Da Responsabilidade Civil do Profissional da Contabilidade Prof. Roberta Schneider Westphal Prof. Odair Barros www.rsw.adv.br
A responsabilização profissional surge juntamente com qualquer manifestação profissional advinda do homem.
Conceito - O homem é responsável pelos atos que executa, ordena ou omite, na exata proporção de sua atuação e do ato praticado.
A função do profissional contador deve ser agregada à responsabilidade pela lealdade, a fim de servir com dignidade à sociedade e dignificar a sua classe! Introdução responsabilidade civil X exercício da profissão
Profissional X Cliente - No desempenho de sua função suas informações devem propiciar aos usuários base segura de decisões.
Conforme define SILVA E CUNHA: A contabilidade, como uma ciência social, deve preocupar-se com os princípios de justiça e decência, procurando sempre uma finalidade social superior nos serviços que executa: logo, o contador deve ter a consciência de seu papel, o qual não se restringe exclusivamente ao registro de fatos contábeis e documentos que atendam a exigências fiscais e legais.
Contabilidade atua com a: Apreensão, Quantificação, Classificação, Registro, Sumarização, Demonstração, Análise
O objeto é relatar mutações patrimoniais; Com dados quantitativos e qualitativos
Código Civil, Lei nº 10.406/02, Artigos 186 e 187 c/c 927 prevê a responsabilidade civil pela prática de ato ilícito imputa ao profissional de Contabilidade, bem como o dever de reparação aos danos causados.
ARTIGOS ESPECÍFICOS Art. 1.177 - Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de má-fé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos.
Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Parágrafo único. Quando tais atos forem praticados fora do estabelecimento, somente obrigarão o preponente nos limites dos poderes conferidos por escrito, cujo instrumento pode ser suprido pela certidão ou cópia autêntica do seu teor
OUTRAS NORMAS Código de Defesa do Consumidor (Lei 8078/90). Normas Brasileiras de Contabilidade, Código de Ética Profissional do Contabilista (CEPC).
CEPC arts. 2º, I e III, de que o profissional deve exercer a profissão com zelo, diligência e honestidade, bem como zelar pela sua competência exclusiva na orientação técnica dos serviços a seu cargo. art. 3º, X, ainda dispõe que é vedado ao profissional prejudicar, culposa ou dolosamente, interesse confiado a sua responsabilidade profissional.
E, não bastassem as disposições do CEPC e das normas supracitadas, importa ressaltar, ainda, o comando da Resolução CFC número 960/03, art. 24, I e VI, bem como o disposto no DL n º. 9.295/46 art. 27, alínea e, que prevem: Art. 27 As penalidades aplicáveis por infração do exercício legal da profissão serão as seguintes: e) suspensão do exercício da profissão, pelo prazo de seis meses a um ano, ao profissional que demonstrar incapacidade técnica no desempenho de suas funções, a critério do Conselho Regional de Contabilidade a que estiver sujeito, facultada, porém, ao interessado a mais ampla defesa por si ou pelo Sindicato a que pertencer.
A Responsabilização é possível quando: contrata serviços para o qual não é absolutamente capaz, vindo, desta forma, a colocar em risco o Patrimônio da empresa ou a sua imagem.
Responsabilidade X Omissão X Competência O profissional da área contábil, por ter responsabilidade perante o bens de terceiros, será responsabilizado caso venha a falhar na sua atuação.
Profissional da contabilidade Capacidade técnica Código Civil - Responsabilidade Civil Normas a serem observadas Resoluções Código de Defesa do Consumidor Código de Ética
A PRUDÊNCIA: contratos e outros Pedidos por escrito Termo de esclarecimento do cliente Contrato detalhado dos serviços contratados Limitação da responsabilidade
Nexo X Dano X Ato ilícito (dolo ou culpa)
Responsabilidade Subjetiva a) fato lesivo voluntário, causado pelo agente, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência; b) ocorrência de um dano patrimonial ou moral; c) nexo de causalidade entre o dano e o comportamento do agente.
Culpa presumida (objetiva) Com isso, é imprescindível expor a teoria do dano objetivo, pelo que se ressalta o estudo de Ruy Stoco[1]: (...)desde que exista um dano, deve ser ressarcido, independentemente da idéia de culpa. O agente deve ser responsabilizado não só pelo dano causado por culpa sua como também por aquele que seja decorrência de seu simples fato; uma vez que, no exercício de sua atividade, ele acarrete prejuízo a outrem, fica obrigado a indenizá-lo.
