Uso e Manejo de Irrigação



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Transcrição:

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa Milho e Sorgo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Uso e Manejo de Irrigação Paulo Emílio Pereira de Albuquerque Frederico Ozanan Machado Durães Editores Técnicos Embrapa Informaçăo Tecnológica Brasília, DF 2007

Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na: Embrapa Informação Tecnológica Parque Estação Biológica (PqEB), Av. W3 Norte (final) CEP 70770-901 Brasília, DF Fone: (61) 3340-9999 Fax: (61) 3340-2753 www.sct.embrapa.br vendas@sct.embrapa.br Embrapa Milho e Sorgo Rodovia MG 424, Km 65 Caixa Postal 151 CEP 35701-970 Sete Lagoas, MG Fone: (31) 3379-1000 / 3779-1250 Fax: (31) 3779-1088 www.cnpms.embrapa.br sac@cnpms.embrapa.br Coordenação editorial: Fernando do Amaral Pereira Mayara Rosa Carneiro Lucilene Maria de Andrade Revisão de texto: Corina Barra Soares Normalização bibliográfica: Celina Tomaz Carvalho Projeto gráfico, editoração eletrônica e tratamento das ilustrações: José Batista Dantas Capa: Carlos Eduardo Felice Barbeiro Foto da capa: Olímpio Pereira de Oliveira Filho Fotos da 4 a capa: Olímpio Pereira de Oliveira Filho Paulo Emílio Pereira de Albuquerque 1ª edição 1ª impressão (2007): 2.000 exemplares Todos os direitos reservados A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei n o. 9.610). Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Embrapa Informação Tecnológica Uso e manejo de irrigação / editores técnicos, Paulo Emílio Pereira de Albuquerque, Frederico Ozanan Machado Durães. Brasília, DF : Embrapa Informação Tecnológica, 2007. 528 p. : il. ISBN 978-85-7383-349-2 1. Agricultura familiar. 2. Captação d água. 3. Recurso hídrico. I. Albuquerque, Paulo Emílio Pereira de. II. Durães, Frederico Ozanan Machado. III. Embrapa Milho e Sorgo. CDD 349-2 Embrapa, 2007

Apresentação No Brasil, a agricultura irrigada tem função de destaque na produção agrícola, tendo atravessado uma fase de grande expansão. Essa atividade continua, porém, carente de informações condizentes com os altos índices de produtividade e a conseqüente preservação ambiental, informações essas que se prestem ao aproveitamento, da forma mais racional possível, dos recursos solo, água, clima e energia, e de culturas de origem vegetal e animal. Infelizmente, o acelerado desenvolvimento da agricultura irrigada resultante, principalmente, da velocidade de expansão de uso e da demanda por tecnologias de irrigação não se fez acompanhar da oferta de profissionais especializados em manejo de irrigação. Isso decorreu, em parte, do fato de os cursos de especialização no País não atenderem às novas exigências, e terem dado preferência à exploração de temas ligados ao planejamento, ao dimensionamento e à implantação de projetos de irrigação. Para atender a uma agricultura moderna e tecnificada, é imperativo o treinamento na área de uso e manejo, para que se atualize o conhecimento sobre a utilização dos recursos naturais, aumentando, conseqüentemente, sua eficiência. A Embrapa Milho e Sorgo, sediada no município mineiro de Sete Lagoas, oferece, anualmente, os cursos Uso e manejo de irrigação (tradição que completa 11 anos, com carga horária de 80 horas) e Agricultura irrigada (pelo sexto ano, com carga horária de 80 horas), nos quais enfoca os fundamentos da programação de irrigação, cujo objetivo é o uso adequado da água e o manejo dos sistemas de irrigação das principais culturas irrigadas. Para isso, a Embrapa possui adequada infra-estrutura de pesquisa e desenvolvimento, bem como de informação e treinamento para o agronegócio, além de contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar e de especialistas de instituições parceiras. A forte demanda, de clientes e de parceiros, por tecnologia e serviços, associada à organização interna para adequar a sistematização da informação e uma transferência objetiva e eficaz, tem levado a Embrapa Milho e Sorgo a experimentar mecanismos cada vez mais especializados nessa área. Modernamente, o mercado sabidamente competente e competitivo requer inovações eficientes e eficazes. Nesse entendimento, a Embrapa

