UPP CHAPÉU-MANGUEIRA / BABILÔNIA



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UPP CHAPÉU-MANGUEIRA / BABILÔNIA 09/2014 0

Sumário 1. LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO GERAL... 2 2. DADOS DEMOGRÁFICOS E ÁREA OCUPADA... 3 3. INDICADORES SOCIOECONÔMICOS E URBANOS CENSO 2010... 6 3.1. SERVIÇOS URBANOS E CONDIÇÃO DE OCUPAÇÃO... 6 3.1.1. CONDIÇÃO DE OCUPAÇÃO... 6 3.1.2. SANEAMENTO BÁSICO (ÁGUA E ESGOTAMENTO SANITÁRIO)... 7 3.1.3. LIXO... 10 3.1.4. ENERGIA ELÉTRICA... 11 3.2. EDUCAÇÃO... 12 3.2.1. ANALFABETISMO ENTRE CRIANÇAS DE 8 A 9 ANOS DE IDADE... 13 3.2.2. ANALFABETISMO ENTRE CRIANÇAS DE 10 A 14 ANOS DE IDADE... 14 3.2.3. ANALFABETISMO ENTRE PESSOAS COM 15 ANOS OU MAIS DE IDADE... 15 3.3 RENDA... 17 3.3.1. RENDIMENTO NOMINAL MENSAL DOMICILIAR PER CAPITA DOS DOMICÍLIOS PARTICULARES.. 17 3.3.2. RENDIMENTO DOS RESPONSÁVEIS PELOS DOMICÍLIOS... 19 1

UPP Chapéu-Mangueira / Babilônia - Informações Básicas 1. LOCALIZAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO GERAL Mapa 1 Limite da UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia, das comunidades que a compõem e das Regiões Administrativas 2013 Fonte: SABREN/ IPP, 2011, ISP 2013 A UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia é formada apenas por essas duas comunidades. Elas formam um complexo denominado de Complexo da Babilônia. A Tabela 1 mostra a localização das comunidades na UPP na Área de Planejamento 2, na Região Administrativa 5 Copacabana. As duas se localizam no bairro do Leme. Tabela 1 A.P., R.A., Bairro e Nome do Complexo das comunidades localizadas na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia 2013 Área de planejamento Região administrativa Bairros Nome do Complexo 2 V - Copacabana Leme Babilônia Fonte: SABREN/ IPP (2013) Babilônia Chapéu Mangueira A Tabela 2 apresenta resumidamente as legislações urbanísticas específicas das áreas, o número e o ano do respectivo decreto que regulamenta aquele espaço. Em seguida, a Tabela 3 resume os principais programas de urbanização implementados, em processo de implementação ou planejados nas áreas. Nesta tabela, foi inserida uma coluna indicando a categoria da comunidade conforme uma classificação elaborada para a coordenação do programa Morar Carioca da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro 1. 1 A classificação elaborada para a coordenação do Programa Morar Carioca tem por finalidade dimensionar as ações e os projetos de urbanização a serem implementados. Primeiramente, as comunidades da cidade foram classificadas como urbanizadas ou não- 2

As duas comunidades foram decretadas como Áreas de Especial Interesse Social em 1999. Observa-se, também, que as duas comunidades estão atualmente em processo de urbanização no âmbito da Fase 1 do Programa Morar Carioca e que já haviam passado por obras de melhoramento pelo Programa Bairrinho. Tabela 2 Legislação Urbanística das comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia 2013 Legislação Urbanística Babilônia Lei de Área de Especial Interesse Social (AEIS), nº 2912 de 29/10/1999 Chapéu Mangueira Lei de Área de Especial Interesse Social (AEIS), nº 2912 de 29/10/1999 Fonte: SABREN/ IPP (2013) Tabela 3 Programas de Urbanização e Classificação no Morar Carioca das comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia 2013 Programas de Urbanização Classificação no Morar Carioca Babilônia Chapéu Mangueira Fonte: IPP (2013) Bairrinho Morar Carioca - Fase 1 Bairrinho Morar Carioca - Fase 1 Assentamentos em processo de urbanização > 500 dom Assentamentos em processo de urbanização > 500 dom 2. DADOS DEMOGRÁFICOS E ÁREA OCUPADA 2 A Tabela 4 apresenta os dados sobre área, população, domicílio, número de habitantes por domicílio e densidade demográfica nas duas comunidades analisadas. O Gráfico 1 ilustra a diferença populacional entre as comunidades na área da UPP. Os dados revelam que a comunidade Babilônia é a mais populosa, concentrando 65% (ou 2.451 hab) da população total. Vale ressaltar, no entanto, que apesar do tamanho da sua população e de ocupar o equivalente a 70% (84.248 m²) da área total das duas comunidades (118.843 m²), a densidade demográfica na Babilônia é sensivelmente menor que no seu vizinho Chapéu-Mangueira (290,9 e 372,3 (hab/ha) respectivamente). urbanizadas. Segundo, as comunidades não-urbanizadas, objetos do programa, foram classificadas de acordo com o tamanho e o grau de urbanização do complexo que integram. São quatro categorias a) Pequenos Assentamentos; b) Assentamentos entre 100 e 500 domicílios; c) Assentamentos com mais de 500 domicílios Parcialmente Urbanizados e; d) Assentamentos com mais de 500 domicílios Não-Urbanizados. Há também comunidades onde a urbanização ainda está em análise. 2 As estimativas de população e domicílios aqui apresentadas foram feitas pelo IPP em 2010, e resultaram da compatibilização do número de domicílios particulares permanentes e de moradores em domicílios particulares permanentes apurados pelo IBGE no Censo Demográfico 2010 com os limites definidos pelo IPP para as favelas. Como os limites adotados pelos dois órgãos eram muito próximos no ano de 2010, foram produzidos resultados estatísticos confiáveis. 3

