Para bem viver a sexualidade
Caro (a) Chesfiano (a), Você está recebendo uma série de publicações intitulada Para Viver Melhor, com informações atualizadas sobre temas diversos no campo da saúde física e mental de mulheres e homens. São quatro exemplares nos quais você conhecerá um pouco mais sobre qualidade de vida, sexualidade, planejamento familiar, feminização da Aids, uso do preservativo, cuidados na gestação, amamentação, puerpério e menopausa, terceira idade, dentre outros temas. O principal objetivo desta série de publicações é contribuir para a reflexão sobre comportamentos e práticas que favoreçam a saúde, a qualidade de vida e que fortaleçam as relações dentro da Empresa, com respeito às diferenças e à diversidade. Você encontrará informações básicas sobre saúde sexual e reprodutiva, buscando desvendar preconceitos. Alguns desses temas são difíceis de lidar e de dialogar de forma franca, honesta e aberta. Mas, mesmo difíceis de serem tratados, é importante que sejam apresentados. Esta publicação é uma ação de responsabilidade social da Chesf. Você pode compartilhá-la com colegas de trabalho, com a sua família e com amigos. Desejamos que esta publicação contribua para o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Todas as cartilhas da série Para Viver Melhor estarão disponibilizadas também em meio eletrônico, no Portal de Gênero. Conteúdo: Suely Oliveira - Psicóloga Participação: DABT Revisão:Rosângela Menezes (APA) / Cíntia Sousa (ASV)
Para bem viver a sexualidade Nesta publicação, vamos oferecer informações sobre saúde sexual e reprodutiva, incluindo sexualidade, mitos e tabus que envolvem essas questões. Alguns desses temas são difíceis de dialogar de forma franca, mas mesmo assim vamos apresentá-los da melhor forma para que assim possamos contribuir para uma vida mais saudável. O que é sexualidade? É definida como as preferências, predisposições ou experiências sexuais de uma pessoa. Mitos, tabus e preconceitos. Vivemos em uma sociedade onde o exercício da sexualidade ainda é cercado de pouca informação, carregado de mitos, tabus e preconceitos. É um assunto que em geral não se conversa em casa e, dependendo da geração, quase nunca se fala sobre isso com os filhos ou filhas. Na maioria das escolas, não está na ordem do dia e nem faz parte da grade curricular. Essa falta de informação pode gerar resultados desastrosos: gravidez indesejada, Doenças Sexualmente Transmissíveis, como a Aids, ansiedades ligadas ao desempenho sexual, tabus como potência relacionada ao tamanho do pênis, masculinidade como sinônimo de agressão sexual, entre tantos outros. O que é Orientação Sexual? É o nome que se dá à atração sexual que uma pessoa sente por outra, independente do sexo dessa pessoa. Pode ser bissexual quando uma pessoa sente atração pelos dois sexos masculino e feminino; heterossexual quando alguém sente atração somente pelo sexo oposto e homossexual quando a pessoa se sente atraída somente por pessoas do mesmo sexo. 3
Pense nisso! Atualmente, estudos mostram que a orientação sexual não é uma escolha fácil, pois a sociedade, com frequência, forma as pessoas para se relacionarem obrigatoriamente com pessoas do sexo oposto. Obrigação que é ensinada na família, na escola, nos meios de comunicação e nas religiões. Assim, convivendo com essa heteronormatividade cuja a norma, a regra é ter atração por pessoa de sexo diferente do seu as pessoas não têm uma opção ou uma escolha, como se pensou durante um certo tempo. Você sabia? No Brasil, desde 1985, o Conselho Federal de Psicologia deixou de considerar a homossexualidade como um desvio sexual e, a partir de 1999, estabeleceu regras para a atuação de psicólogos (as) em relação às questões ligadas à orientação sexual. Em 17 de maio de 1990, a Organização Mundial de Saúde - OMS retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais, declarando que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão, e que os (as) psicólogos (as) não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura da homossexualidade. Pense nisso! Pessoas homossexuais possuem as mesmas necessidades de amar e de serem amadas como qualquer ser humano e de criar vínculos afetivos com outras pessoas sustentando relações monogâmicas e duradouras da mesma forma que casais heterossexuais. Também é importante lembrar que... O exercício da sexualidade não está necessariamente vinculado à maternidade ou à paternidade. É uma expressão e uma vivência também de prazer. 4
O que é o Planejamento Familiar? O planejamento familiar é um direito de mulheres e homens que está previsto na Constituição Federal desde 1988, em seu Artigo 226. É uma forma de controlar ou de planejar o número de filhos que um casal quer ter entre cada nascimento. Para isso, são usados métodos contraceptivos que impedem temporariamente uma gestação ou ainda a esterilização (masculina ou feminina) para evitar de modo definitivo uma gravidez. Então... o casal decide e o Estado oferece os recursos educacionais, materiais e científicos, para o exercício desse direito, sendo vedada qualquer forma de coerção por parte de instituições públicas ou privadas. Lembre-se: O planejamento familiar é também um direito para aquelas pessoas que não desejam ter filhos e querem ter o livre exercício da sexualidade, independente do seu estado civil. 5
