadas para a depressão. Nas respostas ao teste, observou-se que os alunos valorizam a escuta e as demais atitudes compreensivas, humanizam a assistência de enfermagem. Entretanto, quando manifestam sua opinião sobre a doença é alto o índice dos que não acreditam na cura nem na importância dos tratamentos. Por outro lado, valorizam a presença do enfermeiro, em nível primário, na detecção e no cuidado aos portadores de depressão. Como era esperado do aluno que ainda não passou pelo aprendizado da enfermagem psiquiátrica, as respostas evidenciam incoerências e falta de experiência no cuidado ao portador de depressão. Nos dois testes de identificação de depressão foram detectados dois casos de depressão moderada, devidamente orientados. Os resultados indicam que o alcance diagnóstico das duas escalas é equivalente. Tendo em vista o interesse dos alunos de enfermagem pela saúde mental e a importância desse conhecimento para o desempenho profissional em todos os níveis de atuação sugere-se maior oferta de cursos e treinamentos. Tendo em vista as dificuldades que o portador de depressão tem para conduzir sua vida pessoal e profissional consideramos importante detectar entre os alunos e colegas de profissão a presença de sinais indicativos de depressão. REFERÊNCIAS 1. Amarante P, organizadores. Loucos pela vida: a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: SDN/ ENSP; 1995. 2. Organização Panamericana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). Programa de Salud Mental. Modelo para la capacitación de la enfermera general en la identificación y manejo de los transtornos afectivos. Washington (DC): OPAS/OMS; 1999. 3. Montgomery S. Confrontando la depression. New York: Guia del médico/pfizer Internacional; 1997. 4. Dalgalarondo P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre(RS): Artes Médicas; 2000. 5. American Medical Association. Guia essencial da depressão. Tradução Claudia G. Duarte. São Paulo: Aguariana; 2002. 6. Silva MCF, Furegato ARF, Costa Jr ML. Depressão: pontos de vista e conhecimento de enfermeiro da rede básica de saúde. Rev Latino-am Enfermagem 2003; 11(1): 7-13. R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2006 jan/mar; 14(1):80-6. p.85

7. Furegato ARF. Relações interpessoais terapêuticas na enfermagem. Ribeirão Preto(SP): SCALA; 1999. 8. Taylor CM. Fundamentos de enfermagem psiquiátrica de Mereness. Porto Alegre(RS): Artes Medicas; 1992. 9. Pitiá ACA, Santos MA. Acompanhamento terapêutico: a construção de uma estratégia clínica. São Paulo: Vetor; 2005. 10. Pasquali L. Psicometria: teoria e aplicações. Brasília(DF): Universitária; 1997. 11. Beck AT, Steer RA, Garbin MG. Psychometric properties of the Beck Depression Inventory: twenty-five years of evaluation. Clinical Psychol Rev 1988; 8: 77-100. 12. Beck AT, Ward CH, Mendelson M, Moch J, Erbough G. An Inventory for measuring depression. Arch Gen Psychiatry 1961; 4: 53-63. 13. Calil HM, Pires MLN. Aspectos gerais das escalas de avaliação da depressão. Rev Psiq Clín 1998; 25(5-6): 240-4. 14. Gorenstein C, Andrade L. Inventário de depressão de Beck: propriedades psicométricas da versão em português. Rev Psiq Clín 1998; 25(5-6): 245-50. 15. Zung WWK. A self rating depression scale. Arch Gen Psych 1965; 12: 63-70. 16. Beck JS. Terapia cognitiva: teoria e prática. Porto Alegre(RS): Artmed; 1997. ALUMNOS DE PREGRADO EN ENFERMERÍA: CONOCIMIENTO Y OPINIÓN SOBRE DEPRESIÓN RESUMEN: Este trabajo objetivó identificar el conocimiento, la opinión y la presencia de depresión entre estudiantes de enfermería. Se trata de estudio descriptivo usándose cuatro instrumentos sobre depresión: cuestionario de conocimiento y escalas de opinión, de Bech y de Zung. La recolección junto a 32 sujetos acaeció en la Escuela de Enfermería de Ribeirão Preto de la Universidad de São Paulo-Brasil, en 2002. Los alumnos, informados, concordaron en responder a los cuatro instrumentos autoaplicables, en clase. Los resultados del análisis del cuestionario revelaron suficiente conocimiento general sobre depresión, pero insuficiente sobre las terapias; las opiniones cargan la descreencia en la curación, en los tratamientos y evidenciaron la falta de experiencia en el cuidado de los portadores de trastorno depresivo. Las dos escalas manifestaron equivalencia en los resultados; fueron identificados dos casos de depresión entre los alumnos, los cuales fueron debidamente orientados. Palabras Clave: Depresión; enfermería; estudiante; salud mental. Recebido em: 19.07.2005 Aprovado em: 13.01.2006 Notas * Professores Doutores do Dep. de Enfermagem Psiquiátrica e Ciências Humanas da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. E-mail: furegato@eerp.usp.br ** Professora Doutora do Centro Universitário de Votuporanga (SP). *** Aluna do Curso de Graduação em Enfermagem da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Bolsista IC. **** Trabalho realizado com auxilio do CNPq Proj. 520277. p.86 R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2006 jan/mar; 14(1):80-6.