OVERVIEW DAS IMPORTAÇÕES



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Transcrição:

Cylmar Pitelli Teixeira Fortes Fernanda Elissa de Carvalho Awada Marcelo Augusto de Barros Orlando Quintino Martins Neto Mohamad Fahad Hassan Vinícius de Barros Patrícia Costa Agi Couto Ricardo Tahan Stella Montanaro Caputo Rafaela Borrajo C. B. Calçada Luciano Marchetto Silva Maisa de Freitas Manicardi Amorozini Patrícia Esteves Jordão Giometti Thais de Souza França Gabriela de Andrade C. Terini Andressa Rugiero de Oliveira Diego Castresano Adhemar Teixeira Fortes Benedito Luiz Franco OVERVIEW DAS IMPORTAÇÕES por Rafaela Calçada I. MODALIDADES DE IMPORTAÇÃO São 3 (três) as modalidades de importação: (i) a importação por conta própria, (ii) a importação por encomenda e, (iii) a importação por conta e ordem de terceiros. A importação por conta própria é aquela em que a empresa pratica todos os atos de comércio internacional com independência e seus próprios recursos, sendo o único responsável pela fase comercial, logística de transporte, desembaraço, e pagamento de tributos, arcando com a contabilização e revenda das mercadorias nacionalizadas a distribuidor interno. Esse tipo de importação é utilizado quando a empresa possui contato direto com o exportador da mercadoria e não deseja nenhum intermediador no negócio, bem como possui toda a logística e capital necessários para nacionalizar e revender a mercadoria no mercado interno; afinal, todos os custos da importação correrão as suas expensas. A importação por conta e ordem é um serviço prestado por uma empresa a importadora, a qual promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadorias adquiridas por outra empresa a adquirente, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Na prática, a importadora por conta e ordem é uma Trading Company que é uma empresa prestadora de serviços remunerada apenas para fazer a intermediação entre Rua dos Ingleses, 149 Bela Vista 01329-000 São Paulo SP Tel.: (11) 3147-1800 Alameda Ministro Rocha Azevedo nº 38, 1103 Cerqueira Cesar 01410-000 São Paulo SP Tel.: (11) 3149-2000 contato@fortes.adv.br www.fortes.adv.br

o exportador estrangeiro e a empresa adquirente, realizando apenas os atos alfandegários da importação. Nesse tipo de operação, a empresa importadora atua apenas como prestadora de serviços, já que a operação é realizada com recursos da empresa adquirente, que, aliás, é também responsável pelo fechamento do câmbio na compra da mercadoria importada do exterior. Essa modalidade de importação é muito utilizada quando a empresa adquirente não possui expertise ou estrutura necessária para nacionalizar a mercadoria vinda do exterior. A importação por encomenda é aquela em que uma empresa adquire mercadorias no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendê-las, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre a importadora e a encomendante, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas. Nessa modalidade, a Trading Company funciona como a importadora da mercadoria que promove a operação por conta própria (direta), com seus recursos, apenas revendendo para a encomendante. Ou seja, o risco financeiro da operação correrá por conta da Trading Company responsável também pelo fechamento do câmbio, não havendo antecipação de nenhum numerário pela empresa encomendante predeterminada. Vale ressaltar que para que a importação seja considerada por encomenda é necessário que a operação seja realizada integralmente com recursos da empresa importadora contratada, pois, do contrário, será considerada uma operação de importação por conta e ordem. 2

