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Transcrição:

RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO 770.723 AMAZONAS RELATOR RECTE.(S) PROC.(A/S)(ES) RECDO.(A/S) ADV.(A/S) ADV.(A/S) : MIN. RICARDO LEWANDOWSKI :UNIÃO :PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL :SAMSUNG SDI BRASIL LTDA : LAWRENCE LARROYD TANCREDO E OUTRO(A/S) :LUIZ FELIPE BRANDÃO OZORES Trata-se de agravo contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão cuja ementa segue transcrita, no que importa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. PROCEDIMENTO ORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E PARA A COFINS. AUSÊNCIA DE PROVA DOCUMENTAÇÃO ORIGINAL. PRELIMINAR REJEITADA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. DECRETO-LEI N. 288/67. ART. 40 DO ADCT. COMPENSAÇÃO. (...) 3. O art. 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988 preservou a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio recepcionando o Decreto-lei n. 288/67, que prevê expressamente que a exportação de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será, para todos os efeitos fiscais, equivalente a uma exportação brasileira para o exterior. 4. A legislação referente ao PIS e à COFINS prevê expressamente que as mencionadas contribuições não incidirão sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, razão por que se aplica àquelas destinadas à Zona Franca de Manaus, por força do disposto no Decreto-lei n. 288/67 e no art. 40 do ADCT. 5. No benefício da exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS devem ser incluídos os valores resultantes de vendas de produtos por empresa localizada na Zona Franca de Manaus para outra da mesma localidade, sob pena de ofensa ao disposto no Decreto-

lei n. 288/67, aos arts. 40 e 92 do ACDT da CF/88, bem como ao princípio da isonomia. 6. Apelação e remessa oficial improvidas (fls. 3086 e 3108-3109). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegou-se, preliminarmente, a nulidade do acórdão que julgou os embargos declaratórios opostos na origem por ofensa aos arts. 5º, XXXV e LV, e 93, IX, da mesma Carta. No mérito, sustentou-se, em suma, violação aos arts. 97 e 150, 6º, da Lei Maior, bem como aos arts. 40 e 92 do ADCT. A pretensão recursal não merece acolhida. Como tem consignado este Tribunal, por meio da Súmula 282, é inadmissível o recurso extraordinário se a questão constitucional suscitada não tiver sido apreciada no acórdão recorrido. Ademais, se os embargos declaratórios não foram opostos com a finalidade de suprir essa omissão, é inviável o recurso, nos termos da Súmula 356 do STF. É o caso dos autos em relação à suposta violação ao art. 97 da CF. Por oportuno, transcrevo a ementa do julgamento do AI 769.897-AgR/RJ, Rel. Min. Ayres Britto, que bem elucida a questão: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. ICMS. SIMPLES DESLOCAMENTO DE MERCADORIA. PRECEDENTES. OFENSA AOS INCISOS LIV E LV DO ART. 5º, AO INCISO IX DO ART. 93 E AO INCISO III DO ART. 105 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INSUBSISTÊNCIA. AFRONTA AO ART. 97 DO MAGNO TEXTO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. 1. O ICMS não incide no simples deslocamento da mercadoria entre estabelecimentos de uma mesma empresa. Precedentes. 2. A jurisdição foi prestada de forma completa pelo Superior Tribunal de Justiça, em acórdão devidamente fundamentado, embora em sentido contrário aos interesses da parte recorrente, sem afronta aos incisos LIV e LV do art. 5º, ao inciso IX do art. 93 e ao inciso III 2

do art. 105 da Constituição Federal. 3. A suposta ofensa ao art. 97 do Magno Texto não foi apreciada pelo aresto impugnado. Tampouco foi suscitada nos embargos declaratórios opostos. Falta, portanto, o necessário prequestionamento, nos termos das Súmulas 282 e 356/STF. 4. Agravo regimental desprovido (grifos meus). No mesmo sentido, menciono os seguintes precedentes, entre outros: RE 411.859-AgR/AL, Rel. Min. Gilmar Mendes; AI 824.319-AgR/MG, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 744.863-AgR/RS, Rel. Min. Ayres Britto; AI 396.871-AgR/RJ, Rel. Min. Sepúlveda Pertence; AI 178.753-AgR/DF, Rel. Min. Marco Aurélio; RE 612.004-AgR/RS e ARE 655.159/PR, de minha relatoria. Além disso, quanto à preliminar de nulidade do acórdão que julgou os embargos declaratórios opostos na origem, este Tribunal, por meio de remansosa jurisprudência, tem afirmado que, em regra, a alegação de ofensa aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da prestação jurisdicional, quando dependente de exame prévio de normas infraconstitucionais, configura situação de ofensa reflexa ao texto constitucional, o que inviabiliza o conhecimento do recurso extraordinário. É certo, ainda, que não há contrariedade ao art. 93, IX, da Carta Magna, quando o acórdão recorrido encontra-se suficientemente fundamentado. Nesse sentido, menciono as seguintes decisões, entre outras: AI 663.125-AgR/PE, Rel. Min. Cármen Lúcia; AI 806.313-AgR/RN, Rel. Min. Ayres Britto; AI 756.336-AgR/MG, Rel. Min. Ellen Gracie; AI 634.217-AgR/GO, Rel. Min. Joaquim Barbosa; AI 764.042- AgR/MA, Rel. Min. Eros Grau; AI 508.047-AgR/RJ, Rel. Min. Cezar Peluso; AI 643.180-AgR/BA, Rel. Min. Gilmar Mendes; AI 787.991- AgR/DF, de minha relatoria. Com relação à questão de fundo, melhor sorte não assiste à recorrente. É que o acórdão impugnado decidiu a questão posta nos autos com fundamento na interpretação da legislação infraconstitucional 3

