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Transcrição:

Sou a nona filha entre dez irmãos. Nasci numa cultura com padrões rígidos de comportamento e com pouco afeto. Quando eu estava com um ano e quatro meses, contraí poliomielite que me deixou com sequelas nos membros superiores e inferiores. Durante longo tempo em minha vida meu espírito buscava desesperadamente resgatar algo que há muito havia perdido ou esquecido. Buscava conectar-me com uma unidade. Quem era essa Unidade? Era Deus? Era a Natureza? Era eu mesma? Eu não sabia e não sentia a presença de Deus na minha vida, também não sentia minha natureza feminina. Pensava ter nascido com algum defeito de natureza humana, como se faltasse parte da minha alma. Eu sobrevivia com inúmeros bloqueios, fragmentações emocionais, auto- rejeições falta de rumo, ausência de espaço mental, desconforto emocional, desconforto físico, desconforto nas relações familiares, ausência de vida social e ausência de emoções positivas na vida. Responsabilizava tudo as minhas sequelas físicas, uma educação estigmatizada e rígida e aos poucos fui perdendo minha identidade. Por outro lado, buscava me encontrar em religiões e em terapias que, embora trouxessem contribuição para essa busca, não eram significativas e minha existência continuava sem sentido. Até que mais tarde morando em Brasília tive contato com um folder da Formação em Pintura Espontânea, pois naquela época eu já pintava e o folder falava de pinturas, emoções e cura. Eu não tinha muita noção do que se tratava, mas, intuitivamente, tive a certeza de que era o que eu procurava. Já na Formação sem saber direito do que se tratavam, minhas primeiras s pinturas foram objetos cortantes como adaga, foices e machados incendiando. Machado

No diálogo com essa pintura, ouvi: "Minha imagem é cruel, ela representa brutalidade, corte da vida Abro feridas na natureza, pois sou afiado e tu já podes sentir meu fio. Tu já tens clareza para isso. Mas ainda não compreendes porque apareci, pois está tudo preto, tudo escuro no fundo da sua consciência... não sabes de onde eu vim nem qual meu objetivo e isso te apavora... sou machado que, no passado, sobreviveres, fui usado como instrumento da inconsciência e separei- te em partes. incompatíveis de um todo. Antes razão e emoção viviam conflituosamente cegas e agora sou usado pela vida, através da pintura, para te trazer das profundezas da tua cegueira psicológica, para à compreensão, para que possas me ver com um olhar mais brando mais esperançoso. Estou na escuridão das tuas ilusões, por isso ainda não percebes minha presença. No meu fio trago a dor e com ela alívio e você teme..." Essas imagens mostraram meus mecanismos auto-destrutivos, apreendidos experiências da minha infância e ainda repetidos. Pois acreditava que a limitação física era sinônima de limitações emocionais, de incapacidade de realizar, de sonhar, de ser livre A dor e o isolamento eram constantes em minha vida. Pintei mais dois quadros de machadinhos, até que começaram a aparecer os questionamentos e as primeiras respostas de maneira ampla. A inconsciência era tamanha que não sabia como me dirigia às pessoas e o único caminho que conhecia era o da fuga. Fugia de mim mesma. Com vários aquecimentos para vivenciar Luz e Sombra, percebi com mais clareza meus bloqueios, auto-rejeições e apreendi a importância do respeito e da aceitação dessa dualidade como partes de mim, como partes de um todo. Percebendo a existência da dualidade da vida e compreendendo que toda dor traz junto seu alívio, visualizava na minha história os inúmeros cortes feitos por concepções errôneas, relacionadas à minha condição física, que eu me permiti repetir durante a vida... e eu começava o longo - hoje vejo que é eterno - processo de aceitação. Aceitando minhas sequelas físicas, aceito a energia que me bloqueava e esta, passa a não mais me dominar tanto, permitindo-me experimentar mudanças naturais como a fluidez nos acontecimentos diários. Ao vivenciar essa dualidade, entro na minha luz e encontro minha raiva, sem causa aparente, gratuita, me parece. Raiva da pintura, raiva da família. Não compreendo, mas reconheço sua existência em mim e começamos a conviver melhor. A natureza passa a ter uma importância na minha percepção, seus sons, cores, movimentos e ciclos. Tudo tem sentido de Unidade e começo me sentir integrada a ela, como parte importante dela. E experimento a sensação de pertencer. A necessidade de me respeitar e me ouvir como natureza aumenta. O caos e as incompreensões voltam junto com o medo, percebo que, tudo é da dimensão dos meus conceitos e não do meu corpo físico.

