1 LOGÍSTICA: história e conceitos Newilson Ferreira Coelho FAFIJAN Marilda da Silva Bueno FAFIJAN RESUMO Através de uma pesquisa bibliográfica, este estudo apresenta a logística, sua história e conceitos que permitem compreender sua importância ao longo dos tempos, o que fez dela ferramenta capaz de contribuir com a melhoria da qualidade das atividades empresariais, principalmente aquelas relacionadas com a produção de bens e serviços, transporte e armazenagem. Traz que, devido a sua evolução, tornou-se uma peça chave para o desenvolvimento organizacional, que além de contribuir para a diminuição de esforços e gastos desnecessários, proporciona a satisfação dos clientes e resultados satisfatórios. E também que, no contexto atual, tal contribuição exige recursos tecnológicos para a geração de informações precisas, principalmente com o crescimento da economia que demanda um gerenciamento integrado. Palavras-Chave: Logística. História da logística. Conceitos de logística.
2 1 INTRODUÇÃO A aplicação da logística ganhou espaço à medida que ela mostrou sua eficiência. Foi através de sua implantação que empresários e gestores puderam compreender as vantagens de sua utilização. Por esta razão, o estudo apresentado busca sua origem, uma vez que em tempos passados a sua eficiência podia ser comprovada, pois, há séculos, a necessidade de transportar equipamentos, armas, alimentos e outros bens se fez presente na vida do homem. Por tratar de uma pesquisa bibliográfica, objetivou fornecer um embasamento teórico que permitisse visualizar a importância da logística e sua forma de aplicação diante da complexidade de atividades que as organizações desenvolvem frente à demanda econômica atual. Outro ponto forte é a questão dos recursos tecnológicos, que proporcionaram ricas contribuições para que a logística obtivesse, em tempo hábil, informações precisas que atendessem as necessidades das organizações. 2 A ORIGEM DA LOGÍSTICA Estudos trazem ao longo da história do homem, que as guerras têm sido ganhas ou perdidas através do poder e da capacidade logística das tropas, ou de sua falta, contudo, nem sempre foi assim, pois, de acordo com Arbache, Santos et al. (2007, p. 41), antes das guerras napoleônicas, pouca importância era atribuída à logística. Napoleão não foi sozinho, um grande visionário que concebeu as operações logísticas como algo único e integrado às demais operações no campo de batalha, mas teve duas oportunidades relevantes ao assunto: a revolução Industrial e o fato de não ter intenções de poupar seus exércitos do combate, mas, sim, lutar para atingir os seus objetivos. Com a problemática de transporte dos canhões, por serem eles armas pesadas, e por conta da sua munição, o deslocamento dos suprimentos e das tropas para locais distantes, e em um curto espaço de tempo, se constituiu em um exercício logístico altamente proficiente. Arbache, Santos et al. (2007, p. 42) demonstram esta questão quando dizem foram os exércitos napoleônicos os primeiros a estruturar uma organização logística sob a responsabilidade de oficiais com a missão específica de organizar os diversos recursos de víveres, munição, pessoal, forragens para os cavalos.
3 As atividades logísticas vêm de séculos, mas o termo surgiu durante a Segunda Guerra Mundial, quando foi usada para definir o conjunto de atividades relacionadas à movimentação de recursos humanos, armamentos e munições para os campos de batalha. A origem da palavra logística vem da etimologia francesa. Ela é originada do verbo loger, que significa alojar. De acordo com Larrañaga (2003, p. 31), [...] era utilizada para identificar o abastecimento militar de grandes exércitos com tudo o que era necessário para a batalha na linha de frente, longe de suas bases e recursos. Em tempos passados, a logística era essencialmente ligada às operações militares, e por se tratar de um serviço de apoio utilizado para o transporte de armamentos, munições e pessoas, os grupos logísticos militares operavam quase sempre em silêncio, porque era uma tática de guerra e não podia ser divulgado, principalmente para evitar que o notícia chegasse até o inimigo. Este entendimento também prevaleceu com as empresas durante um bom período de tempo. No entanto, nos últimos anos, a logística vem apresentando uma evolução constante, atuando como elemento-chave na formação das estratégias competitivas das organizações. No início, era confundida com o transporte e a armazenagem de produtos, hoje ela pode ser considerada como o ponto primordial da cadeia produtiva integrada, atuando em conformidade com o moderno gerenciamento da cadeia de suprimentos. O desenvolvimento histórico da logística pode ser dividido em três períodos de características diferentes que são: antes de 1950, de 1950 a 1980 e depois de 1980. Na verdade, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial, foi que o mundo tomou conhecimento das maiores operações logísticas da história, isto ocorreu por conta das campanhas de guerras e batalhas empreendidas pelos norte-americanos no Pacífico, nas operações de bombardeios realizadas sobre a Alemanha Nazista, realizadas por milhares de aeronaves, exigindo uma altíssima coordenação dos militares. Nessa época, se desenvolveu o transporte a partir dos containeres, ouve uma melhora no transporte ferroviário, marítimo e também no aéreo. No período que vai de 1950 a 1980, ocorreu uma decolagem da logística através do desenvolvimento do marketing, haja vista que foi na década de 50 que se desenvolveu o transporte aéreo para a distribuição física, quebrando um paradigma do custo alto nessa modalidade de transporte. Não entanto, só década seguinte começaram a surgir os primeiros livros sobre logística aplicada às atividades empresariais. Mais adiante, na década de 80 a 90 houve um fantástico crescimento dos fluxos financeiros internacionais devido ao avanço da tecnologia de informação, do desenvolvimento
