TESTES: CONSTITUTIVO DO UNIVERSO DO PSICÓLOGO Leis: RESOLUÇÃO CFP N.º 002/2003: Define e regulamenta o uso, a elaboração e a comercialização de testes psicológicos e revoga a Resolução CFP n 025/2001. O CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA, no uso das atribuições legais e regimentais que lhe são conferidas pela Lei nº 5.766, de 20 de dezembro de 1971 e CONSIDERANDO o disposto no 1º do Art. 13 da Lei no 4.119/62, que restringe ao psicólogo o uso de métodos e técnicas psicológicas; (...) RESOLVE: Art. 1º - Os Testes Psicológicos são instrumentos de avaliação ou mensuração de características psicológicas, constituindo-se um método ou uma técnica de uso privativo do psicólogo, em decorrência do que dispõe o 1o do Art. 13 da Lei no 4.119/62. Parágrafo único. Para efeito do disposto no caput deste artigo, os testes psicológicos são procedimentos sistemáticos de observação e registro de amostras de comportamentos e respostas de indivíduos com o objetivo de descrever e/ou mensurar características e processos psicológicos, compreendidos tradicionalmente nas áreas emoção/afeto, cognição/inteligência, motivação, personalidade, psicomotricidade, atenção, memória, percepção, dentre outras, nas suas mais diversas formas de expressão, segundo padrões definidos pela construção dos instrumentos. Profª. MS. Anna Katarina Barbosa 1
PSICOMETRIA Psicometria: Estudo das diferenças individuais (percussores: Galton e Binet); Grande empenho científico na construção de teorias e técnicas de medida; Tentativa de esclarecer a estrutura do intelecto humano Quantas Capacidades são responsáveis pela Inteligência e como elas se relacionam; Fator Geral da Inteligência (Spearman): fator g Capacidade de estabelecer relação e correlação; Demais teorias (ver figuras breve revisão). A Construção dos testes de Inteligência: 2 CATEGORIAS: 1. Testes de aplicação individual: um a um; informações sobre o indivíduo, nível de esforço, atenção e conforto durante a testagem; 2. Testes grupais: vários examinandos ao mesmo tempo; pontuação por máquinas; o examinador não ajuda o examinando. Profª. MS. Anna Katarina Barbosa 2
Características dos testes: 2 CARACTERÍSTICAS: 1. Fidedignidade: grau de resultados consistentes (mínima variação) baseado em resultados na testagem de um grupo de pessoas; 2. Validade: idéia de que o teste mede aquilo que se propõe medir (inferências do desempenho do teste para circunstâncias além da situação de teste. FIDEDIGNIDADE: Coeficientes de Fidedignidade (r tt) : obtidos na correlação entre o teste e ele mesmo (teste-reteste); duas versões do mesmo teste aplicadas a um único grupo, onde metade faz uma versão e a outra uma versão equivalente (forma paralela); se perguntas ou seções do teste são consistentes umas as outras (consistência interna) e perguntas divididas entre impar/par, que devem ser altamente correlacionadas (split half). Profª. MS. Anna Katarina Barbosa 3
VALIDADE (pensamento atual: dados correlacionais e variáveis externas) - 3 fontes: 1. Validade de critério (comparação escores de um teste com escore padrão): a) concorrente (compara-se um teste com um critério concorrente, como notas recentes no desempenho acadêmico) e b) preditiva (correlação entre um teste corrente e um teste futuro, como a idéia de Q.I. preditivo à verificação de acordo com anos totais de educação). 2. Validade de Conteúdo: examinar se os itens do teste representam a área de conteúdo que ele deve medir (exemplo: inteligência cristalizada por um conjunto de perguntas onde as respostas possam ser adquiridas na cultura); 3. Validade de Constructo: relação de um teste com a teoria ou base teórica que este se relaciona, ou seja, mede o que foi planejado para medir, bem como para determinado propósito (visão mais recente). OBS. A fidedignidade e a validade estão ligadas. Profª. MS. Anna Katarina Barbosa 4
NORMAS: 1. Norma: distribuição de escores para determinados grupos (grupo de padronização), permitindo a comparação deste com o escore do indivíduo. 2. Padronização: instruções, materiais e outras condições idênticas quanto possível para todos os testandos; 3. Atualização: as normas precisam ser mantidas atualizadas. OLHADA MAIS DETALHADA NOS TESTES DE INTELIGÊNCIA: próximas aulas (capítulos 8 e 9). Bibliografia: HOGAN, Tomas P. Introdução à prática de testes psicológicos. Rio de Janeiro: LTC, 2006. Profª. MS. Anna Katarina Barbosa 5
CONTROVÉRSIAS ENVOLVENDO O USO DOS TESTES: 1. Uso inicial para fins eugênicos: a) alguns grupos mais inteligentes do que outros e; b) criação de grupos eugênicos (por exemplo, Galton); c) Goddard (1912) usou testes de Binet e Simon para saber se a debilidade mental era hereditária. POLÊMICA: Martin, pai dos primeiros Kalliak + jovem de uma taverna = 480 descendentes criminosos, doentes e com deficiências mentais./ mesmo homem + mulher respeitável = 496 cidadãos decentes de inteligência média ou superior. d) Lewis Terman (1916): as medidas educacionais para crianças de classe social média deviam ser adaptadas ao ritmo normal para ela; mas programas educacionais separados não melhorariam o funcionamento mental de crianças menos inteligentes e estas deveriam ser preparadas para ocupações mais modestas. POLÊMICA: 1) Goddard e Terman desenvolveram os Testes Mentais do Exército dos Estados Unidos (perguntas tendenciosas, não considerando cultura, etnia, etc.); 2) Isto redundou na estimulação de leis que permitissem a esterilização de prisioneiros e residentes em lares para retardados. Profª. MS. Anna Katarina Barbosa 6
2. Argumentos Renovados em Defesa das Diferenças Grupais Inatas: a) Jensen (1969): fracasso de programas que tentavam diminuir diferenças observadas entre realização escolar (a partir de testes de Q.I.) em crianças de minorias e pobres ; tal pensamento suscitou protestos populares; questionou se pessoas com baixos Q.I. s deveriam ter filhos e defendeu providências eugênicas quanto as políticas públicas em saúde); b) Plomin (1988): pondera que o Q.I. não pode ser considerado hereditário por causa dos fatores ambientais. 3. Controvérsias Atuais Envolvendo a Educação: a) Desde a época de Binet: escores utilizados para colocação de crianças em educação remediadora ; contudo, é preciso avaliar se em classes populares são oferecidas condições/materiais estimulantes e desafiadores; b) Alunos negros nos EUA: processos judiciais por não terem representatividade em classes remediadoras; Profª. MS. Anna Katarina Barbosa 7
ESTUDOS LABORATORIAIS COMTEMPORÂNEOS DAS DIFERENÇAS INDIVIDUAIS: 1. Estudos do tempo de reação (JENSEN, 1980, 1991): tempo medido diante de solicitação de resposta; 2. Estudos do tempo de inspeção (T.I.): apresentação de estímulo simples por um período de tempo muito breve e mede o tempo mais breve de exposição ao estímulo que o sujeito pode responder sem errar; T.I. pode explicar cerca de 25% da variância no Q.I. OBS. De pouco impacto sobre a educação e a seleção profissional. Profª. MS. Anna Katarina Barbosa 8