VOL. I. Importação e Exportação
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- Jessica César Camelo
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2 Coleção de Importação e Exportação VOL. I Tratamento Administrativo e Aduaneiro da Importação e Exportação
3 José Marcelo Fernandes Araújo Analista de Exportação pela Olivetti do Brasil S/A - Analista de Importação pela Cummins Motores Diesel Consultor em Comercio Exterior pela IOB.
4 Sumário 1. Importação 1. Conceito Fases da Importação Passos da Importação Documentos de Instrução da DI Parametrização (Canais Verde, Amarelo, Vermelho e Cinza) Desembaraço Aduaneiro DSI (Declaração Simplificada de Importação) Importa Fácil RTU (Regime de Tributação Unificada) Regimes Especiais Drawback Recom Repetro Repex Reporto Admissão Temporária Admissão Temporária para Aperfeiçoamento Ativo Entreposto Aduaneiro Trânsito Aduaneiro... 22
5 6 Coleção de Importação e Exportação - Vol. I 14. Regimes Aduaneiros Atípicos Zona Franca Lojas Francas - Free Shops Depósito Afiançado Siscoserv EXPORTAÇÃO 1. Contato com o Importador Análise do Pedido Preparação da Mercadoria e Demais Documentos para Embarque Preparação da Mercadoria Registro de Exportação (RE) Nota Fiscal Conhecimento de Embarque (BL - Bill of Lading) Certificados Documentação Fatura Comercial Saque ou Cambial Conhecimento de Embarque Carta de Crédito Certificados Carta de Entrega Documentos do Processo Operações de Câmbio Regulamento Aduaneiro Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de DOU de
6 1 importação 1. COnCeITO Consiste na entrada de mercadorias estrangeiras num País, para o abastecimento principalmente do setor industrial de matérias-primas, máquinas e equipamentos, e de bens e serviços para o desenvolvimento de pesquisas. As atividades da área de importação se dá por meio de leis, atos, decretos, portarias, resoluções, etc., emitidas por diversos órgãos como Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ministério da Fazenda, ministério de Ciência e Tecnologia, Secretaria da Receita Federal, entre outros, sendo os principais: 1 - Decreto nº de 2009 Em termos legislativos, a espinha dorsal das atividades de comércio exterior brasileiro é denominado Regulamento Aduaneiro.
7 8 Coleção de Importação e Exportação - Vol. I 2 - Portaria Secex nº 23/2011 Consolida as normas e procedimentos aplicáveis às operações de comércio exterior. 3 - Ato Declaratório Executivo Coana nº 33, de 28 de setembro de 2012 Estabelece documentos e normas complementares para a habilitação de importadores, exportadores e internadores da Zona Franca de Manaus para operação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) e credenciamento de seus representantes para a prática de atividades relacionadas ao despacho aduaneiro. 2. Fases da Importação Administrativa: todos os procedimentos necessários para efetuar uma importação, são aplicados de acordo com a operação e/ou tipo de mercadoria a ser importada. Compreende todos os atos que estão a cargo da Secex, envolvendo a autorização para importar, que se completa com a emissão da licença de importação, tudo realizado via on-line no Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior), e interligados aos órgãos governamentais, Receita Federal, Banco Central do Brasil (Bacen) e todos os agentes que participam ativamente nos processos de exportação e importação. Cambial: é a transferência da moeda estrangeira para o exterior para o pagamento das importações, cujo controle está a cargo do Banco Central e que se processa por meio de um banco autorizado a operar em câmbio. Fiscal: que compreende o despacho aduaneiro, mediante o recolhimento de tributos, e que se completa com a retirada física da mercadoria da alfândega. 3. PASSOS DA IMPORTAÇÃO 1º Passo - Habilitação A inscrição no Registro de Exportadores e Importadores (REI) da Secretaria de Comércio Exterior é condição preliminar para uma
8 Coleção de Importação e Exportação - Vol. I 9 empresa efetuar, em seu nome, uma operação de importação. Ela ocorre automaticamente no registro da primeira operação no Siscomex. É aconselhável que a empresa busque auxílio junto a um despachante aduaneiro, e altere seus documentos constitutivos, incluindo no objeto social a atividade de importação. 2º Passo - Classificação Fiscal da Mercadoria Consultar a tabela aduaneira TEC (Tarifa Externa Comum) disponível nas Delegacias da Receita Federal para obter o código NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) da mercadoria e as alíquotas dos impostos incidentes na sua importação, bem como as possíveis exigências administrativas. 3º Passo - Pesquisar Fornecedores Estrangeiros Pesquisar junto a órgãos e entidades de comércio exterior, como a Federação das Indústrias, empresas de consultoria em comércio exterior, consulados e embaixadas de outros países no Brasil, participação em feiras, exposições e seminários os quais fornecem estatísticas e dados comerciais sobre fornecedores estrangeiros. 4º Passo - Contato com o Fornecedor Identificado um possível fornecedor no exterior, contactá-lo via telefone, fax ou Internet ( ) objetivando a troca de informações comerciais como preços, condições de venda, formas de pagamento, transporte, dimensões, especificações técnicas, prazos de entrega, etc. Havendo interesse, o importador poderá solicitar ao seu fornecedor o envio da fatura pro forma, documento que formaliza tudo que foi tratado entre as partes. 5º Passo - Licenciamento de Importação (LI) Aceitando a proposta, o importador comunica ao fornecedor o fechamento do negócio e inicia o processo de liberação da mercadoria a ser importada, registrando a LI no Siscomex. O sistema administrativo das importações brasileiras compreende as seguintes modalidades:
9 10 Coleção de Importação e Exportação - Vol. I I - importações dispensadas de Licenciamento; II - importações sujeitas a Licenciamento Automático; e III - importações sujeitas a Licenciamento Não Automático. Antes de iniciar uma operação de importação, o interessado deve sempre verificar se a mercadoria a ser importada está sujeita a controle administrativo, pois, em regra, este deve ser efetuado anteriormente ao embarque da mercadoria no exterior, sob pena de pagamento de multa. 6º Passo - Embarque da Mercadoria e Contratação de Transporte Somente após a emissão da LI, nos casos em que é exigida, é que poderá o importador autorizar o embarque da mercadoria no exterior. Conforme a condição de venda (Incoterm) utilizada na transação, o importador poderá ser responsável pela contratação e pagamento do frete internacional ou ainda do respectivo seguro, como é o caso da condição CIF. O frete é contratado junto às companhias transportadoras ou agentes de carga. Uma vez embarcada a mercadoria, o exportador deverá remeter ao importador, dependendo da modalidade de pagamento contratada, os documentos necessários ao desembaraço e posterior liberação da mercadoria. São eles, basicamente: o conhecimento de embarque, a fatura comercial, o certificado de origem e ou outros certificados adicionais exigidos pelas autoridades brasileiras. 7º Passo - Contratação do Câmbio e Pagamento ao Exportador Ao contratar o câmbio, o importador pagará em Reais (R$) ao banco local autorizado pelo Bacen, que remeterá moeda estrangeira para o pagamento do fornecedor. O momento exato dessa remessa dependerá da modalidade de pagamento tratada entre as partes e do prazo de pagamento pactuado. 8º Passo - Liquidação do Contrato de Câmbio A liquidação dar-se-á com a efetiva remessa da moeda estrangeira ao exterior. Poderá ser pronta (até 02 dias úteis da data do fechamento do
10 Coleção de Importação e Exportação - Vol. I 11 câmbio) ou futura (até 360 dias contados da data da contratação do câmbio, porém, limitados à data de vencimento da obrigação no exterior). 9º Passo - Liberação da Mercadoria/Despacho Aduaneiro Com a chegada da mercadoria no território brasileiro, inicia-se o processo de liberação desta por meio do despacho aduaneiro, que é o procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo importador em relação às mercadorias importadas, aos documentos apresentados e à legislação específica, com vistas ao seu desembaraço aduaneiro. Os principais documentos solicitados para esta verificação são o conhecimento de embarque, a fatura comercial e o Licenciamento de Importação (LI), nos casos que a lei exige. Toda mercadoria procedente do exterior, importada a título definitivo ou não, sujeita ou não ao pagamento do Imposto de Importação, deve ser submetida a despacho de importação, que é realizado com base em declaração apresentada à unidade aduaneira sob cujo controle estiver a mercadoria. O ato que determina o início do despacho aduaneiro de importação é o registro da DI no Siscomex, salvo nos casos de Despacho Antecipado. É no momento desse registro que ocorre o pagamento de todos os tributos federais devidos na importação. A DI deve conter, entre outras informações, a identificação do importador e do adquirente ou encomendante, caso não sejam a mesma pessoa, assim como a identificação, a classificação, o valor aduaneiro e a origem da mercadoria. 4. DOCUMENTOS DE INSTRUÇÃO DA DI Regra geral, os documentos que servem de base para as informações contidas na DI são: via original do conhecimento de embarque ou documento equivalente; via original da fatura comercial, assinada pelo exportador;
11 12 Coleção de Importação e Exportação - Vol. I romaneio de carga (packing list), quando aplicável; e outros, exigidos em decorrência de Acordos Internacionais ou de legislação específica. Os documentos de instrução da DI devem ser entregues à fiscalização da SRF sempre que solicitados e, por essa razão, o importador deve mantê-los pelo prazo previsto na legislação, que pode variar conforme o caso, mas nunca é inferior a 05 anos. Se o despacho de importação, em uma de suas modalidades, não for iniciado nos prazos estabelecidos na legislação, que variam entre 45 a 90 dias da chegada da mercadoria ao País, ela será considerada abandonada, o que acarretará a aplicação da pena de perdimento e a destinação da mercadoria para um dos fins previstos na legislação. O mesmo acontece com a mercadoria cujo despacho de importação tenha seu curso interrompido durante sessenta dias, por ação ou por omissão do importador. O despacho aduaneiro de importação é dividido, basicamente, em duas categorias: o despacho para consumo; e o despacho para admissão em regime aduaneiro especial ou aplicado em áreas especiais. O despacho para consumo ocorre quando as mercadorias ingressadas no país forem destinadas ao uso, pelo aparelho produtivo nacional, como insumos, matérias-primas, bens de produção e produtos intermediários, bem como quando forem destinadas ao consumo próprio e à revenda. O despacho para consumo visa, portanto, a nacionalização da mercadoria importada e a ele se aplica o regime comum de importação. O despacho para admissão em regimes aduaneiros especiais ou aplicados em áreas especiais tem por objetivo o ingresso no País de mercadorias, produtos ou bens provenientes do exterior, que deverão