Esse tipo de importação é recomendado para empresas que não possuem contato com o exportador da mercadoria, bem como não possui toda a logística e capital necessários para nacionalizar a mercadoria. É de se registrar que a escolha de uma de outra modalidade de importação está diretamente relacionada à estrutura administrativa da empresa interessada na importação da mercadoria, bem como do negócio que desenvolve e da experiência que tem no comércio exterior. II. QUEM PODE IMPORTAR Somente podem importar empresas que estejam (i) cadastradas no CNPJ da Secretaria da Receita Federal do Brasil, (ii) habilitadas no RADAR, e (iii) cadastradas no Registro de Exportadores e Importadores da Secretaria de Comércio Exterior (REI). A obtenção do RADAR é obrigatória tanto para as empresas que importam por conta própria quanto para as empresas encomendantes, da modalidade de importação por encomenda, e para as empresas adquirentes, da modalidade de importação por conta e ordem. Sobreleva ressaltar que a inscrição no REI é automática, no ato da primeira operação, sem maiores formalidades. III. COMO OBTER O RADAR O RADAR é uma habilitação no Siscomex para que uma empresa possa importar e exportar mercadorias. As principais modalidades de habilitação são: (i) a ordinária e (ii) a simplificada. 3

A habilitação ordinária é destinada às empresas que atuem habitualmente no comércio exterior. As empresas estão sujeitas ao acompanhamento da Receita Federal com base na análise prévia da sua capacidade econômica e financeira. É a habilitação mais completa, pois permite que as empresas realizem qualquer tipo de operação. Importante: quando o volume das operações for incompatível com a capacidade econômica e financeira evidenciada, as empresas estarão sujeitas a procedimento especial de fiscalização 1. A habilitação simplificada é destinada às empresas que se enquadrem nas seguintes situações: (i) constituídas sob a forma de sociedade anônima de capital aberto, bem como suas subsidiárias integrais; (ii) habilitadas a utilizar o Despacho Aduaneiro Expresso (Linha Azul); (iii) que atuem exclusivamente como empresa encomendante; (iv) que realizem apenas importações de bens destinados à incorporação ao seu ativo permanente; (v) que atuem no comércio exterior em valor de pequena monta 2, incluindo o importador por conta e ordem de terceiros 3. Nessa modalidade, as empresas, de modo geral, não estão sujeitas a estimativas ou limites de valor para suas operações, exceto na modalidade simplificada para operações de pequena monta. Esse limite consiste em requisito para permanência na modalidade e não pode ser ultrapassado em hipótese alguma. Para o procedimento de habilitação, em ambas as modalidades, é necessário que haja (i) a habilitação do responsável legal da empresa (administrador da empresa); e (i) 1 IN SRF nº 206/02 e na IN SRF nº 228/02. 2 Segundo o artigo 2º, parágrafo 2º, da IN SRF nº 650/06, considera-se valor de pequena monta, a realização de operações de comércio exterior com cobertura cambial, em cada período consecutivo de 6 (seis) meses, até os seguintes limites: I 300.000 dólares norte-americanos ou o equivalente em outra moeda para as exportações FOB ("Free on Board"); e II 150.000 dólares norte-americanos ou o equivalente em outra moeda para as importações CIF ("Cost, Insurance and Freight"). 3 Conforme dispõe o artigo 2º, parágrafo 3º, inciso II, da IN SRF nº 650/06: A pessoa jurídica habilitada para a realização de operações de pequena monta, nos termos definidos no 2º, além dos limites ali estabelecidos, poderá realizar também, independentemente de valor, as seguintes operações: (...) II- atuação como importador por conta e ordem de terceiros, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002 4

