DECISÃO Agência Nacional de Aviação RELATORA: Ana Regina das Neves Mat. SIAPE 1580322 RELATÓRIO Trata-se de Recurso interposto pela empresa TAM LINHAS AÉREAS S/A, contra decisão proferida no Processo Administrativo nº. 60860.006312/2007-11, originado do AI nº. 813/SAC BR/2007, lavrado em 24/05/2007 (fls. 03), com fundamento no artigo 302, inciso III, alínea u do Código Brasileiro de Aeronáutica, por descumprir o contrato de transporte aéreo com a passageira Adriana Cardoso Rodrigues, ao não embarcá-la no voo TAM JJ 3823, das 15h45 no dia 20/12/2006. A passageira compareceu à SAC BR a fim de reclamar o atraso do seu voo JJ 3823 previsto para decolar 15h45 saiu aproximadamente às 20h00. Diante do atraso em Brasília perdeu a conexão (voo IB 6800) para Madri, na cidade do Rio de Janeiro e, conseqüentemente, o voo IB 7442 com destino a Londres. Em seu depoimento, a passageira afirma que a empresa TAM recolheu os bilhetes da empresa Ibéria e a acomodou em um voo próprio com destino a Londres e saída de São Paulo, em 21/12/2006 às 23h45 (voo JJ 8084). No entanto o voo JJ 8096 com destino a São Paulo decolou aproximadamente às 00h00. Diante do ocorrido, a empresa TAM remarcou os bilhetes para o voo JJ 8084 do dia 22/12/20006. No Relatório de ISR (fls. 02) a fiscalização confirma o atraso por mais de 4 (quatro) horas sem justo motivo e a falta de informações precisas para solucionar o transtorno. Após a reclamação a SAC solicitou esclarecimentos à empresa, esta por sua vez afirma que no dia 20 de dezembro de 2006 o voo JJ 3823 com destino ao Rio de Janeiro apresentou atraso em sua decolagem em Brasília, devido tráfego aéreo, embarque de passageiro portador de deficiências físicas em cadeiras de rodas com seu estado de saúde delicado, prejudicando a conexão dos passageiros com destino a Londres da empresa Ibéria. Face ao exposto acima a empresa cumprindo o que estabelece a legislação vigente e sempre visando minimizar qualquer transtorno que venha ocorrer com nossos clientes, ofereceu a passageira citada, acomodação no voo JJ 8084, bem como hospedagem, traslado, alimentação e comunicação. Diante do ocorrido a empresa foi autuada e apresentou defesa (fls. 06), na qual alega que o voo sofreu atraso por motivos operacionais, o que gerou atrasos seqüenciais e intenso tráfego aéreo. Aduz, ainda, que disponibilizou a mesma todas as facilidades previstas na legislação, bem como reacomodação no voo imediatamente disponível. A Junta de Julgamento entendeu que a empresa (fls. 14/15) descumpriu a legislação, ao não embarcar a passageira no voo programado, enquadrando referida infração na alínea u do inciso III do artigo 302 do CBA, com agravante por descumprimento do 1º do artigo 22 das Condições Gerais de Transporte (Anexo da Portaria nº. 676/GC-5, de 13/11/2000, de 13/11/200, aplicando multa no valor de R$ 10.000,00 (Dez mil reais).
