PROJETO PSICOMOTRICIDADE

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Transcrição:

O Projeto de Psicomotricidade que atende a rede municipal surgiu em função do grande número de escolas municipais apresentarem na sua parte diversificada um projeto que se relacionava ao desenvolvimento das habilidades motoras da criança, visando axíliar na alfabetização. Em 2009 os professores de Educação Física juntamente com a Coordenadora de Educação Física da Secretaria Municipal de Educação desenvolveram estudos na sua formação continuada e construíram um projeto único, que segue abaixo. PROJETO PSICOMOTRICIDADE Objetivo geral Desenvolver mecanismos que auxiliem a criança no seu desenvolvimento global, contemplando aspectos afetivo, motor e cognitivo; visando a formação de um ser humano autônomo, crítico e criativo, fazendo com que ele sinta-se, perceba-se e manifeste-se, desempenhando com sucesso suas tarefas escolares; interagindo com o meio e consolidando os princípios de cidadania. Justificativa O movimento acompanha o ser humano desde antes de seu nascimento. O caminho que uma criança percorre, desde que começa a deixar de ser bebê, por volta dos dois anos, está relacionado às suas condições biológicas, bem como aquelas proporcionadas pelo espaço social em que vive. O trabalho da educação psicomotora com as crianças deve prever a formação de base indispensável em seu desenvolvimento motor, afetivo e psicológico, dando oportunidade para que, por meio de jogos, de atividades lúdicas, se conscientize sobre seu corpo. Através da recreação a criança desenvolve suas aptidões perceptivas como meio de ajustamento do comportamento psicomotor. Para que a criança desenvolva o controle

mental de sua expressão motora, a recreação deve realizar atividades considerando seus níveis de maturação biológica. A brincadeira é a melhor maneira de se comunicar, um meio para perguntar e explicar, um instrumento que ela tem para se relacionar com outras crianças. Brincando as crianças aprendem muito sobre si mesmo e o mundo que as cerca e tem a oportunidade de procurar a melhor forma de se integrar a esse mundo que encontram ao nascer. De acordo com Le Boulch (1987), o desenvolvimento de uma criança é o resultado da interação de seu corpo com os objetos de seu meio, com as pessoas com quem convive e com o mundo onde estabelece ligações afetivas e emocionais. O corpo, portanto, é a sua maneira de ser. É através dele que ela estabelece contato com o ambiente, que se engaja no mundo, que compreende o outro. Todo ser tem seu mundo construído a partir de suas próprias experiências corporais, sendo assim, a criança terá maior habilidade para se diferenciar e para sentir essas diferenças, pois é através dele que ela estabelecerá contato com o meio, interagindo em nível psicológico, psicomotor, cognitivo e social. Segundo Barreto (2000), o desenvolvimento psicomotor é de suma importância na prevenção de problemas de aprendizagens e na reeducação do tônus, da postura,da direcionalidade, da lateralidade e do ritmo. A educação da criança deve evidenciar a relação através do movimento de seu próprio corpo, levando em consideração sua idade, a cultura corporal e seus interesses. A educação psicomotora para ser trabalhada necessita que sejam utilizadas as funções motoras, perceptivas, afetivas e sócio-motoras, pois assim a criança explora o ambiente, passa por experiências concretas, indispensáveis ao seu desenvolvimento intelectual, e é capaz de tomar consciência de si mesma e do mundo que a cerca. Segundo Piaget (1975), dos 7 aos 12 anos, ocorre a estruturação do esquema corporal. A criança já adquiriu noções do todo e das partes do corpo, o início desta fase é marcada pela imagem do corpo estática, mas por volta dos 10 ou 12 anos a criança passa a ter uma imagem mental do corpo em movimento, e é denominada de Estágio das Operações Concretas. Esta fase marca uma modificação decisiva e importante no desenvolvimento dos aspectos: mental, inteligência, afetividade, relações sociais e ainda outros aspectos indicados como básicos na psicomotricidade que é a lateralidade, estruturação espacial, orientação temporal e a percepção através dos cinco sentidos. Ressaltando alguns destes aspectos, a lateralidade é de fundamental importância ser trabalhada na psicomotricidade, pois a criança compreendendo e percebendo naturalmente sua preferência ou dominância de um dos lados do corpo, escolhendo entre os lados direito ou esquerdo, qual apresentará maior força muscular, agilidade e rapidez, no futuro, poderá não apresentar problemas de ordem cognitiva, motora e afetiva. Na Estruturação Espacial, a criança percebe a posição do seu corpo no espaço; em seguida, a posição dos objetos em relação a si mesma; e por fim, aprende a perceber as relações das posições dos objetos entre si, ou seja, passa a se ver no meio em que vive, realiza relações entre os objetos e elementos, faz observações, compara, combina, percebendo as diferenças e semelhanças. A Orientação Temporal é outro elemento básico a ser trabalhado na psicomotricidade, pois é a capacidade que a criança tem de situar-se a partir da sucessão dos acontecimentos, duração, períodos, irreversão de tempo e ritmo. Como são noções abstratas, são adquiridas a longo prazo. Para que ocorra a aquisição da noção de sucessão, são necessárias as experiências sensório-motoras.

