345/2011/CGNOR/DENOP/SRH/MP



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Transcrição:

MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO Secretaria de Recursos Humanos Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais Coordenação-Geral de Elaboração, Sistematização e Aplicação das Normas NOTA TÉCNICA N o 345/2011/CGNOR/DENOP/SRH/MP ASSUNTO: Remoção/Permuta Referência: SUMÁRIO EXECUTIVO 1. Trata-se de processo referente à solicitação de permuta/remoção dos servidores XXXXXXXXXXXXXXXXXXX, matrícula SIAPE nº XXXX, ocupante do cargo de Economista, e XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX, matrícula SIAPE nº XXXX, ocupante do cargo de Técnico em Assuntos Educacionais, ambos pertencentes ao quadro de pessoal da Defensoria Pública-Geral da União. ANÁLISE 2. Inicialmente cumpre esclarecer que a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, não prevê, dentre as modalidades de remoção, a permuta, razão pela qual trata o presente pleito da hipótese de remoção a pedido, a critério da Administração, a qual se encontra estabelecida no inciso II do parágrafo único do art. 36, do Regime Jurídico Único. 3. O servidor XXXXXXXXXXXXX, lotado e em exercício na unidade da Defensoria Pública-Geral da União na cidade de João Pessoa/PB, solicitou sua remoção para a unidade da cidade de Aracaju/SE, expondo que, caso possível permutaria com o servidor XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX, lotado e em exercício na cidade de Aracaju/SE, que na oportunidade seria removido para a unidade da cidade de João Pessoa/PB (documentos de fls. 2 e 5). 4. Em relação ao requerimento em análise, consta dos autos a anuência do Defensor Público Federal, Chefe do Estado da Paraíba (fls.1), bem como do Defensor Público Federal, Chefe do Estado de Sergipe (fls. 4), que encaminhou os autos à

Coordenação-Geral de Recursos Humanos da Defensoria Pública-Geral da União a qual, por meio do Despacho de fls.7/8, solicitou a manifestação desta Secretaria de Recursos Humanos acerca da possibilidade da remoção dos servidores, em face da limitação ao deslocamento para outras unidades da Defensoria Pública-Geral da União, imposta pelo item 2.3.1 prevista no Edital nº 1-DPU, de 29 de março de 2010. 5. É o breve relatório. 6. De saída, cumpre ressaltar que, nos dias atuais são crescentes as demandas da sociedade às organizações públicas, com vista a saciar os seus anseios. Tal situação impõe ao administrador público o exercício, com maestria, de suas funções básicas de planejamento, organização, comando, direção, coordenação e controle, no intuito de superar as dificuldades supervenientes, em especial a sobrecarga de trabalho, com vista a permitir ao órgão o atingimento dos seus objetivos, que em última analise é o bem comum. 7. Nesse entender, o bom gerenciamento da força de trabalho é essencial para o órgão concretizar seus objetivos, devendo, para tanto, o administrador evitar a implementação de medidas paliativas, as quais somente solucionarão o problema momentaneamente e não evitarão o surgimento de outras demandas no futuro. 8. Para a concretização de seus objetivos e demandas, a Administração utiliza como força motriz o recrutamento de pessoal, por intermédio do concurso público. Este processo, assim como os demais atos praticados pela Administração, deverá ser norteado, sempre, pelo princípio da Supremacia do Interesse Público. Acerca deste relevante princípio, assim leciona o ilustre Professor José dos Santos Carvalho Filho 1 : As atividades administrativas são desenvolvidas pelo Estado para o benefício da coletividade. Mesmo quando age em vista de algum interesse estatal imediato, o fim último de sua atuação deve ser voltado para o interesse público. E se, como visto, não estiver presente esse objeto, a atuação estará inquinada de desvio de finalidade. Desse modo, não é indivíduo em si destinatário da atividade administrativa, mas sim o grupo social todo. Saindo da era do individualismo exacerbado, o Estado passou a caracterizar-se como Welfare State (Estado/ bem estar), dedicado a atender o interesse 1 FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 22ª edição revista, ampliada e atualizada. Lúmen Júris, p. 30-31. 2