"Fluxo da água" A pintura fala-me: Sou a água, sou movimentos, sou fluxo, sou reflexo de l u z, sou ondas, sou o levantar e o descer. Obedecendo minha essência liquida, entrego-me a ela, respeito meu s limites, minhas margens e assim vivo. Sou calma quando devo, agitada quando preciso. Sou tranquilidade e sou turbulência. Sou teu jeito e teu desajeito... Aqui eu me espelhava nos movi mentos das águas as do Lago Paranoá que via de onde eu pintava. Visualizava aquele movimento da água, levando-o para minha vida. Essa pintura me deu a sensação de entrega total aos ritmos da vida. Começo a perceber a viabilidade da minha vida, com minhas fragilidades e minhas potencialidades.

"Revelação" Senti grande desconforto emocional ao realizar esta pintura. Senti serem espinhos em suas laterais. Desejava estourar aqueles balões que representavam todos meus conceitos radicais não aceitos e não conscientes. Compreendi isso depois de dois meses, quando entrei num processo emocional dolorido e percebi que havia em mim uma rejeição em relação a todos meus pensamentos, tanto positivos, como negativos. Até que comecei exercitar a aceitação de cada pensamento que vinha na mente e a cada aceitação aparecia à lembrança dessa pintura. Isso durou os quatro dias de carnaval, que passei descobrindo-me como minha melhor companhia. Nos dias seguintes, fui invadida por uma sensação de fluidez e segurança nas minhas atitudes como n u nca havia experimentado. Sinto-me agradecida. Sentia não mais ter os mesmos referenciais de até então. sentia medo do novo, era um estado de consciência muito grande e começava a perceber algo de diferente na minha visão de mundo. Uma alegria singela surgia todas as manhãs ao ver o dia. E passei a ter mais facilidade de entender o que se passava comigo.

"A Velha Casa" A pintura dessa velha casa se deu depois de uma meditação. Como ela já havia aparecido em sonhos em um estado de deterioração, no momento em que pintava, senti necessidade de queimá-la, de destruí-la. Era o momento certo, com toda proteção da natureza. Água para aliviar a ardência do fogo. O verde da natureza para trazer esperança de uma nova estrutura naquele momento de transformação, destruição e caos. O fogo é curativo: traz a dor, mas traz também o calor aconchegante necessário para impulsionar a vida a brotar.. A velha casa foi a simbologia da minha velha estrutura psicológica, que estava sendo queimada. A natureza ao redor traduzo como sendo o novo chegando. A nova estrutura psicológica surgindo em mim. A nova consciência da vida emocional saudável. Portanto, essa pintura simboliza a transformação da minha vida. Tornou-se clara para mim a importância da morte para a existência da vida. Tornou-se claro para mim que minha deficiência física e apenas física e não emocional. que a deficiência física não tem a capacidade de paralisar meus sonhos, minha criatividade e meus sentimentos. Passei a acordar de manhã, a sentir uma leveza e tal leveza era nova e boa em mim.

Comecei sentir vontade de explorar novos lugares. Ir para outros lugares sozinha dava-me um praz do qual nunca havia desfrutado. Meus desejos passaram a ser realizados. Comecei a sentir os meus caminhos e meus atalhos. Escolher meus caminhos trouxeme mais confiança, mais poder sobre minha vida. Minha Pintura passou a ter um sentido vivo. O ato de pintar passou a ser revitalizante. Comecei a perceber que aos poucos a minha raiva condicionada estava sendo substituída por uma atitude mais serena e equilibrada, pois descobri que rejeitava a dependência de outras pessoas para as coisas mais básicas, como, por exemplo, comer e, consequentemente me rejeitava. O carinho e o afeto das pessoas começaram a me chamar mais atenção. Passei a discernir mais minhas atitudes e perceber a qualidade de meus pensamentos. As tristezas passaram a não me dominar tanto. Elas vêm, ocupam um espaço e começamos a dialogar e assim nos entendemos. Sinto que saí da depressão. Sinto-me na responsabilidade amorosa de juntar as partes da minha vida, como um quebracabeça, no qual a imagem faz sentido agora. Como alguém que descobre a ponte que antes separava um mundo em dois e hoje, essa mesma ponte une dois mundo num só. A Pintura Espontânea trouxe-me a consciência da rigidez dos meus pensamentos e a capacidade de flexioná-los. Hoje meus problemas não deixam de existir, mas eles não me dominam, nem me apavoram mais. A Pintura Espontânea foi um marco na minha vida, sito ter encontrado o caminho de volta para casa, para minha identidade e feminilidade. Um dos aspectos fundamentais dentro da formação fio o espaço que cada uma tinha de ser o que era naquele momento. A aceitação do grupo foi fundamental para minha transformação. Para mim, a Pintura Espontânea é um caminho rápido, natural e simples de cura emocional e despertar da criatividade.