4 do sistema de transporte, da formação de blocos econômicos regionais e o crescimento do comércio mundial. Depois de 1980, quando o avanço da tecnologia de informação e das telecomunicações provocou a expansão do conceito tradicional de logística, e com a incorporação dos serviços da internet, promoveu-se ainda mais o desenvolvimento de novas soluções e conceitos que proporcionassem visibilidade nas operações, principalmente nos níveis de atendimento e redução de custos operacionais, por intermédio do melhor uso dos recursos e da agregação de valor para o consumidor. 3 LOGÍSTICA: CONCEITOS A palavra logística tem origem no verbo francês loger, que significa alojar e que era utilizado para identificar o abastecimento militar de grandes exércitos com tudo o que era necessário para a batalha na linha de frente, longe de suas bases e recursos. Larrañaga (2003, p. 32), definiu logística como sendo: o processo de planejar, implementar e controlar o fluxo e armazenamento eficiente e eficaz em termos de custos, dos bens, serviços e informações relacionadas, desde a origem até o consumidor, com o objetivo de obedecer às exigências dos consumidores. Na opinião de Novaes (2004, p. 35), logística é: o processo de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor. Considera-se um objetivo fundamental da logística é satisfazer as necessidades e preferências dos consumidores finais, e por essa razão, é preciso conhecer seus clientes para poder satisfazer as suas necessidades em plenitude. O conceito de logística empresarial é bastante recente no Brasil. Fleury; Wanke e Figueiredo (2000, p. 19) trazem que: o processo de difusão teve início, de forma ainda tímida, no início dos anos 90, com o processo de abertura comercial, mas se acelerou somente a partir de 1994, com a estabilização econômica propiciada pelo Plano Real. O que se viu, a partir de então, foi o desenrolar de um processo revolucionário,
5 tanto em termos de práticas empresariais quanto de eficiência, de qualidade e de disponibilidade de infra-estrutura de transporte e de comunicações. Para Fleury; Wanke e Figueiredo (2000, p. 27), a logística é um verdadeiro paradoxo: é, ao mesmo tempo, uma das atividades econômicas mais antigas e um dos conceitos gerenciais mais modernos. Desde que o homem abandonou a economia extrativista, e deu início às atividades produtivas organizadas, com produção especializada e troca de excedentes, surgiram três das mais importantes funções logísticas: estoque, armazenagem e transporte. Fleury, Wanke e Figueiredo (2000, p. 284) também trazem que: o que vem fazendo da logística um dos conceitos gerenciais mais modernos são dois conjuntos de mudanças. Primeiro é de ordem econômica. Dentre as principais, a globalização, o aumento das incertezas nos mercados, a proliferação de produtos e as maiores exigências de serviços. Em seu conjunto, esse grupo vem transformando a visão empresarial sobre logística, que passou a ser vista não mais como uma simples atividade operacional, mas sim como uma atividade estratégica, uma ferramenta gerencial, fonte potencial de vantagem competitiva. O segundo é de ordem tecnológica. Enquanto as mudanças econômicas criam novas exigências competitivas, as tecnológicas tornam possível o gerenciamento eficaz e eficiente de operações logísticas mais complexas e demandantes. Na base dessas novas tecnologias está a revolução da Tecnologia de Informação (TI). Microcomputadores, computadores de bordo, coletores de dados, simuladores e otimizadores de rede são algumas das aplicações de hardware e software envolvidas. Combinadas, essas aplicações de tecnologia permitem otimizar o projeto do sistema logístico e gerenciar de forma integrada e eficiente seus diversos componentes. Os dizeres de Fleury, Wanke e Figueiredo, permitem constatar que à medida que as novas tendências econômicas tornam a logística mais complexa e potencialmente mais cara, cresce a importância da utilização das tecnologias de informação, instrumento fundamental para gerenciar a crescente complexidade de forma eficiente e eficaz. Para (Ballou 2001, apud Ubrig, 2005, p. 10), o Council of Logistics Management, uma organização profissional de gestores de logística, que tem, por objetivo, desenvolver a teoria e a compreensão da logística, define o gerenciamento logístico como o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo eficiente e economicamente eficaz de matérias-primas, estoque em processo, produtos acabados e informações relativas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos clientes.