O planejamento familiar e a questão de gênero: A reprodução, ao longo da história, tem sido vivenciada pelas mulheres, em geral, de forma muito solitária e pouco compartilhada com os homens. Os métodos contraceptivos, em sua maioria, recaem sobre a mulher, como é o caso da pílula anticoncepcional, do Dispositivo Intrauterino (DIU), das injeções hormonais, do diafragma, entre outros. No caso do preservativo masculino, existe muita resistência ao seu uso em relações estáveis e, mesmo em outras situações, é difícil negociar o uso com o homem. Atenção! A proporção de casais com filhos no total de famílias brasileiras caiu de 62,8% em 2001 para 50,5% em 2008, segundo análise do Instituto de Pesquisa Aplicada (IPEA) sobre dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Também caiu a taxa de fecundidade em todas as faixas de renda, entre os anos de 1992 e 2008. No ano de 1992, a taxa variava de quase 5 filhos por mulher entre as 20% mais pobres para mais de um por mulher entre as 20% mais ricas. Segundo pesquisadores do IPEA, a taxa de fecundidade no Brasil de 1,8 filho por mulher já está abaixo da taxa de reposição. Métodos Contraceptivos 1) Os métodos artificiais de planejamento familiar são classificados como: Hormonais (pílulas, injetáveis e implantes subdermais) Espermicidas (esponjas e geleias) De barreira (capuz cervical, preservativos e diafragma) e os de Ação mecânica combinados ou não com hormônios (DIUs). 2) Os métodos comportamentais: são métodos contraceptivos que se baseiam apenas no comportamento das pessoas que praticam o ato sexual. A seguir, alguns métodos comportamentais: 6 Coito Interrompido: consiste em retirar o pênis de dentro da vagina momentos antes da ejaculação. Esse método é bastante falho, pois antes da ejaculação é expelido outro líquido lubrificante que também contem espermatozoides capazes de fecundar o óvulo.
Muco ou Bilings: consiste na observação da umidade e viscosidade do muco vaginal, detectando-se assim se é um dia em que a mulher está ou não fértil. É importante que a verificação seja feita com o muco da vagina e em momentos em que não se tenha excitação sexual, pois esta aumenta a umidade. É bastante falho, pois depende muito da interpretação da mulher. Serve mais para saber o dia em que se deve ter relações sexuais, a fim de ter uma gravidez do que evitá-la. Tabelinha: É uma tabela do ciclo hormonal e fértil da mulher, detectando-se assim os dias em que pode ter relações com menor risco de gravidez. Todo mês, deve-se marcar em um calendário a data de início da menstruação. Isto deve ser feito por no mínimo seis meses, para que se tenha uma informação correta sobre o ciclo hormonal. O número de dias entre as menstruações, dividido por dois, indica o meio do ciclo. Nos três dias antes e depois do meio (incluindo o dia de referência), não se deve ter relações sexuais, ou utilizar camisinha. 3) Os métodos de barreira: são métodos onde se cria uma barreira física para impedir a fertilização. A seguir, apresentamos métodos de barreira usados por homens e por mulheres: Preservativos: A camisinha masculina (e a feminina também) é feita de látex. Ela é colocada no pênis ereto do homem, com o objetivo de barrar os espermatozoides logo após a ejaculação. Na ponta, é muito importante deixar uma parte vazia e sem ar, para que ali fique o esperma logo após a ejaculação. Caso contrário, a camisinha pode estourar ou o esperma subir até a base do pênis, tendo contato com o corpo feminino. A sua eficácia gira em torno de 96%, se usada corretamente. É a única forma de prevenção da Aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis. 7
Diafragma: É um dispositivo de borracha que se coloca no fundo da vagina momentos antes da relação sexual, de modo a fechar o colo do útero e impedir a entrada dos espermatozoides. É recomendável que se coloque no diafragma espermicida (geleia ou pomada que mata os espermatozoides). Deve ser retirado somente 6 horas depois da relação sexual, como forma de garantir que os espermatozoides tenham morrido. Dispositivo Intrauterino (DIU): É um objeto de plástico banhado de cobre, material que funciona como espermicida. O DIU é colocado por um (a) médico (a) durante o período menstrual, quando o colo do útero está mais aberto. O dispositivo pode ficar por muitos anos no útero, mantendo-se eficaz, desde que seja feito o acompanhamento pelo (a) profissional. Não protege contra doenças sexualmente transmissíveis. Camisinha Feminina: 4. Os métodos hormonais ou químicos: São aqueles que interferem no ciclo ovariano a partir da administração de hormônios que impedem a ovulação. São eles: Injetáveis: com uma seringa são injetados hormônios que evitam a ovulação em certo período (mensal ou trimestral). Após a interrupção das injeções, é possível engravidar seis meses depois. Sua eficácia é de aproximadamente 98%. Deve ser usado com prescrição e acompanhamento médico. Implante: São implantados no braço da mulher pequenos bastões que contem hormônios que impedem a ovulação e são liberados gradativamente, por até cinco anos. Quando há interrupção do uso deste método, é possível engravidar após um ano. 8