Entendimento Jurisprudencial A culpa é presumida, pelo que se imputa ao réu o ônus de comprovar que realizou o serviço de forma satisfatória e que não foi o responsável pelas falhas, (...) [1]. [1] Apelação Cível Nº 70020527602, Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS; Relator: Marilene Bonzanini Bernardi, Julgado em 23/04/2008.
Relação de Consumo Teoria do Risco A responsabilidade dos profissionais liberais, nas relações de consumo, está prevista no art. 14, 4, do Código de Defesa do Consumidor CDC (Lei n. 8.078/90), que assim dispõe: Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre a sua fruição e riscos. 4º. A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa.
Inversão Aplica-se a inversão do ônus da prova, com fulcro no art. 6, VIII[1], do CDC, para que seja atribuído ao contabilista o ônus de constituir prova da eficiência dos serviços prestados, a fim de contestar a evidência dos erros de escrituração cometidos, corroborados pelos documentos acostados. [1] Art. 6º São direitos básicos do consumidor: VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;
O Protetivo CDC A aplicação do CDC visa oferecer ao consumidor ferramentas que podem complicar ou criar embaraços a defesa do fornecedor (contabilista): a) A inversão do ônus da prova, (art. 6º, VIII). b) A possibilidade de utilização de todos os direitos possíveis, leis, tratados, regulamentos, princípios gerais de direito, equidade, analogia e bons costumes desde que sejam mais favoráveis ao consumidor (art. 7º, caput).
O Protetivo CDC c) A solidariedade entre todos os participantes dos serviços e causadores de dano, ampliando e facilitando a possibilidade de sucesso nas ações que versem sobre ressarcimentos de danos (art. 7º, 18 e 25. d) A responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços em face de acidentes consumo (art. 6º, 12, 14 e 17). de e) A expressa proibição de inserção cláusula de não indenizar (art. 25). da f) A desconsideração jurídica (art. 28). da personalidade
O Protetivo CDC g) A responsabilidade solidária do fornecedor por seus prepostos ou representantes autônomos, em face da teoria da aparência (art. 34). h) A interpretação das cláusulas contratuais sempre de forma mais favorável ao consumidor (art. 47). i) A facilitação da defesa do consumidor com o estabelecimento de foro privilegiado, em se tratando de ação por responsabilidade civil, visto que a demanda poderá ser proposta no foro do domicílio do autor (art. 101).
Da responsabilidade do escritório Não importa se a prestação do serviço foi realizada por sócio da pessoa jurídica, Contador titular ou mesmo representante.
Cuide de seu sócio! Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil: III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;
Danos materiais e morais O cliente tem direito à reparação dos danos materiais e morais, ex vi do artigo 6º do CDC, sejam estes individuais, coletivos ou difusos.
Resumindo: Os pressupostos da responsabilidade civil são: ação ou omissão do agente (configurada na imprudência, negligência e imperícia do contabilista quando da sua prestação de serviços); nexo de causalidade, (relacionado na questão causa e efeito, ou seja, no dano ocasionado ao cliente decorrentes do comportamento desidioso do contabilista); danos materiais e/ou morais.
Do dano moral O simples fato de empresa ter prestado serviço defeituoso já configura o dano moral, ante a evidência dos conseqüentes transtornos advindos! Neste sentido mister se faz destacar as palavras do Juiz Sérgio Izidoro Heil: É sabido, que a indenização por danos de ordem estritamente moral, em diversos casos, dispensa a produção de provas, por se tratarem daquelas condutas em que os danos advindos são presumíveis" (AC n. 2005.009667-3).