6 Neste entendimento, a logística é uma ferramenta gerencial capaz de agregar valor por meio dos serviços prestados, além de atender os níveis de serviços ao cliente, é também definida como um instrumento de marketing capaz de dispor o menor custo nos transportes e armazenagem, fazendo com que o custo da mercadoria se torne menor. A contextualização leva a compreender que a logística evoluiu muito desde os seus primórdios, e nos últimos anos ela vem sendo reconhecida como uma oportunidade ímpar de crescimento, rentabilidade e competitividade para as empresas. Não obstante, ela aprimora os esforços de marketing, criando condições de vantagem competitiva no mercado. Também agrega valor de lugar, de tempo, de qualidade e de informação à cadeia produtiva. Além disso, procura eliminar do processo tudo o que não tenha valor ao cliente, tudo o que acarreta somente custos e tempo improdutivo. Implica também a otimização de recursos, pois, se de um lado são almejados o aumento de eficiência e a melhoria da qualidade de realização dos serviços, do outro a competição no mercado obriga uma redução contínua de custos. A respeito, Ballou (2001, p. 19) contribui dizendo que: os custos logísticos são um fator-chave para estimular o comércio. O comércio entre países e entre regiões de um mesmo país é freqüentemente determinado pelo fato de que diferenças nos custos de produção podem mais do que compensar os custos logísticos necessários para o transporte entre as regiões. Em sua história e diante seus conceitos, perceber-se a dimensão da logística no planejamento de atividades, transporte de materiais, armazenagem, entre outros, realidade esta que permite entender que não basta produzir somente, é preciso gerir toda a produção, seja antes, durante e depois de seu ciclo produtivo. Existe um vasto caminho para percorrer quando a questão é produzir, e a logística estará em todos os pontos, começando no planejamento das atividades, e depois, agilizando as tarefas, trazendo qualidade, rapidez e resultados satisfatórios. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Pesquisando a logística, sua história e conceitos, compreende-se o quanto é fantástico conhecer sua capacidade de organizar atividades, tanto que a sua aplicação, há séculos, acompanha os trabalhos desenvolvidos pelo homem. Embora seu reconhecimento tenha acontecido em poucas décadas, as vantagens que trouxe acelerou o processo produtivo e
7 beneficiou a sociedade, trazendo vantagens competitivas de grande significado para as organizações. Sua capacidade de evitar perdas durante processos pode fazer a diferença entre um o sucesso ou o fracasso de um empreendimento, considerando que ela traz dois conjuntos de mudanças, sendo um de ordem econômica e outro de ordem tecnológica, considerando que ambos não sobrevivem isolados, tendo que a economia depende também da tecnologia, e ambas da logística. Percebe-se que, mesmo diante a complexidade de uma gestão integrada, satisfazer as necessidades dos clientes e manter a produtividade dentro de um padrão de qualidade, será um desafio constante, mas desenvolvendo um trabalho organizado e com bases sólidas, o sucesso não estará tão distante que não possa ser conquistado, no entanto, é preciso saber aplicar conceitos e métodos, e a logística, com certeza, também ensinará isto. REFERÊNCIAS ARBACHE, Fernando Saba; SANTOS, Almir Garnier, et al. Gestão de logística, distribuição e trade marketing. 3.ed. Rio de Janeiro: FGV, 2007. BALLOU, Ronald H. Logística empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física. Tradução de Hugo T. Y. Yoshizaki. São Paulo: Atlas, 2001. FLEURY, Paulo Fernando; WANKE, Peter; FIGUEIREDO, Kleber Fossati. (org.) Logística empresarial: a perspectiva brasileira. São Paulo: Atlas, 2000. LARRAÑAGA, Félix Alfredo. A gestão logística global. São Paulo: Aduaneiras, 2003. NOVAES, Antônio G. Logística e gerenciamento da cadeia de distribuição: estratégia, operação e avaliação. 2.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004..