Requerimento (Do Sr. Hugo Leal) Sugere ao Poder Executivo sejam tomadas providências no sentido de ser exigido a feitura de diagnóstico precoce de autismo em todas as unidades de saúde pública do país, ser elaborado estudo estatístico para identificar o número de casos existentes no país e, a partir desse estudo, criar instituições destinadas ao autismo. Ademais, sugere a alteração da classificação da síndrome conforme especificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Senhor presidente, Requeiro a V. Exª seja encaminhada ao Ministério da Saúde a indicação em anexo nos termos do artigo 113 inciso I c/c 1º do mesmo artigo, ambos do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Nessa indicação, sugiro ao referido Ministério sejam tomadas providências no sentido de atender de maneira adequada pessoas portadoras de autismo. Informo que, não obstante haver o reconhecimento da questão, a rede pública hospitalar não dispõe de adequadas e suficientes instalações para o tratamento do mesmo. Lembro ser de responsabilidade do Estado assegurar à todo cidadão meios adequados de tratamento médico/hospitalar. No entanto, nesse caso em particular, o Poder Executivo tem se mostrado ausente, situação essa que deve ser revertida o quanto antes. Sala das Sessões, em de março de 2009. Deputado Hugo Leal (PSC/RJ)
Indicação (Do Sr. Hugo Leal) Sugere ao Poder Executivo sejam tomadas providências no sentido de ser exigido a feitura de diagnóstico precoce de autismo em todas as unidades de saúde pública do país, a elaboração de estudo estatístico para identificar o número de casos existentes no país e, a partir desse estudo, criar instituições destinadas ao autismo. Ademais, sugere a alteração da classificação da síndrome conforme especificação da Organização Mundial da Saúde (OMS). Excelentíssimo senhor ministro de Estado da Saúde, Ao longo dos últimos meses, tenho recebido reclamações no sentido de não estar o Estado a atender de maneira adequada as pessoas portadoras de distúrbios no desenvolvimento (autismo). Na verdade, não se trata de atendimento inadequado, mas da quase inexistência de assistência na rede hospitalar de saúde pública. Essa indicação tem como objetivo sinalizar o problema e sugerir sejam tomadas providências no sentido de tornar obrigatório a realização de exames capazes de acusar de maneira precoce o autismo nas unidades de saúde pública, elaborar estudos estatístico para identificar o número de autistas existentes no país e demais informações ligadas ao assunto e, a partir desse estudo, a criação de instituições destinadas ao autismo. Por fim, sugere a alteração da classificação da síndrome conforme especificação da Organização Mundial da Saúde (OMS), ou seja, tratar a doença a partir de terapias multidisciplinares. É dever do Estado proporcionar atendimento adequado e especializado aos portadores de distúrbio no desenvolvimento. Tal preceito não esta escrito em outro texto legal, senão na própria Carta Maior em seu artigo 196. Dessa maneira, de acordo com a Constituição, a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (grifo nosso). O autismo não esta expressamente previsto na Carta, mas, sem dúvida, é doença e como tal merece a devida atuação do Estado.
Além do dever de assistência à saúde, a Constituição Federal também protege a pessoa autista quando enumera os objetivos principais da República Federativa do Brasil. Assim, deve o Estado construir sociedade livre, justa e solidária, reduzir as desigualdades sociais e promover o bem de todos. Quando a questão é de assistência à saúde, atinge o objetivo a partir de medidas corretivas e preventivas no âmbito da saúde. Não obstante as palavras precisas do legislador quanto à obrigação de o Estado promover políticas de saúde pública, incluído aí as relacionadas ao autismo, verifica-se a quase ausência de centros públicos preparados para atender a esse distúrbio. O autismo é questão de saúde pública. A OMS afirma que o autismo está presente desde o nascimento e se manifesta invariavelmente antes dos 30 meses de idade. Caracteriza-se por respostas anormais a estímulos auditivos e visuais e por problemas graves quanto à compreensão da linguagem falada. Em geral, há também incapacidade na utilização social da linguagem verbal e corpórea. O comportamento é usualmente ritualístico e agregado a rotinas, resistência a mudanças, ligação a objetos estranhos e um padrão de brincar estereotipado. A capacidade para pensamentos abstratos e simbólicos ou para jogos imaginativos fica diminuída. Também é universalmente reconhecida a grande dificuldade que os