A psicomotricidade enfoca o movimento com o meio, tornando-se um suporte que auxilia a criança a adquirir o conhecimento do mundo que a rodeia. Através do seu corpo, de suas percepções e sensações, da manipulação de objetos, dá a criança a oportunidade de descobrir, de criar e aprimorar conhecimentos que muitas vezes ficam escondidos, e que não são desenvolvidos dentro da sala de aula, por falta de conhecimento da psicomotricidade na formação do professor. A finalidade da educação psicomotora é promover, através de uma ação pedagógica, o desenvolvimento de todas as potencialidades da criança, objetivando o equilíbrio biopsicossocial (Negrine, 1986, pág. 11/12). Em face disso, é preciso deixar claro, que a educação psicomotora e a Educação Física são coisas distintas. Apesar de a Educação Física trabalhar com o movimento, esta tem objetivos voltados para o desenvolvimento físico do indivíduo, enquanto a educação psicomotora trabalha movimento, visando ao desenvolvimento da coordenação dinâmica geral, da mente e das emoções. A psicomotricidade contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal e tem como objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida de uma criança. Por meio das atividades, as crianças, além de se divertirem, criam, interpretam e se relacionam com o mundo em que vivem. Por isso, cada vez mais os educadores recomendam que os jogos e as brincadeiras ocupem um lugar de destaque no programa escolar. Frente à formação do professor de Ed. Física, se torna mais fácil as crianças terem essas atividades, o que irá modificar será o enfoque no planejamento do professor, que terá que contemplar os três aspectos: cognitivo, afetivo e motor, através de atividades complementares de lateralidade, espaço-temporal, ritmo e coordenação geral. Fonseca (1996) afirma que o jogo é um fator de libertação e de formação, que não pode faltar à criança em desenvolvimento, é na brincadeira que é possível trabalhar a representação simbólica da construção de forma branda e aceitável na colocação de limites e combinações que darão subsídios à socialização e à criação de regras coletivas. Enfim, o brincar é a maneira pela qual a criança busca subsídios lúdicos para desenvolver-se. E o mais importante de tudo isso é que, por meio do brincar, o professor assume um papel fundamental neste processo, pois é ele que arma, de maneira planejada e não casual, as cenas mais pertinentes para que esse desenvolvimento ocorra. É ele que fará com que o sujeito não se fragmente, pois ele se oferece como elo de todos os aspectos que constituem um indivíduo: os aspectos psicomotores, cognitivos e sócio-afetivos.

MAPA CONCEITUAL DA PSICOMOTRICIDADE Os conteúdos do mapa conceitual serão desenvolvidos para todos as etapas dos anos iniciais: 1º, 2º, 3º, 4º e 5º ano.

Referências Bibliográficas BARRETO, Sidirlei de Jesus. Psicomotricidade, educação e reeducação. 2º ed. Blumenau: Livraria Acadêmica, 2000. FONSECA, Vitor da. Psicomotricidade. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1996. LE BOULCH, Jean. Educação Psicomotora: a psicomotricidade na idade escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987. NEGRINE, Airton. Psicomotricidade: a lateralidade e a coorientação Espacial. Porto Alegre: Palloti, 1986. PIAGET,Jean. A Formação do símbolo na criança Imitação, jogo, Sonho, Imagem, Representação. Trad. Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar,1975. Bibliografia Consultada BARRETO, Sidirley de Jesus. Psicomotricidade, educação e reeducação. 2º ed. Blumenau: Livraria Acadêmica, 2000. COSTE, J.C. A. Psicomotricidade. Tradução: A Cabral, Rio de Janeiro, Editora Guanabara, 1992. FERRONATO, Sônia Regina Brizolla. Psicomotricidade e formação de professores: uma proposta de atuação. Campinas : PUC, 2006 (Dissertação de Mestrado). FONSECA, Vitor. Psicomotricidade. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1996. LE BOULCH, J. O desenvolvimento Psicomotor: do nascimento até 6 anos. Tradução: A G Brizolara, Porto Alegre, Editora Artes Médicas, 1986

LE BOULCH, Jean. Educação psicomotora: a psicomotricidade na idade escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987. MELLO, Alexandre Moraes de. Psicomotricidade, educação física e jogos infantis. 4ª edição. São Paulo: IBRASA, 1989. NEGRINE, Airton. Aprendizagem e desenvolvimento infantil: psicomotricidade: alternativas pedagógicas. Vol. 3, Porto Alegre: Prodil, 1995. POPPE, Ana Beatriz. O aluno da Educação Infantil. Revista Integração. Maio 2005, p. 34. Colégio La Salle, Porto Alegre, RS. TURCATTI, Renata M., ANGONESE, Janete T., ETGES, Marisa T et al. Psicomotricidade: corpo em movimento. Revista Integração. Maio 2005, p.35. Colégio La Salle, Caxias do Sul, RS. VIANA, Adalberto Rigueira; VIANA, Eliana Amaral; MELO, Walério Araújo de. Coordenação Psicomotora, Volume I. Rio de Janeiro, Editora Sprint, s/d. YANEZ, Zulema Garcia. Psicomotricidade e seus conceitos fundamentais. Esquema e imagem corporal. Conferência proferida na III Jornada de Psicomotricidade, Porto Alegre (1994).