Milho e Sorgo (CNPMS), em parceria com a Embrapa Informática Agropecuária (CNPTIA), atualizou e ampliou o programa do curso Uso e manejo de irrigação, reestruturando-o de forma que fosse administrado e executado a longa distância, via comunicação remota de dados (internet). Com esse procedimento, conseguiu reduzir custos, encurtar caminhos, poupar esforços e ampliar o número de informações sobre os impactos da transferência de tecnologias de alta demanda. Trata-se, pois, de uma ferramenta potente, que visa a atingir um público a distância, que tem por base um curso técnicocientífico diferenciado no mercado nacional, com tradição de 11 anos de atuação, ministrado integralmente na Embrapa Milho e Sorgo, em sua Unidade de Pesquisa Científica e Tecnológica e no Núcleo de Informação para o Agronegócio (NIA). Este livro trata, basicamente, dos oito módulos explorados tanto no curso presencial quanto no curso via rede de computadores, aos quais foram acrescentados alguns textos, totalizando 12 capítulos. Os Editores

Sumário CAPÍTULO 1 Classes de Solo e Irrigação... 15 O solo em perspectiva... 17 Classificação de solos... 25 Classes de solo e disponibilidade de água... 49 Classes de solo e irrigação... 53 Classes de drenagem... 61 Levantamento de solos... 63 Referências... 68 CAPÍTULO 2 Características Físico-Hídricas e Dinâmica de Água no Solo... 71 Introdução... 73 Caracterização físico-hídrica do solo... 73 Infiltração da água no solo... 114 Redistribuição de água no solo... 126 Disponibilidade de água no solo... 126 Balanço hídrico... 134 Aplicação prática dos conceitos de solo-água... 135 Limitações e dificuldades relacionadas à utilização dos parâmetros e conceitos de solo-água... 139 Considerações finais... 142 Referências... 143 CAPÍTULO 3 Transporte de Solutos no Solo... 151 Introdução... 153 Mecanismos de transporte de solutos no solo... 153 Equação de dispersão e conversão... 155 Soluções analíticas da equação de dispersão e convecção... 158 Determinação dos parâmetros de transporte de solutos no solo... 164 Salinidade e balanço de sais... 165 Referências... 167 CAPÍTULO 4 Transporte de Água no Sistema Solo-Planta-Atmosfera Movimento de Água e Solutos nas Plantas... 169 Introdução... 171

A água no sistema solo-planta-atmosfera... 171 Ciclo hidrológico na agricultura... 173 Formas de fornecimento de água para as plantas... 175 Água disponível para as plantas... 176 Potencial total de água 181 Movimento de água... 183 Água disponível... 187 Estrutura hidrológica de plantas vasculares que participam da transferência de água do solo para a atmosfera... 188 Absorção e transporte de água em plantas vasculares, transpiração e medição do status de água na planta... 192 Relação planta-atmosfera: movimento de água no sistema solo-planta-atmosfera... 210 Relações solo-água-planta em algumas culturas de expressão econômica... 212 Referência... 223 Literatura recomendada... 223 CAPÍTULO 5 Requerimento de Água pelas Culturas... 225 Introdução... 227 Fatores que afetam a evapotranspiração... 229 Variação do requerimento de água das culturas... 236 Evapotranspiração de referência (ETo)... 240 Métodos de determinação da ETo... 241 Programa computacional para determinar a ETo com base em dados agroclimatológicos... 246 Comparação dos resultados de cálculos de ETo dos programas Etref e FAO... 248 Considerações finais... 251 Referências... 252 CAPÍTULO 6 Qualidade da Água na Agricultura Irrigada... 255 Introdução... 257 Importância da água para as plantas... 259 Disponibilidade de água, usos múltiplos e qualidade de vida... 261 Evolução da agricultura irrigada e produção de alimentos... 264 Avaliação, classificação e adequação da água para fins de irrigação... 266

