CANCRO DO FÍGADO CARCINOMA HEPATOCELULAR



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Transcrição:

CANCRO DO FÍGADO CARCINOMA HEPATOCELULAR O corrente texto tem um intuito informativo, destinando-se ao público em geral e não pretende portanto ser uma revisão exaustiva da literatura nem substitui a correta avaliação da mesma e das normas de atuação emitidas pelas sociedades internacionais. O que é o Carcinoma Hepatocelular? O carcinoma hepatocelular (CHC) é uma neoplasia maligna, vulgo cancro, que se desenvolve a partir dos hepatócitos, nome dado às principais células constituintes do fígado. É o principal tumor maligno primário (com origem direta) do fígado. Qual a sua importância no Mundo? E em Portugal? Enquanto neoplasia é a 6ª mais frequente em todo o mundo (749000 novos casos/ano), sendo a 3ª responsável em número de mortes (692000 óbitos/ano). No global estima-se que corresponda a 7% de todas as formas de cancro, sendo sem dúvida a forma mais frequente de cancro do fígado (90% de todos os tumores malignos do fígado). A sua expressão é especialmente evidente nos países em desenvolvimento do sudoeste asiático e continente africano, atingindo na Europa incidências elevadas nos países da orla mediterrânea e no Leste. Em Portugal os últimos dados estimam cerca de 1000 novos casos/ano com uma incidência global ajustada à idade de 5 casos/100.000 habitantes (8,1 nos homens e 1,7 nas mulheres). A mortalidade fica pouco acima dos 900 óbitos/ano [2]. O aspecto preocupante é a incidência crescente desta neoplasia a nível mundial. Mesmo em países com uma descida da mortalidade global atribuível ao cancro, como os EUA, verificou-se que nos últimos 25 anos as mortes por CHC aumentaram 40% [1]. Como se forma o Carcinoma Hepatocelular - factores de risco, mecanismos de desenvolvimento? O principal factor de risco para CHC é a cirrose hepática. A cirrose hepática é um estadio avançado de doença crónica do fígado, que se caracteriza por fibrose extensa e focos de regeneração do fígado. Sabe-se hoje que mais de 90% dos CHC ocorrem no contexto de cirrose. Daqui advém que todas as doenças infecciosas, hereditárias ou metabólicas que evoluam para doença crónica do fígado, no estadio de cirrose sejam também factores de risco, alguns evitáveis (tabela nº1).

No mundo ocidental, a infecção por vírus da hepatite C e o alcoolismo assumem especial prevalência. No mundo oriental existe uma especial prevalência da hepatite por vírus B (que se demonstrou ter efeito oncogénico direto). Ultimamente, nos países desenvolvidos as patologias ligadas à obesidade como a esteatohepatite não alcoólica (NASH) ou a diabetes (quer integrada na chamada síndrome metabólica quer isoladamente) estão a ser reconhecidas como factores de risco importantes para carcinoma hepatocelular. Os mecanismos de desenvolvimento de carcinoma hepatocelular são complexos mas podem ser resumidos na associação dos seguintes eventos e que são resultado direto ou indireto da ação de todos os factores de risco descritos: a) lesão direta das células do fígado secundária à inflamação crónica; b) produção de moléculas altamente reativas (Reactive Oxigen Species) que alteram os constituintes das células e criam mutações e outras alterações do DNA; c) indução de mecanismos internos de regeneração e proliferação celular levando por um lado à produção de fibrose e por outro à multiplicação das células hepáticas alteradas numa tentativa de regenerar o tecido lesado. O ponto final é a aquisição por parte das células em regeneração de características comuns aos tumores malignos: a) proliferação descontrolada; b) perda do controlo recíproco pelas células adjacentes; c) criação de vasos próprios; d) mobilidade e invasão dos tecidos contíguos e e) invasão à distância, ou seja metastização. Fator de Risco para CHC Cirrose Hepática Esteatohepatite não alcoólica (NASH) Hepatite vírica B Obesidade Hepatite vírica C Diabetes Mellitus Alcoolismo Tabagismo Hemocromatose Idade avançada Deficiência de alfa1-antitripsina Sexo masculino Doença de Wilson Exposição a Aflatoxina B1 Co-infeção VIH Tabela 1 Factores de risco para desenvolvimento de carcinoma hepatocelular (CHC) adaptado de [1] Tenho fatores de risco para CHC, devo fazer vigilância? - estratégias preventivas e vigilância. A prevenção do CHC passa por estratégias que visam limitar a aquisição dos factores de risco como é exemplo a vacinação universal de recém-nascidos e grupos de risco contra o VHB mas também politicas anti-tabágicas, prevenção do alcoolismo e de combate à obesidade. Por outro lado o tratamento antiviral das hepatites crónicas (VHB e VHC), nomeadamente com a utilização de fármacos de última geração que atingem na hepatite crónica C taxas de resposta