Tabela 4 População, Domicílios, Habitantes por Domicílio, Área e Densidade Demográfica segundo as na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia, e Município do Rio de Janeiro População (1) Domicílios (1) Habitantes por Domicílio Área (m²) (2) Densidade demográfica (hab/ha) Babilônia 2.451 777 3,15 84.248 290,9 Chapéu Mangueira 1.288 401 3,21 34.595 372,3 Total 3.739 1.178 3,17 118.843 314,6 Rio de Janeiro (3) 6.320.446 2.146.340 2,94 570.917.463 110,7 Fonte: (1) Instituto Pereira Passos, com base em IBGE, Censo Demográfico (2010) (2) Instituto Pereira Passos (2010) (3) Censo Demográfico IBGE (2010) Gráfico 1 - População segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia - 2010 Chapéu Mangueira Babilônia 0 500 1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 Fonte: Instituto Pereira Passos, com base em IBGE, Censo Demográfico (2010) A Tabela 5 distribui a população por sexo e razão de sexo nas duas comunidades. Em ambos os lugares há mais mulheres do que homens (51,94% na Babilônia e 52,91% no Chapéu-Mangueira), o que causa uma razão entre os sexos considerável, de 91,3. As informações sobre as R.A.s onde a UPP se localiza, bem como do município do Rio de Janeiro também estão presentes na tabela, para fins de comparação. É importante ressaltar que, a partir deste ponto, os dados apresentados para a UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia são os divulgados pelo IBGE tendo como base o Censo Demográfico 2010. Tabela 5 Sexo e Razão de Sexos segundo as na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia, e Município do Rio de Janeiro 2010 Homens % Mulheres % Total Razão de Sexos (H/M) x 100 Babilônia 1178 48,06% 1273 51,94% 2451 100% 92,54 Chapéu Mangueira 607 47,09% 682 52,91% 1289 100% 89,00 Total 1.785 47,73% 1.955 52,27% 3.740 100% 91,30 42,77% 57,23% 100% 74,74 Rio de Janeiro 46,83% 53,17% 100% 88,07 4

A Tabela 6 abaixo apresenta a população por faixas etárias. Tais faixas distribuem as populações entre crianças (de 0 a 14 anos de idade), jovens (entre 15 a 29 anos), adultos (entre 30 a 64 anos) e idosos (a partir de 65 anos de idade). Os dados mostram que nas duas comunidades a quantidade de crianças é bastante expressiva e similar, atingindo 24% do total de pessoas. Os jovens também são muitos: 26% da população total. Reunidos, os dois segmentos (crianças e jovens) representam 50% da população total. A maior parte da população está na faixa entre 30 e 64 anos de idade e correspondem a 45% do total de moradores, percentual próximo àquele observado no município do Rio de Janeiro e também da R.A. Copacabana. A grande discrepância está entre os idosos. Em ambas as comunidades, as pessoas a partir de 65 anos de idade representam apenas 5% do total da população, percentual muito abaixo da R.A. Copacabana (22,8%) e do município do Rio de Janeiro (10,4%). Tabela 6 Total e percentual de Crianças, Jovens, Adultos e Idosos segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia, e Município do Rio de Janeiro 2010 Faixa Etária 0 a 14 15 a 29 30 a 64 65 + Total Pessoas % Pessoas % Pessoas % Pessoas % Pessoas % Babilônia 591 24% 618 25% 1.131 46% 111 5% 2.451 100% Chapéu Mangueira 302 23% 349 27% 568 44% 70 5% 1289 100% Total 893 24% 967 26% 1.699 45% 181 5% 3.740 100% Rio de Janeiro 9,6% 19,6% 48,0% 22,8% 100,0% 19,4% 24,1% 46,0% 10,4% 100,0% A Tabela 7 abaixo mantém os mesmos segmentos da Tabela 6 (acima), mas separa a população por sexo. Conforme é possível observar, nascem mais mulheres do que homens nas duas comunidades e essa diferença se mantêm até os 29 anos de idade. Entre os 30 e 59 anos de idade, ambas tem a mesma quantidade de homens e mulheres (808). No entanto, na faixa que começa aos 60 anos de idade, a diferença entre homens e mulheres é importante: elas representam um pouco mais de 60% do total e eles 38,7%. Chama atenção também o fato de que o número total de pessoas com 60 anos ou mais é baixo se comparado aos outros grupos etários, principalmente considerando que com 60 anos de idade o individuo ainda não é idoso. Tabela 7 Faixa Etária por sexo segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia 2010 Faixa Etária / Sexo 0 a 14 15 a 29 30 a 59 60 + Total H M H M H M H M H M Babilônia 277 314 287 331 553 536 61 92 1178 1273 Chapéu Mangueira 136 166 175 174 255 272 41 70 607 682 Total 413 480 462 505 808 808 102 162 1.785 1.955 893 967 1.616 264 3.740 As duas pirâmides etárias abaixo têm como objetivo ilustrar em conjunto a distribuição etária da população das comunidades Chapéu-Mangueira e Babilônia e compará-la com aquela observada na V R.A. (Copacabana). Conforme já foi destacado nos comentários acima, a população jovem dessas áreas é importante (23,9%), mas a pirâmide mostra que a maior parte das pessoas tem entre 30 e 49 anos de idade. Depois dessa idade, ou seja, a partir dos 50 anos, a população (tanto homens, quanto mulheres) começa a diminuir até chegar a apenas 1% na faixa que começa nos 75 anos. 5

