PODERES DO PSICANALISTA



Documentos relacionados
Considerações acerca da transferência em Lacan

UMA TOPOLOGIA POSSÍVEL DA ENTRADA EM ANÁLISE 1

Clínica Psicanalítica e Ambulatório de Saúde Mental

A sua revista eletrônica CONTEMPORANEIDADE E PSICANÁLISE 1

6. Considerações Finais

A CORAGEM DE TOMAR A PALAVRA: REPRESSÃO, EDUCAÇÃO E PSICANÁLISE

Introdução. instituição. 1 Dados publicados no livro Lugar de Palavra (2003) e registro posterior no banco de dados da

Considerações finais

Composição dos PCN 1ª a 4ª

Jacques Lacan, La Chose Freudienne

TUDO O QUE APRENDEMOS É BOM

DILMA MARIA DE ANDRADE. Título: A Família, seus valores e Counseling

CORPO FREUDIANO ESCOLA DE PSICANÁLISE SEÇÃO RIO DE JANEIRO PROGRAMAÇÃO INÍCIO: 07 de agosto FORMAÇÃO BÁSICA

difusão de idéias QUALIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL Um processo aberto, um conceito em construção

UMA CONTRIBUIÇÃO DA CLÍNICA DO SELF AO ESTUDO DOS TESTES PROJETIVOS

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA E AS NOVAS ORIENTAÇÕES PARA O ENSINO MÉDIO

Profª. Maria Ivone Grilo

SÓ ABRA QUANDO AUTORIZADO.

Educação Patrimonial Centro de Memória

A tópica lacaniana - simbólico, imaginário, real - e sua relação. com a função paterna

Resistência e dominação na relação psicanalítica 1

PERDÃO E SAÚDE: TENSÕES ENTRE MEMÓRIA E ESQUECIMENTO

Empreendedorismo. Tópico 1 O (a) Empreendedor (a)

QUESTÕES FILOSÓFICAS CONTEMPORÂNEAS: HEIDEGGER E O HUMANISMO

A RESPONSABILIDADE DO SUJEITO, A RESPONSABILIDADE DO ANALISTA E A ÉTICA DA PSICANÁLISE

CARTA ABERTA EM DEFESA DO PACTO NACIONAL PELA ALFABETIZAÇÃO NA IDADE CERTA

Os Quatro Tipos de Solos - Coração

A PSICANÁLISE E OS MODERNOS MOVIMENTOS DE AFIRMAÇÃO HOMOSSEXUAL 1

Estética da Existência na Pedagogia Teatral Ms. Profª Tânia Cristina dos Santos B oy1

Investigando números consecutivos no 3º ano do Ensino Fundamental

CORPO E MÍDIA: UMA COMPREENSÃO MULTIRREFERENCIAL DA EDUCAÇÃO NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO Eduardo Ribeiro Dantas (UFRN) Terezinha Petrucia Da Nóbrega

2015 O ANO DE COLHER ABRIL - 1 A RUA E O CAMINHO

A IMPORTÂNCIA DO PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO PARA OS CURSOS PRÉ-VESTIBULARES

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

I OS GRANDES SISTEMAS METAFÍSICOS

Seminário de Avaliação Econômica de Projetos Sociais

UNIDADE I OS PRIMEIROS PASSOS PARA O SURGIMENTO DO PENSAMENTO FILOSÓFICO.

Acate as Objeções do Cliente

ADMINISTRAÇÃO GERAL MOTIVAÇÃO

VIOLÊNCIA NO ESPAÇO ESCOLAR: UMA ANÁLISE A PARTIR DA ESCOLA CAMPO

Instrumento A. Sistema de valores do instrumento EQ5D de mensuração de qualidade de vida. Número do envelope utilizado SISTEMA DESCRITIVO - EQ-5D

Gênero no processo. construindo cidadania

Eventos independentes

Construção, desconstrução e reconstrução do ídolo: discurso, imaginário e mídia

Data 23/01/2008. Guia do Professor. Introdução

Disciplina Corpo Humano e Saúde: Uma Visão Integrada - Módulo 3

O TEMPO DA HISTERIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O COLETIVO E O SUJEITO DO INCONSCIENTE Ana Costa

GRUPO 1 (ADMINISTRAÇÃO)

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

ABIA 25 Anos. 30 anos de AIDS: a história social de uma epidemia e a resposta brasileira. Rio de Janeiro, 8-9 de Agosto de 2012.

Redação do Site Inovação Tecnológica - 28/08/2009. Humanos aprimorados versus humanos comuns

O professor que ensina matemática no 5º ano do Ensino Fundamental e a organização do ensino

FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES 1

MEU PLANO DE AÇÃO EM MASSA 7 PASSOS PARA UM INCRÍVEL 2015!