público. Logicamente, as relações sociais vão ensejar, em determinados momentos, um conflito entre o interesse público e o interesse privado, mas, ocorrendo esse conflito, há de prevalecer o interesse público. 9. No caso posto em análise, a Defensoria Pública da União fez publicar o Edital nº 1-DPU Nº 29, de março de 2010, que teve por objetivo principal possibilitar o provimento de cargos no âmbito daquela unidade organizacional do Ministério da Justiça. 10. Tal ato administrativo, em última análise é a manifestação de vontade daquela unidade da Administração de manter, durante os 2 (dois) primeiros anos de efetivo exercício dos servidores que ingressem em seu quadro, nas respectivas cidades para as quais optaram no ato da inscrição, no intuito, ao que tudo indica, de melhor gerenciar sua força de trabalho. Cumpre transcrever o item 2.3.1 do referido edital: 2.3 DAS VAGAS E DA LOTAÇÃO 2.3.1 As vagas estão distribuídas entre as 36 unidades da Defensoria Pública da União e o candidato deverá fazer a opção pela localidade (capital e município) que deseja concorrer no momento da inscrição, conforme quadro constante do Anexo I deste edital, sendo que só poderá se deslocar para outra Unidade da Defensoria Pública da União após 2(dois) anos de efetivo exercício (grifo nosso). 11. Desponta claro, portanto, que as normas impostas pelo Edital nº 1-DPU, de 29 de março de 2010, em obediência ao princípio da supremacia do interesse público conjugado com os princípios da razoabilidade, da legalidade, tiveram por escopo não só possibilitar o provimento de cargos no âmbito da DPU, mas também a permanência da novel força de trabalho nas unidades dos diversos Estados do Brasil, a fim de garantir, especialmente, o acesso à justiça por meio daquele órgão, de todas as pessoas que comprovem a insuficiência de recursos, conforme reza o art. 5º, inciso LXXIV, da Constituição Federal. 12. Ressalte-se que os servidores que ingressaram por intermédio deste recrutamento, no momento da inscrição para o concurso público, anuíram com os anseios da administração expostos no referido diploma regulamentador do processo de seleção, ou seja, o então candidato já optava pela localidade na qual desejava concorrer para vaga, ciente de que, caso aprovado, seria ali que exerceria suas funções, nos dois primeiros anos de efetivo exercício. 3

13. Por oportuno, necessário se faz tecer breves comentários acerca do Instituto da Remoção. 14. A Lei nº 8.112, de 1990, assim dispõe sobre o assunto o referido Instituto: Art. 36. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no âmbito do mesmo quadro, com ou sem mudança de sede. Parágrafo único. Para fins do disposto neste artigo, entende-se por modalidades de remoção: (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) I - de ofício, no interesse da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) II - a pedido, a critério da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) III - a pedido, para outra localidade, independentemente do interesse da Administração: (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) a) para acompanhar cônjuge ou companheiro, também servidor público civil ou militar, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que foi deslocado no interesse da Administração; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) b) por motivo de saúde do servidor, cônjuge, companheiro ou dependente que viva às suas expensas e conste do seu assentamento funcional, condicionada à comprovação por junta médica oficial; (Incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) c) em virtude de processo seletivo promovido, na hipótese em que o número de interessados for superior ao número de vagas, de acordo com normas preestabelecidas pelo órgão ou entidade em que aqueles estejam lotados.(incluído pela Lei nº 9.527, de 10.12.97) 15. Da análise do supracitado dispositivo, infere-se que a remoção constitui mero deslocamento do servidor no âmbito do quadro de pessoal do seu órgão, o que não implicará em qualquer alteração na relação estabelecida entre ele e a Administração, por ocasião de sua investidura no cargo efetivo. 16. Depreende-se, ainda, do texto normativo que, o interesse da Administração é condição sine quo non para a efetivação da remoção nas modalidades previstas nos incisos I e II do parágrafo único do art. 36 da Lei nº 8.112, de 1990, situação não observada na modalidade instituída pelo inciso III, alíneas a, b e c, na qual o ato apresenta caráter eminentemente vinculado, eis que independe do interesse da Administração. 17. No caso em análise, a DPU, no uso da discricionariedade que lhe confere o art. 36 da Lei nº 8.112, de 1990, deixou consignado de forma clara e plural no Edital nº 1-DPU, de 29 de março de 2010, que não haveria interesse na remoção dos servidores recém ingressados naquele orgão, nos primeiros dois anos de efetivo exercício. 4