Decisões... PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE RESPONSÁVEL PELO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO AUTOR. RETENÇÃO INDEVIDA DE PARTE DOS VALORES. APOSENTADORIA REDUZIDA EM DECORRÊNCIA DO ATO ILÍCITO. DEVER DE INDENIZAR. ALEGAÇÃO DE QUE A DIFERENÇA EMPREGADA NO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO AO INSS É DEVIDA PELA ESPOSA. FATO NÃO COMPROVADO (CPC, ART. 333, II). CRITÉRIO PARA O ARBITRAMENTO DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. EXAME DAS PECULIARIDADES DO CASO CONCRETO E RAZOABILIDADE. REDUÇÃO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
Mais decisões... APELAÇÃO CÍVEL - ERRO PROFISSIONAL - NEGLIGÊNCIA DO CONTADOR - PREJUÍZO CARACTERIZADO - CONDENAÇÃO MANTIDA. RECURSO DA AUTORA - AGRAVO RETIDO - REVOGAÇÃO DE DESPACHO QUE DECRETA NULIDADE DE CITAÇÃO - CITAÇÃO IRREGULAR MANIFESTA - REJEIÇÃO. "Feita a citação em pessoa que para isso não se achava habilitada, o ato é nulo, independentemente das circunstâncias de fato que tenham conduzido o oficial de justiça a equívoco" (STJ - 4ª Turma, Resp 5.061 - MG, rel. min. Barros Monteiro, j. 11.12.90) RECURSO DA RÉ - PRELIMINARES - NULIDADE DE SENTENÇA - NULIDADE DO PROCESSO - REJEIÇÃO - MÉRITO - NEXO CAUSAL CONFIGURADO - ERRO NA APLICAÇÃO DO PERCENTUAL CORRETO NA ELABORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO - NÃO ADEQUAÇÃO ÀS ALTERAÇÕES INTRODUZIDAS NA LEGISLAÇÃO - PREJUÍZO CARACTERIZADO - SENTENÇA CONFIRMADA - APELO DESPROVIDO. Provada a existência de nexo causal entre a conduta e o resultado danoso, tem a pessoa o direito de ser indenizada pelo prejuízo sofrido em razão de erro profissional[1]. (Destacamos) [1] Apelação Cível n. 1999.012905-5, Brusque; Relator: Wilson Augusto do Nascimento; Primeira Câmara de Direito Civil; Data: WESTPHAL 23/10/2001. - Advocacia & Consultoria
Apelação cível 2003.005440-5 Relator: Sérgio Roberto Baasch Luz O valor da indenização do dano moral deve ser arbitrado pelo juiz de maneira a servir, por um lado, de lenitivo para a dor psíquica sofrida pelo lesado, sem importar a ele enriquecimento sem causa ou estímulo ao abalo suportado; e, de outra parte, deve desempenhar uma função pedagógica e uma séria reprimenda ao ofensor, a fim de evitar a recidiva.
$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$ DA FINALIDADE DA INDENIZAÇÃO RESSARCIR PENALIZAR COMPENSAR
Danos materiais Mera liquidação dos danos materiais causados (mediatos ou previstos). Lucros cessantes e Perda de uma Chance (ex: documentos de uma licitação)
O profissional zeloso... As possibilidades de exclusão de penalização decorre do trabalho zeloso, operoso e exemplar exercido pelo profissional de contabilidade e, que por esta razão, são isentos de culpa.
As excludentes responsabilidade tem o condão de impedir a concretização do nexo de causalidade, excluindo, por conseguinte, a responsabilidade civil do agente.
Das Excludentes e busca de soluções. Excludentes Culpa da Vítima Culpa de Terceiro Caso fortuito e Força Maior Culpa do cliente Culpa de outrem estranho a relação Fato humano e da natureza inesperados
Culpa exclusiva da vítima As ações do agente e da vítima concorreram, ao mesmo tempo, para o desfecho danoso. A valoração do grau de responsabilidade na hipótese de culpa concorrente dependerá de cada caso em concreto. No entanto, se não for possível tal constatação, será de 50% para cada um - vítima e agente.
Caso fortuito e Força maior O caso fortuito é o fato humano estranho à vontade das partes e que venha causar dano a terceiro, a exemplo de greve, motim e guerra. Já a força maior, deriva de eventos da natureza, como raios, ventanias, inundações. Para a sua caracterização, o fato deve ser: imprevisível, inevitável, superveniente, irresistível e estranho à vontade do agente, rompendo o nexo de causalidade entre a ação do mesmo e o dano. Se o caso fortuito/força maior derivar da culpa do devedor, deixa de ser excludente de responsabilidade, passando o mesmo a figurar como devedor, obrigado a indenizar os danos causados pela sua ação/omissão.
A culpa do outro Tratando-se de excludente que é, o fato de terceiro somente exonera a responsabilidade do agente quando a sua ação provocou exclusivamente o dano sobre a vítima, sem que, portanto, o agente tenha concorrido para o evento. Neste caso, o fato de terceiro equivale à força maior por eliminar o nexo causal, cabendo ao agente provar que a ação do terceiro era imprevisível, inevitável e de tamanha intensidade e força que excluiu a sua liberdade de ação.
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