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RELATOR(A): DESEMBARGADOR(A) FEDERAL MANOEL DE OLIVEIRA ERHARDT - 1º TURMA

Transcrição:

RELATOR RECORRENTE RECORRIDO ADVOGADOS AGRAVANTE ADVOGADOS AGRAVADO Superior Tribunal de Justiça RECURSO ESPECIAL Nº 1.419.298 - GO (2013/0381398-8) : MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIOR : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS : LEANDRO GONÇALVES CÂNDIDO : ALESSANDRO LISBOA PEREIRA PRISCILLA LISBOA PEREIRA E OUTRO(S) : LEANDRO GONÇALVES CÂNDIDO : ALESSANDRO LISBOA PEREIRA E OUTRO(S) PRISCILLA LISBOA PEREIRA : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE GOIÁS EMENTA PENAL E PROCESSO PENAL. RECURSO ESPECIAL E AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS E DISPARO DE ARMA DE FOGO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. POSSE ILEGAL DE MUNIÇÃO DE USO RESTRITO. CRIME DE PERIGO ABSTRATO. RESTABELECIMENTO DA CONDENAÇÃO. Extinção da punibilidade declarada, pela prescrição da pretensão punitiva. Agravo em recurso especial prejudicado. Recurso especial provido. DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo Ministério Público de Goiás contra acórdão do Tribunal de Justiça local, proferido na Apelação Criminal n. 428-33.2011.8.09.0175; e agravo em recurso especial interposto por Leandro Gonçalves Cândido contra decisão que inadmitiu recurso especial manifestado em face do mesmo acórdão antes referido, assim ementado: EMENTA - APELAÇÃO CRIMINAL. TRÁFICO DE DROGAS. ARTS 33, CAPUT E 33, 1 o, I DA LEI 11.343. CONCURSO MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE.PRINCÍPIO DA ALTERNATIVIDADE. DISPARO DE ARMA DE FOGO E POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. POSSE ILEGAL DE MUNIÇÕES DE USO RESTRITO. ATIPICIDADE DA CONDUTA. ABSOLVIÇÃO. 1 - Impossibilidade do concurso material entre o caput do art.33 e, da Lei 11.343, ante a inexistência de delitos autônomos, e a condenação por ambas as condutas incidiria em bis in idem. 2 - O delito de posse de arma deve ser considerado meio necessário â configuração do delito de disparo de arma de fogo, quando ocorridos de Documento: 35797352 Página 1 de 5

forma simultâneas, dado que, ante o principio da consunção, resta aquele absorvido por este. 4- Inexiste potencialidade lesiva em munição apreendida desacompanhada de arma de fogo. Atipicidade material dos fatos. Apelação parcialmente provida. No recurso especial da defesa (fls. 367/376), alega-se, em síntese, negativa de vigência aos seguintes dispositivos: a) art. 28 da Lei n. 11.343/2006, sob o fundamento de que deve ser desclassificada a conduta tipificada como tráfico de drogas; b) art. 155 do Código de Processo Penal, afirmando-se que a condenação se fundamentou exclusivamente em elementos informativos colhidos na investigação. No recurso especial da acusação (fls. 378/385), alega-se, em síntese, negativa de vigência ao art. 16 da Lei n. 10.826/2003, sob o argumento de que o crime de posse de munição de uso permitido é de mera conduta e de perigo abstrato, configurando-se o delito independentemente da presença de artefatos idôneos a produzir disparos. Oferecidas contrarrazões (fls. 393/399 e 403/406), apenas o recurso da acusação foi recebido na origem (fls. 410/412). Uma vez não tendo sido recebido o recurso especial da defesa (fls. 413/415), foi interposto o agravo em recurso especial (fls. 423/430) e apresentada a contraminuta (fl. 435). O Ministério Público Federal opina pelo provimento do recurso especial e pelo não provimento do agravo (fls. 454/457). É o relatório. Em primeira instância (fls. 202/214), o réu foi condenado pelos crimes previstos nos seguintes dispositivos: - art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006, à pena de 1 ano e 8 meses de reclusão e 166 dias-multa; - art. 33, 1º, I da Lei n. 11.343/2006, à pena de 1 ano e 8 meses de Documento: 35797352 Página 2 de 5