o cadastramento de um ou mais representantes legais que realizarão o despacho aduaneiro (despachante, sócios da empresa, funcionários, etc.). Na modalidade ordinária, a habilitação do responsável legal da empresa é feita mediante requerimento 4 acompanhado de inúmeros documentos 5 que serão entregues ao Delegado da Receita Federal. Será realizada uma análise fiscal minuciosa da empresa a fim de estimar a sua capacidade financeira para operar no comércio exterior. A empresa poderá ser notificada para apresentar documentos e/ou informações. No prazo de 30 (trinta) dias, se deferido o requerimento, será fornecida uma senha de acesso ao sistema do RADAR. É nesse sistema, por meio de certificado digital, que o representante legal será cadastrado. Após o cadastramento, a empresa estará habilita a operar no comércio exterior. A habilitação do responsável legal da empresa, na modalidade simplificada, também é feita mediante requerimento 6 acompanhado de documentos 7 que serão entregues ao Delegado da Receita Federal. A partir do protocolo, no prazo de 10 (dez) dias, se deferido, será fornecida uma senha de acesso ao sistema do RADAR para o cadastramento do representante legal. Após esse cadastramento, a empresa estará habilita a operar no comércio exterior. 4 Disponível no sítio da Receita Federal (IN SRF nº 650/06). 5 Ato Declaratório Executivo Coana nº 3/06 - cópia autenticada do RG e CPF do Administrador da empresa ou do signatário do requerimento; da guia de apuração e lançamento do IPTU do imóvel onde funciona a empresa, com dados cadastrais do imóvel; e da nota fiscal de energia elétrica ou de telefone, relativos ao imóvel onde funciona a empresa, do mês anterior ao do protocolo deste requerimento; do contrato social e alterações; da certidão Junta Comercial; do balanço patrimonial relativo ao último exercício encerrado, do balancete de verificação relativo ao mês anterior ao da protocolização do requerimento de habilitação; da prova da integralização ou aumento de capital que tenha ocorrido nos três anos-calendário anteriores ao do pedido de habilitação; das guias de informação e apuração ICMS apresentadas (se for contribuinte) e/ou das guias de informação e apuração do ISS (se contribuinte). Esses documentos devem vir acompanhados dos Anexos contendo informações mencionadas no artigo 3º do Ato Declaratório Executivo Coana nº 3/06. 6 Disponível no sítio da Receita Federal (IN SRF nº 650/06). 7 Ato Declaratório Executivo Coana nº 3/06 Cópia autenticada do RG e CPF do Administrador da empresa ou do signatário do requerimento; da guia de apuração e lançamento do IPTU do imóvel onde funciona a empresa, com dados cadastrais do imóvel; e da nota fiscal de energia elétrica ou de telefone, relativos ao imóvel onde funciona a empresa, do mês anterior ao do protocolo deste requerimento; do contrato social e alterações; e da certidão Junta Comercial. 5

IV. REGISTRO PRÉVIO NOS ÓRGAÕS COMPETENTES Como regra geral, as importações estão dispensadas de controle administrativo (licenciamento), devendo as empresas importadoras providenciar o registro da DI no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de despacho aduaneiro perante a unidade da Receita Federal onde se encontrar a mercadoria 8. Para algumas mercadorias (tais como, produtos agrícolas e medicamentos) ou operações especiais (tais como, importações de material usado ou mercadorias originárias de países com restrições constantes de Resoluções da ONU), que estão sujeitas a controles especiais, o licenciamento da operação de importação deverá ser providenciado, também por meio do Siscomex, em regra, previamente ao embarque da mercadoria no exterior, sob pena de pagamento de multa por falta de licença de importação (LI) ou por licenciamento deferido após o embarque da mercadoria. Desta forma, a empresa importadora deverá sempre consultar o Siscomex, a fim de verificar o tratamento administrativo a que se subordina a sua operação. Também é possível consultar o tratamento administrativo a que está sujeita a importação de uma determinada mercadoria por meio do Simulador do Tratamento Tributário e Administrativo das Importações. V. PROCEDIMENTO DE IMPORTAÇÃO Confirmada a descarga da mercadoria importada inicia-se o despacho aduaneiro que é o procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo importador em relação às mercadorias importadas, aos documentos apresentados e à legislação específica, com vistas ao seu desembaraço aduaneiro. 8 Portaria Secex n º 23, de 14 de julho de 2011. 6

