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Transcrição:

HABEAS CORPUS 132.501 SÃO PAULO RELATOR PACTE.(S) : MIN. GILMAR MENDES :FELIPE OTAVIO DOS SANTOS LOPES IMPTE.(S) :GUSTAVO LUIZ DE FARIA MARSICO E OUTRO(A/S) COATOR(A/S)(ES) :RELATOR DO HC Nº 339116 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Decisão: Trata-se de habeas corpus, com pedido de medida liminar, impetrado por Gustavo Luiz de Faria Marsico e outro, em favor de Felipe Otávio dos Santos Lopes, contra decisão proferida pelo Ministro Rogerio Schietti Cruz, do Superior Tribunal de Justiça, o qual indeferiu liminarmente o HC 339.116/SP (edoc 9). Preliminarmente, consta dos autos que o paciente foi preso em flagrante e denunciado pela suposta prática do delito descrito no art. 157, caput, do Código Penal (roubo). (edoc 3-5) Daí a impetração, perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, do HC 2176157-66.2015.8.26.000, cujo pedido liminar foi indeferido. Inconformada, a defesa impetrou, no STJ, o HC 335.014/SP, no qual foi deferida a medida liminar para conceder ao paciente o direito de aguardar em liberdade até o julgamento final do writ. (edoc 9, p. 1) Após o processamento da ação penal, o paciente foi condenado à pena de 6 anos de reclusão, em regime inicial fechado, e a 15 dias-multa, pela prática do delito previsto no art. 157, caput, do Código Penal. Não lhe foi concedido o direito de recorrer em liberdade. (edoc 9, p. 1) Irresignada, a defesa impetrou novo writ perante o TJ/SP (HC 2210860-23.2015.8.26.0000), cuja liminar também foi indeferida. (edoc 9, p. 1).

Na sequência, impetrou-se o referido HC 339.116/SP no STJ, cujo relator indeferiu liminarmente a ordem, o que ensejou a interposição de agravo regimental, ao qual a Sexta Turma daquela Corte, em 19.11.2015, negou provimento. seguinte: No presente habeas corpus, os impetrantes sustentam, em síntese, o a) desnecessidade e impertinência da custódia do paciente, pela sua excentricidade e ausência de elementos fáticos e jurídicos que estariam eventualmente a justificar sua manutenção (edoc 2, p. 5) b) rigor excessivo na segregação do paciente; c) ocorrência de condições comprometedoras da imputabilidade do paciente, visto que, poucos dias antes da data da prática do delito pelo qual responde nos autos, foi submetido a avaliação por profissional do ramo um psiquiatra que diagnosticou sintomas de ansiedade intensa e distúrbios persecutórios, com recomendação de encaminhamento urgente à psiquiatria, tudo a revelar que não dispunha de total discernimento para a prática de atos do cotidiano em geral ; (edoc 2, p. 7) d) não aplicação da Súmula STF 691, tendo em vista evidente constrangimento ilegal decorrente da imposição de regime mais gravoso, bem como de se tolher o acesso ao Poder Judiciário em todas as instâncias, ex vi do art. 5º, XXXV, da Constituição da República. Ao final, o impetrante pede, liminarmente, a revogação da prisão do paciente ou o estabelecimento do regime semiaberto para o início do cumprimento da pena. O Presidente do Supremo Tribunal Federal, em 13.1.2016, entendeu que o presente feito não se amolda à hipótese descrita no art. 13, inciso 2

VIII, do RI/STF (edoc 11). É o breve relatório. Decido. No STJ, o relator do HC 339.116/SP, Ministro Rogerio Schietti Cruz, indeferiu liminarmente a ordem, in verbis: (...) Com efeito, o Juízo de primeira instância, ao proferir a sentença, negou ao paciente o direito de recorrer em liberdade sob a seguinte motivação (fl. 10, destaquei): Tendo em vista a personalidade voltada para o crime, a não indicar favoráveis as condições subjetivas do réu, a pena aplicada, bem como a narrativa da vítima de que vem sofrendo assédio moral por parte deste, vislumbro a presença dos requisitos para a prisão decorrente da sentença. Assim decreto a prisão do réu. O Desembargador Relator indeferiu o pedido de urgência, no mandamus originário, por não vislumbrar constrangimento ou ilegalidade manifesta (fl. 8). Da leitura dos excertos transcritos, não constato flagrante ilegalidade ou teratologia na nova decretação da custódia cautelar do paciente uma vez que baseada em circunstâncias específicas do caso investigado. Não olvido que a sentença condenatória refere, inicialmente, argumentos genéricos personalidade voltada para o crime e condições subjetivas desfavoráveis. Contudo, destaca elemento concreto da hipótese em exame, a saber, o assédio moral a que vem sendo submetida a vítima. Ademais, não é possível constatar, nessa oportunidade, se a referida coação moral ocorreu após a soltura do paciente ou se é circunstância anterior à prisão cautelar. Portanto, a meu ver, não há elementos aptos a justificar o 3

afastamento do óbice da Súmula n. 691 do STF, uma vez que, não constatada ilegalidade flagrante na decisão impugnada, as particularidades acima referidas deverão ser primeiramente analisadas pela Corte estadual, sob pena de indevida supressão de instância. (edoc 9) Com relação à alegada ausência de fundamentação idônea do direito de recorrer em liberdade, não obstante ter invocado a Súmula 691/STF, o relator do STJ foi além, e citando dados do caso concreto, afastou tal pretensão da defesa. E no que se refere ao pedido de fixação de regime inicial mais brando, como bem destacou a Sexta Turma do STJ, no julgamento do agravo regimental no HC 339.116/SP, a fixação de regime inicial semiaberto para cumprimento da pena imposta não foi requerida na petição inicial deste mandamus. Configura, assim, verdadeira inovação processual, inadmissível em agravo regimental. Segundo jurisprudência consolidada deste Tribunal, não tendo sido a questão objeto de exame definitivo pelo Superior Tribunal de Justiça ou inexistindo prévia manifestação das demais instâncias inferiores, a apreciação do pedido da defesa implica supressão de instância, o que não é admitido, consoante a reiterada jurisprudência desta Corte. Nesse sentido: HC 103.282/PA, Rel. Min. Cármen Lúcia, Segunda Turma, DJe 28.8.2013 e HC 114.867/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 14.8.2013. Ademais, em obediência ao princípio da proteção judicial efetiva (CF, art. 5º, XXXV), a aplicação desse entendimento jurisprudencial somente pode ser afastada no caso de configuração de patente constrangimento ilegal ou abuso de poder. No entanto, não vislumbro constrangimento ilegal manifesto a 4

justificar excepcional conhecimento deste habeas corpus. Daí, o acerto da decisão vergastada. Apenas para fins de registro, em consulta ao sítio do TJ/SP, verificase que, em 26.11.2015, por votação unânime, os Desembargadores da Corte Estadual conheceram parcialmente do HC 2210860-23.2015.8.26.0000 e, na parte conhecida, denegaram a ordem. Ante o exposto, nego seguimento ao pedido formulado neste habeas corpus, por ser manifestamente incabível (art. 21, 1º, do RI/STF). Publique-se. Brasília, 4 de fevereiro de 2016. Ministro Gilmar Mendes Relator Documento assinado digitalmente. 5