aplicável à espécie (Decreto-Lei 288/1967). Dessa forma, o exame da alegada ofensa ao texto constitucional envolve a reanálise da interpretação dada àquela norma pelo Juízo a quo. A afronta à Constituição, se ocorrente, seria indireta. Incabível, portanto, o recurso extraordinário. Nesse sentido, destaco julgados de ambas as Turmas deste Tribunal, cujas ementas transcrevo a seguir: Agravo regimental no recurso extraordinário. PIS e COFINS. Produtos destinados à Zona Franca de Manaus. DL n.º 288/67. Natureza infraconstitucional da controvérsia. Ofensa reflexa. Discussão sob o enfoque do art. 40, parágrafo único, do ADCT. Entendimento do STF na ADI 2.348-MC. MP nº 2.037-24/00. Suspensão da eficácia. 1. As discussões relativas à isenção concedida na venda de produtos destinados à Zona Franca de Manaus, à luz do Decreto-lei nº 288/97, ensejam reinterpretação de normas infraconstitucionais, sendo que a suposta afronta à Constituição, se ocorresse, seria indireta. Precedentes. 2. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI 2.348- MC, Relator o Ministro Marco Aurélio, DJ de 7/11/03, apreciando a questão, afastou a eficácia de dispositivos da MP nº 2.037-24/2000, à luz do art. 40 do ADCT, no intuito de preservar a imunidade tributária constitucionalmente deferida à Zona Franca de Manaus. Precedentes. 3. Agravo regimental não provido (RE 568.417-AgR/RS, Rel. Min. Dias Toffoli, Primeira Turma). RECURSO EXTRAORDINÁRIO TRIBUTÁRIO ZONA FRANCA DE MANAUS - ÁREA LIVRE DE COMÉRCIO, DE EXPORTAÇÕES E IMPORTAÇÕES, E DE INCENTIVOS FISCAIS ISENÇÃO QUANTO ÀS CONTRIBUIÇÕES PERTINENTES AO PIS/COFINS - ALEGADA VIOLAÇÃO A PRECEITOS INSCRITOS NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA - AUSÊNCIA DE OFENSA DIRETA À CONSTITUIÇÃO NECESSIDADE DE PRÉVIA ANÁLISE DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL, NOTADAMENTE DO DL Nº 288/67 4

- INVIABILIDADE DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO - AGRAVO IMPROVIDO (RE 456.336-AgR/SC, Rel. Min. Celso de Mello, Segunda Turma). Com essa mesma orientação, menciono as seguintes decisões, entre outras: RE 539.590-AgR/PR, Rel. Min. Ellen Gracie; RE 625.530-AgR/AM e RE 627.992-AgR/PR, Rel. Min. Marco Aurélio; RE 529.304/RS, Rel. Min. Cezar Peluso; RE 607.720/RS, Rel. Min. Eros Grau; RE 501.885-AgR/SC, Rel. Min. Cármen Lúcia; RE 612.537-AgR/RS, Rel. Min. Luiz Fux; RE 596.673-AgR/RS e RE 558.962-AgR/RS, Rel. Min. Celso de Mello; RE 634.512-AgR/PR, RE 605.477-AgR/PR e ARE 681.491/AM, Rel. Min. Dias Toffoli; RE 640.653-AgR/SC, Rel. Min. Gilmar Mendes; RE 542.368- AgR/RS e RE 512.632-AgR-segundo/SC, de minha relatoria. Isso posto, nego seguimento ao recurso (CPC, art. 557, caput). Publique-se. Brasília, 15 de outubro de 2013. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI - Relator - 5