O despacho aduaneiro é dividido, basicamente, em 2 (duas) categorias: (i) o despacho para consumo, quando as mercadorias ingressadas no país forem destinadas ao uso, pelo aparelho produtivo nacional, como insumos, matérias-primas, bens de produção e produtos intermediários, bem como quando forem destinadas ao consumo próprio e à revenda; e (ii) o despacho para admissão em regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais, que tem por objetivo o ingresso de mercadorias, produtos ou bens provenientes do exterior, que deverão permanecer no regime por prazo certo e conforme a finalidade destinada, sem sofrerem a incidência imediata de tributos, os quais permanecem suspensos até a extinção do regime. Independentemente da categoria, o despacho aduaneiro é processado por meio de DI, registrada no Siscomex. A DI deve conter, dentre outras informações, a identificação do importador e do adquirente ou encomendante, caso não sejam a mesma pessoa, assim como a identificação, a classificação, o valor aduaneiro e a origem da mercadoria. É nesse momento, em regra, que ocorre o pagamento de todos os tributos devidos na importação. Importa esclarecer que se o despacho de importação não for iniciado nos prazos estabelecidos na legislação, que variam entre 45 (quarenta e cinco) a 90 (noventa) dias da chegada da mercadoria no Brasil, ela é considerada abandonada, o que implicará aplicação da pena de perdimento e a destinação da mercadoria para um dos fins previstos na legislação 9. O mesmo acontece com a mercadoria cujo despacho de importação tenha seu curso interrompido durante 60 (sessenta) dias, por ação ou por omissão do importador. 9 Artigos 642, 675, 689, 698 e 700 do Decreto nº 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro). 7

Uma vez registrada a DI, a declaração é submetida à análise fiscal e selecionada para um dos canais de conferência. Tal procedimento de seleção recebe o nome de parametrização. Os canais de conferência são quatro: verde, amarelo, vermelho e cinza. A importação selecionada para o canal verde é desembaraçada automaticamente sem qualquer verificação. O canal amarelo significa conferência dos documentos de instrução da DI e das informações constantes na declaração. No caso de seleção para o canal vermelho, há, além da conferência documental, a conferência física da mercadoria. Finalmente, quando a DI é selecionada para o canal cinza, é realizado o exame documental, a verificação física da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro, para verificação de elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria. Registra a conclusão da conferência, isto é, o desembaraço aduaneiro, é autorizada a efetiva entrega da mercadoria ao importador, sendo este o último ato do procedimento de despacho aduaneiro. VI. TRIBUTAÇÃO DA IMPORTAÇÃO A carga tributária incidente nas importações varia de acordo com o tipo de produto importado, bem como de acordo com o tipo de operação. De uma forma geral, os principais tributos incidentes sobre as importações são os seguintes: a. Imposto de Importação (II), previsto no Decreto nº 6.759/09, calculado sobre o valor aduaneiro 10 (se a alíquota for ad valorem, isto é, 10 O valor aduaneiro é composto pelo: (i) o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; (ii) pelos gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no item i ; pelo custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos itens i e ii ; e (iii) pelos tributos incidentes na operação de importação (II, IPI, ICMS, Contribuições). 8

percentagem) ou sobre dada quantia por unidade de mercadoria (se a alíquota for específica, isto é, determinada por um valor em moeda nacional); b. Imposto sobre Produtos Industrializados incidente sobre a Importação (IPI- Importação), previsto pelo Decreto nº 7212/10, calculado sobre o valor aduaneiro, com alíquotas previstas na Tabela do IPI (TIPI); c. Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços incidente sobre a Importação (ICMS- Importação), calculado sobre o valor aduaneiro, com aplicação de alíquotas estabelecidas pelo Estado em que ocorreu o desembaraço aduaneiro; d. Programa de Integração Social incidente sobre a Importação (PIS- Importação), previsto na Lei nº 10.865/04, calculado sobre o valor aduaneiro, com aplicação de alíquotas, em regra, de 1,65%; e. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidente sobre a Importação (COFINS- Importação), previsto na Lei nº 10.865/04, calculado sobre o valor aduaneiro, com aplicação de alíquotas, em regra, de 7,6%. No Brasil existem diversos incentivos aplicáveis à importação. Tais incentivos podem ser fiscais ou financeiros, e envolvem reduções ou diferimentos de pagamento, principalmente, em relação ao ICMS. Porém, tal análise deve ser feita considerando-se o caso concreto (tipo de mercadoria a ser importada, custos, modalidade de importação, etc.), uma vez que a utilização desses benefícios envolvem riscos diante das recentes discussões a respeito da sua validade levadas ao Poder Judiciário. VII. PRINCIPAIS REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS Como já dito linhas atrás, o despacho para admissão em regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais tem por fim o ingresso de mercadorias, produtos ou bens provenientes do exterior, que deverão permanecer no Brasil por prazo certo e 9

