Módulo Estratégia RPG: Trabalho Final



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Pontifícia Universidade Católica Departamento de Artes & Design Curso de Especialização O Lugar do Design na Leitura Nome: Giselle Rodrigues Leal Matrícula: 072.997.007 Data: 19/05/08 Módulo Estratégia RPG: Trabalho Final

Conceito A estratégia RPG em muito contribui para uma produção de pesquisa crítica ambientada na situação do jogo, desenvolvendo uma relação de diálogo e interpretações. A estratégia agrada porque alimenta a imaginação, os jogadores interagem o tempo todo com o jogo, criando narrativas que são colaborativas socialmente. O jogo se desenvolveu tendo como ambiente o período do Barroco Brasileiro compreendido entre os anos de 1650 e 1720. O componente narrativo criado que contribuiu para o jogo foi uma personagem chamada Maria Angélica, que se trata de uma artesã que até aos 18 anos ainda era solteira, o que não era de costume na época, pois já cedo as meninas já se casavam. Ela morava com seus pais afastada da cidade, passando a maior parte da sua vida ali, sem conhecer a cidade, era branca e de família pobre. Além dos afazeres domésticos desenvolveu uma habilidade em contruir oratórios e esculpir imagens, usando material existente no terreno onde morava. Sua mãe sempre a ensinou a rezar e falar com os santos, em especial a Imacula Conceição, eles eram a sua companhia. Era o que Maria Angélica fazia quando não tinha que ajudar em casa. Por ter chegado a essa idade e ainda não ter conhecido homem algum, seu pai resolve levá-la para viver na cidade, e oferecer seus serviços ao padre da igreja da Imaculada Conceição situada no centro, para que ele arranjasse um casamento para ela e a ensinasse a ler e a escrever. Maria Angélica nunca tinha entrado na igreja e se surpreende com tamanha grandiosidade por ver a imagem da virgem maior do que ela já tinha visto até então. Era maior do que a que cabia no oratório da sua casa. De certa forma fica feliz pois imagina que passará o resto da sua vida vivendo naquele lugar tão especial para ela, na companhia de seu amigos. Assim, passa os seus dias a cuidar da igreja, em especial dos santos que eram a sua companhia e com quem ela passa horas conversando, esperando também encomendas de oratórios. A noite ela dorme em um quarto na própria igreja e se inquieta em pensar que um dia deixaria a casa de Deus para se casar com um outro homem. Maria Angélica significa especialmente sentimento, uma personagem doce, cheia de sonhos e imaginação. O que demonstra isso eram as longas conversas que tinha com os santos da igreja, de quem ela obtia respostas interiores e com quem ela confidenciava os seu segredos. Uma menina que viveu em uma época de descobertas,

que acreditava na existência de Deus e fazia de sua confidente e amiga a santa de sua devoção que era a Imaculada Conceição. Uma menina tímida, que achava que aproximando-se de qualquer homem seria impura diante de Deus. Muito do desejo de Maria Angélica de não se casar era do fato de nunca ter conhecido homem algum por sempre estar voltada para a religião e os afazeres da casa onde morava. Por ser o Barroco um estilo cheio de ornamentos e rebuscamento, que deseja causar nas pessoas a profunda emoção, se quer expressar através da personagem algo que é contraditório, um ser simples, muitas vezes escondido, tímido e quieto. Em um momento estilo e personagem se encontram quando se trata da emoção. Maria Angélica realizava tudo com grande intensidade amor e devoção a Deus presente na igreja, o maior tesouro que ela poderia ter. As situações do jogo permitiram também que ela demonstrasse força e agilidade em situações oportunas, se mostrando uma menina destemida, que ajudava a todos e não gostava de injustiça. A sua maior competência era a pessoal; como função heróica, tinha o intelecto; isolamento, sua função relacional; suas habilidades intuitivas eram a agilidade, destreza, força e memorização; já as habilidades técnicas eram ler, escrever, misticismo, pesquisa e artesanato, sendo esta última a de maior destaque.

Levantamento Os assuntos que exercem mais influência sobre a personagem são a religião, a história e as artes plásticas. O levantamento religioso poderá ocorrer com visitas a igrejas já existentes no período que se passa a ambientação do jogo, uma pesquisa das ordens religiosas que existiam nesse período, conhecer quais eram as igrejas que aceitavam somente brancos e as que aceitavam os negros, conhecer santos de devoção conhecidos pelo povo, pesquisas iconográficas e relatórios de observação. Históricamente a pesquisa se dará em livros que fazem referência as pessoas que viviam no Brasil colonial, seus hábitos e costumes, e a cidade. Visita a bibliotecas na busca de bibliografias e de imagens que ajudem a nortear a história ajudarão muito. Nas artes plásticas pode-se focar no personagem ou no cenário, tendo a personagem habilidades artesanais na construção de oratórios, poderá ser feita uma pesquisa detalhada sobre os mesmos: formatos, tipos, material, ferramentas... O Barroco também poderá ser estudado como um estilo artístico, quais foram as influências que recebeu, qual a característica particular que encontramos no Barroco Brasileiro. Em todas essas referências os livros e a internet ajudarão muito na busca de informações e imagens. Concepção De acordo com os conceitos até então levantados e interesses particulares, utiliza-se como linguagem mais próxima da personagem o desenho de um orátório feito em papel canson e lápis grafite, protótipo do que pode vir a ser um trabalho. Após o témino do desenho ele foi xerocado para ser anexado ao trabalho. Uma outra forma de concepção foi a busca de informações sobre o bairro de Irajá já existente nesse período, bairro este que deu origem a vários outros. Também foi feita uma pesquisa sobre a Igreja Nossa Senhora da Apresentação, 2º paróquia mais antiga do município do Rio de Janeiro, que era uma capela, situada em Irajá.