12 Coleção de Importação e Exportação - Vol. I 13 permanecer no regime por prazo certo e conforme a finalidade destinada, sem sofrerem a incidência imediata de tributos, os quais permanecem suspensos até a extinção do regime. Entre outros, se aplica às mercadorias em trânsito aduaneiro (para um outro ponto do território nacional ou com destino a um outro país) e em admissão temporária, caso em que as mercadorias devem retornar ao exterior, após cumprirem a sua finalidade. 5. Parametrização (canais verde, amarelo, vermelho e cinza) Uma vez registrada a Declaração de Importação e iniciado o procedimento de despacho aduaneiro, a DI é submetida à análise fiscal e selecionada para um dos canais de conferência. Tal procedimento de seleção recebe o nome de parametrização. Os canais de conferência são quatro: verde, amarelo, vermelho e cinza. A importação selecionada para o canal verde é desembaraçada automaticamente sem qualquer verificação. O canal amarelo significa conferência dos documentos de instrução da DI e das informações constantes na declaração. No caso de seleção para o canal vermelho, há, além da conferência documental, a conferência física da mercadoria. Finalmente, quando a DI é selecionada para o canal cinza, é realizado o exame documental, a verificação física da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de controle aduaneiro, para verificação de elementos indiciários de fraude, inclusive no que se refere ao preço declarado da mercadoria. 6. Desembaraço Aduaneiro O desembaraço aduaneiro é o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira. É com o desembaraço aduaneiro que é
13 14 Coleção de Importação e Exportação - Vol. I autorizada a efetiva entrega da mercadoria ao importador e o último ato do procedimento de despacho aduaneiro. 7. DSI (Declaração Simplificada de Importação) A Declaração Simplificada de Importação (DSI) será formulada pelo importador ou seu representante em microcomputador conectado ao Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), que poderá ser utilizada no despacho aduaneiro de bens: I - importados por pessoa física, com ou sem cobertura cambial, em quantidade e frequência que não caracterize destinação comercial, cujo valor não ultrapasse US$ 3, (três mil dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em outra moeda; II - importados por pessoa jurídica, com ou sem cobertura cambial, cujo valor não ultrapasse US$ 3, (três mil dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em outra moeda; III - recebidos, a título de doação, de governo ou organismo estrangeiro por: a) órgão ou entidade integrante da administração pública direta, autárquica ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; ou b) instituição de assistência social; IV - submetidos ao regime de admissão temporária, nas hipóteses previstas no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 285, de 14 de janeiro de 2003; V - reimportados no mesmo estado ou após conserto, reparo ou restauração no exterior, em cumprimento do regime de exportação temporária; VI - que retornem ao País em virtude de: a) não efetivação da venda no prazo autorizado, quando enviados ao exterior em consignação;
14 Coleção de Importação e Exportação - Vol. I 15 b) defeito técnico, para reparo ou substituição; c) alteração nas normas aplicáveis à importação do país importador; ou d) guerra ou calamidade pública; VII - contidos em remessa postal internacional cujo valor não ultrapasse US$ 3, (três mil dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em outra moeda; VIII - contidos em encomenda aérea internacional cujo valor não ultrapasse US$ 3, (três mil dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em outra moeda, transportada por empresa de transporte internacional expresso porta a porta, nas seguintes situações: a) a serem submetidos ao regime de admissão temporária, nas hipóteses de que trata o inciso IV deste artigo; b) reimportados, nas hipóteses de que trata o inciso V deste artigo; c) a serem objeto de reconhecimento de isenção ou de não incidência de impostos; ou d) destinados à revenda; IX - integrantes de bagagem desacompanhada; X - importados para utilização na Zona Franca de Manaus (ZFM) com os benefícios do Decreto-Lei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, quando submetidos a despacho aduaneiro de internação para o restante do território nacional, até o limite de US$ 3, (três mil dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em outra moeda; XI - industrializados na ZFM com os benefícios do Decreto-Lei nº 288, de 1967, quando submetidos a despacho aduaneiro de internação para o restante do território nacional, até o limite
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