conforme a finalidade destinada, com a suspensão dos tributos até a extinção do regime, ou seja, por 1 (um) ano, prorrogável por período não superior, no total, a 5 (cinco) anos. A suspensão dos tributos é condicionada a requisitos específicos de cada regime especial e ocorre mediante a constituição de Termo de Responsabilidade firmado pelo importador beneficiário do regime em que se confessa o valor dos tributos devidos na hipótese dos requisitos não serem devidamente cumpridos. Os principais regimes aduaneiros especiais são: (i) trânsito aduaneiro; (ii) admissão temporária; (iii) drawback; (iv) entreposto aduaneiro; (v) depósito especial; e (vi) depósito alfandegado certificado. O trânsito aduaneiro, previsto nos artigos 315 e seguintes do Decreto nº 6.759/09 e na Instrução Normativa da Receita Federal nº 248/02, é o transporte de mercadoria importada entre os recintos alfandegados 11 com suspensão de tributos. Esse regime subsiste do local de origem ao local de destino e desde o momento do desembaraço para trânsito aduaneiro pela unidade de origem até o momento em que a unidade de destino conclui o trânsito aduaneiro - verificação dos documentos, dos lacres e dos demais elementos de segurança, bem como da integridade da carga. O transporte deve ser feito por empresa previamente habilitada no RADAR. O itinerário e prazo para entrega da mercadoria na unidade de destino é definido pela autoridade aduaneira que concedeu o regime ao importador. 11 Recintos alfandegados de zona primária (onde toda mercadoria estrangeira entra no Brasil, por exemplo, portos e aeroportos) são os pátios, armazéns, terminais e outros locais destinados à movimentação e depósito de mercadorias importadas, que devam movimentar-se ou permanecer sob controle aduaneiro, assim como as áreas reservadas à verificação de bagagens procedentes do exterior. Recintos alfandegados de zona secundária ((área em que a mercadoria importada é consumida) são os entrepostos, depósitos, terminais ou outras unidades destinadas ao armazenamento de mercadorias. 10

As modalidades do regime de trânsito aduaneiro são as seguintes: a. o transporte de mercadoria procedente do exterior, do ponto de descarga no território aduaneiro até o ponto onde deva ocorrer outro despacho; b. o transporte de mercadoria nacional ou nacionalizada, verificada ou despachada para exportação, do local de origem ao local de destino, para embarque ou para armazenamento em área alfandegada para posterior embarque; c. o transporte de mercadoria estrangeira despachada para reexportação, do local de origem ao local de destino, para embarque ou armazenamento em área alfandegada para posterior embarque; d. o transporte de mercadoria estrangeira de um recinto alfandegado situado na zona secundária a outro; e. a passagem, pelo território aduaneiro, de mercadoria procedente do exterior e a ele destinada; f. o transporte, pelo território aduaneiro, de mercadoria procedente do exterior, conduzida em veículo em viagem internacional até o ponto em que se verificar a descarga; e g. o transporte, pelo território aduaneiro, de mercadoria estrangeira, nacional ou nacionalizada, verificada ou despachada para reexportação ou para exportação e conduzida em veículo com destino ao exterior. A admissão temporária, prevista nos artigos 353 e seguintes do Decreto nº 6.759/09 e na Instrução Normativa da Receita Federal nº 285/03, permite a importação de mercadorias sem cobertura cambial (sem remessa de divisas ao exterior) que devam permanecer no Brasil durante prazo fixado e para determinada finalidade, com suspensão de tributos, devendo retornar ao exterior sem sofrer modificações que lhes confiram nova individualidade. 11