sustentada superiores a 90%, pode limitar a progressão para cirrose a assim, prevenir o desenvolvimento de CHC. Os doentes com factores de risco devem ser acompanhados em consulta de especialidade e, sempre que reúnam características selecionadas, submetidos a estratégias de vigilâncias. Assim, devem ser integrados em programas de vigilância doentes com doença hepática crónica em estadio de cirrose com: a) Pontuações A ou B do score de Child-Pugh (fases menos avançadas da cirrose) b) Pontuações C do score de Child-Pugh (fases mais avançadas da cirrose), se em lista para transplantação hepática. Devem ainda ser considerados para vigilância, doentes sem cirrose mas com: a) Evidência clínica de atividade da hepatite por vírus B (VHB) b) Estádio avançado de fibrose (F3 na classificação de METAVIR) e infecção por VHC. A vigilância dos doentes com factores de risco para CHC passa pela realização de ecografia abdominal realizada por profissional experiente o que é, atualmente, unanimemente reconhecido como o método de eleição para o rastreio. Tal resulta da sua aceitável precisão diagnóstica, elevada disponibilidade e relativo baixo custo. A utilização de outros métodos de imagem não é suportada por evidência clínica nem está integrada nas normas de atuação mais recentemente publicadas. A associação de marcadores bioquímicos como a alfa-fetoproteína não demonstrou um aumento da taxa de deteção que se traduzisse em vantagem custo-eficaz, facto que resulta em parte duma taxa elevada de falsos-positivos. Outros marcadores bioquímicos estão em desenvolvimento e portanto, a sua utilização, ainda restrita a estudos clínicos. A periodicidade de realização da ecografia neste contexto de rastreio é de 6 meses e está apoiada numa redução estimada da mortalidade de 37%. Não está demonstrada a superioridade de intervalos mais curtos, salvo casos selecionados (vide abaixo) no que respeita a realização de ecografia de vigilância. Quais os sinais e sintomas de quem desenvolve cancro do fígado? Atualmente o carcinoma hepatocelular é frequentemente diagnosticado numa fase assintomática aquando da realização de uma ecografia de rastreio nos grupos de risco selecionados. Em alguns casos porém o seu diagnóstico ocorre ainda num estadio avançado

pelo que se manifesta por dor na região superior direita do abdómen, perda de peso ou qualquer tipo de descompensação da cirrose: ascite (liquido dentro do abdómen); icterícia (coloração amarelada dos olhos e corpo) ou encefalopatia (lentidão e alterações do comportamento). Mesmo que não específicos, estes poderão ser os sintomas iniciais de apresentação quando o diagnóstico de doença hepática não é conhecido. Como se diagnostica o cancro do fígado? O diagnóstico de CHC pode ser realizado com base em exames de imagem (ecografia e TAC ou RMN) ou recorrendo à biópsia (colheita de tecido do fígado). Quando diagnosticado um nódulo com < 1cm em doente cirrótico deve ser repetido exame por ecografia no espaço de 4 meses. Caso não ocorra crescimento recomenda-se nova repetição do exame no mesmo espaço de tempo. Caso este tenha já (ou logo à altura do diagnóstico) entre 1 a 2 cm, deverão ser realizadas uma TC e uma RMN hepática. Para diagnóstico de CHC ambos os exames devem demonstrar que o nódulo tem características compatíveis com cancro do fígado, ou seja um grau de vascularização compatível. Caso o nódulo tenha mais de 2 cm, uma das últimas técnicas é suficiente (desde que tenha marcas radiológicas compatíveis). Em caso de dúvida, pode ser realizada uma biópsia, com colheita de tecido do nódulo e análise anatomopatológica recorrendo a colorações e marcadores químicos específicos. Uma vez realizado o diagnóstico é essencial estadiar, isto é perceber o grau de evolução do tumor no organismo. Em traços gerais este depende da conjugação de três elementos: 1) avaliação do estado de saúde e funcionalidade global do organismo (performance status em escala de ECOG); 2) avaliação da função hepática usando a escala de Child-Pugh e 3) características tumorais de dimensão e número das lesões. Com estes elementos estabelecemse segundo a classificação de Barcelona 4 estadios num crescendo de gravidade e que condicionam as intervenções a realizar e portanto também a sobrevida (fig. nº1).