Justificativa O jogo RPG contribuiu muito para o desenvolvimento da criatividade e imaginação dos jogadores, além disso, motivou a pesquisa para o conhecimento do ambiente jogado. E por tratar-se de um jogo, as informações foram adquiridas de modo dinâmico e prezeiroso. O transportar para outra época e outra realidade, o Barroco Brasileiro, aguçou a vontade de entender e saber como as pessoas viviam e se vestiam, o que faziam para se divertir, o que comiam, o que era plantado aqui..., inúmeras curiosidades surgiram durante o jogo e que satisfatoriamente foram respondidas pelo mestre da mesa. Porém, alguns questionamentos ficaram sobre o cenário do jogo (uma fazenda localizada em Irajá), e somente com pesquisa se pôde obter respostas. O quanto mais se joga, mais próximo e amigo do personagem se fica; na verdade, as suas vontades e sonhos são colocados nele. As habilidades artesanais de Maria Angélica coincidiram com aptidões e gostos pessoais, o que contribuiu para que ocorrece essa aproximação. Com certeza, o que Maria Angélica gostaria de realizar seria um orotório à Imacula Conceição, pois era o que mais gostava de fazer. Esse trabalho poderá servir como fonte de pesquisa para outros jogadores que tiverem as mesmas dúvidas e que precisarem recorrer a essas informações para ambientar melhor a situação de jogo. O desenho poderá servir como ilustração e conhecimento de oratórios, e conhecer como seria um oratório feito pelas mão da personagem.

Bibliografia Acervo da Biblioteca da Subprefeitura de Irajá Revista de História da Arte e Arquitetura. Nº 07 Google imagens de oratório: http://www.iadb.org/idbamerica/viewimage.cfm?thisid=3979&artid=44540& http://www.dutraleiloes.com.br/set2000/set2000cat.htm http://www.antiquibraga.com/html/produto_info.asp?id=903

Aplicação do Jogo Histórico sobre o bairro de Irajá Os bairros se formam: a) por motivos históricos, originando-se de loteamento de velhas propriedades senhoris, incrustadas ou envolvidas progressivamente no perímetro urbano; b) por motivos topográficos de confinamento dentro de acidentes geográficos que configuram uma unidade urbana; c) por motivos administrativos, que utilizam critérios mais racionais e d) pelo esponteamento que preside, em geral, o surgimento dos bairros. Após o descobrimento do Brasil e ainda sob a regência de Portugal, o bairro de Irajá teve origem nas sesmarias, doadas pela Coroa Portuguesa aos primitivos colonizadores da terra, transformada mais tarde em fazendas. Dentre os primeiros proprietários das terras têm-se o padre Antonio Martins Loureiro, fundador da Igreja da Candelária, que recebeu grande extensão de terras em 02 de abril de 1613 e Gaspar da Costa, cujo filho instituiu a Paróquia Nossa Senhora da Apresentação de Irajá e também seu primeiro vigário em 30 de dezembro de 1644. A Matriz foi confirmada por Alvará de D. João IV em 10 de fevereiro de 1647. Em 1625, o Campo de Irajá, onde existia as sesmarias, foi reconhecido como pertencente a Câmara Municipal. O significado da palavra IRAJÁ, segundo Theodoro Sampaio, engenheiro brasileiro contemporâneo, nascido na Bahia, na época, considerado um notável conhecedor brasileiro de assuntos indianistas, autor do Tupi na geografia nacional é, O MEL BROTA OU SE PRODUZ, assim chamado pelos indios Muduriás, que habitavam as terras. A palavra IRAJÁ já é tupiguarani, não dando ênfase a outra qualquer denominação. A Matriz de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá como Paróquia é a segunda mais antiga da municipalidade. Na concepção histórico social eclesciástico, a Igreja foi a princípio uma Capela erguida em 1613, muitos anos depois Matriz e finalmente apartir de 30 de dezembro de 1644, como Paróquia. A Paróquia de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá em invocação é a única no Rio de Janeiro e uma das mais antigas do Brasil. Em entrevista ao Jornal de Bairro O GLOBO, edição Madureira de 1985, o Monsenhor Luiz Pereira Machado, que assumiu a Paróquia de 1957 e faleceu em 21

de julho de 1986, teceu algumas considerações sobre o aspecto histórico cultural da Paróquia de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá. Na entrevista ele afirma não ter encontrado dados da construção da antiga capelinha barroca que lhe foram entregues pela Cúria, quando fez uma pesquisa sobre os monumentos sacros; mas confirma que ela é superior a 1613 ou dessa época, sendo levada a Paróquia em 1644. Sobre a capelinha, ele explica que foi construída por jesuíta, o Padre Gaspar da Costa, sonsagrando aos mesmos, os autores de inúmeras e belas Igrejas na sesmaria que receberamdo Governador elas, as de Conceição, Sapobemba, Rosário, Piedade e Bonsucesso e poucas continuaram de pé. Comenta sobre reformas e ampliaçõe como da troca de teto em abóboda de madeira por cimento, perdendo a simplicidade de barroco; a existência de imagens de quatro séculos como da Nossa Senhora da Apresentação, das Dores e o Senhor Morto; que sob o altar, estão enterrados alguns benfeitores da paróquia, entre eles Honório Gurgel, o que deu nome do bairro e era o dono das terras que iam de Rocha Miranda a Pavuna, passando por Honório Gurgel, Irajá e Barros Filho, já no século XVIII; que Honório Gurgel viveu até a metade do século XIX e que no fim da vida dividiu a sesmaria, doando uma parte do Dr. Rocha Miranda, o bairro que hoje tem o seu nome e outra vendeu a um português que resolveu chamar a área de Pavuna, a fêmea do pavão, não sabendo o porquê.