Comparada com a pirâmide da V Região Administrativa (Copacabana), nota-se uma clara diferença na distribuição etária. Enquanto que no Chapéu-Mangueira e Babilônia a base da pirâmide é larga, na V R.A. ela é mais estreita. De 20 a 34 anos observa-se um aumento no número de pessoas que volta a se repetir a partir dos 45 anos até os 64 anos de idade. A maior discrepância está na população idosa. Ao contrário da pirâmide da UPP, na V R.A. o topo da pirâmide, que representa os idosos, é bastante larga, sinalizando a diferença alarmante entre essas duas realidades tão próximas geograficamente. Gráfico 2 Pirâmides Etárias das comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia e da 2010 80+ 75-79 70-74 65-69 60-64 55-59 50-54 45-49 40-44 35-39 30-34 25-29 20-24 15-19 10-14 5-9 0-4 UPP Babilônia / Chapéu-Mangueira Mulheres Homens 15% 10% 5% 0% 5% 10% 15% Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010) 80+ 75-79 70-74 65-69 60-64 55-59 50-54 45-49 40-44 35-39 30-34 25-29 20-24 15-19 10-14 5-9 0-4 Mulheres Homens 15% 10% 5% 0% 5% 10% 15% 3. DADOS CENSITÁRIOS 2010: SOCIOECONÔMICOS Este item do Panorama dos Territórios apresenta um conjunto de dados socioeconômicos a respeito do território analisado, que revelam aspectos considerados de fundamental importância para entender a realidade da área considerada. Os dados estão apresentados em três seções. A primeira resume um conjunto de informações referentes à infraestrutura e serviços urbanos, assim como à condição domiciliar. Mais concretamente, dizem respeito ao acesso dos domicílios localizados na área da UPP à infraestrutura adequada de água e de esgotamento sanitário, assim como a serviços de coleta de lixo e de fornecimento de energia elétrica. Além disso, incluiu-se nesta seção a condição de ocupação do domicílio. A segunda seção resume algumas informações censitárias de educação, calculadas através do cruzamento entre dados de alfabetização da população com os de distintas faixas etárias. Optou-se pela delimitação de três faixas etárias: de 8 a 9 anos de idades, de 10 a 14 anos de idade e maiores de 15 anos. Dados absolutos de pessoas alfabetizadas ou não destes três recortes etários estão também apresentadas por sexo. Por fim, a terceira seção apresenta os dados de renda considerados mais pertinentes para este contexto. Os dados de renda domiciliar per capita foram observados de acordo com as seguintes faixas de renda: até 1/8 de salário mínimo; de 1/8 até ¼ de salário mínimo; de ¼ até ½ salário mínimo; de ½ até 1 salário mínimo; de 1 a 2 salários mínimos e de mais de 2 salários mínimos. Já os dados que tratam da renda dos responsáveis pelos domicílios e da renda segundo o sexo foram analisados em correspondência com outras faixas de renda: até ½ salários mínimos; de ½ até 1 salário mínimo; de 1 até 2 salários mínimos; de 2 a 3 salários mínimos e de mais de 3 salários mínimos. 3.1. SERVIÇOS URBANOS E CONDIÇÃO DE OCUPAÇÃO 3.1.1. CONDIÇÃO DE OCUPAÇÃO Por condição de ocupação entende-se que o domicílio pode ser próprio, alugado, cedido (mesmo que os moradores paguem taxas de conservação), ou ainda ocupado por uma forma que não se encaixa em nenhuma das três acima mencionadas, como por exemplo, através de ocupações. É importante frisar que a classificação dos domicílios nas categorias mencionadas é baseada naquilo que os moradores declararam ao Censo 2010. 6

A Tabela 8 mostra que na UPP Babilônia e Chapéu-Mangueira 75% dos imóveis são próprios, média bastante próxima do município do Rio de Janeiro (73%) e superior a média da (61%). Os domicílios alugados representam 24% do total de domicílios da UPP, novamente um percentual mais próximo daquele observado no município, do que na (33%). Finalmente, os domicílios que se enquadram na categoria cedidos são inexpressivos do ponto de vista estatístico no caso da UPP, mas representam 4% do total de domicílios da cidade do Rio de Janeiro e 6% da. Tabela 8 Total e Percentual de Domicílios Particulares Permanentes por Condição de Ocupação segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia, R.A. Copacabana e Município do Rio de Janeiro 2010 Condição de Ocupação Próprio Alugado Cedido Outros Total Domicílios % Domicílios % Domicílios % Domicílios % Domicílios % Babilônia 588 76% 184 24% 2 0% 3 0% 777 100% Chapéu Mangueira 301 75% 98 24% 2 0% 0 0% 401 100% Total 889 75% 282 24% 4 0% 3 0% 1.178 100% Rio de Janeiro 61% 33% 6% 0% 100% 73% 22% 4% 1% 100% 3.1.2. SANEAMENTO BÁSICO (ÁGUA E ESGOTAMENTO SANITÁRIO) Entende-se aqui como abastecimento de água adequado o número total de domicílios cujos moradores declararam que suas residências estavam ligadas à rede geral de água, enquanto que inadequado refere-se àqueles que responderam que seus domicílios têm outras formas de abastecimento, por exemplo, proveniente de poços, rios ou através de caminhões pipa (os dados se encontram na Tabela 9). Vale sublinhar que os dados censitários referem-se apenas à cobertura de abastecimento de água. Não apontam, portanto, para a qualidade deste serviço. Para esta finalidade, seriam necessários dados complementares que remetessem, por exemplo, à intermitência no fornecimento. Por sua vez, entende-se aqui como acesso a esgotamento sanitário adequado, tanto os domicílios conectados à rede geral de esgoto ou à rede pluvial 3 quanto aqueles em que os moradores alegaram estarem ligados a uma fossa séptica para despejo. A precariedade do acesso a esta infraestrutura, classificada aqui como inadequada, é medida pela soma de outras formas de despejo que não sejam estas, a saber, fossas rudimentares, valas, diretamente no mato ou encosta, etc. Os domicílios cujos moradores responderam não possuírem banheiro também foram considerados como uma classificação a parte. Enfatiza-se, novamente, que os dados não apontam para a qualidade do serviço prestado, apenas mensuram a cobertura da infraestrutura instalada. A próxima tabela (9) apresenta informações sobre o abastecimento de água nas comunidades da UPP, além da comparação com a Região Administrativa de Copacabana e o município do Rio de Janeiro. Entende-se aqui como abastecimento de água adequado o número total de domicílios cujos moradores declararam que suas residências estavam ligadas à rede geral de água, enquanto que inadequado refere-se àqueles que responderam que seus domicílios têm outras formas de abastecimento, por exemplo, proveniente de poços, rios ou através de caminhões pipa. Segundo os dados do IBGE (Censo 2010), 99,7% dos domicílios da UPP Babilônia e Chapéu-Mangueira tem abastecimento de água considerado adequando, apenas três domicílios da comunidade da Babilônia, localizados no extremo da área (Mapa 2), tem abastecimento avaliado como inadequado. Nesse caso, a média da UPP está mais próxima da (99,9%) do que do município do Rio 3 Segundo as instruções contidas no Manual do Recenseador utilizado durante o levantamento dos dados do Censo 2010, os domicílios conectados à rede geral de esgoto foram contabilizados juntamente com os domicílios que utilizam a rede pluvial como escoadouro. Em função disso, tanto os domicílios ligados à rede geral de esgoto quanto os domicílios que usam a rede pluvial como sistema de coleta serão aqui classificados como domicílios com esgotamento sanitário adequado. 7