O regime pode ser concedido para suspensão total ou parcial de tributos. Na hipótese de suspensão parcial, os tributos devem ser recolhidos proporcionalmente ao tempo de permanência da mercadoria no Brasil e no momento de sua saída. Esse regime visa facilitar o ingresso temporário no Brasil de: a. bens destinados à realização/participação em eventos de natureza cultural, artística, científica, comercial e esportiva, para assistência e salvamento, para acondicionamento e transporte de outros bens e para ensaios e testes, com a suspensão total de tributos; b. máquinas e equipamentos para utilização econômica (prestação de serviços ou na produção de outros bens), sob a forma de arrendamento operacional, aluguel ou empréstimo, com suspensão parcial de tributos e pagamento proporcional ao tempo de permanência no País; e c. bens destinados a operações de aperfeiçoamento ativo (montagem, renovação, recondicionamento, conserto, restauração, entre outros, aplicados ao próprio bem), com suspensão total do pagamento de tributos. Dependendo da finalidade e do valor das mercadorias, pode ser necessária, além da assinatura do Termo de Responsabilidade, a apresentação de garantia dos tributos suspensos. Podem ser submetidos ao regime de admissão temporária, dentre outros, as mercadorias destinadas: a. à feiras, exposições, congressos e outros eventos científicos, técnicos, comerciais ou industriais; b. à promoção comercial, inclusive amostras sem destinação comercial e mostruários de representantes comerciais; 12

c. ao exercício temporário de atividade profissional de não residente; d. ao uso de viajante não residente, quando integrantes de sua bagagem; e. à reutilização para acondicionamento e manuseio de outros bens importados ou a exportar; e f. à utilização com finalidade econômica no Brasil (destinados à prestação de serviços e à produção de outros bens). A extinção do regime de admissão temporária, com a consequente liberação da garantia prestada e baixa do Termo de Reponsabilidade firmado, dar-se-á quando houver (i) a reexportação; (ii) entrega à Fazenda Nacional, livres de quaisquer despesas, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebe-la; (iii) destruição, às expensas do interessado; (iv) transferência para outro regime especial; ou (v) despacho para consumo (nacionalização da mercadoria). Há de se ressalvar que a entrada no território aduaneiro de mercadoria objeto de arrendamento mercantil, contratado com empresas arrendadoras estrangeiras, não se confunde com o regime de admissão temporária e está sujeita às normas gerais que regem o regime comum de importação. O drawback, previsto nos artigos 383 e seguintes do Decreto nº 6.759/09, na Instrução Normativa da Receita Federal nº 845/08 e Portarias Conjuntas Receita Federal/ Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) nº 467/10 e 03/10, permite a importação de insumos para utilização em produto que será exportado com suspensão de tributos. É um mecanismo de incentivo às exportações, pois reduz os custos de produtos exportáveis, tornando-os mais competitivos no mercado internacional. O ato concessório do regime Drawback é emitido em nome da empresa industrial ou comercial, que, após realizar a importação, envia a mercadoria a estabelecimento para industrialização, devendo a exportação do produto final ser realizada pela própria beneficiária do drawback no prazo de 1 (um ) ano, prorrogável pelo mesmo 13