Manejo da irrigação e drenagem... 294 Qualidade da água para uso na irrigação localizada... 296 Problemas de obstruções nos sistemas de irrigação e possíveis soluções... 297 Referências... 304 CAPÍTULO 7 Seleção do Método de Irrigação... 317 Introdução... 319 Necessidade de irrigação das culturas... 319 Quantidade e distribuição de chuvas... 320 Requerimento das culturas por água... 321 Demanda versus oferta de água... 323 Resposta das culturas à irrigação... 325 Processo de seleção do método de irrigação... 326 Dimensionamento dos sistemas e análise econômica... 336 Seleção final... 337 Descrição dos principais métodos de irrigação... 338 Considerações finais... 398 Referências... 399 CAPÍTULO 8 Avaliação do Desempenho de Sistemas e Projetos de Irrigação... 401 Introdução... 403 Eficiência de irrigação... 405 Uniformidade de distribuição... 409 Avaliação do desempenho de projetos de irrigação... 417 Referências... 419 CAPÍTULO 9 Aplicação de Produtos Químicos Via Irrigação (Quimigação)... 421 Introdução... 423 Métodos de injeção de produtos químicos... 424 Injeção de fertilizantes (ou de agroquímicos)... 432 Tanque de derivação ou tanque fertilizante... 434 Bombas injetoras... 438 Critérios de escolha dos equipamentos de injeção de fertilizantes... 442 Segurança na aplicação de agroquímicos... 442

Sistema de prevenção do refluxo e bloqueador de injeção de produtos... 443 Calibração... 445 Referências... 446 CAPÍTULO 10 Estratégias de Manejo de Irrigação... 449 Introdução... 451 Alguns critérios de manejo de irrigação... 454 Balanço diário da água no solo... 469 Uso do tanque de evaporação classe A para estimativa da evapotranspiração de referência (ETo)... 470 Seleção do coeficiente de cultura (Kc)... 472 Irrigação no dia do plantio e nos dias próximos subseqüentes... 482 Considerações sobre o desenvolvimento da cultura logo após o período subseqüente ao plantio... 483 Conversão de unidades de pressão... 484 Referências... 485 CAPÍTULO 11 Captação e Uso de Água na Propriedade para Múltiplos Fins... 487 Introdução... 489 Sistema de captação de água superficial das chuvas... 490 Lagos de múltiplo uso... 496 CAPÍTULO 12 Custos na Agricultura Irrigada... 507 Teoria dos custos... 509 Custo de produção na agricultura... 514 Referências... 527

Capítulo 1 Classes de Solo e Irrigação Derli Prudente Santana Luiz Marcelo Aguiar Sans

Classes de Solo e Irrigação O solo em perspectiva Conceito de solo Ao longo da história, o solo tem sido um elemento bastante familiar ao homem, que dele sempre dependeu para satisfazer suas necessidades básicas de locomoção, abrigo e alimentação. Assim, os conceitos de solo são quase tão variados quanto são as atividades humanas que nele se desenvolvem. Cada indivíduo tem uma concepção mais identificada com as próprias atividades e interesses, mas quase sempre muito pouco relacionada com o conhecimento da natureza do próprio solo. Por exemplo, enquanto, para o agricultor, o solo pode ser visto apenas como meio de desenvolvimento de plantas, para o engenheiro, ele é o material de enchimento em aterros e barragens. Os cientistas do solo preferem ver o solo como um corpo natural da superfície da terra, alterada e biologicamente modelada, que suporta ou é capaz de suportar plantas. O solo faz a ligação entre litosfera, atmosfera e biosfera, sofrendo muita influência de todos esses elementos nas suas propriedades. A posição peculiar de pedosfera torna-a uma das peças cruciais na estrutura dos ecossistemas terrestres. O solo (incluindo o relevo) está relacionado com todas as qualidades ecológicas, enquanto o clima do solo relaciona-se com radiação solar, água, temperatura e arejamento. Ele é, além disso, o substrato principal da produção de alimentos e uma das principais fontes de nutrientes e sedimentos que vão para rios e mares. Disponibilidade de água, nutrientes e ar nos solos variam bastante, condicionando, nos vários solos, uma produtividade diferente das culturas, quando outros fatores são considerados constantes. Solo, planta e água são fatores críticos e interdependentes na prática da irrigação: o balanço adequado desse trio deverá propiciar sucesso naquela prática. Gênese do solo Estudos de solos em diversas partes do mundo têm mostrado que os solos têm propriedades decorrentes do efeito integrado de clima e organismo com o material de origem (rocha), durante um certo período. Esses fatores de formação do solo determinam a gênese dos vários solos existentes na face da crosta terrestre. A resultante da ação de interdependência desses 17