de Janeiro (98,5%), embora a diferença entre a UPP e a cidade do Rio de Janeiro seja pequena (1,2%). Vale sublinhar, no entanto, que os dados censitários referem-se apenas à cobertura de abastecimento de água, mas não apontam para a qualidade deste serviço. Para tanto, seriam necessários dados complementares que remetessem, por exemplo, à intermitência no fornecimento. Tabela 9 Total e Percentual de Domicílios Particulares Permanentes por Forma de Abastecimento de Água segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia, e Município do Rio de Janeiro 2010 Água Adequado Inadequado Total Domicílios % Domicílios % Domicílios % Babilônia 774 99,6% 3 0,4% 777 100% Chapéu Mangueira 401 100,0% 0 0,0% 401 100% Total 1.175 99,7% 3 0,3% 1.178 100% Rio de Janeiro 99,9% 0,1% 100% 98,5% 1,5% 100% Mapa 2 Percentual de Domicílios Particulares Permanentes com Acesso a Abastecimento de Água Adequado segundo os Setores Censitários das comunidades na UPP Chapéu- Mangueira e Babilônia 2010 Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010) A Tabela 10 reúne informações sobre esgotamento sanitário na UPP analisada, na e no município do Rio de Janeiro. Entende-se aqui como acesso a esgotamento sanitário adequado, tanto os domicílios conectados à rede geral quanto aqueles que os moradores alegaram estarem ligados a uma fossa séptica para despejo. A precariedade do acesso a esta infraestrutura, classificada aqui como 8

inadequada, é medida pela soma de outras formas de despejo que não sejam estas. Os domicílios cujos moradores responderam não possuírem banheiro são considerados como uma categoria especifica, a saber, sem banheiro ou sanitário. Os dados revelam que 95,9% dos domicílios têm esgotamento sanitário avaliado como adequado, sendo que na comunidade Chapéu-Mangueira quase 100% dos domicílios se enquadram nessa categoria. Consequentemente, o percentual de domicílios avaliados como tendo esgotamento sanitário inadequado corresponde a 6% na comunidade da Babilônia (ver Mapa 3), percentual bastante superior ao observado na (0,1%) e um pouco acima da média municipal (5%). O percentual de domicílios sem banheiro ou sanitário é insignificante do ponto de vista estatístico nas três regiões analisadas (UPP, R.A. e município). Tabela 10 Total e Percentual de Domicílios Particulares Permanentes por Tipo de Esgotamento Sanitário segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia, e Município do Rio de Janeiro 2010 Esgotamento Sanitário Adequado Com Banheiro ou Sanitário Inadequado Sem Banheiro ou Sanitário Total Domicílios % Domicílios % Domicílios % Domicílios % Babilônia 730 94,0% 47 6,0% 0 0,0% 777 100% Chapéu Mangueira 400 99,8% 0 0,0% 1 0,2% 401 100% Total 1.130 95,9% 47 4,0% 1 0,1% 1.178 100% 99,9% 0,1% 0,0% 100% Rio de Janeiro 94,9% 5,0% 0,1% 100% Mapa 3 Percentual de Domicílios Particulares Permanentes com Acesso a Esgotamento Adequado segundo os Setores Censitários das comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia 2010 Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010) 9

3.1.3. LIXO A Tabela 11 trata do destino de lixo nas comunidades que compõem a UPP, na e no município do Rio de Janeiro. Considerou-se para classificar como cobertura adequada, aqueles domicílios cuja coleta é realizada, seja diretamente pelo serviço de coleta porta a porta ou indiretamente através de caçambas colocadas pela Comlurb. Por sua vez, considerou-se como inadequado aqueles domicílios cujos moradores responderam que o destino do lixo é um terreno baldio, um logradouro, um curso d agua ou queimado e enterrado em algum terreno, assim como qualquer outro tipo de destino. Os dados revelam que praticamente 100% dos domicílios da UPP têm coleta de lixo considerada adequada, percentual bem próximo da (100%) e do município do Rio de Janeiro (99,3%). Novamente, é relevante ressaltar que os dados são relativos apenas à cobertura do serviço de coleta, não indicando a qualidade da mesma, como por exemplo, sua frequência ou a condição geral de limpeza local tal como o acúmulo de lixo nos logradouros públicos e nos cursos d água, etc. O Mapa 4 confirma a informação apresentada pela Tabela 11 ao expor que nenhum dos setores censitários das comunidades localizadas na área da UPP possui menos de 99% de cobertura de serviço adequado de coleta de lixo. Tabela 11 Total e Percentual de Domicílios Particulares Permanentes por Destino do Lixo segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia, e Município do Rio de Janeiro 2010 Lixo Adequado Inadequado Total Domicílios % Domicílios % Domicílios % Babilônia 775 99,7% 2 0,3% 777 100% Chapéu Mangueira 401 100,0% 0 0,0% 401 100% Total 1.176 99,8% 2 0,2% 1.178 100% Rio de Janeiro 100,0% 0,0% 100% 99,3% 0,7% 100% 10