período. Cabe dizer que se a exportação não ocorrer ou ocorrer fora do prazo, haverá aplicação de multa corrigida monetariamente pela Taxa Selic retroativamente à data da importação. Existem 3 (três) modalidades de drawback: (i) isenção; (ii) suspensão; e (iii) restituição de tributos. A isenção é aquela em que há isenção dos tributos incidentes na importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes, destinada à reposição de outra importada anteriormente, com pagamento de tributos, e utilizada na industrialização de produto exportado. É a reposição de estoque com benefício isencional. Na suspensão há suspensão dos tributos incidentes na importação de mercadoria a ser utilizada na industrialização de produto que deve ser exportado. Vale ressaltar, de acordo com o Convênio ICMS 27/90, não há suspensão do ICMS, mas isenção. E na restituição há restituição de tributos pagos na importação de insumo importado utilizado em produto exportado - modalidade não mais utilizada. A Portaria da SECEX nº 23/11 detalha o beneficio da suspensão e isenção de tributos nas seguintes operações: a. aquisição no mercado intermo ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria para emprego ou consumo na industrializaão de produto a ser exportado, com suspensão dos tributos (Drawback integrado suspensão); b. aquisição no mercado interno ou importação de empresas denominadas fabricantes-intermediários, para industrialização de produto intermediário a ser diretamente fornecido a empresas industriais-exportadoras, para emprego ou consumo na industrialização de produto final a ser exportado (Drawback intermediário suspensão); c. importação de matérias-primas, produtos intermediários e compenentes destinados à fabricação, no Brasil, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos, no mercado interno, em 14

decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira, ou ainda, pelo BNDS (Drawback para Fornecimento no Mercado Interno suspensão); a. aquisição no mercado intermo ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria para emprego em reparo, criação, cultivo, ou atividade extrativistade produto a ser exportado (suspensão ou isenção); b. importação de mercadoria utilizada em processo de industrialização de embarcação, destinada ao mercado interno (Drawback para Embarcação suspensão ou isenção); c. aquisição no mercado intermo ou a importação, de forma combinada ou não, de mercadoria equivalente à empregada ou consumida na industrialização de produto exportado, com isenção do II e com redução a zero do IPI, do Pis- Importação e COFINS-Importação (Drawback integrado isenção); e d. aquisição no mercado interno ou à importação de mercadoria equivalente à empregada na industrialização de produto intermediário fornecido diretamente à empresa industrial-exportadora e empregado ou consumido na industrialização de produto final já exportado (isenção). O Comunicado do Departamento de Operações do Comércio Exterior (DECEX) nº 21/97 estende o benefício a algumas operações especiais: a. Drawback Genérico, caracterizado pela discriminação genérica da mercadoria a importar e o seu respectivo valor (suspensão); b. Drawback Sem Cobertura Cambial, quando não há cobertura cambial, parcial ou total, na importação (suspensão); 15

c. Drawback Solidário, quando existe participação de 2 (duas) ou mais empresas industriais na importação (suspensão); d. Drawback para Reposição de Matéria-Prima Nacional, que consiste na importação de mercadoria para reposição de matéria-prima nacional utilizada em processo de industrialização de produto exportado, com vistas a beneficiar a indústria exportadora ou o fornecedor nacional, e para atender a conjunturas de mercado (isenção). O entreposto aduaneiro, previsto no artigo 404 e seguintes do Decreto nº 6.759/09 e na Instrução Normativa da Receita Federal nº 241/02, permite o depósito de mercadoria, em local determinado, com suspensão do pagamento de tributos e sob controle fiscal. A mercadoria permanece armazenada por 1 (um) ano, prorrogável por igual período. As mercadorias admitidas no regime de entreposto aduaneiro poderão ser submetidas às seguintes operações: a. exposição, demonstração e teste de funcionamento; b. industrialização; c. manutenção e reparo. O recinto alfandegado responsável pelo armazenamento, de uso público ou privado, deve ser credenciado para a realização de atividades de industrialização recebendo as seguintes denominações: a. aeroporto industrial, se localizado em aeroporto; b. plataforma portuária industrial, se localizada em porto organizado ou instalação portuária de uso público; ou 16