TÍTULO: A CRIANÇA E A TECNOLOGIA: PENSANDO E REPENSANDO SOBRE A FORMAÇÃO PSIQUICA NO CONTEXTO TECNOLÓGICO ATUAL

Transcriça o da Entrevista

PLANO DE AULA OBJETIVOS: Refletir sobre a filosofia existencialista e dar ênfase aos conceitos do filósofo francês Jean Paul Sartre.

Direitos Humanos em Angola: Ativista é detido na entrada do Parlamento

Mensagem de Prem Rawat

O desenho e sua interpretação: quem sabe ler?

DO CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE) Bom-dia, Excelentíssimo. Senhor Ministro-Presidente, bom-dia aos demais integrantes

O TRABALHO COM PROBLEMAS GEOMÉTRICOS

Gestão diária da pobreza ou inclusão social sustentável?

Website: / contato@luckesi.com.br

#CRIESEUCAMINHO AULA 1 - EXERCÍCIOS DE REFLEXÃO MEDO DE MUDAR VONTADE DE MUDAR

Avalie sua vida em 2015 Construa aprendizados para crescer em 2016

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Construtivismo. UNICURITIBA Curso de Relações Internacionais Teoria das Relações Internacionais II Professor Rafael Reis

Taxa de Juros para Aumentar a Poupança Interna

Por que há sonhos dos quais não nos esquecemos?

Cultura: diferentes significados

PROBLEMATIZAÇÃO DA E. M. MARIA ARAÚJO DE FREITAS - GOIÂNIA TEMA GERADOR

CINEMA, CULTURA E TRANSMISSÃO DA PSICANÁLISE. aspecto, a Arte e, principalmente, o Cinema, percebemos uma questão recorrente entre

DESIGN DE MOEDAS ENTREVISTA COM JOÃO DE SOUZA LEITE

"Brasil é um tipo de país menos centrado nos EUA"

AMOR, TRANSFERÊNCIA E DESEJO

ENTREVISTA. Clara Araújo

:: aula 3. :: O Cliente: suas necessidades e problemáticas. :: Habilidades a ser desenvolvidas

As crianças adotadas e os atos anti-sociais: uma possibilidade de voltar a confiar na vida em família 1

O AMBIENTE MOTIVADOR E A UTILIZAÇÃO DE JOGOS COMO RECURSO PEDAGÓGICO PARA O ENSINO DE MATEMÁTICA

Walter Benjamin e o papel do cinema na sociedade

POLÍTICA DE PROMOÇÃO À SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇAS

COMUNIDADE TRANSFORMADORA UM OLHAR PARA FRENTE

ED WILSON ARAÚJO, THAÍSA BUENO, MARCO ANTÔNIO GEHLEN e LUCAS SANTIGO ARRAES REINO

ROTEIRO PARA A CONFERÊNCIA DO PPS SOBRE CIDADES E GOVERNANÇA DEMOCRÁTICA. A cidade é a pauta: o século XIX foi dos

Para colocar a vida em ordem é preciso primeiro cuidar do coração. O coração é a dimensão mais interior da nossa existência

difusão de idéias A formação do professor como ponto

Aula 1: Demonstrações e atividades experimentais tradicionais e inovadoras

PONTO 1: Concurso de Crimes PONTO 2: Concurso Material PONTO 3: Concurso Formal ou Ideal PONTO 4: Crime Continuado PONTO 5: PONTO 6: PONTO 7:

Do todos iguais ao um por um Oscar Zack

INFORMATIVO. Novas Regras de limites. A Datusprev sempre pensando em você... Classificados Datusprev: Anuncie aqui!

Kant Uma Filosofia de Educação Atual?

VI Seminário de Pós-Graduação em Filosofia da UFSCar 20 a 24 de setembro de 2010

Consumidor e produtor devem estar

E Entrevistador E18 Entrevistado 18 Sexo Masculino Idade 29anos Área de Formação Técnico Superior de Serviço Social

Top Guia In.Fra: Perguntas para fazer ao seu fornecedor de CFTV

Transcrição:

Estados Gerais da Psicanálise: Segundo Encontro Mundial, Rio de Janeiro 2003 PODERES DO PSICANALISTA Nelisa Guimarães O título tem o duplo sentido de discutir o que pode um psicanalista na clínica a partir do que pode juntamente com o analisando, e do que pode quando parece não poder, e vacila em seu narcisismo. O narcisismo do psicanalista, visto freqüentemente como resistência no sentido negativo, é apresentado na perspectiva afirmativa de uma virtualidade aberta e desejante. Quando nos vemos na perspectiva do império como não-lugar de todas as subjetividades, na conceituação de M. Hardt e A. Negri (Império, 2000), estamos, não na perspectiva das negatividades, mas em plena afirmação de um domínio político tão amplo que penetra no terreno da ontologia escrevem os autores: a filosofia política está no terreno da ontologia. Tendo eu trabalhado com o campo e a conceituação de virtualidade no século XX, a partir do eixo ontológico de G. Simondon (L Individu et sa génèse physichobiologique, 1964), é com satisfação que encontro em Hardt e Negri a colocação que busquei: por virtual entendemos o conjunto de poderes para agir (ser, amar, transformar, criar) que reside na multidão (p.379). Continuando na posição da afirmação, os autores caracterizam os poderes de dois modos: um modo constituinte, o poder de agir, de referência spinozista, e o modo expansivo, o poder de criar, de referência nietzschiana. Portanto, podemos começar a tomar aqui a questão dos poderes do psicanalista e a operação de seu narcisismo na relação analítica colocando as possibilidades de agir e criar. Gostaria de lembrar a definição de poder comparada com a definição de violência, aproximadamente como Hannah Arendt (Sobre a Violência, 1969) propôs: poder é ação em conjunto (todos com um), violência é ação contra (um contra todos, alguns contra muitos). Poder e violência geram posições políticas diversas, que dão maior ou menor consistência aos sistemas sociais, e definem diferentes contratos sociais. A posição subjetiva de responsabilidade (o sujeito de direito) é tomada pela clínica psicanalítica em sua relação com o sujeito do inconsciente. Portanto, tais aproximações indicam a relação entre 1

posição subjetiva de responsabilidade / contrato social / laços sociais / sujeito do inconsciente, não permitindo à psicanálise situar-se fora do campo político, onde contrato e laços sociais são estabelecidos. Então: poderes do psicanalista são aqueles que permitem, a partir da relação analítica, transferencial, a realização de um trabalho em conjunto e em seqüência, sob a condução ou direção responsável do psicanalista. Os poderes do psicanalista têm como limite a violência na relação analítica, ou a destruição da mesma, quando esta relação não trabalha mais para criar ou agir em conjunto, e sim afirma a posição de um contra o outro. Na nossa prática, na clínica psicanalítica, temos: ou analista e analisando em conjunto, com o poder de ação dessa prática garantido pelo analista; ou, diversamente, uma direção violenta, que diminui o poder para aumentar a dominação de um sobre o outro, com efeitos de destruição da possibilidade de agir em conjunto. Agir em conjunto seria agir democraticamente, no campo político. Como ser democrático com a transferência? A descrição aqui da violência se aproxima do processo que Freud descreveu (Esquema de Psicanálise, 1938) : um Eu enfrenta insistências de dominação externa (da realidade objetiva), do Isso (exigências pulsionais) e do Supereu (exigências da consciência moral e dos imperativos insensatos). O psicanalista, segundo Freud, deve se aliar a esse Eu que se acha com poder diminuído, para aumentar o poder de ação contra as vassalagens persistentes e conflitivas. O psicanalista deve, portanto, assumir uma prática combativa contra dominações sobre o Eu, já dividido pelos conflitos que enfrenta. O lugar de aliado nessa guerra civil de vários lados (e não de 2 lados) torna-se um lugar incerto, surgem as próprias resistências do Eu à sua luta, e o lugar do psicanalista pode parecer até um lugar usurpado (como um aliado intrometido que intervem sem ser chamado). Na manifestação das resistências, aquela que pareceu mais difícil para Freud foi a pulsão de destruição voltada para dentro. Podemos perguntar : que destruição? destruição do Eu, instância psíquica? destruição do eu 2

corporal, como uma espécie de ataque narcísico? destruição da relação transferencial positiva introjetada, construída dentro do atendimento? De qualquer modo, seguindo o texto freudiano, podemos considerar uma destruição voltada para dentro como destruição de algo que atinge o Eu, aliado do analista, uma destruição então da possibilidade de continuação até a conclusão do trabalho conjunto de análise... Freud, não encontrando aí o poder de agir, de ligar a destruição do analisando ao trabalho analítico, aponta um impasse, diante do qual colocamos uma bifurcação: ou o analista insiste violentamente ou se apaga... Parece surgir então uma questão importantíssima, para a qual o analista combativo não tem resposta. A direção de uma análise e os princípios de seu poder, numa proposta de Lacan (Direção da Cura e os Princípios de seu Poder, 1958), retomou a transferência como estratégia dentro do campo político de uma manque-à-être. Estranho lugar traduzido por falta-a-ser, o que pouco indica daquilo que, na proposta lacaniana, vai se ampliando: o psicanalista não é a priori, depende da transferência para devir, para ser transitoriamente, contigencialmente, não apenas na dimensão de ser para o sujeito que se analisa, como de ser para si mesmo; é a afirmação da possibilidade de ser de múltiplas maneiras. Um analista é no ato de se colocar na transferência; fora daí, é uma pessoa, um cidadão, um eu com suas identificações, etc. Se é um aliado do Eu, se é um militante contra as resistências, como indicou Freud, não é sempre, e não se define exclusivamente desse modo. O que permanece constante, no analista, é seu desejo pelo trabalho clínico, analítico. O desejo do analista, será, para Lacan, o operador que move, com seus poderes de persistência, as resistências, sobretudo as resistências do próprio analista. Toda construção conceitual de Lacan, a partir dessa indicação, parece montada na articulação política entre poder, saber e desejo. Para o psicanalista, uma posição não fálica (feminina), um não-saber no centro / apenas um saber suposto o inconsciente, e um desejo como causa para obter a diferença absoluta de todas as afirmações presentes são, segundo Lacan, os pricípios de poder da direção da cura, as bases de sua política de falta-a-ser, ou política do desejo como causa. Se não houver, na posição analítica, esta abertura para ser na 3