Pílula do dia seguinte: Contém grande quantidade de hormônios (levonorgestrel), que criam um ambiente desfavorável aos espermatozóides e também evitam a ovulação.é utilizada em casos de emergência, como um furo na camisinha, ou vazamento de esperma, por exemplo. Não deve ser usada com muita frequência, pois pode desregular o ciclo menstrual. A eficácia é de 99,9%. Deve ser tomada em até 4 dias após a relação sexual; após esse período, a eficácia da pílula cai bastante. Laqueadura ou esterilização: É uma intervenção cirúrgica onde as trompas da mulher são amarradas ou cortadas, impedindo que óvulos e espermatozoides se encontrem. É um método de alta eficácia e raramente pode ser reversível. Deve ser um método utilizado com muita certeza do que se está fazendo. Muitas mulheres se arrependem anos após a realização da esterilização, mesmo que tenham tido certeza na época em que foi realizada a intervenção. Só é indicada para mulheres maiores de 25 anos e que já tenham tido filhos. Mas, atenção: algumas mulheres, às vezes, mesmo tendo sido laquedas voltam a engravidar e isto é mais provável de acontecer quando as trompas são amarradas, em vez de cortadas. A esterilização do homem é chamada vasectomia. É uma cirurgia feita na bolsa escrotal do homem, por onde passa o canal deferente. Esse canal é cortado, impedindo que os espermatozoides cheguem à vagina. Isso não faz com que o homem fique impotente e nem prejudica a produção de testosterona pelos testículos. Esse método contraceptivo só é feito por recomendação médica, sendo requisitos ter no mínimo 25 anos ou dois filhos vivos e ter passado por grupos educativos, pois é um processo irreversível. 9
CLIMATÉRIO, MENOPAUSA O climatério é uma fase de transição entre o período reprodutivo e o nãoreprodutivo da vida da mulher, que se estende aos 65 anos. A menopausa é um marco desta fase, correspondendo ao último período menstrual e só reconhecida passados 12 meses da sua ocorrência. É cercada de tabus e preconceitos, pois vivemos em uma sociedade que impõe determinados padrões de juventude, de beleza e de valorização da idade reprodutiva da mulher. 10 A menopausa acontece quando os ovários cessam a produção de estrógenos e a capacidade reprodutiva diminui. Nesse processo, o organismo naturalmente adapta-se aos níveis variáveis dos hormônios e por isso acontecem os sintomas circulatórios como ondas de calor e palpitações, sintomas psicológicos, como aumento da depressão, ansiedade, irritabilidade e variações de humor; também aparecem os sintomas de atrofia, como secura vaginal e urgência na urinação, o que pode ocorrer em graus variados.
Além desses sintomas, a mulher também pode apresentar ciclos menstruais cada vez mais espaçados, escassos e irregulares. Lembre-se!!! A menopausa é um estágio natural da vida, não é uma doença ou uma disfunção, e desta maneira não necessita automaticamente de nenhum tipo de tratamento. No entanto, quando os efeitos corporais são severos e prejudiciais, pode-se aliviá-los com tratamento medicamentoso. A Terapia de Reposição Hormonal (HRT) combina a administração de alguns hormônios para compensar parcialmente a ausência de níveis naturais de hormônios no organismo. Alguns estudos demonstraram que o uso da HRT aumenta significativamente o risco de ataque cardíaco, ocorrência de trombos vasculares, acidente vascular e câncer de mama. Ainda não existe um consenso na literatura em relação à reposição hormonal. Recomenda-se cuidado na prescrição médica. Alguns dos sintomas que podem ocorrer são devido ao brusco desequilíbrio entre os hormônios e outros estão ligados ao estado geral da mulher e também ao estilo de vida. Convém lembrar que os sintomas são transitórios e que existem indicações de naturoterapeutas que são bem eficazes. O início mais frequente da menopausa se dá por volta dos 50 anos, mas algumas mulheres podem entrar na menopausa em idade inferior, especialmente se elas sofreram algum tipo de câncer ou alguma doença grave em que foram submetidas à quimioterapia. A menopausa prematura (ou falência prematura dos ovários) é aquela que ocorrem em idade inferior a 40 anos e tem sua incidência em cerca de 1 por cento das mulheres. Outras causas de menopausa prematura incluem doença autoimune, doenças na tireoide e diabetes.