Mapa 4 Percentual de Domicílios Particulares Permanentes com Acesso a Coleta de Lixo Adequado segundo os Setores Censitários das comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia 2010 Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010) 3.1.4. ENERGIA ELÉTRICA A Tabela 12 mostra o total e o percentual de domicílios com energia elétrica proveniente de companhia distribuidora (com medidor e sem medidor), de outras fontes ou sem energia. O IBGE considera outras fontes como sendo as fontes de energia solar, eólicas e gerador. No entanto, na prática, sabe-se que essa opção ( outras fontes ) significa que a energia é proveniente de companhia distribuidora, mas que não é computada pela agência fornecedora. Na média, na UPP Babilônia e Chapéu-Mangueira, 70,9% dos domicílios tem energia elétrica proveniente de distribuidora e utilizam medidor. No entanto, esse percentual atinge 100% na comunidade do Chapéu-Mangueira, enquanto que na comunidade da Babilônia apenas 55,9% declararam ter medidor, 6,3% não usam medidor e 37,8% respondeu ter energia elétrica proveniente de outras fontes. O Mapa 5 mostra a distribuição dessas informações segundo os setores censitários do IBGE. Essas informações revelam que a UPP está distante tanto da, onde 95,9% dos domicílios têm energia com uso de medidor, quanto do município do Rio de Janeiro, onde esse percentual é de 92,6%. 11

Tabela 12 Total e Percentual de Domicílios Particulares Permanentes por Existência, Tipo de Fonte e Presença de Medidor de Energia Elétrica segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia, e Município do Rio de Janeiro 2010 Com Energia de Companhia Distribuidora Com Medidor Sem Medidor Energia Elétrica Com Energia de Outras Fontes Sem Energia Domicílios % Domicílios % Domicílios % Domicílios % Domicílios % Babilônia 434 55,9% 49 6,3% 294 37,8% 0 0,0% 777 100% Chapéu Mangueira 401 100,0% 0 0,0% 0 0,0% 0 0,0% 401 100% Total 835 70,9% 49 4,2% 294 25,0% 0 0,0% 1.178 100% Total Rio de Janeiro 95,9% 2,8% 1,3% 0,0% 100% 92,6% 6,0% 1,4% 0,0% 100% Mapa 5 Percentual de Domicílios Particulares Permanentes com Energia Elétrica da Companhia Distribuidora e com Medidor ou Relógio segundo os Setores Censitários das comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia 2010 Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010) 3.2. EDUCAÇÃO As informações que seguem tratam do tema Educação, mais precisamente do percentual de pessoas alfabetizadas e não alfabetizadas em diferentes faixas etárias nas comunidades que compõem a UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia. A título de comparação foi incluído nas tabelas as informações sobre as e o município do Rio de Janeiro. Como definição de alfabetizado considera-se a pessoa capaz de ler e escrever um texto simples. O Estatuto da Criança e do Adolescente entende o acesso à educação como um direito, portanto, um dever do Estado. Isso porque há consenso sobre o fato de que ser alfabetizado é fundamental para estar inserido na sociedade moderna, ter acesso à informação e dispor de condições mínimas para desenvolver-se integralmente. 12

Os dados apresentados não revelam a cobertura do ensino na área analisada, ou seja, não é possível inferir o número de crianças que frequentam a escola, portanto, se a demanda está sendo atendida. No entanto, eles sinalizam dois aspectos importantes: a quantidade de crianças alfabetizadas e a quantidade de crianças que não são alfabetizadas, mas deveriam ser. 3.2.1. ANALFABETISMO ENTRE CRIANÇAS DE 8 A 9 ANOS DE IDADE A Tabela 13 se refere às crianças entre 8 e 9 anos de idade. Nessa faixa etária, 84,7% é alfabetizada e 15,3% ainda são analfabetas. A média de crianças analfabetas na UPP é bastante superior ao observado na (3,6%) e no município do Rio de Janeiro (7,3%), sinalizando que é preciso estar atento para essa realidade, de maneira a não deixar que ela se prolongue ao longo dos anos. Vale lembrar que com esta idade as crianças, idealmente, deveriam estar entre o 2º e o 4º ano e, portanto, já deveriam estar alfabetizadas há pelo menos dois anos. Esses dados sinalizam uma já precoce defasagem escolar ou uma má qualidade no aprendizado destas crianças Tabela 13 Total e Percentual de Pessoas Alfabetizadas e Não Alfabetizadas de 8 a 9 anos segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia, e Município do Rio de Janeiro 2010 Crianças de 8 a 9 anos Alfabetizadas Não Alfabetizadas Total Pessoas % Pessoas % Pessoas % Babilônia 60 82,2% 13 17,8% 73 100% Chapéu Mangueira 40 88,9% 5 11,1% 45 100% Total 100 84,7% 18 15,3% 118 100% 96,4% 3,6% 100% Rio de Janeiro 92,7% 7,3% 100% A próxima tabela (14) compreende a mesma faixa etária que a anterior, mas distingue as crianças segundo sexo. Dentre as 118 crianças entre 8 e 9 anos de idade, 54,3% são meninos e 45,7% são meninas, mas entre aquelas crianças não alfabetizadas 50% são do sexo feminino e a outra metade são do sexo masculino, ou seja, as meninas estão sobrerrepresentadas nesse grupo. A distribuição espacial da taxa de analfabetismo para a faixa etária de 8 a 9 anos de idade pode ser visualizada no Mapa 6. Como pode ser observado, o setor com o maior percentual de pessoas analfabetas de 8 a 9 anos de idade está localizado na comunidade Babilônia. Neste setor (ilustrado em cor mais escura), mais de 17% das crianças não sabem ler nem escrever. Tabela 14 Pessoas Alfabetizadas e Não Alfabetizadas de 8 a 9 anos por Sexo segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia 2010 Crianças de 8 a 9 anos Alfabetizadas Não Alfabetizadas Total H M H M H M Babilônia 37 23 6 7 43 30 Chapéu Mangueira 18 22 3 2 21 24 Total 55 45 9 9 64 54 100 18 118 13