c. porto seco industrial, se localizado em Estação Aduaneira de Interior (EADI). Poderão ser beneficiárias desse regime a empresa de armazém geral, a Trading Company, e prestadora de serviço de transporte internacional de carga. Na hipótese das mercadorias serem destinadas a eventos, feiras ou evento semelhante, realizado em recinto alfandegado de uso privado, o beneficiário será o promotor do evento. A extinção do regime de entreposto aduaneiro ocorrerá quando houver (i) o consumo; (ii) admissão em outro regime aduaneiro especial; (iii) reexportação; ou (v) exportação. O depósito especial, previsto nos artigos 480 e seguintes do Decreto nº 6.759/09, na Portaria do Ministério da Fazenda nº 284/03 e na Instrução Normativa da Receita Federal nº 386/04, permite a estocagem de partes, peças, componentes e materiais de reposição ou manutenção, com suspensão de tributos, para veículos, máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, estrangeiros, nacionalizados ou não, e nacionais em que tenham sido empregados partes, peças e componentes estrangeiros. Serão admitidas no regime somente mercadorias importadas sem cobertura cambial, cujo prazo de permanência será de até cinco anos, contados da data do seu desembaraço para admissão. A aplicação do regime depende de prévia habilitação da empresa interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, podendo habilitar-se a empresa que: a. preencha os requisitos exigidos para o fornecimento de certidão negativa ou de certidão positiva com efeitos de negativa, de débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal; 17

b. disponha de sistema informatizado de controle de entrada, permanência e saída de mercadorias, de registro e apuração de créditos tributários devidos, extintos ou com exigibilidade suspensa, integrado aos sistemas corporativos da empresa no País, com livre e permanente acesso da Receita Federal; c. exerça uma das atividades relacionadas pela Receita Federal ou, na qualidade de subsidiária ou representante do fabricante estrangeiro, importe em consignação partes, peças, componentes e materiais de reposição ou manutenção para máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, estrangeiros, nacionalizados ou não, empregados em tais atividades. Na vigência desse regime, deverá ser adotada uma das seguintes providências para extinção de sua aplicação: (i)reexportação; (ii) exportação; (iii) transferência para outro regime aduaneiro especial; (iv) despacho para consumo; ou (v) destruição. O depósito alfandegado certificado, previsto nos artigos 493 e seguintes do Decreto nº 6.759/09 e na Instrução Normativa da Receita Federal nº 266/02, permite considerar exportada, para todos os efeitos fiscais, creditícios e cambiais, a mercadoria nacional depositada em recinto alfandegado, vendida a pessoa sediada no exterior, mediante contrato de entrega no território nacional e à ordem do adquirente, ou seja, sem a transferência física imediata da mercadoria para o exterior. O regime será operado, mediante autorização da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em recinto alfandegado de uso público ou em instalação portuária de uso privativo misto autorizados pelo Superintendente Regional da Receita Federal com jurisdição sobre o local, mediante a expedição de Ato Declaratório Executivo (ADE). Exige-se para a concessão do regime: 18

a. que a mercadoria seja vendida mediante um contrato DUB ( Delivered Under Customs Bond ), o qual obriga o vendedor a colocar a mercadoria em local alfandegado autorizado, designado pelo comprador, à disposição deste; b. a operação deverá estar inscrita em um Registro de Exportação (RE) do Siscomex; c. o depósito da mercadoria deverá ser feito pelo vendedor, à ordem do comprador, em local autorizado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e d. a mercadoria deverá ser conferida e desembaraçada para exportação. As mercadorias poderão permanecer recinto alfandegado pelo prazo de 1 (um) ano, prorrogável pelo mesmo período, contado da emissão do conhecimento de depósito alfandegado. A extinção do regime de depósito alfandegado certificado ocorre com (i) a comprovação do efetivo embarque da mercadoria; (ii) o despacho para consumo; ou (iii) a transferência para outros regimes especiais. Ao se depositar a mercadoria, será emitido um Certificado de Depósito Alfandegado (CDA) pelo depositário. De posse do CDA, o exportador liquidará a operação cambial, fiscal e creditória. A data da emissão do CDA é considerada como se fosse a data de embarque da mercadoria. 19