autistas têm em relação à expressão das emoções. Faria parte dessa anormalidade específica incapacidade de reconhecer a emoção no rosto dos outros, falha constitucional envolvendo os afetos. A inteligência varia de subnormal, normal e acima do normal. A execução é com frequência melhor em tarefas que requerem memória simples ou habilidades viso-espaciais, em comparação àquelas que requerem capacidade simbólica ou lingüística. Dentro deste quadro sobressai o sintoma mais significativo que é a dificuldade em estabelecer relações produtivas com o mundo e com os outros, principalmente por causa da dificuldade de comunicação que estas pessoas apresentam. Além destes aspectos, é frequente a criança com autismo apresentar uma série de outros sintomas não específicos, tais como: medo, fobias, perturbações de sono e de alimentação, risos e gargalhadas inadequadas, crises de choro ou extrema angústia, habilidades motoras fina e grossa
prejudicadas, hiperatividade física marcante ou extrema passividade e, mais raramente, crises de agressão ou auto-lesão. O acesso a programas estatais ligados ao autismo possibilitará melhor qualidade de vida dos indivíduos portadores e de seus familiares. Todas as pesquisas demonstram que o diagnóstico precoce do distúrbio e o acompanhamento adequado da criança/adolescente por profissionais de variadas áreas aumenta de maneira significativa o padrão de vida do portador do distúrbio e, por conseguinte, de toda sua família. Infelizmente, a regra hoje é a inexistência de centros especializados e de profissionais preparados para tratar do distúrbio. Quando a família percebe ser seu filho especial, não resta muita alternativa senão adotar medidas medievais de tratamento. Assim, é comum encontrar relatos de famílias que optam em acorrentar seus filhos em camas ou prendê-los em jaulas. Por obvio, não há qualquer tratamento nessas situações. Em alguns casos, o distúrbio faz da criança/adolescente violento, tornando a vida de seus familiares ainda mais difícil. A dignidade da pessoa humana é fundamento constitucional e o Estado tem o dever de promovê-la. A quase ausência de tratamentos ligados ao autismo não é o único problema. Nos poucos lugares onde há algum tratamento para a disfunção, tal fato é feito de maneira inadequada, porquanto continua a ser entendida a síndrome como problema mental e, por conseguinte, é tratado a base de psicotrópicos, ou seja, a base de tratamento medicamentoso. Desde 1994, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o autismo como transtorno invasivo do desenvolvimento e, por isso, o tratamento adequado exige tratamento multidisciplinar e sistemático. Por isso, solicita-se rever os tratamentos adotados na rede de saúde. Além do tratamento complexo, porquanto exige o acompanhamento de inúmeras especialidades, também é fundamental o diagnóstico precoce da síndrome. Estudos científicos demonstram que a intervenção adequada desde os primeiros anos de vida da criança garantem significativo incremento na qualidade de vida do indivíduo. Infelizmente, o autismo continua relegado a segundo plano na rede hospital pública e, por isso, são poucos os profissionais capazes de diagnosticar o transtorno precocemente. Dessa maneira, também solicito providências no sentido de capacitar profissionais da saúde da rede pública para o pronto diagnóstico do autismo. Como inexiste qualquer estatística da quantidade de pessoas portadoras da síndrome no Brasil, sugere-se que o Ministério da Saúde promova estudo estatístico com a
finalidade de apurar a dimensão da questão. Pesquisas norte-americanas indicam incidência de 6 a 7 autistas para cada mil nascituros. Ou seja, se extrapolarmos esses números para o nível nacional, estaremos diante de aproximadamente 1 milhão de casos de autismo no Brasil hoje. São, pois números importantes que exigem mudança no comportamento do Estado. Por isso, faz-se essencial a elaboração de estatísticas que respondam perguntas ligadas à faixa de idade dessa população, sua localização, contexto social dentre outras. Com isso, é possível o desenvolvimento de políticas públicas eficientes. Em função do exposto, solicito nos termos regimentais ao Ministério da Saúde sejam adotadas políticas no sentido de serem estabelecidos instituições destinadas ao tratamento dos portadores de distúrbio no desenvolvimento cerebral. Ademais, solicita-se o treinamento de equipes médicas quanto ao diagnóstico da síndrome. Por fim, solicita-se a elaboração do levantamento estatístico acerca da população portadora da síndrome. Brasília, de março de 2009. Deputado Hugo Leal (PSC/RJ)