Mapa 6 Percentual de Pessoas de 8 a 9 anos de idade Não Alfabetizadas segundo os Setores Censitários das comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia 2010 Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010) 3.2.2. ANALFABETISMO ENTRE CRIANÇAS DE 10 A 14 ANOS DE IDADE A Tabela 15 se refere às crianças entre 10 e 14 anos de idade que, idealmente, deveriam estar cursando entre o 5º e o 9º ano do ensino fundamental. Nessa faixa etária 96,4% das crianças da UPP é alfabetizada, percentual mais próximo da (98,8%) e do município do Rio de Janeiro (98%) do que a faixa etária analisada acima. Vale ressaltar que, na UPP, a comunidade Chapéu- Mangueira tem quase o dobro de crianças analfabetas (4,8%) se comparada à comunidade da Babilônia. Tabela 15 Total e Percentual de Pessoas Alfabetizadas e Não Alfabetizadas de 10 a 14 anos segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia, e Município do Rio de Janeiro 2010 Crianças de 10 a 14 anos Alfabetizadas Não Alfabetizadas Total Pessoas % Pessoas % Pessoas % Babilônia 233 97,1% 7 2,9% 240 100% Chapéu Mangueira 119 95,2% 6 4,8% 125 100% Total 352 96,4% 13 3,6% 365 100% 98,8% 1,2% 100% Rio de Janeiro 98,0% 2,0% 100% A Tabela 16 distingue as crianças entre 10 e 14 anos de idade segundo sexo. Dentre o total de crianças nessa faixa etária (365), 55,6% são meninas e os demais são meninos (44,4%). E entre o grupo de 14

crianças não alfabetizadas, um pouco menos da metade são meninos (46,2%) e a maioria são meninas (53,8%), sinalizando que não há viés de gênero nessa faixa etária. As diferenças internas ao território, por setores censitários, para este recorte etário estão representadas no Mapa 7. Mais uma vez, pode-se notar que a comunidade da Babilônia possui o setor censitário mais problemático da UPP. Neste setor (representado em cor mais escura), entre 5% e 12% das pessoas de 10 a 14 anos de idade não são alfabetizadas. Tabela 16 Pessoas Alfabetizadas e Não Alfabetizadas de 10 a 14 anos por Sexo segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia 2010 Crianças de 10 a 14 anos Alfabetizadas Não Alfabetizadas Total H M H M H M Babilônia 102 131 2 5 104 136 Chapéu Mangueira 54 65 4 2 58 67 Total 156 196 6 7 162 203 352 13 365 Mapa 7 Percentual de Pessoas de 10 a 14 anos de idade Não Alfabetizadas segundo os Setores Censitários das comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia 2010 Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010) 3.2.3. ANALFABETISMO ENTRE PESSOAS COM 15 ANOS OU MAIS DE IDADE A próxima tabela (17) apresenta o total e o percentual de alfabetizados e não alfabetizados entre as pessoas de 15 anos ou mais de idade. Trata-se de uma informação relevante porque esse dado é um 15

indicador de desenvolvimento social importante para analistas e gestores públicos, pois indica um alto grau de vulnerabilidade social. Os dados mostram que na UPP Babilônia e Chapéu-Mangueira 88,2% das pessoas é alfabetizada, média inferior aquela observada na (98,9%) e no município do Rio de Janeiro (97,1%). Das 11,8% das pessoas que não são alfabetizadas na UPP (percentual muito acima do observado na R.A e na cidade do Rio de Janeiro), a comunidade da Babilônia concentra a grande maioria (295 pessoas), revelando que essa área precisa de atenção especial do poder público, conforme ilustra o Mapa 8. As diferenças internas ao território, por setores censitários, para este recorte etário estão representadas no Mapa 8. A comunidade da Babilônia possui o setor censitário com os percentuais mais elevados. Neste setor (representado em cor mais escura), entre 5% e 20% das pessoas com 15 ou mais anos de idade não são alfabetizadas. Tabela 17 Total e Percentual de Pessoas Alfabetizadas e Não Alfabetizadas com 15 anos ou mais de idade segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia, R.A. Copacabana e Município do Rio de Janeiro 2010 Pessoas com 15 ou mais anos Alfabetizadas Não Alfabetizadas Total Pessoas % Pessoas % Pessoas % Babilônia 1.565 84,1% 295 15,9% 1.860 100% Chapéu Mangueira 945 95,7% 42 4,3% 987 100% Total 2.510 88,2% 337 11,8% 2.847 100% 98,9% 1,1% 100% Rio de Janeiro 97,1% 2,9% 100% Mapa 8 Percentual de Pessoas com 15 ou mais anos de idade Não Alfabetizadas segundo os Setores Censitários das comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia 2010 Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010) 16

