TÍTULO: ANÁLISE DE RASPADOS CUTÂNEOS PARA DIAGNÓSTICO DE DERMATOFITOSES EM ANIMAIS ATENDIDOS PELO HOSPITAL VETERINÁRIO (UFRPE) AUTORES: R. F. C. VIEIRA; L. B. G. SILVA; M. L. FIGUEIREDO; R. A. MOTA; A. P. CUNHA. E-mail: nitroear@bol.com.br INSTITUIÇÃO: UFRPE ÁREA TEMÁTICA - Saúde Os fungos são onipresentes em nosso ambiente. Das milhares de espécies de fungo, apenas alguns tem a capacidade de provocar doença nos animais. Os fungos em sua grande maioria são microrganismos do solo ou patógenos vegetais, entretanto, mais de 300 espécies foram relatadas como patógenos para animais (MULLER et al., 1996). As micoses são doenças causadas pelo desenvolvimento de diversas espécies de fungo na pele e no organismo. As micoses superficiais compreendem grupos de afecções causadas por fungos, limitados às camadas queratinizadas ou semiqueratinizadas da pele (SAMPAIO et al., 1985). O primeiro grupo constitui as dermatofitoses, afecções produzidas por vários gêneros de fungos, denominados dermatófitos, que utilizam a queratina como fonte de subsistência. No segundo grupo incluem-se moléstias causadas por fungos que não possuem ação queratolítica, vivem sobre a pele penetrando nos interstícios da camada córnea ou ao redor dos pêlos. Utilizam como fonte de manutenção restos epiteliais ou produtos de excreção, e assim não são considerados parasitos, mas saprófitos ou comensais. Não determinam nenhuma reação por parte do organismo e assim não há manifestações subjetivas ou reações de hipersensibilidade (SAMPAIO et al., 1985). Uma dermatomicose é uma infecção fúngica do pêlo, unha ou pele causada por um não-dermatófito (Aspergillus sp, Penicillium sp, Curvularia sp, Candida sp, Rhyzopus sp), ou seja, fungos não classificados nos gêneros Microsporum, Trichophyton ou Epidermophyton (MULLER et al., 1996). Os dermatófitos que mais freqüentemente infectam os animais são o Microsporum sp e o Trichophyton sp. Esses gêneros podem ser divididos em três grupos com base no habitat natural: geofílico, zoofílico e antropofílico. Os dermatófitos geofílicos, normalmente habitam o solo. Os dermatófitos zoofílicos, tornaram-se adaptados aos animais e apenas raramente são
encontrados no solo. Os dermatófitos antropofílicos, tornaram-se adaptados aos humanos e não sobrevivem no solo (MULLER et al., 1996). Em cães e gatos, dermatófitos zoofílicos como Microsporum canis e Trichophyton mentagrophytes e dermatófitos geofílicos como Microsporum gypseum são os mais comuns (WILLEMSE, 1998). A dermatofitose é uma doença extremamente contagiosa, não apenas entre os animais, mas também dos animais para o homem. O contato direto com os artrosporos e hifas é o modo de transmissão (WILLEMSE, 1998). Os dermatófitos são transmitidos por contato com pêlo e caspa infectados ou com elementos fúngicos nos animais no ambiente ou fômites (MULLER et al.,1996). Afora o contato direto, fontes importantes de infecção são os denominados portadores, que são animais sem lesões visíveis mas que, ainda assim conduzem o material infeccioso (WILLEMSE, 1998). As dermatofitoses dos cães e gatos constituem zoonoses de importância, uma vez que estes são, dentre os animais domésticos, os que mantêm mais estreito contato com as crianças, altamente susceptíveis a esses processos (COSTA et al., 1994). Mesmo com a escassez de estudos epidemiológicos sobre a prevalência de doenças nos outros sistemas orgânicos é geralmente aceito que as dermatopatias encabeçam a lista dos problemas, respondendo por 20% a 75% dos casos atendidos na prática clínica de pequenos animais (IHRKE, 1996). Devido ao grande número de animais com dermatopatias atendidos no Hospital Veterinário da UFRPE, e a importância de chegar ao diagnóstico laboratorial dos possíveis agentes causadores das mesmas, este estudo tem como objetivo diagnosticar a ocorrência de infecções cutâneas fúngicas em animais atendidos no Hospital Veterinário da UFRPE através da análise de raspados cutâneos. METODOLOGIA: As análises dos materiais coletados no Hospital Veterinário estão sendo executadas no Laboratório de Doenças Infecto-Contagiosas, Departamento de Medicina Veterinária da UFRPE. Os procedimentos laboratoriais estão sendo realizados de acordo com as técnicas descritas por Cruz (1985), que caracterizam-se por dois métodos:
Exame microscópico direto, onde uma amostra pequena de pêlos e escamas recebe, sobre uma lâmina de vidro, uma a duas gotas de solução de hidróxido de potássio a 20%, coberta por uma lamínula e é levada ao microscópio para a verificação da presença ou não de esporos e hifas; Cultura em ágar Sabouraud, onde amostras de pêlos e escamas são colocados sobre a placa contendo o meio de cultura. Após sete dias de incubação em temperatura ambiente, faz-se a coleta de amostras da colônia que se desenvolveu na placa e a colocamos em uma lâmina de vidro contendo 1-2 gotas de azul de metileno, levando-a ao microscópio. Através deste método será possível identificar o tipo de dermatófito responsável pela infecção. Os diagnósticos das dermatofitoses encontradas estão sendo registrados em fichas de exames e em livro de casuística, para posteriores avaliações. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Até o momento, foram analisados 102 raspados, 50 (49.02%) deles foram positivos no exame direto, observando-se a presença de artrosporos, e 52 (50,98%) foram negativos. Na cultura em ágar Sabouraud, foram isolados, em 36 amostras, sete gêneros de fungos (Tabela 1). Os mesmos encontravam-se isolados ou associados com bactérias que também cresceram no ágar, estando as bactérias relacionadas na Tabela 2. Tabela 1 Freqüência dos fungos isolados de dermatites de cães atendidos no HV da UFRPE FUNGOS ABSOLUTA RELATIVA (%) Microsporum canis 5 13,89 Aspergilllus sp 10 27,78 Penicillium sp 8 22,22 Cladosporium sp 6 16,67 Curvularia sp 3 8,34 Candida sp 2 5,55 Malassezia canis 2 5,55 TOTAL 36 100
Tabela 2 - Freqüência dos bactérias isoladas de dermatites de cães atendidos no HV da UFRPE BACTÉRIAS ABSOLUTA RELATIVA (%) Bacillus sp 35 44,88 Staphylococcus sp 33 42,30 Micrococcus sp 5 6,41 Corynebacterium sp 3 3,85 Enterobacter sp 2 2,56 TOTAL 78 100 Considera-se baixo o número de isolamento de dermatófitos, quando comparado com Campos et al.(2001), que isolou de 865 amostras de raspado de pele, 299 (22,73%) fungos dermatófitos. O baixo índice de isolamento de dermatófitos é provavelmente devido ao fato de se utilizar o ágar Sabouraud sem cloranfenicol e ciclohexamida, que impediriam o isolamento de bactérias e fungos saprófitos, já que estes microrganismos crescem mais cedo, impedindo o isolamento dos dermatófitos. Fato comprovado pelo número de animais positivos ao exame direto. Este trabalho teve início em julho de 2002 e se concluirá em dezembro deste mesmo ano, determinando a freqüência de dermatófitos e fungos oportunistas na referida população de animais. - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COSTA, E. O.; DINIZ, L. S. M.; COUTINHO, S.D. et al. Surtos interespecíficos de dermatomicoses por Microsporum canis e Microsporum gypseum. Rev. Saúde Pública, v. 28, n. 5, p. 337-340, 1994. CRUZ, L. C. H Micologia Veterinária. Imprensa Universitária, Itaguaí, 1985. 202p. IHRKE, P.J. Bacterial skin disease in the dog: A guide to canine pyoderma. Leverkusen: Bayer AG, 1996. 97 p.
MULLER G. H.; KIRK R. W.; SCOTT D. W. et al. Dermatologia de pequenos animais. 5ª edição. Rio de janeiro: Interlivros, 1996. cap.5, p. 301-359. SAMPAIO, S. A. P.; CASTRO, R. M.; RIVITTI, E. A. 3ª edição. Dermatologia básica. Rio de Janeiro: Artes Medicas, 1985. p. 327. WILLEMSE, T. Dermatologia clínica de cães e gatos. 2ª edição. São Paulo: ed. Manole Ltda, 1998. cap. 3, p. 22-25.