Figura 1 Estadiamento BCLC atualizado e estratégia de tratamento [1]. Tenho cancro do fígado: que tratamentos posso fazer? Como é percetível pelo que acima foi exposto, a opção terapêutica está especialmente influenciada pelo estadio da doença. Em traços gerais os tratamentos disponíveis são [1] : a) Resseção por Cirurgia: reservado a lesões muito precoces, isto é, uma só lesão com menos de 2 cm, num doente sem disfunção do fígado, sem doenças associadas que limitem a cirurgia e com um muito bom estado funcional global. b) Transplante hepático: aplica-se aos mesmos doentes que a técnica anterior que tenham contudo grau ligeiro de disfunção do fígado. Aplica-se ainda a doentes com uma só lesão menor que 5cm ou até 3 lesões ( nódulos ) todos com menos de 3 cm, com muito bom estado geral e sem outras doenças associadas que impossibilitem a realização de um transplante. Também a idade é um elemento importante, dado que por regra só são transplantados doentes com menos de 65 anos. c) Tratamentos Locais de Radiofrequência/Térmicos e Injeção de Álcool: este conjunto de tratamentos pode ser oferecido aos doentes anteriores que por possuírem doenças associadas que limitam as intervenções cirúrgicas não são candidatos às mesmas. Os tratamentos térmicos consistem na aplicação local, sobre o tumor, de radiofrequência, micro-ondas; ondas laser ou produto de congelamento com um intuito de produzir temperaturas locais extremas (aquecimento ou congelamento) e com isto destruir o tecido do tumor. A injeção de álcool

promove a esclerose (destruição) das células onde é injetado. Em ambos os casos, a dimensão do tumor é o maior limitante da sua eficácia: quanto maior o tumor, mais tecido pode ficar intacto e maior a probabilidade da técnica não ser eficaz a longo prazo. d) Quimioembolização (TACE): esta técnica é oferecida a doentes em estadio intermédio ou seja com um número de lesões superiores a 3, alguma disfunção do fígado mas sem limitações do estado global do organismo. Consiste na injeção na corrente sanguínea local do tumor, de micropartículas farmacológicas com efeito químico e oclusivo dos vasos, resultando também na destruição dos tecidos tumorais. e) Sorafenib: Trata-se de um tratamento sistémico de nova geração que tem como alvo, constituintes da célula tumoral que permitem a construção dos vasos sanguíneos para nutrir o tumor. Está indicado a doentes com estadio avançado ou seja com mais de 3 lesões hepáticas, com ou sem evidência de invasão local ou à distância de outras estruturas e, com alguma limitação global do organismo (limitação das atividades no performance status). A sua utilização tem como efeitos secundários mais frequentes alterações gastrointestinais (diarreia) e da pele. Ainda que não tenha um intuito curativo e se esteja demonstrado um aumento ligeiro da sobrevida (aproximadamente 3 meses) é o avanço mais marcante na terapêutica recente do cancro do fígado. f) Tratamentos de suporte / paliativos: este conjunto de medidas é fundamental no bem-estar dos doentes em várias áreas oncológicas. Deve ser instituído precocemente num sentido lato e está formalmente indicado em todos os doentes num estadio avançado isto são aqueles com alterações graves da função do fígado e limitações importantes do estado global do organismo e como tal, não elegíveis para outras terapêuticas. Em circunstâncias específicas a radioterapia pode estar indicada na paliação (alívio) da dor e outras manifestações de metástases (locais de dispersão do tumor). Por último, importa relembrar que, na prática clínica, não está suportada pela literatura a administração de outros tratamentos (ex: quimioterapia convencional, anti-hormonas; anticorpos etc.). A utilização destes e novos compostos está reservada a ensaios científicos. Tenho fatores de risco, doença do fígado ou cancro do fígado e não tenho médico, preciso de informações. Em qualquer destas circunstâncias, deve contactar o seu médico assistente. Em primeiro lugar deve contactar o seu médico de família ou noutro caso um médico que o assista regularmente.

Assim, e caso se justifique, poderá ser orientado a contactar um especialista de gastrenterologia/hepatologia no seu hospital da área de residência. Bibliografia: 1. European Association For The Study Of The Liver; European Organisation For Research And Treatment Of Cancer. EASL-EORTC clinical practice guidelines: management of hepatocellular carcinoma. J Hepatol. 2012 Apr;56(4):908-43. doi: 10.1016/j.jhep.2011.12.001. 2. Ferlay J SI, Ervik M, Dikshit R, Eser S, Mathers C, Rebelo M, Parkin DM, Forman D, Bray, F. GLOBOCAN 2012 v1.0, Cancer Incidence and Mortality Worldwide: IARC CancerBase No. 11. In: Lyon, France: International Agency for Research on Cancer; 2013. http://globocan.iarc.fr; 2013.