A última tabela (18) distingue a população de 15 anos ou mais de idade segundo sexo. Do total de pessoas nessa faixa etária, pouco mais da metade é do sexo feminino (51,8%) e a outra metade é do sexo masculino (48,2%). No entanto, entre o grupo dos não alfabetizados, 43,3% são mulheres e 56,7% são homens, na contramão da tendência nacional segundo a qual as mulheres são maioria entre a população adulta não alfabetizada. Tabela 18 Pessoas Alfabetizadas e Não Alfabetizadas com 15 anos ou mais de idade por Sexo segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia 2010 H M H M H M Babilônia 727 838 174 121 901 959 Chapéu Mangueira 454 491 17 25 471 516 Total 1.181 1.329 191 146 1.372 1.475 Pessoas com 15 ou mais anos Alfabetizadas Não Alfabetizadas Total 2.510 337 2.847 3.3 RENDA 4 3.3.1. RENDIMENTO NOMINAL MENSAL DOMICILIAR PER CAPITA DOS DOMICÍLIOS PARTICULARES Os dados referentes ao rendimento nominal mensal domiciliar per capita dos domicílios particulares agregam informações importantes sobre as condições de vida e o grau de vulnerabilidade em que vivem as pessoas. Dessa forma, estes dados são capazes de auxiliar na construção de um panorama mais completo sobre os territórios. A Tabela 19 traz informações apresentadas pelo Censo 2010 sobre o rendimento nominal mensal domiciliar per capita dos domicílios particulares de acordo com as seguintes faixas de renda: até 1/8 de salário mínimo; mais de 1/8 até ¼; mais de ¼ até 1/2; mais de ½ até 1; mais de 1 até 2; mais de 2 salários mínimos; além de informações de domicílios com renda per capita 0 (zero) ou domicílios sem informações de renda. Tendo em vista que os dados foram levantados no ano de 2010, quando o salário mínimo era de R$ 510,00, as faixas de renda mencionadas correspondem respectivamente aos valores de: até R$ 63,75; entre R$ 63,76 e R$ 127,50; entre R$ 127,51 e R$ 255,00; entre R$ 255,01 e R$ 510,00, entre R$ 510,01 e R$1020,00; e mais de R$1020,01. A análise do cruzamento feito com as duas primeiras faixas de renda possibilita construir uma estimativa aproximada sobre o número de domicílios nos quais habitam pessoas sob a linha de indigência ou de pobreza 5. Além disso, as quatro primeiras faixas de renda podem indicar, de forma aproximada, a quantidade de domicílios nos quais vivem pessoas elegíveis ou já cadastradas no Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), uma vez que estas faixas de renda são utilizadas como critérios básicos para o cadastramento de pessoas em determinados programas sociais. No que diz respeito à linha de indigência o referencial adotado é o mesmo utilizado pelo CadÚnico, que considera o rendimento familiar per capita de R$ 70,00 como um quesito fundamental para o acesso a diversos programas sociais. Para fazer uma correspondência com esse critério, a faixa de renda que vai até 1/8 de salário mínimo, ou seja, até R$ 63,75, também foi utilizada por apresentar um valor aproximado. Contudo, uma vez que esta faixa de renda mostra-se inferior ao rendimento domiciliar per capita (RDPC) usado para definir a linha de indigência, sabe-se que os domicílios em que habitam pessoas com RDPC entre R$ 63,75 e R$ 70,00 não estão contemplados nesta faixa. Isso significa que o 4 Nas tabelas abaixo, os dados do censo relativos às pessoas sem rendimento encontram-se agregados aos dados referentes às pessoas que não declararam renda. 5 Embora existam outras possibilidades, é importante ressaltar que a definição adotada para caracterizar a linha de indigência e a linha de pobreza está baseada nas frações do salário mínimo. 17

percentual de indigência é superior ao apresentado na tabela, sobretudo se fosse possível levar em consideração o grupo de domicílios com pessoas que apresentam renda domiciliar per capita nula, dado este desconhecido. Já em relação à linha de pobreza buscou-se fazer uma equivalência entre o valor usualmente adotado para defini-la (R$ 140,00) com a faixa de renda que vai de mais de 1/8 até ¼ de salário mínimo, isto é, de R$ 63,76 a R$ 127,5. Mais uma vez, há uma diferença entre as faixas de renda usadas no levantamento do Censo 2010 e o valor aceito como definidor para a linha de pobreza. Portanto, o percentual de pobreza apresentado na tabela é um valor aproximado. Tabela 19 - Total e Percentual de Domicílios Particulares por Rendimento Nominal Mensal Domiciliar Per Capita segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia, e Município do Rio de Janeiro - 2010 Comunidade total % total % total % total % total % total % total % Babilônia 3 0,4% 25 3,2% 147 18,9% 387 49,8% 164 21,1% 37 4,8% 14 1,8% Chapéu Mangueira 0 0,0% 16 4,0% 69 17,2% 153 38,1% 119 29,6% 37 9,2% 8 2,0% Total 3 0,3% 41 3,5% 216 18,3% 540 45,8% 283 24,0% 74 6,3% 22 1,9% Rio de Janeiro Até 1/8 SM Mais de 1/8 a 1/4 SM 0,1% 0,4% Mais de 1/4 a 1/2 SM Mais de 1/2 a 1 SM Mais de 1 a 2 SM Mais de 2 SM 0,5% 2,8% 10,8% 23,6% 23,7% 34,1% Sem Rendimento ou Sem Informação 1,8% 6,1% 11,7% 75,4% 4,5% 4,3% A Tabela 19 apresenta os dados referentes ao rendimento nominal mensal domiciliar per capita dos domicílios. Considerando a UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia como um todo pode-se verificar que o percentual de domicílios com rendimento nominal mensal domiciliar per capita na faixa de renda que vai até 1/8 de salário mínimo é de 0,3%. Embora este percentual seja inferior ao apresentado para o município do Rio de Janeiro (0,5%), o mesmo mostra-se superior ao percentual referente a R.A. Copacabana, que é de 0,1%. O percentual observado na faixa de renda que corresponde aproximadamente à linha de pobreza também é superior ao encontrado no município do Rio de Janeiro e na : enquanto para a UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia este percentual é de 3,5%, no município do Rio de Janeiro e na é de 2,8% e de 0,4%, respectivamente. Esta discrepância repete-se no que diz respeito à faixa de renda maior que 2 salários mínimos. Se na R.A. Copacabana 75,4% dos domicílios possuem rendimento nominal domiciliar per capita de mais de 2 salários mínimos, na comunidade Babilônia apenas 4,8% dos domicílios agregam esta faixa de renda, fato que aponta para uma distinção considerável entre o território e a cidade. O Mapa 9 mostra as informações de renda domiciliar per capita de até ¼ de salário mínimo de acordo com os setores censitários da UPP. Este dado não inclui domicílios com renda declarada igual a zero, pois como mencionado anteriormente, este grupo refere-se também aos domicílios cujos moradores se recusaram a declarar tal informação. Pode-se perceber que os setores censitários da UPP Chapéu- Mangueira e Babilônia não apresentam diferenças entre si. Tanto os setores censitários da comunidade Babilônia quanto o setor censitário que engloba a comunidade Chapéu-Mangueira possuem entre 3,5% e 4% de domicílios com renda domiciliar per capita até ¼ de salário mínimo. 18