18. Ressalta-se que, apesar de o art. 36 da Lei nº 8.112, de 1990, não trazer em seu texto restrição referente a prazo mínimo necessário para implementar a remoção de servidores, não há vedação que a Administração o faça nas modalidades previstas nos incisos I (de ofício, no interesse da Administração) e II (a pedido, a critério da administração), do parágrafo único da norma, com vista a melhor gestão da sua força motriz. 19. Na hipótese a Administração, ao limitar o deslocamento por meio de norma editalícia, buscou resguardar o interesse público, haja vista que somente o preenchimento das vagas e a permanência dos servidores nas localidades para a quais optaram no ato de inscrição, possibilitaria o real alcance do objetivo da realização do concurso público, qual seja, o de suprir o déficit de pessoal junto às unidades da DPU. 20. Assim, em estrita observância aos princípios da supremacia do interesse público, da legalidade, moralidade e, ainda, da vinculação ao edital, todos de origem constitucional, a lotação dos servidores XXXXXXXXXXXXXXXXXXX e XXXXXXXXXXXXXXXXXX nas cidades de Aracaju/SE e João Pessoa/PB decorrem da opção efetuada por eles no ato da inscrição para o certame, que em seu edital antevia o interesse da administração pública em não removê-los pelo prazo do 2 anos de efetivo exercício. 21. Conclui-se, portanto, pela impossibilidade da remoção dos servidores interessados, uma vez que a DPU, ao inserir artigo especifico (nº 2.3 DAS VAGAS) no Edital nº 1-DPU, de 29 de março de 2010, manifestou claramente o interesse na permanência dos servidores que ingressem em seu quadro de pessoal nos locais para os quais optaram no ato da inscrição, nos 2 (dois) primeiros anos de efetivo exercício, buscando exatamente evitar, que ocorresse alteração de unidade de lotação, com vistas a otimizar e organizar a gestão de pessoal no âmbito daquele órgão. 22. Ademais, não se deve olvidar a necessidade da Administração, no gerenciamento do quadro de pessoal e organização funcional dos seus órgãos, atuar de modo a observar os princípios da supremacia do interesse público conjugado com os princípios da legalidade e da moralidade. 5

CONCLUSÃO 23. Pelo exposto, em resposta ao questionamento formulado pela Defensoria Pública-Geral da União no Despacho de fls.7/8, conclui-se pela impossibilidade do pleito de remoção, na modalidade a pedido, prevista no inciso II do parágrafo único do art. 36 da Lei nº 8.112, dos servidores XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX e XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX. Brasília, 2 de agosto de 2011. ANA PAULA DE OLIVEIRA FERNANDES Chefe da Divisão de Movimentação de Pessoal De acordo. Encaminhe-se à Senhora Diretora do Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais para apreciação. Brasília, 2 de agosto de 2011. TEOMAIR CORREIA DE OLIVEIRA Coordenador-Geral de Elaboração, Sistematização e Aplicação das Normas - Substituto Aprovo. Encaminhe-se à Coordenação-Geral de Recursos Humanos da Defensoria Pública-Geral da União, na forma proposta. Brasília, 2 de agosto de 2011 VALÉRIA PORTO Diretora do Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais 6