reclusão e 166 dias-multa; - art. 12 da Lei n. 10.826/2003, à pena de 1 ano de detenção e 10 dias-multa; - art. 15 da Lei n. 10.826/2003, à pena de 2 anos de reclusão e 10 dias-multa; - art. 16 da Lei n. 10.826/2003, à pena de 3 anos de reclusão e 10 dias-multa. Em segunda instância (fls. 331/361), foi dado parcial provimento à apelação defensiva, mantendo-se a condenação apenas em relação aos crimes previstos no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006 e no art. 15 da Lei n. 10.826/2003. Nesta instância especial, a defesa pretende a desclassificação do crime de tráfico de drogas, e a acusação pretende o restabelecimento da condenação pelo crime de posse ilegal de munição de uso restrito. Antes, porém, de analisar as pretensões recursais, é necessário observar a ocorrência de prescrição da pretensão punitiva em relação a parte dos crimes imputados ao réu. Com efeito, em relação aos crimes previstos nos arts. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006 e 15 da Lei n. 10.826/2003, por força das penas fixadas na sentença e mantidas no acórdão recorrido (respectivamente, 1 ano e 8 meses de reclusão e 2 anos de reclusão), o lapso prescricional é de 2 anos, em razão da redução à metade por força da menoridade do réu ao tempo do crime (art. 115 do Código Penal). Ocorre que tal prazo já transcorreu entre o último marco interruptivo, consistente na publicação da sentença condenatória, em 18/10/2011 (fl. 216), e a presente data. Impõe-se, portanto, o reconhecimento da extinção da punibilidade, Documento: 35797352 Página 3 de 5

do que decorre a perda do objeto do recurso da defesa. O mesmo, todavia, não se pode dizer em relação ao crime previsto no art. 16 da Lei n. 10.826/2003, pois o lapso prescricional a ser considerado é de 4 anos, razão pela qual passo à análise do recurso da acusação, para o fim de acolher a insurgência. De fato, a posse de munição de uso restrito, ainda que desacompanhada da arma de fogo, revela crime de perigo abstrato e de mera conduta, que se perfaz com a simples posse da munição, sem a devida autorização pela autoridade competente, sendo desnecessária lesão ou perigo concreto de lesão ao bem jurídico (APn n. 686/AP, Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, DJe 5/3/2014). No mesmo sentido: HC n. 217.746/SP, Ministra Marilza Maynard (Desembargadora convocada do TJ/SE), Sexta Turma, DJe 31/3/2014; HC n. 211.834/SP, Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 18/9/2013. Impõe-se, desta forma, o restabelecimento da condenação firmada na sentença, pelo mencionado crime, à pena de 3 anos de reclusão, a ser cumprida em regime inicial aberto, e 10 dias-multa. Juízo da Execução. A possibilidade de substituição da pena deve ser analisada pelo Ante o exposto, com fundamento no art. 61 do Código de Processo Penal, declaro extinta a punibilidade do réu, em relação aos crimes previstos nos arts. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006 e 15 da Lei n. 10.826/2003, pela prescrição da pretensão punitiva, com fundamento nos arts. 107, IV, 109, V, 110, 1º, 114, II e 115, todos do Código Penal, e, em consequência, julgo prejudicado o agravo em recurso especial da defesa. Ademais, dou provimento ao recurso especial da acusação, para o fim de restabelecer a condenação pelo crime previsto no art. 16 da Lei n. 10.826/2003, restando a pena final do réu fixada em 3 anos de reclusão e 10 dias-multa, na forma acima Documento: 35797352 Página 4 de 5

estabelecida. Publique-se. Superior Tribunal de Justiça Brasília, 02 de junho de 2014. Ministro Sebastião Reis Júnior Relator Documento: 35797352 Página 5 de 5