Mapa 9 Percentual de Domicílios Particulares com Renda Mensal declarada: RDPC até ¼ de Salário Mínimo segundo os Setores Censitários das comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia 2010 Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010) 3.3.2. RENDIMENTO DOS RESPONSÁVEIS PELOS DOMICÍLIOS Escolheu-se trabalhar também com os dados sobre a renda dos responsáveis pelos domicílios, uma vez que os mesmos possibilitam um melhor entendimento sobre as condições de inserção no mercado de trabalho. Pode-se presumir que, quanto menor a renda do responsável pelo domicílio, pior é sua inserção no mercado de trabalho. Da mesma maneira, a renda mais elevada indica que as condições de inclusão no mercado de trabalho são favoráveis. Assim sendo, a Tabela 20 apresenta dados referentes às seguintes faixas de renda: até ½ de salário mínimo; mais de ½ até 1; mais de 1 até 2; mais de 2 a 3; e superior a 3 salários mínimos. Tais faixas de renda correspondem respectivamente aos valores de: até R$ 255,00; entre R$ 255,01 e R$ 510,00; entre R$ 510,01 e R$ 1020,00; entre R$ 1020,01 e 1530,00; e superior a R$ 1530,01. Tabela 20 - Total e Percentual de Responsáveis pelos Domicílios Particulares Permanentes por Cortes de Renda segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia, e município do Rio de Janeiro 2010 Comunidade total % total % total % total % total % total % Babilônia 1 0,1% 319 41,1% 320 41,2% 49 6,3% 41 5,3% 47 6,0% Chapéu Mangueira 10 2,5% 134 33,4% 134 33,4% 60 15,0% 36 9,0% 27 6,7% Total 11 0,9% 453 38,5% 454 38,5% 109 9,3% 77 6,5% 74 6,3% Rio de Janeiro Até 1/2 SM Mais de 1/2 a 1 SM Mais de 1 a 2 SM Mais de 2 a 3 SM Mais de 3 SM Sem Rendimento ou Sem Informação 0,3% 4,2% 9,8% 8,2% 69,3% 8,2% 1,3% 17,1% 24,6% 11,6% 33,3% 12,1% 19

Nas comunidades da UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia a faixa de renda que vai até ½ salário mínimo engloba 0,9% dos responsáveis pelos domicílios, enquanto no município do Rio de Janeiro este percentual é de 1,3% e na R.A Copacabana é de 0,3%. Os dados referentes à faixa de renda de mais de ½ até 1 salário mínimo também expõem diferenças bastantes significativas: nas comunidades da UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia o percentual de responsáveis pelos domicílios nesta faixa de renda é de 38,5%, bem maior que o percentual apresentado pelo município do Rio de Janeiro (17,1%) e pela R.A. Copacabana (4,2%). Da mesma forma, os percentuais na faixa de renda superior a 3 salários mínimos indicam, tal como os dados anteriores, uma diferença considerável em relação à cidade. Somente 6,5% dos responsáveis por domicílios na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia estão localizados nesta faixa de renda, percentual este que diverge enormemente dos apresentados pela (69,3%) e pelo município do Rio de Janeiro (33,3%). Verifica-se no Mapa 10 que na comunidade Babilônia está localizado o setor censitário da UPP Chapéu- Mangueira com a maior concentração de responsáveis com renda mensal de até 1 salário mínimo. Já nos demais setores censitários da UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia o percentual de responsáveis por domicílios com renda de até 1 salário mínimo fica entre 35% e 39%. Mapa 10 Percentual de Pessoas Responsáveis com Rendimento Declarado: Renda Mensal de até 1 Salário Mínimo segundo os Setores Censitários das comunidades na UPP Chapéu- Mangueira e Babilônia 2010 Fonte: Dados do Censo Demográfico IBGE (2010) A Tabela 21 expõe os dados referentes ao sexo e renda dos responsáveis pelos domicílios. As faixas de renda observadas foram as mesmas utilizadas na tabela anterior. 20

Tabela 21 - Total de Responsáveis pelos Domicílios Particulares Permanentes por Cortes de Renda e por Sexo segundo as comunidades na UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia - 2010 Comunidade H M H M H M H M H M H M Babilônia 1 0 180 139 220 100 32 17 30 11 14 33 Chapéu Mangueira 5 5 45 89 67 67 42 18 25 11 5 22 Total 6 5 225 228 287 167 74 35 55 22 19 55 Até 1/2 SM Mais de 1/2 a 1 SM Mais de 1 a 2 SM Mais de 2 a 3 SM Mais de 3 SM Sem Rendimento ou Sem Informação Nas duas primeiras faixas de renda, os grupos de homens e mulheres possuem praticamente o mesmo número de indivíduos (333 mulheres contra 331 homens). Da mesma forma, nas faixas de renda que apresentam os maiores rendimentos (mais de 2 a 3 SM e mais de 3 SM), o número de mulheres e de homens é bastante aproximado (77 mulheres contra 74 homens). Dessa forma, pode-se perceber que os dados relativos ao cruzamento entre sexo e renda dos responsáveis pelos domicílios na área da UPP Chapéu-Mangueira e Babilônia está na contra mão das tendências visíveis no mercado de trabalho atual uma vez que, geralmente, as mulheres surgem como grande maioria no grupo de responsáveis por domicílios que recebem até 1 salário mínimo, e como minoria no grupo de responsáveis por domicílios que recebem mais de 3 salários mínimos. 21