transferência, e se impuser uma identidade de ser do analista, qual é a indicação de seu desejo no trabalho? Nosso primeiro e atual tema de trabalho no grupo Clínica e Conceitos, o narcisismo do psicanalista, é aqui por mim destacado não como obstáculo, e sim como instrumento efetivo de oferta analítica, desde que referido a uma vacilação narcísica, e menos a uma certeza. O analista oferece seu desejo de ser, seu empenho em ser algo para alguém, sua vacilação identitária, uma individuação sempre em processo. Quanto mais certeza oferecer, talvez mais próximo estará do convencimento, mas também da violência em análise. Quanto mais vacilação oferecer, talvez mais aberto à transferência, mas também mais vulnerável à destruição, mais impotente diante dela, mais perto de ser nada, mais fácil de ser destruído, e de consentir diante de qualquer destruição. A pergunta se recoloca: quais são os poderes do psicanalista, como se formam esses poderes a partir da relação conjunta? como surge e se desdobra a potência de seu ato clínico? Se partimos da culpa (um dos pontos freudianos), encontramos a idéiaproblema que Deleuze assinalou (50 anos depois de Freud e 20 depois de Lacan, em entrevista para TV): a culpa como apoio para a prática pastoral da psicanálise - se todos são culpados, edipianamente, o psicanalista será o personagem sacerdotal a cuidar da libertação / submissão dos desejos de seu rebanho. Mas, ainda segundo Freud, o homem é animal de horda, e também submetido a imperativos insensatos (outro ponto, diferente da culpa neurótica), está submetido ao gozo (como propôs Lacan), e ainda a uma composição narcísica fragmentária, complexa, sempre em processo. As propostas conceituais da pulsão de morte e do masoquismo primário nos aproximam do impasse freudiano da destruição voltada para dentro. No campo político, temos de pensar a clínica psicanalítica como prática de uma relação. O psicanalista não está imune à sua própria capacidade de destruição, às suas vacilações narcísicas, ao seu desejo incerto, à busca de reconhecimento e garantias para ser profissional. 4

Lembro do relato da situação de um preso, condenado por crimes de estupro e roubo - sua procura de atendimento psi na prisão se deu porque não entendia os roubos e a devolução honrosa de bens para as vítimas. Afirmava a aceitação, incurável, dos estupros como única forma de gozo sexual. Por que roubava, se devolvia grande parte das coisas? (pergunta do preso). Por que o gozo só ocorria assim, com estupro? (pergunta do psicanalista). Durante o atendimento, o analista se colocou como aquele que nem poderia estar do lado da punição, nem do lado das explicações. Pouco a pouco, foi se recuperando a série de experiências que, desde muito cedo, colocaram-no como expectador e ator forçado de cenas que ele seguiu repetindo sem entender. O uso da própria força pareceu-lhe semelhante à pesada porta da carceragem que se fechava para sua liberdade, e destruía sua vida. A vacilação do analista pareceu abrir-lhe uma porta para experimentar o que não conhecia ainda, nem em si mesmo, nem nas pessoas... (este breve relato foi proposto para as discussões, para seguir a indicação da posição do analista e seu narcisismo, sua posição política na atuação clínica, porém não foi exposto, já que as discussões tomaram outros rumos). Referências de textos por ordem de citação: Hardt, Michael; Negri, Antonio Imperio, Rio de Janeiro: Record, 2001. Simondon, Gilbert L Individu et sa génèse physicho-biologique, Paris: P.U.F., 1964. Arendt, Hannah Sobre a violência, 3ª. Ed., Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001. Freud, Sigmund Obras Completas, Buenos Aires: Amorrortu editores, 1995, 24v. Lacan, Jacques Écrits, Paris: éditions du Seuil, 1966. Sohie, Claudine Du bon usage de la force, revue de psychanalyse Quarto 67, ACF Belgique, mars 1999. 5