Inconformada, a empresa apresentou tempestivamente recurso administrativo (fls. 17) requerendo a anulação ou revogação total da decisão administrativa de 1ª Instância, reiterando os termos apresentados em sua defesa. É o Relatório. VOTO DA RELATORA A empresa aérea TAM LINHAS AÉREAS foi autuada por não embarcá-la no voo TAM JJ 3823, conforme horário previsto, enquadrando referida infração na alínea u, do artigo 302, da lei nº 7.565, de 19 de Dezembro de 1986, que dispõe: Art. 302. A multa será aplicada pela prática das seguintes infrações: (...) III infrações imputáveis à concessionária ou permissionária de serviços aéreos: (...) u) infringir às Condições Gerais de Transporte, bem como as demais normas que dispõem sobre os serviços aéreos. Os atrasos dos voos são tratados no artigo 230 da Lei nº 7565/86 (Código Brasileiro de Aeronáutica) que dispõe: Art. 230. Em caso de atraso da partida por mais de quatro horas, o transportador providenciará o embarque do passageiro, em vôo que ofereça serviço equivalente para o mesmo destino, se houver, ou restituirá, de imediato, se o passageiro o preferir, o valor da passagem. Dispõe o artigo 22 das Condições Gerais de Transporte (Anexo da Portaria nº. 676/GC-5, de 13/11/2000) que a empresa aérea ao atrasar o vôo por mais de 4 (quatro) horas será facultado ao passageiro receber o endosso ou reembolso do bilhete ou, se concordar em viajar no mesmo dia ou no dia seguinte, a empresa deverá proporcionar-lhe as facilidades (o 2º do artigo 22 das CGT). Art. 22. Quando o transportador cancelar o vôo, ou este sofrer atraso, ou, ainda, houver preterição por excesso de passageiros, a empresa aérea deverá acomodar os passageiros com reserva confirmada em outro vôo, próprio ou de congênere, no prazo máximo de 4 (quatro) horas do horário estabelecido no bilhete de passagem aérea. 1o Caso este prazo não possa ser cumprido, o usuário poderá optar entre: viajar em outro vôo, pelo endosso ou reembolso do bilhete de passagem. 2o Caso o usuário concorde em viajar em outro vôo do mesmo dia ou do dia seguinte, a transportadora deverá proporcionar-lhe as facilidades de comunicação, hospedagem e alimentação em locais adequados, bem como o transporte de e para o aeroporto, se for o caso. 3o Aplica-se, também, o disposto neste artigo e seus parágrafos. O cumprimento deste artigo exonera a empresa de sanções, tendo em vista que a legislação não abriga sanções específicas para estes casos, pois faculta ao transportador acomodar o passageiro dentro das quatro horas que se seguem à hora de partida da aeronave, se não fizer, aí sim estará o contrato de transporte aéreo, e, ficando, portanto, sujeito às sanções impostas pelo Código Brasileiro de Aeronáutica. 2
O transporte aéreo é utilizado por quem tem pressa, ou seja, a expectativa de quem contrata esse tipo de transporte é a rapidez. Não obstante isso, pequenos atrasos são conseqüência natural desse tipo de serviço. Atrasos superiores a quatro horas, como a própria lei estabelece, não são toleráveis, notadamente porque, dependendo da distância, compensaria, tanto em questão de tempo quanto de preço, para o passageiro fazer o percurso de ônibus. Nos autos não se vislumbra nos documentos e no conteúdo do recurso qualquer argumento de que se possa valer para fins de afastar a irregularidade cometida, haja vista que a empresa deixou de embarcar a passageira no lapso temporal de 4 (quatro) horas. Quanto ao valor da multa aplicada (R$ 10.000,00), podemos observar que a Resolução nº. 25, de 25/04/2008, podemos observar que a Resolução nº 25, de 25 de Abril de 2008, trouxe condição mais favorável, haja vista a presença de circunstância atenuante, o oferecimento das facilidades, em conformidade com o inciso II do 1º do artigo 22 da referida norma, assim como de circunstância agravante reincidência neste tipo de infração, em conformidade com o inciso I do 2º do artigo 22 da Resolução nº. 25/08, ). Desta forma, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, reduzindo, assim, o valor da multa aplicada em primeira instância para o valor de R$ 7.000,00 (sete mil reais). É o voto. ANA REGINA DAS NEVES Matrícula SIAPE 1580322 3
Agência Nacional de Aviação CERTIDÃO DE JULGAMENTO AUTUAÇÃO RELATORA: Ana Regina das Neves Mat. SIAPE 1580322 ASSUNTO: atraso de voo - art. 302, III, u CERTIDÃO Certifico que Junta Recursal da AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL ANAC, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A Junta, por unanimidade, conheceu do recurso, dando-lhe provimento parcial, para reduzir a multa aplicada pela Junta de Julgamento, nos termos do voto da Relatora. A Sra. Presidente Alexandra da Silva Amaral e o Sr. Membro Edmilson José de Carvalho votaram com a Relatora. ALEXANDRA DA SILVA AMARAL PRESIDENTE DA JUNTA RECURSAL 4
DESPACHO Agência Nacional de Aviação Encaminhe-se a Secretaria da Junta Recursal para as providências de praxe. ALEXANDRA DA SILVA AMARAL PRESIDENTE DA JUNTA RECURSAL 5